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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Contraponto 6316 - Brizola Neto X Cristovam

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22/09/2011

Senador, tome uma aula de CIEP. Ou de memória

Será que o Merval Pereira tomaria banho na piscina de um dos Cieps?
"Disgusting", milorde

Senador Cristovam Buarque, o senhor ontem disse, na tribuna do Senado, que “o educador Paulo Freire (1921-1997) ficaria frustrado com a educação no Brasil se ainda fosse vivo”.

Por isso, sinto-me no direito de dizer que se Leonel Brizola e Darcy Ribeiro fossem vivos, ficariam não tristes, mas indignados com suas declarações, hoje, a O Globo.

Acho até, Senador, que o convidariam para tomar uma aula de Ciep. Porque o nosso querido amigo deve andar lendo sobre eles nos livros errados ou – é mais provável – nas páginas de O Globo, onde ele hoje é o personagem do artigo do “lord” Merval Pereira, homem dotado de tanto amor pelos pobres que, se pudesse os mandaria todos para o céu.

Porque só isso ou a manipulação – que não foi desmentida até agora, porque no site do senador só achei foram fotos do Merval – explicaria a declaração que se lhe atribui, entre aspas, e que reproduzo:

“A História nos dá a chance de sermos líderes da construção desse novo Brasil (de acordo, Senador). Os CIEPs do Brizola falharam ao focar na unidade escolar e na arquitetura, e não na cidade inteira: nos professores, no conteúdo, nos equipamentos”.

Senador, senador, quem lhe contou semelhante bobagem? Foi o Merval Pereira, aquele que publicou a foto de um homem negro com um retrato de Brizola e disse que era um traficante?

Fica até feio para o senhor, que se diz um tão grande admirador de Darcy Ribeiro, imaginar que ele pudesse ser um energúmeno de achar que escola se resumia a prédio.

O senhor deveria ler, em vez do imortal Pereira, a infelizmente mortal Tatiana Memória – que já nos deixou – e foi a principal auxiliar de Darcy Ribeiro na implantação do Programa Especial de Educação, ao qual os Cieps se vinculavam.

Lá o senhor vai ver que cada CIEP recebia, em valores de hoje, meio milhão de reais em mobiliário, equipamento de cozinha, material administrativo, equipamentos médicos e dentários e – preste atenção, Senador - material de áudio, vídeo e livros para sua biblioteca, além de material e equipamentos esportivos. Isso é “arquitetura”, Senador?

E como é que o senhor diz que não se focava no professor, se o Programa celebrou um convênio com a Universidade Estadual para fornecer bolsas de estudo com 1.600 horas em Cursos de Atualização para professores no final de formação. Cada um deles permanecia por quatro horas em prática pedagógica com sua turma enas outras quatro fazia seu Curso de Atualização, com material impresso e programação de televisão preparados para esse fim. É, Senador, professor também de horário integral, metade do tempo dando aulas e na outra metade se aperfeiçoando. Onde é que no Brasil, Senador, o senhor já viu uma coisa destas?

“Entre 1991 e 1993, cerca de 9.000 professores bolsistas fizeram nos CIEPs seus Cursos de Atualização, com resultados surpreendentes para o aproveitamento dos alunos. O professor bolsista se mostrou de uma assiduidade quase total e de uma enorme dedicação às suas tarefas pedagógicas.”, conta Tatiana, que não se informou sobre os CIEPs pelo jornal O Globo, mas lá dentro deles, trabalhando todo santo dia.

E quando foi feito um concurso para professores, 30 mil deles se inscreveram, para apenas 8 mil aprovações. Insuficientes para preencher o quadro de 12.500 professores aberto para o Ciclo Básico e para Ginásios Públicos que funcionavam nos Cieps. “A prova de redação foi a grande responsável pelos altos índices de reprovação. Novos professores, formados por escolas inadequadas, já não sabem mais escrever”, constatou com tristeza Tatiana.

E os CIEPs não eram feitos só de professores, não. Estes eram 46 por CIEP, ajudados por mais 34 funcionários – merendeiras, serventes, zeladores, encarregado de manutenção e mães sociais que cuidavam, à noite, das crianças que não tinham uma casa para onde ir. E estas escolas eram abertas, nos finais de semana, para toda a comunidade, para suas festas, reuniões, atividades e até para curtirem a piscina, como essa que o senhor vê na foto.

Senador, informar-se sobre os Cieps pelo O Globo, dá neste tipo de visão distorcida, de que aquilo era um prédio vazio. E que aquilo foi um fracasso, porque não fez diferença. Sabe, Senador, o senhor deveria se informar sobre o que Moreira Franco e Marcello Alencar, assim que sucederam aos governos de Brizola, fizeram com os Cieps. Aliás, o senhor sabe, porque foi o mesmo que fizeram com seu programa de Médico de Família aí no DF: entraram no Palácio, pegaram a caneta e detonaram tudo que levou anos para ser feito.

Aí usaram o argumento de que o programa era de inspiração cubana. Aqui, de que aquilo era um desperdício, escola de luxo para pobre. Depois de ler o texto da Tatiana Memória, o senhor podia ler o de outra professora que trabalhou no programa, Lúcia Velloso, sobre a maneira “global” de falar dos Cieps:
” Comprovar que a culpa do fracasso é do pobre sempre seduz a classe média e é uma boa receita de sucesso. Ainda mais quando as reportagens omitem dados e manipulam imagens para reforçar o consenso fácil que herdamos da escravidão: para que gastar recursos com a educação popular? Os pobres não conseguem bons resultados na escola mesmo quando se oferece a eles uma escola de luxo; veja-se o exemplo dos Cieps: dos 21 alunos da primeira turma, só um passou para a faculdade. As reportagens quiseram mostrar que o ciep é caro, que o projeto arquitetônico é mal resolvido, que foram desperdiçados recursos e, pior que tudo, que esta escola não
garante bom desempenho. Para isso foram criadas personagens exemplares através de histórias de vida de alunos da primeira turma com intenção de comprovar seu fracasso, utilizando como critério de qualidade chegar ao ensino superior. O que se mostrou, ao contrário do que o jornal pretendia, foi que a proporção de alunos que completou o ensino médio é maior entre aqueles que permaneceram no ciep até completar a 4ª. série.”

Mas talvez, Senador, baste ao senhor ler aquilo que o senhor mesmo escreveu e que, talvez na alegria do convescote com um dos mais reacionários porta-vozes da elite brasileira, tenha lhe fugido da memória. Então, a gente ajuda o senhor a lembrar: (Os grifos em verde negritado são do ContrapontoPIG)

“O Ciep, de Brizola e Darcy Ribeiro, foi a mais transformadora das políticas sociais brasileiras. Todas as crianças teriam aulas do começo da manhã ao final da tarde. Desenvolveriam seus talentos, independentemente da renda da família. Se esse programa tivesse sido adotado nacionalmente, o Brasil seria hoje diferente”.

Pois não é que começa assim o artigo escrito pelo senhor, publicado no Correio Braziliense de 28 de fevereiro de 2009. Está aqui, no seu antigo portal de internet, para o senhor conferir. E o seu argumento de que deveria ter sido feito “por cidade”, se o senhor se informar direitinho, verá que foi seguido aqui: 70 por cento dos Cieps foram feitos no Rio, Baixada e Niteroi/São Gonçalo, onde está concentrada a maior carência. Só que o Rio, Senador, ao contrário de Brasília, não tem a pobreza circunscrita ao entorno: está por toda a parte, muito mais até que os CIEPs.

A sua proposta de fazer escolas boas em “cidades de porte pequeno”, com tradição educacional e (não sei como se enquadraria legalmente este critério) “cujos prefeitos e governadores (sic) apresentem história de compromisso com a educação”, francamente, é um total disparate em termos logísticos, administrativos e pedagógicos. Porque ela perpetua o que o senhor mesmo aponta como pecado essencial: “quando a educação é distribuída desigualmente, ela termina sendo o berço da desigualdade”.

Senador, como o senhor é um homem suficientemente inteligente para reconhecer erros, corrija os seus, inclusive os de memória.

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PITACO DO ContrapontoPIG

Agora dá pra entender por quê o Lula demitiu o Cristóvam por telefone. Ele deve ter dito ou feito uma bobagem como esta.

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domingo, 14 de agosto de 2011

Contraponto 5995 - "Recordando a Campanha da Legalidade"

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Por raquel_

'Brizola foi a única liderança civil a derrotar um golpe militar''. Entrevista especial com Jorge Ferreira

“A Campanha da Legalidade traduz seus próprios propósitos: a manutenção da ordem legal, a preservação do sistema político, o cumprimento da Constituição. Essas bandeiras mobilizaram a sociedade brasileira”. A constatação é do professor Jorge Ferreira, da Universidade Federal Fluminense – UFF, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line.

Ele compara o Brasil da legalidade, em 1961, quando “a luta era pela defesa da ordem constitucional vigente, (...) as esquerdas e os setores progressistas e democráticos infligiram grande derrota aos golpistas e direitistas”, com o Brasil de 1964, quando “o movimento das esquerdas foi outro. A luta não era pela defesa da Constituição, mas pela implantação de reformas. Reformas que necessitariam de revisão constitucional – para viabilizar, por exemplo, a reforma agrária. As direitas, de maneira hipócrita, defenderam o lema de que ‘a Constituição é intocável’”.

Ferreira ainda destaca que “Brizola recusou-se a acatar o golpe de Estado. Ele foi a única liderança civil na história contemporânea brasileira a resistir a um golpe militar, dividir as Forças Armadas e derrotar os golpistas”.

Jorge Ferreira é professor de História do Brasil da Universidade Federal Fluminense e autor de Jango. Uma biografia (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011).

Jorge Ferreira estará na Unisinos, no dia 18 de agosto, no Seminário “50 anos da Campanha da Legalidade: memória da democracia brasileira (1961-2011)”.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Que aspectos da biografia de Jango são fundamentais para entender o processo da Campanha da Legalidade?

Jorge Ferreira – Creio que duas questões são fundamentais. A primeira, sua formação política fundamentada no regime da democracia representativa. Jango ingressou na política em tempos de grande prestígio da democracia-liberal, em 1945-1946. Esse é um aspecto importante a ser ressaltado. Ele nunca esteve envolvido com propostas de golpes contra as instituições democráticas. Daí sua determinação em tomar posse na presidência da República em cumprimento da Constituição. A segunda, uma característica de sua personalidade. Jango era homem do diálogo, do entendimento, do acordo. Mas acordos que avançassem na questão política e social. Assim, entre aceitar o acordo que implantou o parlamentarismo e o confronto que poderia resultar em guerra civil, ele preferiu a primeira opção.

IHU On-Line – O que significava, naquele contexto, a posse de João Goulart?

Jorge Ferreira – O cumprimento da Constituição e a continuidade do processo democrático. Isso foi conseguido por um amplo acordo no Congresso Nacional e por diversas forças políticas com a implantação do parlamentarismo.

IHU On-Line – Como entender a força da figura política de Brizola no sentido de conseguir levantar o movimento da legalidade aqui do Rio Grande do Sul para todo o país?

Jorge Ferreira – Leonel Brizola despontou na política brasileira, desde 1945, com arrojo político. Ele e Goulart eram amigos, parentes e correligionários do mesmo partido. Criou-se uma interdependência entre eles. Goulart, no plano nacional, apoiava Brizola no Rio Grande do Sul. Brizola, por sua vez, apoiava Jango nos momentos difíceis. Foi o que ocorreu em agosto/setembro de 1961. Brizola recusou-se a acatar o golpe de Estado. Ele foi a única liderança civil na história contemporânea brasileira a resistir a um golpe militar, dividir as Forças Armadas e derrotar os golpistas. Ele convocou a população para a resistência e, inclusive, distribuiu armas ao povo. A causa era justa e legítima: defender o regime democrático. Daí que seus argumentos foram ouvidos e a população se engajou na luta pela posse de Goulart.

IHU On-Line – O que motivou a atitude de solidariedade política ao governador Brizola por parte da multidão de voluntários civis que aderiram à Campanha da Legalidade?

Jorge Ferreira – Havia na sociedade brasileira fortes vínculos com o sistema de democracia representativa. As tentativas de golpes em agosto de 1954, novembro de 1955 e agosto/setembro de 1961 demonstram que os grupos golpistas não conseguiram arregimentar amplos setores sociais – e inclusive das próprias Forças Armadas – para a consumação do golpe. No Rio Grande do Sul, a população da capital e das cidades do interior engajou-se nesse sentido: a defesa da legalidade e da Constituição. Em Goiás, o governador Mauro Borges, também agiu no mesmo sentido, encontrando amplo apoio de estudantes e operários. No Rio de Janeiro ocorreu o inverso: a população foi para as ruas exigir a posse de Goulart e a polícia civil e militar, a mando do governador Carlos Lacerda, reprimiu duramente as manifestações. Em outras palavras, não foi apenas no Rio Grande do Sul que o povo se engajou na defesa da Constituição, embora tenha sido no estado em que o destino do país foi decidido.

IHU On-Line – O que fez com que o exército mudasse de lado e apoiasse o movimento liderado por Brizola?

Jorge Ferreira – Os militares têm seus códigos de conduta baseados na disciplina e na hierarquia. Contudo, eles não são obrigados a obedecer a ordens esdrúxulas ou absurdas. Exemplo disso foi a ordem do ministro da Guerra, Odílio Denys, para que o comandante do III Exército, José Machado Lopes, bombardeasse o Palácio Piratini. O general Machado Lopes tomou uma decisão junto com seu Estado-Maior baseado em cálculos políticos. Para obedecer ao ministro do Exército, teria que matar centenas de pessoas no Palácio Pirantini. Depois, praticar verdadeira carnificina no estado do Rio Grande do Sul. Somente assim ele conseguiria impor a “ordem”. Diante de tamanho custo, ele e seu Estado-Maior preferiram o bom-senso: obedecer à Constituição e à legalidade democrática.

IHU On-Line – Qual o significado político, na época, da mudança de regime de governo para parlamentarismo?

Jorge Ferreira – O parlamentarismo resultou de amplo consenso no Congresso Nacional e entre as forças políticas em conflito. Goulart assumiria a presidência, mas teria seus poderes restringidos.

IHU On-Line – O que caracterizou a resistência popular que levou Jango ao poder?

Jorge Ferreira – A característica marcante daqueles acontecimentos foi a defesa da continuidade do processo democrático. Federações de empresários e associações comerciais, em nota, exigiram o cumprimento da Constituição; sindicatos de trabalhadores em várias partes do país declaram-se em greve, enquanto a diretoria da UNE foi para Porto Alegre; os partidos políticos, inclusive a UDN, defenderam a posse de Goulart, rejeitando a coação dos ministros militares que queriam a votação do impeachment dele; a OAB, a ABI e a CNBB também reiteraram a necessidade do cumprimento da Constituição; as Forças Armadas se dividiram; diversas religiões, de católicos a umbandistas, defenderam a posse de Goulart; até mesmo diretorias de clubes de futebol apoiaram a posse de Jango. O que se observa, nesse momento, é a sociedade brasileira organizada em suas entidades representativas na luta pela continuidade do processo democrático.

IHU On-Line – Como o senhor define a crise política que se abriu com a renúncia de Jânio Quadros e que herança essa crise deixa para a trajetória histórica da política brasileira?

Jorge Ferreira – Jânio Quadros, nos poucos meses na presidência da República, realizou um governo conservador. Nesse sentido, nada de surpreendente. Mas uma única atitude dele foi extremamente negativa para o processo democrático brasileiro: a renúncia. Com o ato, ele desacreditou o sistema democrático, as eleições, os partidos políticos e todo o sistema representativo. Mais ainda, ele apostou na crise institucional, pois sabia que a posse do vice-presidente criaria graves conflitos políticos no país. Jânio apostou no que poderia acontecer de pior no sistema político brasileiro: o colapso das instituições democráticas.

IHU On-Line – Quais eram os bens simbólicos que estavam em jogo na disputa pela autoridade e legitimidade política durante a Campanha da Legalidade?

Jorge Ferreira – O que estava em jogo, em termos simbólicos, era o significado de democracia. Para os conservadores e direitistas, Goulart e o Partido Trabalhista Brasileiro mantinham diálogo constante com os trabalhadores e o movimento sindical. Para o conservadorismo político brasileiro, a participação do movimento sindical na política era uma ameaça às instituições democráticas. As notas dos ministros militares e os pronunciamentos de Carlos Lacerda são claros nesse sentido. Democracia, nessa concepção, era uma prática elitista que excluía os trabalhadores da participação política. Daí o perigo que a posse de Jango representava. Para as esquerdas e amplas parcelas da população, democrático era manter os fundamentos da Constituição de 1946.

IHU On-Line – Quem foi o grande mito político da Campanha da Legalidade?

Jorge Ferreira – Em termos políticos, sem dúvida Leonel Brizola saiu do episódio com a imagem engrandecida. No governo do Rio Grande do Sul, ele havia adquirido a admiração das esquerdas e dos nacionalistas com o projeto desenvolvimentista e a escolarização em massa. Seu prestígio cresceu ainda mais quando nacionalizou duas empresas norte-americanas. Lembro que estatizar multinacionais era o grande programa das esquerdas latino-americanas. Mas com o destemor que enfrentou os ministros militares na Campanha da Legalidade, Brizola alcançou prestígio político difícil de ser mensurado. Ao se candidatar como deputado federal pela Guanabara, obteve votação extraordinária. A partir daí, ele aglutinaria diversas esquerdas sob a Frente de Mobilização Popular, radicalizando cada vez mais à esquerda.

IHU On-Line – Em que medida a Campanha da Legalidade influenciou no cenário que constituiu o golpe militar, três anos mais tarde?

Jorge Ferreira – É muito curioso que a sociedade brasileira, tão ciosa da democracia e da legalidade em agosto/setembro de 1961, tenha assistido, praticamente de braços cruzados, à marcha de recrutas do general Mourão em março de 1964. A Campanha da Legalidade traduz seus próprios propósitos: a manutenção da ordem legal, a preservação do sistema político, o cumprimento da Constituição. Essas bandeiras mobilizaram a sociedade brasileira: em 1961, a luta era pela defesa da ordem constitucional vigente. Nesse sentido, as esquerdas, os setores progressistas e democráticos infligiram grande derrota aos golpistas e direitistas. Em 1964, o movimento das esquerdas foi outro. A luta não era pela defesa da Constituição, mas pela implantação de reformas. Reformas que necessitariam de revisão constitucional – para viabilizar, por exemplo, a reforma agrária. As direitas, Carlos Lacerda em particular, de maneira hipócrita, defenderam o lema de que “a Constituição é intocável”. As direitas aprenderam com os acontecimentos de 1961.

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=...

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domingo, 29 de maio de 2011

Contraponto 5443 - "Tributo a Daniel Hertz, o homem sem medo da Globo"

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29/05/2011

Tributo a Daniel Hertz, o homem sem medo da Globo





Do Tijolaço - 29/05/2011

Brizola Neto

Dizem que Leonel Brizola foi o único a ter coragem de enfrentar a Globo. Não é verdade. Muitos o fizeram. E um dos que fez isso com mais vigor, capacidade e profundidade foi o professor Daniel Hertz, cuja morte precoce, aos 51 anos, autor do livro “A História Secreta da Rede Globo”, publicado em 1987 pela editora Tchê.

Amanhã se completam cinco anos de sua morte, mas os reflexos de sua obra continuam provocando polêmica 24 anos depois de publicada.

É ela que serviu de base para o documentário Além do Cidadão Kane, sobre Roberto Marinho, que teve repercussão mundial. Produzido pelo Channel 4, uma divisão da BBC, em 1993, ficou muitos anos sem poder circular no Brasil. A Globo tentou comprar seus direitos para mantê-lo secreto; a Record os comprou para divulgar.

Hertz, um jornalista e professor de Comunicação, dedicou sua vida – até mesmo quando já se encontrava doente – à democratização da informação no Brasil. Seu nome, que deveria estar sendo lembrado pelos jornais e jornalistas do Brasil, ao menos aqui, recebe as homenagens que merece por sua luta corajosa.

Seu histórico livro pode ser lido online aqui.E, acima, você pode ver um vídeo em sua memória produzido pela Federação Nacional dos Jornalistas e pelo curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, que Daniel ajudou a fundar.

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PITACO DO ContrapontoPIG.

Se você não conhece, aproveite e veja agora o documentário Além do Cidadão Kane“.

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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Contraponto 3993 - "Lula homenageia Brizola e diz que pretende trabalhar pelo fortalecimento da esquerda"

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19/11/2010

Lula homenageia Brizola e diz que
pretende trabalhar pelo fortalecimento da esquerda

Do Amigos do Presidente - por Zé Augusto - sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O presidente Lula inaugurou em Brasília, na quinta-feira, o Centro de Referência do Trabalhador Leonel Brizola, com a presença do ministro do trabalho Carlos Lupi (PDT/RJ), os netos do ex-governador, e outras lideranças trabalhistas.

O Centro conta com dois auditórios, uma área para estudos, uma biblioteca, uma sala informatizada para consulta digital e um Cine Trabalhador.

Será aberto ao público diariamente e contará com calendário de visitação para atender escolas públicas e privadas.

O espaço tem como finalidade:
- a preservação da memória do trabalho no Brasil;
- aumentar a produção do conhecimento histórico sobre o tema trabalho;
- dar sustentação aos trabalhos de projetos e pesquisas, fornecendo informações atualizadas;
- promover o intercâmbio de informações junto a outras instituições;
- incentivar o acesso à informação e ao conhecimento como estratégia de alcance de oportunidades sociais e de trabalho.

Em seu discurso, o presidente Lula lembrou várias passagens com o ex-governador, e disse "Quem acompanhou a relação entre PT e PDT e Lula e Brizola pela imprensa não sabe quantas coisas nós tínhamos em comum" - lembrando que a imprensa sempre realçava as disavenças, mas que eram muito menores do que as afinidades, tanto é que Brizola apoiou Lula no segundo turno em 1989. Em 1998 formou chapa com Lula, concorrendo à vice.

O presidente contou algumas boas lembranças do convívio com Brizola (nos vídeos abaixo).






Lula diz que pretende trabalhar pelo fortalecimento da esquerda

No evento, o presidente Lula falou de planos para quando deixar a presidência:

"Quando deixar a Presidência, me tornarei um outro homem, com muito mais experiência, mais sabedor do que é preciso ser feito, e vou trabalhar para formar uma força mais forte e homogênea que represente melhor a esquerda brasileira", afirmou Lula, ao lado do Ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi (PDT).

Lula declarou que acredita que a relação que manteve com os partidos durante os oito anos de mandato contribuiu para aumentar a confiança em seu trabalho. E, por conta disso, disse que se empenhará nessa união das esquerdas.

"Eu sei que essa coisas são mais fácies de falar do que fazer, mas eu vou ter disponibilidade para fazer".

Recentemente, Lula defendeu a formação de uma espécie de "frente ampla" reunindo os partidos de esquerda brasileiros. (Com informações do Portal Vermelho)
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