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domingo, 18 de abril de 2010

Contraponto 1954 - "Datafolha: uma rodada de inutilidades significativas"

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18/04/2010

"Datafolha: uma rodada de inutilidades significativas"

Carta Maior - 17/04/2010

A pesquisa Sensus foi questionada judicialmente pelos aliados de Serra. Já o Datafolha e o Ibope devem ser “interpretados com maior rigor científico," para o que são chamados "cientistas políticos”do Instituto Millenium, versão moderna do velho IPES, um dos catalisadores do golpe de 64.

Gilson Caroni Filho*

Após nova rodada de pesquisa do Datafolha, tudo terminou como fora previsto. O instituto confirmou o desejo dos donos do jornal, os vaticínios de seus articulistas militantes e a vocação partidária da grande imprensa corporativa. Como era de se prever, o levantamento, sob geral e justificada descrença, revela um mero exercício de acrobacia. Uma inutilidade tão grande que é legítimo se perguntar a quem interessa a pantomima?

Ao justificar o motivo de pesquisas em intervalos tão curtos, o jornalista Fernando Rodrigues explica que "O Datafolha realizou esta pesquisa agora porque também havia feito um levantamento em 24 e 25 de fevereiro, cinco dias após o lançamento oficial da candidatura da petista Dilma Rousseff. Agora, a coleta dos dados se dá também cinco dias após a festa do PSDB para José Serra se lançar na disputa."

Nem o Barão de Itararé teria produzido melhor script. Nem o circo pegou fogo, nem os trapezistas caíram da corda bamba. Até os diversos palhaços já não conseguem provocar o riso. A platéia, outrora tão influenciável, faz parte do espetáculo e as feras, embora soltas, nada mais fazem senão aprofundar a crise de credibilidade de certos institutos e meios de comunicação. A arte da política comporta cálculos arriscados. Dependendo da estatura ética do atirador, qualquer disparo só alveja o próprio pé.

Se a sondagem indica que há 54% de eleitores sem voto definido, qual a relevância da dobra superior da edição de sábado da Folha de S. Paulo que, em manchete, alardeia: “Serra mantém dianteira sobre Dilma"? O que significa, a crer na honestidade metodológica do Datafolha, uma vantagem de 10 pontos de um pré-candidato sobre o outro? Nada, rigorosamente nada. Salvo o que até o mundo mineral sabe: há uma tendência à polarização entre Dilma e José Serra, o filho dileto do bloco liberal-conservador. Para elegê-los os recursos são variados. Vão de manchetes desmentidas no corpo da matéria à censura da imagem do presidente Lula nos telejornais da TV Globo.(Grifo do ContrapontoPIG)

Faltando seis meses para as eleições, e com tanta coisa indefinida (composição das chapas, alianças, montagem das candidaturas estaduais), as intenções de voto são muito fluidas para grande parte do eleitorado. Fazer pesquisas em intervalos reduzidos de tempo só interessa comercialmente aos institutos e, como espetáculo, às corporações midiáticas que, conforme seus objetivos político-partidários, dão maior ou menor destaque aos resultados das sondagens que lhe interessam.

Assim, se a pesquisa Sensus foi desqualificada e, posteriormente judicializada, Datafolha e Ibope devem ser “interpretados com maior rigor científico." Para isso são chamados os mesmos “cientistas políticos”, a maioria, por sinal, colaboradora ativa do Instituto Millenium, versão moderna do velho Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), um dos principais catalisadores do golpe contra João Goulart, em 1964.

O que pode ser mensurado é o fetichismo atávico de segmentos que, desde sempre, controlaram o aparelho do Estado e não se conformam em terem sido apeados de lá pelo voto popular. Entronizado no altar de devoção de suas lideranças orgânicas, a prestidigitação golpista é uma possibilidade renovada. Para isso, no caso do diário paulista, há sempre um funcionário de plantão na segunda página. Ora inventam epidemias e caos aéreos, ora legitimam sondagens que interessam à família Frias.

Eles já aprenderam que, terminada a temporada, a troupe mambembe, avalia o prejuízo, amarra a lona e parte para a estrada, mais uma vez tentando distorcer a realidade, mais uma vez na contramão da democracia. As determinações de classe não falham.

*Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil
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domingo, 28 de março de 2010

Contraponto 1756 - Dilma tem mais do que o dobro dos votos espontâneos de Serra

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28/03/2010

Dilma tem mais do que o dobro dos votos espontâneos de Serra
por Célvio Brasil Girão*

A que atribuir a "subida" repentina de Serra na última pesquisa do DATAFOLHA publicada em 27 de março de 2010?


1 - à "exemplar" conduta do Governo de São Paulo na greve dos professores?

2 - aos sucessivos alagões que “lavam” a capital paulista da sujeira dos pobres?


3 - aos discursos e artigos "geniais" de FHC pronunciados e escritos recentemente?

4 - à multa "vergonhosa" aplicada a Lula por sua campanha em favor de Dilma?


5 - à preparação para que a festa do lançamento da candidatura Serra à Presidência não tivesse ares de enterro?

6 - ou finalmente ao desencadeamento da manipulação descarada (já preconizada pelo "intocável" Instituto Milleniun) a ser promovida e incrementada pelo PIG?

Na extemporânea e recente pesquisa do DATAFOLHA, a escolha espontânea dos candidatos está meio que escamoteada, não obstante ser a mais acreditada e aceita pelos próprios políticos.
Numa análise de leigo vemos que na pesquisa espontânea

Lula.........................., tem 8%,
Dilma.........................tem 12%,
Serra.......................... tem 8%.

"Escondidinhos", aparecem ainda


"Candidato do Lula" tem 3%

"Candidato do PT" tem 1%

Dilma teria então:


Os 12% dados a ela
+ 3% do "candidatos de Lula"
+ 1% de "candidato do PT” e
+ 4% "do Lula" (digamos, apenas a metade dos 8% dos “votos do Lula”),
somando 20% do total dos votos espontâneos - o que corresponderia a 2,5 vezes, ou mais do dobro dos 8% das intenções de votos espontâneos dados ao Serra.


Discrepância ?
Incongruência?

Ou manipulação desavergonhada mesmo?

Ou mais uma lambança do instituto de pesquisa da Fossa de São Paulo?

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* Editor do ContrapontoPIG

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