quinta-feira, 28 de abril de 2016

Nº 19.249 - "Temer, o retrocesso e sua inviabilidade"

 

28/04/2016

 

Temer, o retrocesso e sua inviabilidade


apocatemer1

Por

Não é preciso coisa alguma, exceto não estar obturado pelo fanatismo  – e como há gente assim, hoje – para perceber que o Brasil está na iminência de uma caminhada para o passado que não tem como ser bem-sucedida.

Mais cedo, escrevi sobre a imoral intenção de tirar de 40 milhões de pessoas o miserável auxílio que lhes representa o Bolsa Família.

É algo que só um cidadão imbecilizado pela vida de classe média pode deixar de compreender o que representa nos miseráveis grotões e periferias deste país.

Áreas que, nestas cabeças, devem ser esquecidas, as primeiras, e tratadas a pau e polícia as segundas.

Mas a barbárie não vai ficar só lá, naqueles que nunca “vieram ao caso” neste país.

Vai chegar a eles, também, pela aposentadoria.

Pela violência, que responde imediatamente ao abandono (Temer, neste campo, tem um especialista a seu lado, Moreira Franco, o que havia prometido acabar com a violência no Rio em seis meses).

Vai chegar pelo salário e pela legislação trabalhista, pelo arrocho ao funcionalismo, por tudo o que se acabou por ver depois que acabou a farsa do real igual ao dólar de FHC.

Vai olhar feio para eles, pelos porteiros e domésticas, que vão começar a sentir na pele que as histórias que ouviam na TV e no rádio não eram bem como lhes contavam.

Vai chegar pelo mundo, que nos olha com espanto, querendo saber como é que um ladrão público comanda um golpe de Estado.

Vai escandaliza-los com a nudez de sua mediocridade, como fez no dia da votação na Câmara.

Vai surpreendê-los com sua voracidade, quando entregarem o pré-sal e abolirem – já deram ontem o primeiro passo, viu D. Marina? – os já miúdos cuidados com o meio-ambiente.

E vai, sobretudo, atazaná-los com o clima de guerra e radicalização que já tomou e ainda vai se ampliar neste país, porque estes retrocessos não se farão sem conflitos.

1964, mesmo no mundo da Guerra Fria, onde golpes eram internacionalmente aceitos desde que fossem “contra a ameaça soviética” só foi possível com força militar repressiva.

Hoje, esta força não pode existir, não num país desta envergadura, que não é um Sudão ou uma Somália.

Esta caminhada para o passado é, portanto, impossível e vai esmagar quem a tentar, ainda que com o apoio ostensivo da mídia e o previsível avanço policial sobre Lula, caminho fácil para um judiciário covarde, que terá de poupar Cunha et caterva…

Mas eles têm de fazê-la, porque é da sua natureza e a matilha da extrema direita o exige. Seria bom, como a Cunha, descartá-la, mas é impossível.

Em nada, já se viu, guardam a prudência de um governo que assumiria em condições precárias, sem voto.

Não, cuidam de tudo como um assalto ao poder, uma reversão completa dos rumos escolhidos eleitoralmente – como, em parte, fez Dilma, com os resultados que se viu – e anunciam pouco menos que uma “revolução” de direita, com a hegemonia que nem mesmo se tivessem vencido uma eleição teriam.

O Brasil, que nunca foi o céu, vai virar um inferno. As instituições preferiram o caminho da autodestruição, da perda do avanço civilizatório.

Entregaram o nosso país a uma aventura.

E a uma desventura, que a todos nós custará caríssimo.


Nº 19.248 - "Aécio se desmancha com aproximação ao PMDB, por João Paulo Cunha"

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28/04/2016

 

Aécio se desmancha com aproximação ao PMDB, por João Paulo Cunha


Jornal GGN - qui, 28/04/2016 - 15:45
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Enviado por Henrique O

Do Brasil de Fato


por João Paulo Cunha

Aécio Neves não é um cara esperto, mas acha que é. Como é próprio do tipo, personalidades como a dele se nutrem mais da autoimagem que da realidade. Uma vez que a vida não lhes proporcionou a saudável experiência do arrependimento nem a construtiva vivência da frustração, acreditam que o real é consequência natural de seus desejos. Não compreendem a derrota, não divisam o outro em seu horizonte, não são capazes do compartilhamento.

Essa infantilidade de caráter se configura, na vida política do senador mineiro, como um misto de arrogância e ressentimento. Quando vence uma disputa, apenas consagra a distinção que julga merecer de nascença. Quando é derrotado, insiste em questionar o resultado e, na efetivação da perda, recolhe a bola ou tenta virar o tabuleiro e espalhar as peças. Completa o diagnóstico mirim dos “espertos-só-que-não” uma peculiar relação com a lei.

Trata-se de uma convicção que os anistiam da prestação de contas dos delitos que eles fazem questão de denunciar em quem está ao lado. Podem, por exemplo, tratar mal as mulheres e dirigir embriagados. Estão liberados para ter amigos donos de aeronaves que transportam drogas e para perseguir jornalistas que fazem seu trabalho. Na atividade política, são inimputáveis de erros e incompetência, pagam publicidade em emissoras da própria família e empregam parentes enquanto espalham aos quatro ventos a litania da meritocracia.

Um falso esperto é facilmente desbancado por um esperto de verdade. Foi onde Aécio se deu mal ao aproximar seu rancor de derrotado de Eduardo Cunha e Michel Temer. Ao associar sua birrenta e irresponsável estratégia de terceiro turno com os próceres do PMDB, que lhe pareceram no momento o melhor caminho – depois que foi vaiado na rua e deixado de lado por seu partido – o ex-governador de Minas, como péssimo mineiro, entregou a faca e o queijo. Mineiro que entrega o queijo não merece perdão.

De nada, agora, adianta dizer que o apoio a Temer está ligado a projetos e compromissos. Não é assim que o PMDB age. O partido – e o avô de Aécio, este sim esperto de verdade, só entrou em suas hostes para ser eleito indiretamente – não cumpre acordos. Afinal, por que Temer seria leal a Aécio quando se mostrou um traidor de letra de bolero com Dilma? É da natureza do PMDB não dividir bônus, apenas ônus. Ele fia apoios que não cumpre, mas cobra a conta antecipadamente. Desta vez, levou o tucano no bico.

Aécio se desmanchou ao se aproximar do PMDB. Tornou-se fiador do mais condenável político do Brasil, Eduardo Cunha, réu no STF. Nunca mais vai se desgrudar dele. Como uma tatuagem, qualquer tentativa de corrigir o equívoco vai gerar uma imagem cada vez mais feia e distorcida. Em relação a Temer, Neves se tornou um triste carregador de lança na cruzada contra a lei. Sua aliança apenas reforça a busca do objetivo do partido mais fisiológico da história republicana: o domínio de fato e de direito da máquina de governar o país.

Para completar, Aécio implodiu seu partido de origem, perdeu confiança entre os empresários que sustentam o ideário liberal e ficou isolado no salão da política. Afinal, a inteligência econômica nunca foi um atributo do senador, que sempre tinha à mão um ministro-papagaio de plantão para explicar o que ele não entendia. Perdeu, ao fim, até mesmo a simpatia que lhe era creditada pela mídia. Ficou chato e não vende mais jornal.

Depois de tanta histeria e ranger de dentes, Aécio ficou com a broxa na mão. Há uma crença no mundo político de que ser presidente é destino, não merecimento ou vocação. Lula, JK e Vargas nasceram para presidentes. Itamar o foi sem que tivesse os méritos do berço ou mesmo a vaidade do desejo. Assim como Dilma Rousseff. O neto de Tancredo, sem os atributos do valor e sem a ventura do acaso, não vai ser presidente da República. Não tem distinção intelectual, competência gerencial, nem carisma. Escolhe mal suas companhias. Para completar, nem a sorte está ao seu lado. Pelo mal que fez ao país, é um desfecho de carreira merecido.

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Nº 19.247 - "Senadores querem novas eleições já!"

 

28/04/2016 

 

Senadores querem novas eleições já!

"É da Presidência que deve vir o apoio decisivo a essa proposta"


 
Conversa Afiada - publicado 28/04/2016
 
 
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No Dia:

Jaques Wagner recebe carta de senadores pedindo apoio de Dilma a novas eleições

Documento é assinado por 11 parlamentares


Brasília - O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) entregou nesta quinta-feira, ao ministro Jaques Wagner carta de duas páginas pedindo à presidente Dilma Rousseff apoio para uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prevê a antecipação de eleição presidencial para outubro. Em entrevista após o encontro, o senador relatou que a proposta foi apresentada na quarta-feira, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e hoje deverá ser discutida por Wagner e Dilma. A carta é assinada por 11 senadores.

"É do mais alto cargo da República que deve vir o apoio decisivo a essa proposta (...), que tem o condão de unificar o País para sairmos do impasse que paralisa a economia e impõe incertezas ao Brasil e aos brasileiros pelo que se desenha no processo de impeachment, que se arrasta no Congresso Nacional e pode agravar ainda mais esse cenário", destaca um trecho da carta. "Apelamos à Vossa Excelência em favor de uma posição altiva de apoio a uma saída da crise pelo voto popular, para que se reconheça a gravidade do momento e se coloque à disposição do povo brasileiro, acatando soberana decisão do Congresso Nacional pela convocação de novas eleições presidenciais", acrescenta.

Na entrevista, Randolfe disse que o objetivo da proposta não é protelar o processo de impeachment. Ele disse ainda que há espaço em setores do Congresso para propor à presidente que, por meio de um projeto de resolução, sugira um referendo simultâneo às eleições municipais de outubro sobre a continuidade ou não do mandato de Dilma.

A proposta feita na carta já está sendo discutida pelo Palácio do Planalto. A equipe da presidente Dilma, no entanto, sempre avaliou que a proposta de antecipar as eleições não deveria partir formalmente do governo, que demonstraria assim fraqueza no atual processo do impeachment.

Nº 19.246 - "Jô Soares sai em defesa de Chico Buarque e José de Abreu "

"Me espanta cada vez mais o ambiente de impaciência que o Brasil está vivendo. Esse episódio que aconteceu com o José de Abreu é constrangedor. Um cidadão não pode sair com sua mulher para jantar que é obrigado a ouvir insultos terríveis. Disseram horrores sobre a mulher dele. A reação dele foi levantar e dar uma cusparada no casal, que também é uma reação movida por um 'não aguentar mais'", disse o apresentador. "A pessoa não pode ter uma opinião ou tendência política que é condenada. Isto está ficando igual ao comportamento de alguns deputados no Congresso, que também é lamentável", completou.

Em seguida, Jô fez questão de sair em defesa de Chico Buarque. O compositor é constantemente alvo de críticas e ofensas por declarar seu apoio ao Governo Dilma.

"O Chico Buarque não pode sair de casa sem ser agredido ou ofendido. O Chico é um patrimônio deste país. Eu fico comovido e com vergonha. Feliz o país que tem um Chico Buarque. Um cara que deveria ser reverenciado, mas ao invés disso sai de casa com os amigos e é agredido de uma forma mesquinha.

Desculpa, mas precisava fazer esse desabafo", disse Jô com lágrimas nos olhos, arrancando aplausos da plateia.

Jô também aproveitou para falar sobre a Lei Rouanet. Criada em 1991 durante o governo Fernando Collor, a lei incentiva diversas áreas da cultura, contemplando tanto artistas iniciantes e independentes quanto os de carreira já consolidada —um de seus pontos mais controversos.

"A confusão que fazem com relação à Lei Rouanet é brutal. Quem tem possibilidade de levantar verba por meio da lei é o produtor. E eu digo isso com total isenção porque eu não sou produtor de nada na área artística, eu sou diretor de espetáculos. Além de maldade, é uma ignorância falar que o José de Abreu vive às custas da Lei Rouanet. Isso é um total desconhecimento da lei", finalizou Jô.

Críticas a Bolsonaro

Jô também aproveitou o seu programa para criticar o deputado Jair Bolsonaro. O apresentador se mostrou inconformado com o fato do político ter dedicado seu voto a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido pela Justiça como torturador durante a ditadura militar.

"Ninguém pode estar de acordo com a maneira como esse homem age. É realmente muito grave. Ele fez apologia ao crime. É uma pessoa que não merece estar no Congresso Nacional. É uma vergonha", disse.

Em dezembro de 2014, Jô repreendeu um rapaz da plateia que gritou palavras de apoio a Jair Bolsonaro.

Na ocasião, o deputado era acusado de ferir o decoro ao dizer que "não estupraria Maria do Rosário [PT-RS] porque ela não merecia".

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Nº 19.245 - "STF responderá à história por sua conivência com Cunha"

 

28/04/2016

 

STF responderá à história por sua conivência com Cunha

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Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

por Bepe Damasco, no Blog do Bepe

Resultado de imagem para bepe damascoNão agora, pois se beneficiará dos efeitos de um país doente, com instituições e mídia monopolista manchadas pelo golpismo mais infame. Mas o Supremo Tribunal Federal não escapará do veredicto da história. Ao permitir que um bandido como Cunha ficasse de mãos livres para agir, a mais alta corte do país escreveu mais uma página triste de sua história.

Só o apoio à tese da ruptura da ordem democrática a qualquer preço, embora velado e escamoteado, pode explicar a omissão da Corte diante das manobras de um criminoso. Em dezembro do ano passado, ou seja, há longos cinco meses, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou ao Supremo pedido de afastamento de Cunha da presidência da Câmara dos Deputados.

O procurador, por sua vez, já demorara uma eternidade para pedir providências ao STF. Abro um parênteses : imaginem a celeridade tanto da PGR como do Supremo se por ventura o presidente da Câmara fosse do PT ? Fecho parênteses. Então, não cabe mais especulações sobre a demora do Supremo em apreciar o caso Cunha.

Passaremos atestado de burro para nós mesmos se dermos ouvidos a quaisquer justificativas burocráticas, regimentais, etc, para essa absurda e pusilânime demora. Não é crível que os senhores ministros sessentões e setentões não soubessem que Cunha na presidência da Câmara conduziria, apoiado pelo bando de zumbis que o cerca no parlamento, um processo de impeachment ilegal, sem crime de responsabilidade, cheio de vícios e levado adiante com toda sorte de molecagens.

E aí não é possível livrar a cara de nenhum dos ministros. Por ação ou omissão, em maior ou menor grau, todos carregarão essa macha em sua biografias. Claro que cabe distinções quanto ao padrão de conduta jurídica e moral que exibem. Nada se compara em termos de partidarização mesquinha, e da falta de mínimo de compostura exigida dos verdadeiros juízes, a Gilmar e Tofolli.

Feita a ressalva, a inação do presidente Lewandowski, Barroso, Zavaschi (que chegou a dizer que não há prazo para o julgamento de Cunha) e Marco Aurélio (que se limitou a apontar a fragilidade da acusação contra Dilma e depois saiu de cena) é inaceitável e leva à conclusão estarrecedora para a sociedade de que mesmo as melhores cabeças da Suprema Corte acabaram se curvando à vilania do golpe.

O Supremo permitiu que Cunha, maior expoente da escória da política e acusado de um sem número de crimes, liderasse um processo para apear do poder uma mandatária eleita com 54 milhões de votos.  Por isso,  a instituição STF é parte fundamental do golpe e caminha para mais uma condenação no implacável tribunal da história.

Depois de ter recentemente chancelado a farsa montada pela Ação Penal 470, nítida encenação político-midiática para ferir o PT, agora suas excelências abdicam da prerrogativa fundamental de defender a Constituição, revivendo episódios abjetos do passado.

Vale lembrar que o Supremo carrega a nódoa de ter grande responsabilidade pela deportação de Olga Benário Prestes, para ser assassinada num campo de concentração nazista, pela cassação do registro do Partido Comunista do Brasil em 1947 e pela validação, em 1964, da manobra golpista de decretar a vacância da presidência quando Jango se encontrava em território nacional.


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 PITACO DO ContrapontoPIG


Nenhum brasileiro minimamente informado e com qualquer resquício de dignidade entenderá e aceitará a atitude do STF em relação ao golpe de estado que vivemos.

 
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Nº 19.244 - " Cunha e o 'tá tudo dominado'. Por Arnaldo César "

 

28/04/2016

 

Cunha e o “tá tudo dominado”. Por Arnaldo César

cunhablak
 

Por

Arnaldo César Ricci, colaborador do Blog do Marcelo Auler e jornalista que já viu muito passar sob a janela,  publica por lá um texto que, de tão direto, não resisto à tentação de transcrever.

É o desenho da barganha que o noticiário vai confirmando de que Eduardo Cunha tem sua anistia “acertada” na Câmara e por acertar ainda no STF, mas já bem encaminhada.

Afinal, um Supremo que deixa um ladrão derrubar uma Presidente eleita e aceita acertar com este mesmo ladrão e seu réu a aprovação de seus próprios aumento de salários, perdeu, além da vergonha, o respeito que deve merecer.

Arnaldo César mostra a que ponto o ódio político fez a mídia e todos aqueles que deveriam ter a institucionalidade como método irrenunciável de conduta entregaram o nosso país a um clima de ódio, loucura e vale-tudo, onde mal se disfarça que Eduardo Cunha é o homem mais poderoso.

Estelionato político

Arnaldo César, no blog do Auler

Dois dos mais aguerridos veículos empenhados na campanha pelo impeachment (Veja e Folha de S.Paulo) já destacaram em seus editoriais que o processo de destituição da presidente Dilma é fruto de um ato de vingança. Furioso com o fato do PT na ter votado com ele na Conselho de Ética da Câmara Federal, presidente da Casa, Eduardo Cunha, resolveu detonar o governo.


No esforço para salvar sua pele a qualquer custo, o ardiloso Cunha convocou o seu exército de 250 pigmeus (composto por parlamentares evangélicos, ruralistas, oposicionistas espertalhões e toda a sorte de proxenetas da coisa pública) e foi para a guerra.

Antes, porém, se encarregou de convencer o seu subordinado Michel Temer a assumir a cadeira, na hipótese, de Dilma ser catapultada. Também se encarregou de unir forças com todas as demais agremiações que fazem oposição ao governo, em especial, o PSDB e o DEM.

Dai a galvanizar o ódio das classes mais endinheiradas de todos os quadrantes do País foi um pulo. 

Afinal, a “República de Curitiba” com a sua “Operação Lava Jato” já havia, há dois anos,  instaurado um clima de desconfiança contra o governo e o seu partido, o PT.


Cunha não teve ainda maiores dificuldades em cativar a simpatia daqueles que ocupam cadeiras estratégicas na mais alta corte da Justiça. Não se esquecendo, neste caso, da trinca de ases formada pelo “jagunço” Gilmar Mendes, o “menino” Toffoli e o decano Celso Mello. Os três fizeram questão inclusive de vir a público para dizer que “o golpe não era golpe”.

Canoa furada – Eduardo Cunha, a figura acusada, em seis processos, pela Procuradoria Geral da República (PGR) de corrupção, recebimento de propina, traficância de influência, desvio de dinheiro público, remessas ilegais de divisa e sonegação de impostos para se proteger de tantas acusações passou a cometer o mais devastador estelionato político da história desta República.

O dantesco e vergonhoso espetáculo do domingo dia 17/04 nem bem havia acabado e o deputado Paulinho da Força (SD/SP) já corria atrás de jornalistas no Congresso para defender a tese de que “Cunha pelo enorme serviço que acabara de prestar à Nação merecia ser anistiado das denúncias da qual era vítima”.

Algo mais claro, impossível. Tanto que cabeças coroadas dentro do PSDB já perceberam a trama. Recusavam indicar nomes para ministros num eventual governo Cunha/Temer. Alegavam que, se mergulhassem nessa aventura, não teriam nenhuma chance na próxima eleição de 2018. 

Pressionados, acabaram cedendo e deverão ter em José Serra seu representante no ministério.

Motivo inócuo – Enquanto a encrenca ganha desdobramento no Senado Federal, Cunha não abandonou o posto de “marechal de campo”. Dentro do seu território providenciou, a custa de muitas intimidações e ameaças, para que seu processo não tenha curso no Conselho de Ética. 

Articulações também estão sendo feitas nos bastidores do STF para que o dito sobre os seis processos fique pelo não dito.

Há seis meses desde que esse jogo de ameaças, chantagens e golpes baixos teve início o País vive em estado de agonia. Dividido ideologicamente, seus cidadãos minimamente politizados passaram a se agredir com cusparada na cara, chutes, tapas e até pauladas. Por sorte, ainda não se tem registro em que as diferenças política foram resolvidas a bala. Mesmo leves, essas agressões evidenciam que estamos no limiar de uma perigosíssima convulsão social.

Com apenas 30 anos de existência a democracia brasileira é uma criança. Talvez, estejamos experimentando aqueles momentos de privação da razão, típico do jovens. Vá lá que seja isso. Mas como explicar aos 8 milhões de pessoas – sejam elas mortadelas ou coxinhas – que foram à rua protestar contra ou a favor do atual governo que toda a mobilização deles só serviu para uma coisa: livrar a cara do Cunha de ser condenado como corrupto?

“Privação da razão”, talvez, explique a barafunda em que nos empurraram. Mas, não nos livrará do caos. A sorte é que ainda há tempo para que a inteligência volte a prevalecer.

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Nº 19.243 - "Agora, sim, o Brasil vai dar certo. Está em mãos honestas! Por Jari da Rocha"

 

28/04/2016 

 

Agora, sim, o Brasil vai dar certo. Está em mãos honestas! Por Jari da Rocha

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A conta não é muito difícil de ser entendida.

Derruba-se o governo com todas as suas políticas sociais, que só ‘oneram’ o Estado, enxugando-o e reduzindo-o ao mínimo para que possa atender quem realmente precisa dele.

Ao povo, cabe relembrar – os que esqueceram terão que puxar da memória e ensinar aos mais jovens – o antigo conselho de economistas gordos e corados. Apertar os cintos!

Enquanto isso, eles trabalham para aumentar o bolo que nunca será divido.

O que se viveu nos últimos anos, através de um Estado de Bem Estar Social, cujos investimentos serão chamados de gastos, será esquecido na primeira curva do rio neoliberal.

À base de machadadas no orçamento, ajuste fiscal (para ‘sanear’ o estado) o arrocho virá com tudo pra pegar, de jeito, a arigozada.

Mas, não sem antes puxar a orelha desse povo que andou gastando o que não devia.

Quem mandou comprar geladeira?

Quem foi que mandou comprar carro?

Quem mandou comprar casa própria?

Ainda não sabe qual a parte que te cabe desse latifúndio?

Pobre tem que viver de aluguel, se amontoar em cortiços, se virar sardinha em coletivos (sem ar condicionado, óbvio) e penar nas filas dos SUS. Antes que o SUS acabe, claro.

Depois poderá morrer em paz na porta de alguma clínica ou hospital particular.

Mais saúde? Médicos cubanos – aqueles que conversam com o paciente por quase meia hora, aqueles que ouvem, dão conselhos, perguntam? Esqueça.

No lugar da medicina preventiva o trabalhador será entupido de remédios, que não conseguirá comprar.

Time is Money. Três minutos para cada “morrente”e de pé, de preferência, pois a fila tem que andar.

Quem não gostar que vá reclamar ao papa, aquele comunistazinho.

“Não existe almoço grátis” diz o bruxo dos neoliberais e, também, de uma dúzia de assalariados com mania de patrão.

Nem almoço grátis, nem faculdade grátis (pra pobre).

O pobre vai ter que aprender a se esforçar como os ricos fazem. Acordar cedo, pegar dois ônibus, trabalhar e estudar. Fazer cursinhos de milhões e nunca desistir.

Virem-se, afinal, “todos nasceram com as mesmas oportunidades”.

E, nunca esqueça: sempre aperte o cinto!

Sobre o Bolsa Família nem é preciso comentar. A sociedade da digestão bem feita do país já se posicionou.

Nada de “Bolsa Vagabundo”. Pobre bom é pobre morrendo de fome.  O jejum santifica!

Pobre não tem que atrapalhar a economia, o desenvolvimento e muito menos o ‘progresso’ do país.

Os direitos trabalhistas terão que ser flexibilizados. É muito direito para o trabalhador e pouco para o empregador.

“O país tem que voltar a dar lucro”.

Todas as estatais – Petrobras, Banco do Brasil, Caixa etc – devem ser privatizadas. Elas são um ‘peso’ para o estado, que é incompetente para administrar.

Essa turma aí, que quer dar o golpe, tem amigos bem mais competentes para isso e rola até um financiamentozinho via BNDES.

A imprensa terá papel fundamental nesse processo de ‘sacrifício libertador do povo brasileiro’.

“Podemos tirar se preferir”: alguma corrupçãozinha que, porventura, apareça. Corrupção era coisa do PT.

Em caso de alguns baderneiros insatisfeitos quererem atrapalhar os rumos da nação, a PM estará a postos para manter a ‘ordem’, uma vez que o ‘progresso’ já estará a todo vapor.

Programas de TV mostrando miseráveis são bem vindos, ajudam aos remediados a não reclamarem da sorte que têm.

Consultas ao FMI são aconselháveis. O superávit primário será mantido e os juros dos rentistas garantidos.

Juros, aliás, como o deus mercado: lá no alto.

O aumento de tributos pode ser um fator animador e a igualdade deverá ser perseguida. Todos pagarão a mesma coisa: miseráveis, pobres, remediados, semi-ricos, quase ricos e, também, os ricos, que também são filhos de Deus.

E quando todo o plano estiver bem consolidado – e o plano da internet limitado – o brasileiro poderá sentar-se na beira da calçada, olhar para o nada, lembrar o passado recente e chorar até soluçar.

Certamente será de alegria, por ver o nosso país tomar rumo, dirigido pelas mãos honestas, competentes e confiáveis de Eduardo Cunha e Michel Temer. Gente que não rouba e que não trai.

Ah, e felizes porque a nossa bandeira não será vermelha, mas preta.
 
De luto.
 
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Nº 19.242 - "A segunda guerra pelo Mais Médicos"

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28/04/2016

A segunda guerra pelo Mais Médicos

 

Brasil 247 -  28/04/2016

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Paulo Moreira Leite
Convocada para amanhã, no Planalto, a cerimônia de assinatura de uma Medida Provisória para proteger o programa Mais Médicos deve transformar-se num primeiro ato em defesa de um das melhores heranças de Dilma Rousseff,  colocada sob ameaça por um eventual governo Michel Temer.
 
Criado por Dilma em 2013, como uma resposta coerente aos imensos protestos ocorridos no primeiro semestre daquele ano, o Mais Médicos atende 63 milhões de brasileiros e tornou-se um dos mais bem sucedidos programas sociais em vigor no país depois da chegada do condomínio Lula-Dilma no Planalto. O índice de satisfação da população beneficiária, residente em áreas carentes e pontos remotos, fica próximo do absoluto.

Num máximo 10, a nota média é de 8,7, contra 6,6 na situação anterior. Ouvidos em pesquisa coordenada pela Universidade Federal de Minas e pelo IPESP (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Economicas), junto a 14.179 pacientes, 227 gestores e 391 médicos, apurou-se que 95% dos usuários se declaram satisfeitos, 87% dizem os médicos são mais atenciosos, e 82% afirmam que encontraram soluções melhores ou muito melhores para seus problemas de saúde durante a consulta.

A ameaça a sobrevivência do Mais Médicos encontra-se no artigo 16 da Lei 12.871, que criou o programa, e reflete a única vitória obtida por seus adversários naquele ambiente de cerco  que o governo enfrentou durante os protestos de junho de 2013. Aliando-se ao PSDB, ao DEM e demais siglas conservadores, as entidades médicas conseguiram impor um limite de sobrevivência do programa -- o período de permanência no programa de médicos formados no exterior, sejam brasileiros ou não. Fixou-se um prazo limite de três anos para que eles pudessem servir ao Mais Médicos munidos apenas do diploma de formação em sua escola de origem. Após esse período, diz a lei, tornou-se obrigatório fazer um exame de revalidação para que pudessem seguir atuando no país. Caso contrário, seriam obrigados a optar entre deixar o Brasil ou abandonar a medicina. Parece uma medida bem intencionada, e até ciosa do ponto de vista da atenção aos pacientes, mas não é.

Num país onde a oferta de médicos por habitante está vergonhosamente abaixo das necessidades da maioria da população e mesmo do padrão autorizado pela renda per capta, a viabilidade econômica do Mais Médicos se apoia na presença de 18 240 médicos que atuam fora do mercado convencional da profissão. A experiência de outros países e mesmo o bom senso mostra que nem todos se dirigem para atuar nos pontos de extrema pobreza movidos por um puro espírito solidário e altruísta, ainda que estes fatores sejam reais em casos numerosos e dignos de admiração. Os efeitos práticos da mudança em curso, caso o artigo 16 seja mantido, é fácil de entender

Ao contrário do que ocorre hoje, quando só estão autorizados a atuar como profissionais do Mais Médicos, com o exame de validação eles estarão autorizados a ingressar no mercado de trabalho convencional da medicina brasileira, que tem aqueles atrativos que se pode imaginar: salários mais altos, um conforto material típico de classe média e uma vida nos bairros relativamente bem equipados das grandes cidades brasileiras. Caso sejam obrigados a fazer o exame de validação, terão a porta aberta para deixar o mundo dos brasileiros carentes para disputar um lugar ao sol no mercado da medicina brasileira, cuja dinâmica combina um atendimento privado que atinge 20% da população, em grande parte subsidiado pelas garantias oferecidas pelo Estado através do SUS. Não estamos falando de um pequeno número de doutores.

Embora o recrutamento inicial desse prioridade aos profissionais brasileiros, apenas um terço 18.240 médicos que atuam no programa são brasileiros ou têm registro no país, contra 12 966 com registro profissional no exterior -- ou porque são estrangeiros de nascimento, como ocorre com 11 429 de nacionalidade cubana, ou porque foram estudar no exterior.Caso o artigo 16 seja mantido, uma parcela considerável será devolvida ao mercado de trabalho convencional, promovendo o esvaziamento gradual do atendimento. Entre julho e dezembro deste ano, vencem os limites de permanência sem validação de 7 000 estrangeiros, ou 38% dos médicos do programa. Uma nova leva vence nos semestres seguintes e assim por diante, com resultados previsíveis para a população que vive nos pequenos municípios e bairros mais pobres e distantes, onde, conforme já admitiu ACM Neto, insuspeito prefeito de Salvador, "médico cubano é mais conhecido do que Ivete Sangalo."  

A ideia de que é preciso assegurar a sobrevivência permanente do Mais Médicos é antiga, mas se consolidou depois da divulgação do documento Ponte para o Futuro, que tem servido de bússola para nortear os rumos de um possível governo Michel Temer. Examinando ideias daquele documento, cuja prioridade máxima reside no corte de gastos públicos, o secretário Hêider Aurélio Pinto, responsável pelo Mais Médicos no Ministério da Saúde, escreveu o artigo "A Saúde e o SUS:  como ficariam num pós-impeachment", publicado há pouco no 247. No texto, lembra a preocupação absoluta de Temer com redução de gastos, a ponto de falar em "acabar com as vinculações constitucionais estabelecidas", além de falar em "estabelecer um limite para despesas de custeio inferior ao crescimento do PIB, através de lei." O secretário também recorda um projeto de privatização escancarada da Agenda Brasil proposta pelo PMDB no Senado, favorável a "cobrança diferenciada de procedimentos do SUS por faixa de renda. Considerar as faixas do Imposto de Renda de Pessoa Física." O suíço Eduardo Cunha também entrou nesse debate em 2014, através de um Projeto de Emenda Constitucional.

Há três anos, quando o Mais Médicos foi lançado, Dilma recuperava-se da formidável ofensiva das ruas que atingiu seu governo. O programa foi parte da reconstrução da presidente, que acabaria reeleita um ano e meio depois, mesmo enfrentando um jogo sujo na reta final. Em abril-maio de 2016, a luta em defesa do Mais Médicos permite ao governo pisar em terreno conhecido e já aprovado, que a população tem interesse óbvio em defender, especialmente a mais pobre. O fato deste debate se colocar num ano de eleição municipal é um fator que fortalece a mobilização a favor, quando se recorda os transtornos e prejuízos que uma mudança desse porte na rotina de uma população a caminho das urnas. 

   Um dos principais defensores da MP é  Marcio Lacerda. Prefeito de Belo Horizonte, aliado de Aécio Neves, Lacerda é o atual presidente da Frente Nacional de Prefeitos, que expressa os interesses das maiores cidades do pais. Argumentando, entre outras coisas, que "muitas cidades dependem dos médicos intercambistas (assim os estrangeiros são chamados) para manter os serviços básicos de saúde da população", e que "a descontinuidade (do Mais Médicos) criaria um caos nas cidades, justamente em período eleitoral",  há dois dias Márcio Lacerda enviou carta ao ministro Marcelo Castro em defesa da Medida Provisória que capaz de assegurar "a continuidade do programa" e a "permanência dos profissionais sem que haja retrocesso dos avanços já conquistados."

   Com argumentos ainda mais enfáticos, Eduardo Tadeu Pereira, da Associação Brasileira de Municípios, escreveu uma carta a Dilma onde disse o seguinte: "Até 2013, a falta de de médicos inviabilizava a atenção básica nos municípios, sobretudo nos pequenos e médios, que apresentavam dificuldade para a fixação de profissionais. O Mais Médicos não apenas revolucionou esse cenário, como pautou uma agenda positiva no âmbito da saúde local."


Paulo Moreira Leite. Jornalista e escritor, diretor do 247 em Brasília
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Contraponto 19.241 - "Sobre farsas e farsantes, por JB Costa"

 

28/04/2016

 

Sobre farsas e farsantes, por JB Costa

 



Por JB Costa

De farsa em farsa este país de políticos e agentes públicos farsantes assiste mais uma tragédia em forma de farsa(ou uma farsa em forma de tragédia?)

Farsa grotesca porque inexiste previsão legal que a ampare e, farsa das farsas das farsas(até o infinito),  quando denomina de "julgamento" um evento em que todos os "juízes" de antemão já inocentaram, mas e principalmente, condenaram a ré. Mais ou menos como escovar os dentes antes das refeições e morrer antes de nascer. Filosoficamente, o efeito antes da causa; no linguajar popular "o carro puxando os bois".

Pergunta-se: quanto custará ao mirrado, suado, dinheiro dos contribuintes esse "espetáculo"? Já não bastou a pantomima da Câmara dos Deputados, hoje já incluída não só no anedotário nacional, mas de todo o planeta? Por que nos submeter à discurseira demagógica e vazia dos ditos "pais da Pátria"(mais para "padrastos")?

Poupe-nos prezados senhores e senhoras, poupem-nos. Como tudo já está preliminarmente decidido, deixem de tanta hipocrisia, Numa única sessão vossas excelências podem dar cabo dessa contrafação.

Quem poderia, e deveria! ter dado alguma significância e seriedade a esse processo incide num desvio de caráter imperdoável, injustificável, abominável e execrável, o dito Supremo Tribunal Federal, que a rogo da alegada "não interferência em outros poderes", se omite covardemente num momento tão crucial para o país.

O Supremo não iria "supremar", apenas cumprir o seu mister de guardião da Ordem Institucional ora esgarçada por politiqueiros irresponsáveis, argentários gananciosos, revanchistas e arrivistas.

Estamos empenhando, provavelmente, com essas abomináveis demonstrações de irresponsabilidades, omissões e desamor à causa pública, parte dos sonhos e do bem-estar das próximas gerações.

O Povo brasileiro, o sofrido e sempre esperançoso povo brasileiro, não merecia, nem merece isso.

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Nº 19.240 - "Lula vai para cima do Procurador vertical"

 

28/04/2016

 

Lula vai para cima do Procurador vertical

Ele trata o Lula como culpado antes do julgamento


Conversa Afiada - publicado 27/04/2016
 
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 Do Instituto Lula:

Advogados de Lula entram com pedido de providências no CNMP sobre procurador Carlos Fernando Lima

Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolaram, nesta quarta-feira (27), no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), um pedido de providências acerca de irregularidades cometidas pelo procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, por imputá-lo como culpado sem nenhum fato concreto, julgamento justo ou mesmo apuração concluída, alimentando a perseguição midiática que tem o objetivo de atacar a honra e a imagem do ex-presidente.

As declarações de pré-julgamento, que, reproduzidas à exaustão pela mídia configuram verdadeiro tribunal paralelo, começaram no dia 4 de março, em coletiva quando da condução coercitiva ilegal feita contra o ex-presidente. E continuaram. Na última  edição  da Revista "Época", Lima concedeu entrevista na qual, novamente, antecipou juízo de valor a respeito do ex-presidente - pretendendo, com isso, impor a este rótulo de culpado sem nenhum fato concreto e muito menos o direito a um julgamento justo. E hoje (27), concedeu entrevista à Rádio Jovem Pan, confessando ele mesmo a realização de julgamento prévio do ex-presidente. A Força-Tarefa também já adiantou à imprensa que apresentará denúncia para tornar o ex-presidente inelegível. O caso torna-se mais grave já que as manifestações são feitas por funcionário público em caso que corre em sigilo de Justiça, e cuja própria competência encontra-se em análise no Supremo Tribunal Federal, não só entre a Força-Tarefa e a Procuradoria Geral da República, mas também entre a Lava-Jato e o Ministério Público Estadual de São Paulo. As manifestações de Carlos Fernando Lima recaem sobre investigação sigilosa e de competência do Supremo Tribunal Federal.

Na entrevista para a revista Época o procurador se contradiz ao afirmar ter certeza que o ex-presidente é culpado ao mesmo tempo que alega que são necessárias mais diligências na investigação. Isso mostra evidente pré-julgamento e a busca não da verdade, mas apenas de elementos que estariam de acordo com o pré-julgamento público emitido pelo procurador. Para os advogados de Lula, "tal conduta é extremamente grave, não podendo ser tolerada, principalmente por tratar-se de reincidência na questão."

Os advogados de Lula pedem providências ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para que intervenha a fim de que o procurador federal seja afastado de casos relacionado ao ex-presidente por ter afrontando o princípio da presunção da inocência e sigilo de Justiça, e por ter revelado um anseio pessoal em envolver indevidamente o ex-presidente na Lava Jato. Pedem também que o Conselho atue para que ele se abstenha de emitir novos juízos de valor a respeito de qualquer apuração não concluída sobre o ex-presidente e seus familiares.

A petição lembra que o Procurador-Geral Rodrigo Janot, em carta à corporação, exultou seus membros a agirem de forma serena e dentro da lei: "é chegada a hora de exercermos, por inteiro, as nossas funções institucionais, influenciando a sociedade pelo bom exemplo e pelo trabalho técnico e sereno. Não podemos permitir que as paixões das ruas encontrem guarida entre as nossas hostes. Somos Ministério Público."

A ação também cita voto do conselheiro Jarbas Soares Júnior, que classificou as antecipações de ações via imprensa como uma "espécie de amadorismo", que "depõe contra a Instituição como um todo, lamentavelmente, e causa desprestígio social e intelectual ao Ministério Público".

Ainda segundo o conselheiro:

"Antecipar juízo de valor, efeitos de eventual ação penal ou civil,  indicar responsáveis por malfeitos no início das investigações, divulgar  diligências que ainda nem foram realizadas, ou, como no caso, os  resultados dessas diligências sem uma análise cuidadosa, e o que é pior,  violar sigilo processual, ou de diligências, em razão do cargo, como  observado na espécie, revela, desculpe-me o termo, uma espécie de amadorismo. Essa espetacularização das ações dos membros do  Ministério Público depõe contra a Instituição como um todo,  lamentavelmente, e causa desprestígio social e intelectual ao Ministério  Público, instituição tão fundamental ao Estado de Direito. Tal situação, ao meu juízo, não pode se perpetuar no tempo, pois não somos mais uma Instituição juvenil. Já temos uma história construída após a Constituição  de 1988. Se é certo que ousamos no início, se acertamos, e, às vezes,  errando em determinado momento da história recente, ao fim,  conquistamos a confiança da sociedade. Portanto, os erros voluntários  não podem mais ser tolerados, sobretudo por este Conselho Nacional,  que tem a incumbência de exercer as funções elencadas no art. 130-A,  §2º, da Constituição da República"


Seguem as matérias citadas na ação:

1 - coletiva de imprensa concedida no dia 04 de março de 2016 - https://www.youtube.com/watch?v=SKtQLmg81Uw

2- afirmações da Força Tarefa acerca de possível ação por improbidade a Folha de S. Paulo em 7 de março de 2016 - http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/03/1747080-lava-jato-cogita-abrir-acao-que-impediria-candidatura-de-lula.shtml

3- afirmações em entrevista concedida após palestra em 29 de março de 2016 - http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2016-03-30/nao-ha-definicao-sobre-denuncia-de-lula-afirma-procurador-da-lava-jato.html

4 - entrevista concedida à Revista Época, edição de 25 de abril de 2016

5- entrevista concedida à Rádio Jovem Pan em 27 de abril de 2016 - http://jovempan.uol.com.br/programas/jornal-da-manha/procurador-aponta-lula-no-comando-do-petrolao-e-diz-que-investigacoes-na-lava-jato-podem-voltar.html


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PITACO DO ContrapontoPIG 


Este procurador - apelidado  como "boca de furico" pelo fotografo ambulante Joel  Fuinha - tem a ideia fixa de perseguir o Lula.

Ele não perde oportunidade para espetar o ex-presidente e mostra-se eficiente como papagaio de pirata aparecendo em várias fotos em órgãos de circulação nacional.

Carlos "boca de furico" Fernando dos Santos Lima  tem o passado não muito "glorioso", pela sua parcialidade.

Vejamos no Diário do Centro do Mundo de 05/03/2016
O passado obscuro do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima  

 
(...)

"Em setembro de 2003 a IstoÉ publicou uma matéria sobre Santos Lima cujo título é no mínimo inspirador: “Raposa no galinheiro”. O subtítulo emenda: “Procurador Santos Lima, casado com ex-funcionária do Banestado, tentou barrar quebra de sigilo de contas suspeitas”.

(  ) 

A denúncia ocorreu quando uma comissão de autoridades brasileiras encarregadas de apurar o escândalo do Banestado foi até os EUA em busca de provas e documentos sobre lavagem de dinheiro e remessas ilegais de recursos para o exterior.

Segundo os jornalistas (Amaury Ribeiro Jr. e Osmar de Freitas Jr.), o procurador Santos Lima tentou de todas as maneiras impedir que os “preciosos documentos” fossem entregues aos membros da CPI. A matéria conta que a atuação do procurador causou constrangimento tanto na delegação brasileira quanto nas autoridades dos Estados Unidos. Nas palavras de um dos americanos: 'Foi insólito'.


Resultado de imagem para procurador carlos fernando lima
A foto acima mostra claramente a razão do apelido
 criado pelo fotografo Joel Fuinha

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Nº 19.239 - "O regime de força já respira entre nós"

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28/04/2016 

 

O regime de força já respira entre nós

 

Engenheiros sociais já falam em cortar 15% do Bolsa Família e milícias da Fiesp executam o policiamento ideológico da Avenida Paulista. 

 

 

Carta Maior -25/04/2016

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FIESP


 por: Saul Leblon

A barbárie já respira entre nós. Da leitura atenta dos jornais, em ordem e com atenção inversa à pretendida pela edição, sente-se o sopro do regime de força a pulsar seu passo de ganso no metabolismo nacional.

O assoalho da democracia range, enquanto a narrativa dominante tenta naturalizar judicialmente o que é, na verdade, uma ruptura do chão institucional.

É possível ouvir a voz dos personagens icônicos da conspiração em marcha batida.

Já se vive em uma sociedade em que a suprema corte da justiça age como um anexo dos que, sem voto, se avocam a prerrogativa de ‘corrigir o voto popular’, na expressão feliz do ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica.

Tome-se personagens do calibre de um Gilmar Mendes, ou de Celso de Mello –dois retificadores empenhados em desasnar as urnas.

Ou aspirantes ao mesmo posto mas de estatura inferior, a exemplo de um Dias Tofolli, ou  Rosa Weber e Cármen Lúcia (‘não tenho prova cabal contra Dirceu – mas vou condená-lo porque a literatura jurídica assim o permite’).

O conjunto afasta qualquer ilusão em uma instância isenta –a última instância a qual o impasse previsível do desenvolvimento em uma sociedade de desiguais poderia ser mediado em pé igualdade e em busca de um equilíbrio reordenador.

Os membros do STF cuidam diuturnamente de desautorizar a fé da sociedade nessa última instância também conhecida como justiça.

Diante do golpe em curso, o STF brasileiro se apresenta à sociedade não como um garantidor da lei e da Constituição

A cena que as togas protagonizam neste filme é a de um salão de chá de boçais que declamam afetação, enquanto um estupro coletivo acontece na sala ao lado.

O golpe tem como uma de suas âncoras fundamentais o combate seletivo à corrupção.

No PT, como se sabe, ela é sistêmica; no resto do sistema ela é pontual.

Das comportas da Lava Jato emana esse diktat.

Do qual se vale a  crispação midiática para irradiar uma indignação seletiva, sancionada, afinal, pelo coquetel de cumplicidade, cinismo e acoelhamento das togas da Suprema Corte.

‘Se fazem isso com uma Presidenta da República, o que será do cidadão comum?’, arguiu Dilma Rousseff diante da manipulação intrínseca ao golpe do qual é vítima e para o qual as togas se oferecem como o lubrificante obsequioso.

É esse o bafo frio que arrepia a consciência democrática da nação e só lhe deixa como janela de ar fresco a rua.

Assiste-se a uma radicalização aberta dos interesses dominantes, na qual a  isenção parece, enfim, não representar mais um valor passível sequer de ser simulado.

Sugestivo dessa depuração conservadora foi o conselho da ombudsman da Folha, Vera Magalhães, na nota de despedida do cargo, neste domingo.

Ao criticar a manchete do jornal no day-after da votação na Câmara (‘Impeachment’, em garrafais idênticas às utilizadas na cassação de Collor, quando o que foi aprovado dia 18/04 foi a autorização para a abertura do processo de impeachment), a jornalista sugeriu um pouco mais de ‘comedimento’ ao jornal.

‘Mantenham a aparência, ao menos a aparência, please’, parece ter sido o seu recado.

Ao que tudo indica, tardio e obsoleto.

Essa era a batalha do dia anterior dos  ombudsman do jornalismo conservador --não há mais espaço para simulações.

Sobriedade, comedimento, nunca foi o forte do sistema de comunicação monopolizado do país.

Não será agora que a temperança ecumênica mediará a abordagem das grandes questões nacionais pelo jogral dos interesses que ele vocaliza.

A rota de colisão entre o noticiário político local centrado na destruição do governo e do PT, e a denúncia do golpe, predominante da mídia internacional, dá a dimensão do que se pode e do que não se deve esperar dessa pata dianteira do galope conservador.

Graças à blindagem jurídico-midiática, a natureza ostensivamente antipopular, antinacional e espoliativa do golpe pode (por ora) manter-se mitigada aos olhos da maioria da população.

Cunha e Bolsonaro são tratados como desvios pontuais, quando na verdade detém representatividade superior àquilo que a palavra excrescência costuma designar.

A ação violenta que eles personificam já atravessou a soleira da ameaça para a  rua.

A desenvoltura das milícias fascistas, contratadas e pagas por uma entidade empresarial, a maior do país, a Fiesp, foi fartamente documentada na avenida Paulista, neste final de semana em que a via foi tomada por protestos contra o golpe (veja a sequência documentada pelo ‘Jornalistas Livres’ no twitter de Carta Maior https://twitter.com/cartamaior?ref_src=twsrc%5Etfw ).

De novo, não estamos diante de um ponto fora da curva.

O que se desenrola aos olhos de quem quiser enxergar é um ensaio da violência intrinsecamente indispensável à sustentação da curva de expropriação de direitos arquitetada pelo compasso do ajuste golpista.

Em dúvida, consulte-se a curva.

O documento ‘Ponte para o Futuro 2 – a Travessia Social’, que o golpe coloca na praça nestes dias,nasceu da necessidade esquizofrênica de se distrair a atenção popular, oferecendo-lhe uma cenoura pré-abate, ao mesmo tempo em que endereça pérolas aos ouvidos da plutocracia e da classe média fascistizada.

Quais pérolas?

Todas aquelas provenientes da concha do Banco Mundial que preconiza a substituição dos direitos sociais universais por um ‘focalismo’ associado ao Estado mínimo, ao qual caberá  ‘fazer mais com menos’.

O Banco Mundial é a mais importante usina de difusão, treinamento e reeducação neoliberal em ação no planeta.

Crédito não é a especialidade dessa instituição.

O empréstimo oferecido pelo banco funciona apenas como isca para enredar países, governos, técnicos e burocracias públicas – bem como algumas ONGs – na obra jesuítica de satanizar o Estado, catequizar e remodelar os aparatos públicos, converter corações e mentes das elites e tecnocracias nativas, adestrando-os nas excelências do mercado como remédio para todos ao males.

No Brasil, o Banco Mundial implantou uma bem urdida hegemonia no modo de pensar de várias esferas do setor público.

Dentro do Ipea, por exemplo –parcialmente remodelado no ciclo de governos do PT, com Pochmann e agora, com Jessé Souza--   formou-se uma tropa de choque de aplicados discípulos que funcionam como correia de transmissão do pensamento do Banco Mundial.

Um exemplo arrematado dessa cepa é Ricardo Paes de Barros, apontado como o ‘formulador’ do golpe na área da política social.

E o que diz o especialista nas artes do focalismo na entrevista publicada nesta 2ª feira no Estadão?

Exemplos:

1. ‘é claro que o Bolsa Família está inchado’;

2. ‘com 15% de dinheiro a menos consigo ter o mesmo 100% de redução da pobreza’;

3. ‘se numa casa de 5 pessoas, o sujeito declara R$10 a menos de renda própria, o governo vai gastar R$ 50 a mais por mês com essa família’

‘inventou-se essa ideia de que creche é um direito de todos’

‘(quando você arrumar a política) obviamente tem gente que vai sofrer’

O desempregado primeiro terá que conseguir um emprego, para depois ter direito ao Pronatec...’

Vai por aí  a gororoba destinada a tropicalizar os ditames do focalismo, empanturrando governo e colunistas com inesgotáveis papers que atestam a virtuosa conjunção entre Estado mínimo e economia máxima com os pobres, em substituição aos direitos do Estado de Bem-Estar Social.

É justamente esse o sentido da acenada ‘Travessia Social’ de Temer.

Conforme relata o insuspeito jornal Valor, em editorial nesta 2ª feira: entre as medidas que discutidas pelos assessores mais próximos do vice-presidente estão a ‘desvinculação das verbas orçamentárias, desindexação dos gastos sociais da variação do salário mínimo, a reforma tributária, a flexibilização do mercado de trabalho e a reforma da Previdência Social’.

Um mutirão restaurador da agenda neoliberal.

O relato do jornalista Paulo Gama, da Folha, publicado neste domingo sobre o 15º Fórum Empresarial realizado em Foz do Iguaçu, é ilustrativo do ambiente que impulsiona essa escalada.

O jornal não deu o destaque, a manchete ou o espaço que  o assunto  justificaria. Mesmo assim, propiciou um relance ilustrativo do clima de euforia de botim que predomina na divisão de sesmarias entre os apoiadores e articuladores do golpe.

Nesse circuito puro sangue, palavras como ‘trabalhador’, ‘pobre,’ ‘salário’ e ‘direitos sociais’ entram apenas na lista dos problemas, nunca na relação dos convidados do tucano João Dória Jr, candidato a prefeito de São Paulo e promotor do encontro de Iguaçu.

Trechos da reportagem da Folha:

‘...apito na mão depois de um longo "priiii" para pedir silêncio, João Doria Jr, candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, dava as boas-vindas a 300 dos maiores nomes do setor produtivo do país e políticos de oposição-quase-virando-governo que se reuniram, no feriado de Tiradentes, para quatro dias de seminários e "networking" em Foz do Iguaçu...’

‘. (os articuladores do golpe presentes eram) ... Romero Jucá (PMDB-RR), o elo de Michel Temer com o setor empresarial, José Agripino (RN), presidente do DEM, e os tucanos Cássio Cunha Lima (PB) e Antônio Anastasia (MG), o provável relator do processo de deposição de Dilma Rousseff no Senado’.

‘Além de Jucá, o resort recebeu Rodrigo Rocha Loures, assessor do peemedebista na Vice-Presidência, e Gaudêncio Torquato, consultor e estrategista de longa data do presidenciável’.

‘...os convidados andam com crachá de identificação pendurado "à altura do plexo". O de Rocha Loures já o indicava como assessor da Presidência, não mais da Vice...’

‘Jucá passou os dois dias em que esteve no encontro recebendo demandas. De deputados que queriam ser ouvidos para a formulação da política econômica do possível governo, já dado como certo, a empresários e consultores que queriam fornecer estudos e avaliações – além de saber que rumo tomaria o início da gestão’.

‘Nas palestras abertas, o governo Dilma era tratado por políticos e empresários como "nefasto" e "avesso ao lucro".

Esse é o ponto do desmonte em que nos encontramos.

Empenhados centuriões se esfalfam para despejar na fornalha  do “ajuste” e da “retomada da consistência macroeconômico” o estorvo que sujou o mercado e a boa teoria nos últimos 13 anos.

Inclua-se nessa montanha desordenada de entulho: 60 milhões de novos consumidores ingressados no mercado, a cobrar cidadania plena;um salário mínimo 70% maior em poder de compra;  um sistema de habitação popular ressuscitado; bancos públicos a se impor à banca privada; uma Petrobras e um BNDES fechando as lacunas da ausência de instrumentos estatais destruídos no ciclo tucano etc

A faxina requerida é tão virulenta que necessita árduo trabalho de escovão e detergente ideológico para dissolver a resistência alojada em estruturas de consumo, serviços e participação política instituídas para atender a 1/3 da sociedade e não a sua totalidade.

O fato é que o golpe se depara aí com uma montanha de tamanho e resistência muito superior ao poder destrutivo do politicídio imposto ao PT pelo juiz Moro e seus assessores de vazamento na mídia.

O ciclo iniciado em 2003 tirou múltiplas dezenas de milhões de brasileiros da pobreza; deu mobilidade a outros tantos na pirâmide de renda.

Os novos protagonistas formam hoje a maioria da sociedade.

Lula criou um novo personagem histórico – ainda que não um protagonista da própria história (seu erro capital).

A presença desse personagem em fraldas, de qualquer forma, dificulta sobremaneira rodar o software conservador no botim festivo da plutocracia e do conservadorismo.

Devolver a pasta de dente ao tubo requer uma assepsia repressiva dificilmente realizável em ambiente de liberdades democráticas.

O espinho de peixe na garganta do golpe não deixa de cutucar também a omissão histórica da agenda progressista.

Hoje ela enfrenta suas provas cruciais, sem dispor de base organizada, nem de instrumentos indispensáveis para isso -- entre os quais, um sistema de comunicação plural e ecumênico.

Se há tempo para providencia-los no longo e traumático ciclo de enfrentamento deflagrado a partir da reeleição de Dilma, em outubro de 2014, só a história dirá.

O terreno é mais adverso que nunca e os blindados da crise e do conservadorismo avançam para um enfrentamento de vida ou morte.

Sim, há autocrítica a fazer e equívocos a corrigir. Todos aqueles em debate e mais alguns que não interessa à emissão conservadora contemplar.

Mas só há duas formas de descascar o abacaxi.

Uma, implica a construção democrática de linhas de passagem negociadas para um novo estirão de crescimento ordenado pela justiça social.

A outra preconiza simplificar a tarefa, terceirizando o timão à “racionalidade” dos livres mercados.

É o arrocho.

A escolha conservadora dispensa o penoso trabalho de coordenação da economia pelo Estado, ademais de elidir a intrincada mediação política dos conflitos inerentes às escolhas do desenvolvimento.

Sua receita pressupõe replicar aqui a panaceia neoliberal que depauperou o mundo do trabalho nos EUA e desmontou o Estado do Bem-Estar Social na Europa.

Com a consequências sabidas.

Embora o jornalismo isento afirme que a crise da Petrobrás é fruto do aparelhamento ‘lulopetista, a verdade é que se vive desde 2008 a mais longa, incerta e frágil recuperação de uma crise do sistema capitalista desde 1929.  

Com uma agravante aqui: em uma sociedade na qual não existe a gordura do Estado de Bem-Estar Social  --apesar de Paes de Barros considerar que o Bolsa Família está ‘inchado’-- será preciso cortar no osso.

O osso dos mais pobres.  Reconduzindo-os para uma invalidez de direitos apenas esboçados.

São os albores dessa batalha cruenta que explicam a presença armada de porrete dos bate-paus da Fiesp em autonomeada fiscalização ideológica da rua mais importante na principal cidade do país.

A mãe de todas as batalhas gira em torno dessa questão. A questão do método de repactuação do desenvolvimento brasileiro.

Golpe e porrete? Ou mais democracia e a construção negociada do passo seguinte do desenvolvimento?

Quem opta pela segunda alternativa não pode faltar neste domingo, no Anhangabaú, em São Paulo, no 1º de Maio em defesa de Dilma, da legalidade e dos direitos sociais.

O regime de força já respira entre nós.

A democracia ainda não expirou, mas carece de nervos e musculatura que só a largueza das ruas poderá propiciar-lhe.

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