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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Contraponto 1933 - O BRIC e o desafio de construir uma nova ordem mundial


16/04/2010


O BRIC e o desafio de construir uma nova ordem mundial



Vermelho - 15 de Abril de 2010 - 20h57

Reunidos em Brasília nesta quinta-feira (15), os dirigentes dos países que compõem o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) se defrontam com o desafio de debater, propor e começar a construir uma nova ordem econômica e política mundial num cenário ainda marcado pela mais grave crise do capitalismo desde o pós-guerra, o declínio dos EUA e a mudança da correlação de forças da geopolítica internacional, com a emergência de novos protagonistas de peso.

Por Umberto Martins

BRIC é um acrônimo criado em novembro de 2001 pelo economista Jim O´Neill, do banco Goldman Sachs, que reuniu os quatro países por características comuns como a dimensão territorial, a demografia e o potencial de crescimento. O´Neill estimou, na época, que até o final de 2050 o grupo vai se transformar na principal força da economia mundial.

Interesses convergentes

Inicialmente, o conceito não teve grande repercussão, mas o caminho percorrido pela história desde então parece justificar as previsões de O´Neill, enquanto a necessidade de fortalecer os laços econômicos e políticos entre os países do BRIC levou à formação de um bloco político informal, que realiza agora no Brasil a sua segunda reunião.

Brasil, Rússia, Índia e China detêm 26% do território, 42% da população e 14,5% do PIB mundial. Nos últimos cinco anos, contribuíram com mais de 50% da expansão do PIB mundial, de acordo com estatísticas exibidas por acadêmicos no seminário realizado em Brasília 4ª feira (14) pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA).

Os laços econômicos e políticos no interior do BRIC também foram fortalecidos. Um sinal disto, entre outros, é o fato da China ter se transformado, em 2009, na principal parceira comercial do Brasil, desbancando os EUA. As dessemelhanças e assimetrias, assim como a proeminência chinesa, também são notáveis, embora aparentemente não constituam um obstáculo intransponível à unidade política.

Proeminência chinesa

De acordo com informações do pesquisador Zhang Yuyan, da Academia de Ciências chinesa, apresentados no seminário do IPEA, a China, sozinha, responde por 7,1% do PIB mundial e se os países do BRIC realizam 14,5% das exportações mundiais, nada menos que 9,1% são responsabilidade daquela nação asiática, que lidera o ranking das vendas internacionais e vem também ocupando fatia crescente do comércio com Brasil, Rússia e Índia.

Todavia, os interesses comuns são consideráveis e cresceram no rastro da crise mundial. O BRIC sofreu menos os impactos da recessão americana e se recuperou mais rapidamente, puxando a economia internacional para o leito do desenvolvimento. Isto fortaleceu politicamente o “bloco”.

Conforme afirmou o diretor do Instituto de Estudos da Ásia e Pacífico, Li Xiangyang, durante o seminário, enquanto as potências europeias, o Japão e os EUA continuam atolados na crise, com pálidos sinais de recuperação e lidando com assombrosos déficits fiscais, os problemas dos países do BRIC decorrem do crescimento, que alguns consideram excessivo, pressões inflacionárias e fluxo de capitais estrangeiros especulativos.

Ordem mundial caducou

A crise evidenciou o esgotamento da ordem capitalista mundial, herdada do pós-guerra e ancorada na supremacia do dólar, e acentuou a necessidade de uma nova ordem, em harmonia com o desenvolvimento desigual, especialmente da China, e a mudança consequente da correlação de forças no plano econômico.

O que está em foco, de acordo com o ministro de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, é “saber se algumas nações continuarão a se achar superiores e, portanto, com mais direito ou não”. Na mesma linha, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ponderou que a intenção não é formar uma “aristocracia dos emergentes”, mas dar voz e poder aos mais pobres.

“Essa perspectiva”, observa o presidente do IPEA, Marcio Polchmann, “nos coloca numa posição estratégica para fazer proposições que estejam em sintonia com os desafios mundiais. São problemas comuns, como é o caso do meio ambiente, a mudança do perfil de consumo nos países, a questão monetária e a governança global".

Questão nuclear

“Estamos num processo de rearticulação do sistema político e econômico internacional e, nesse processo ou as regras continuarão a privilegiar alguns países ou teremos uma situação de acordo com a dimensão das nossas sociedades”, salientou Pinheiro Guimarães. Entre os problemas candentes destaca-se os da chamada questão nuclear.

“Precisamos saber quem controlará o processo nuclear”, disse o ministro de Assuntos Estratégicos. “No fundo há uma disputa tecnológica e científica entre países”. A tentativa das potências ocidentais de impedir o desenvolvimento da tecnologia nuclear no Irã, Coreia do Norte e outros países reflete isto.

O Brasil adotou uma posição firme a este respeito, apesar da pressão dos EUA, rejeitando sanções contra o país persa e pregando o diálogo e, a julgar pelo ministro Celso Amorim, a posição do Brasil se aproxima da que é defendida hoje pela China, apesar da mídia americana ter divulgado a falsa versão de que os dirigentes chineses estão afinados com a tática do imperialismo americano, de impor novas sanções aos iranianos.

Substituição do dólar

Outro dilema avaliado pelo BRIC é de um novo Sistema Monetário Internacional (SMI), que passa pela substituição do padrão dólar como moeda internacional. Isto não vai ser resolvido a curto prazo, mas iniciativas embrionárias neste sentido como a diversificação das reservas (ainda atreladas ao dólar) e experiências de trocas comerciais com moedas locais na América Latina e na Ásia.

“O atual sistema monetário internacional é desfavorável aos países em desenvolvimento”, comentou Li Yang, que também defendeu mudanças no FMI e, segundo o jornal Valor (15-4), foi apoiado por Marcio Polchmann, que preconizou uma aliança entre os países do BRIC para “um novo padrão de consumo e produção”. O Brasil e a Rússia também estão defendendo transações comerciais entre os países do grupo com base nas moedas próprias, descartando o dólar.

Ao lado da reunião do BRIC, Brasília também foi palco de uma outra importante reunião, a 4ª Cúpula dos Chefes de Estado e de Governo do IBAS (grupo composto por Índia, Brasil e África do Sul), cujo documento final (Declaração de Brasília) defende uma reforma urgente da ONU e a conclusão da Rodada Doha no âmbito da Organização Mundial do Comércio.

As duas reuniões (do BRIC e do IBAS) apontam a mesma necessidade de uma reformulação urgente e ampla da ordem econômica e política internacional, que ficou ainda mais caduca após o estouro da crise mundial do capitalismo nos EUA.

Leia também: "Ibas quer concluir Doha e reformar Conselho de Segurança"
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Contraponto 623 - Brasil é o melhor entre os Bric, diz gestor americano


05/11/2009
Brasil é o melhor entre os Bric, diz gestor americano

Os amigos do Presidente - Por: Helena™ . Quarta-feira, Novembro 04, 2009

O Brasil é o melhor lugar para investir entre os maiores mercados emergentes por conta do crescimento da demanda por commodities. Já os Estados Unidos deveriam ser evitados por causa da perspectiva de uma recuperação em forma de W, com uma nova fase de recessão, disse John Mauldin, presidente da Millennium Wave Advisors.

A demanda interna da economia brasileira - a maior da América Latina - e o crescimento econômico mais acelerado dos mercados emergentes, principalmente dos países que compõem o grupo conhecido como Bric (sigla para Brasil, Rússia, Índia e China), vão puxar os preços das commodities, disse Mauldin em entrevista em São Paulo. A Millennium Wave, sediada no Estado americano do Texas, presta consultoria a fundos hedge.

"Dos Bric, o Brasil é o caso mais interessante hoje em dia", disse ele. "Os Estados Unidos vão ter uma segunda recessão devido aos enormes aumentos dos impostos", afirmou o executivo. "Quando os Estados Unidos caírem devido à recessão, será que os demais mercados vão cair? Provavelmente. É por isso que as pessoas têm de realizar operações de proteção (hedge) para suas apostas."

Os investidores deveriam começar a se retirar das ações e investir em áreas que se beneficiarão da continuidade da demanda por matérias-primas, entre as quais produtos agrícolas, antes que os Estados Unidos resvalem para uma segunda recessão até 2011, disse Mauldin, cujo boletim semanal é distribuído para cerca de 1,5 milhão de assinantes.

As commodities desbancaram as ações como o investimento que vai oferecer a melhor oportunidade de lucros durante o ano que vem. É o que revela uma pesquisa mundial realizada pela "Bloomberg" entre os usuários de seus terminais. O Índice Reuters/Jefferies CRB, que leva em conta 19 matérias-primas, subiu 20% neste ano, com a recuperação da economia mundial.

O Brasil é o maior produtor mundial de açúcar, café e suco de laranja, o segundo maior de soja e o terceiro maior de milho. O país também é sede da Vale, a maior produtora mundial de minério de ferro. Negócios em câmbio e imóveis no Brasil, principalmente de terras agrícolas, são investimentos mais atraentes do que as ações neste momento, depois da alta de 79% registrada neste ano pelo Índice Bovespa, disse Mauldin.

"Se eu fosse um investidor rico e de longo prazo, compraria terras agrícolas no Brasil", disse ele. "Acaba-se tendo uma ferrovia que passe por ali, e uma fazenda barata vai ficar cara porque a pessoa conseguirá fazer chegar sua soja ou qualquer que seja o produto ao mercado", disse o executivo. "A demanda por produtos agrícolas não diminuirá no futuro", afirmou.

Ao lado dos recursos naturais, das vantagens de produzir commodities agrícolas, como soja, da grande força de trabalho e da presença de uma população "dinâmica" com uma grande classe empreendedora, o Brasil terá nos próximos anos um crescimento econômico que os países desenvolvidos "adorariam ter", avaliou Mauldin.

O Brasil deverá ter uma expansão de 4,8% em 2010, depois de crescer 0,18% neste ano, segundo a última pesquisa semanal do Banco Central com cerca de 100 economistas. O real registrou valorização de 34% neste ano no câmbio com o dólar, a maior alta dentre as 16 moedas mais negociadas do mundo.
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