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sábado, 27 de agosto de 2011

Contraponto 6097 - "Pesquisa do IBGE sobre setor de serviços confirma dinamismo do Nordeste"

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27/08/2011


Pesquisa do IBGE sobre setor de serviços confirma dinamismo do Nordeste



SÃO PAULO – Mais um estudo confirma o dinamismo econômico do Nordeste brasileiro quando comparado às outras regiões do país. A Pesquisa Anual de Serviços (PAS) 2009, divulgada na sexta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica que a região possuía naquele ano 13,8% dos trabalhadores brasileiros no setor, ante 12,9% em 2007 – um aumento de 7%.

No mesmo período, o Sudeste e o Sul reduziram sua participação, respectivamente, de 61% para 60,7% e de 16,4% para 15,5%. Já o Centro-oeste e o Norte ampliaram sua parcela, mas menos intensamente do que os nordestinos – de 6,9% para 7% e de 2,8% para 3%, respectivamente. A PAS desconsidera os serviços financeiros em seus cálculos. Excluído esse setor, havia 9,7 milhões de trabalhadores em companhias de serviços no país em 2009.

Os ramos de atividade estudados pelo IBGE são serviços de alimentação, educação, hotelaria, comunicação, viagens, transporte e técnicos em geral, entre tantos outros. Nesta radiografia do setor, a PAS revela que em 2009 havia 918,2 mil empresas de serviços não financeiros no país, que geraram uma receita de R$ 745,4 bilhões e pagaram R$ 143,5 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações.

O dinamismo econômico da região Nordeste tem sido comprovado pelos dados de criação de vagas divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Em junho e julho, a região ultrapassou o Sul e assumiu o posto de segundo maior celeiro de empregos formais, atrás do Sudeste. No período, a economia nordestina criou o dobro de vagas abertas no Sul – 66 mil ante 33 mil, respectivamente, de acordo com a pesquisa mensal do ministério.

Concentração persiste
Apesar do avanço dos Estados nordestinos, o grau de concentração das empresas de serviços no Sudeste ainda é alto. Seis em cada dez trabalhadores e empresas estão na região. O Sudeste ainda é responsável por 66,4% da receita bruta apurada pelo setor e por 67,2% dos salários e outras remunerações pagos. No lado oposto, a região Norte registrou participação na receita de apenas 2,8% e de 2,4% nos salários.

O estudo do IBGE revelou ainda que, apesar de serviços como alimentação e hotelaria terem o maior número de empresas no conjunto pesquisado (288.286 empresas, ou 31,4% do total), as atividades profissionais, administrativas e complementares, como viagens, escritório em geral e vigilância responderam pela maior parcela do pessoal ocupado (3,89 milhões de pessoas, ou 40,2% do total) e da massa salarial (R$ 49,3 bilhões, ou 34,3%).

Outra informação trazida pela pesquisa diz respeito aos setores que mais geraram receita em 2009. Foram três: os “serviços de informação e comunicação” (R$ 214,4 bilhões), os “serviços dos transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio” (R$ 208,4 bilhões) e os “serviços profissionais, administrativos e complementares” (R$ 188,3 bilhões). Esses três segmentos, em conjunto, representaram 82,1% do total da receita operacional líquida gerada pelo setor de serviços não financeiros no Brasil em 2009.

Leia mais
Nordeste: o mais dinâmico e confiante, em dias de incertezas globais

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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Contraponto 6061 - "Nordeste, o laboratório da nova ecomomia"

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Coluna econômica

A emergência do Brasil no mundo, a recuperação da autoestima nacional inspirou em algumas mentes brilhantes a utopia da Amazônia. Ou seja, utilizar a região como laboratório para um novo Brasil, fundado na sustentabilidade, na exploração da biodiversidade, na mudança do padrão da exploração agrícola. A grande revolução brasileira, o novo modelo de desenvolvimento, terá no nordeste seu grande laboratório.

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Historicamente o nordeste padeceu de alguns males: excesso de pobreza, ausência de cidadania, sufocada por um modelo político anacrônico e opressivo.

Isso não impediu que, na cultura popular nordestina, sobressaíssem qualidades extraordinárias, que o modelo econômico anterior impedia que fossem economicamente exploradas. A música, as festas, o artesanato, o modo de ser afetivo, características hoje que são centrais na imagem que o Brasil projeta no mundo. Há uma imensa legião de artesãos, músicos, artistas, pequenos empreendedores com potencial para gerar riqueza.

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A partir dos anos 90, começou a gradativa exploração econômica de algumas dessas características. As festas populares se profissionalizaram, começando pelo carnaval de Salvador, indo para o carnaval de Recife-Olinda, as festas juninas, os carnavais fora da época. O turismo ganha grande impulso com a construção de rodovias costeiras permitindo investimentos pesados em hotelaria. A Europa descobre o nordeste,, às vezes por razões abjetas, como o turismo sexual, mas gradativamente convergindo para as belezas naturais, os festejos, a musicalidade, a alegria do povo nordestino. O artesanato nordestino começa a conquistar grandes centros brasileiros e, depois, internacionais.

No início da década de 2000, uma pesquisa do Sebrae Nacional - conduzida pelo italiano Domenico Di Masi - identificou a "cara do Brasil" no exterior. Dentre as maiores marcas, festas populares (carnaval do Rio e festejos nordestinos), a música brasileira, o artesanato nordestino e as novelas da Globo.

Ainda hoje existe imensa exploração dos artesãos da região. Há diferenças de preços que podem chegar a vinte vezes entre o que se paga ao artesão e o que se cobra na boutique.

Mas o desenvolvimento da região tem permitido o aparecimento de formas eficientes de organização, como cooperativas de artesanato. Há experiências bem sucedidas até de exportação, como do mel de abelha do sul do Piauí, exportado para a Europa. Essas experiências estão se espalhando na região, sendo compartilhadas.

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Em cima dessa realidade existe a nova realidade econômica do nordeste, principal beneficiário da emergência das novas classes sociais, graças ao Bolsa Família e ao aumento do salário mínimo. O nordeste profundo passa a se inserir cada vez mais no mercado

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A região passará a abrigar grandes empresas e suas respectivas cadeias produtivas.

Mas o laboratório a ser explorado é a construção de redes de pequenos empreendedores, seja através de cooperativas ou outras formas de organização. O modelo do sudeste - fundado preferencialmente nas grandes empresas e suas cadeias produtivas - poderá ser complementado pelo modelo do nordeste, focado no empreendedorismo em bases sólidas, inovador, criativo.

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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Contraponto 5423 - "O Nordeste na trilha da redenção"

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25/05/2011
O Nordeste na trilha da redenção

Jornal O Povo - 25/05/2011

Sergio Machado *

Os dados da recente pesquisa da Fundação Getúlio Vargas sobre a diminuição da desigualdade de renda no País demonstram, de forma contundente, como os programas sociais e de crescimento econômico do Governo Federal se tornaram fatores decisivos para acelerar o inédito desenvolvimento atual do Nordeste.

Foi na Região que a pesquisa detectou a maior elevação de renda das camadas mais pobres, na primeira década deste século. Além dos avanços na educação, maciços investimentos em infraestrutura e grandes projetos industriais abarcados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) também contribuíram em grande escala para o novo perfil socioeconômico do Nordeste.

Na verdade, o PAC mudou o paradigma de crescimento do País, ao destinar, em sua primeira fase, 25% dos seus investimentos para o Nordeste. Um processo indutor de desenvolvimento dessa magnitude não poderia deixar de produzir efeitos à primeira vista surpreendentes como o retorno de nordestinos que antes tentavam a sorte no Sul/Sudeste, e, até mesmo, a atração que o Nordeste exerce hoje sobre mão de obra altamente qualificada de outras regiões do País.

Ao registrarmos estes dados incontestáveis não podemos nos furtar a fazer alguns lembretes sobre cuidados e ações imprescindíveis nessa jornada redentora. A primeira e mais importante observação é que o Nordeste precisa crescer de forma integrada, com empreendimentos que criem uma cadeia produtiva local, gerando renda e riqueza para a região.

Isso significa não insistir em velhas práticas que se mostraram infrutíferas e danosas, como a de conceder incentivos e crédito barato a indústrias isoladas e não por setor produtivo, o que, geralmente, impossibilita a formação de cadeias produtivas capazes de reter na região a riqueza produzida.

Outra prioridade é a intensificação dos avanços na educação e na formação e capacitação de obra, prioritárias para assegurar aos novos e antigos empreendimentos um padrão internacional de qualidade e competitividade. Da mesma forma, investimento em tecnologia é fator-chave para o desenvolvimento em bases sustentáveis.

Nunca é demais repetir que a competência é a linguagem universal nesse nosso mundo multipolarizado, no qual o mapa geopolítico sofre mudanças drásticas, com a emergência de novas potências econômicas.

Estamos mais próximos da Europa e dos Estados Unidos do que o Sul do País e esta é uma enorme vantagem comparativa que precisamos aproveitar, com base em estudos e pesquisas criteriosas. As oportunidades estão aí. O Sistema Petrobras vem dando uma importante contribuição para essa mudança de paradigmas, com a construção de novas refinarias, gasodutos e a implantação de uma indústria naval moderna e mundialmente competitiva.

Com políticas que contemplem ações estratégicas e planejamento integrado, o Nordeste, resolverá seus problemas históricos e passará a dar importante contribuição para o desenvolvimento do País.

*Sergio Machado é Presidente da Transpetro.
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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Contraponto 4323 - "Nordeste é a nova fronteira do desenvolvimento brasileiro"

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28/12/2010

Nordeste é a nova fronteira do desenvolvimento brasileiro

Blog do Planalto - Terça-feira, 28 de dezembro de 2010 às 19:01

A Fiat não instalou sua nova fábrica brasileira em Pernambuco porque o presidente Lula é de lá ou porque o governador Eduardo Campos tem olhos azuis. A empresa sabe que o Nordeste está se desenvolvendo a passos largos e é a nova fronteira do País a ser desbravada, por isso não perdeu tempo, afirmou o presidente Lula durante cerimônia de lançamento da pedra fundamental da fábrica no Complexo Industrial de Suape, em Pernambuco. O Nordeste que antes só aparecia nas estatísticas por seus problemas de analfabetismo, desnutrição e mortalidade infantil, agora forma cada vez mais doutores, qualifica profissionalmente sua juventude por meio das escolas técnicas e vê a geração de emprego e renda crescer com a instalação da indústria naval e petroquímica nos estados da região. E assim o País fica mais justo e equilibrado, afirmou o presidente:

“Não era possível o Brasil continuar dividido entre o País miserável exportador de desempregado para o restante do País e o Brasil que recebia quase tudo. Este País tem que ser mais igual, dando oportunidade a todas regiões. (…) O Nordeste precisa de mais indústrias e mais empregos, porque nós temos que recuperar as décadas perdidas. Eu não esqueço a razão pela qual eu saí da minha Caetés no dia 13 de dezembro de 1952. A causa chamava-se fome. E nós não queremos que isso aconteça mais com o Nordeste. Nós queremos que nordestino vá a SP a turismo, como o paulista vem para cá a turismo.”

O presidente reafirmou a sua disposição de trabalhar até o último dia de sua gestão, e assim continuar viajando pelo Brasil, inaugurando obras e dando início a grandes projetos. Muita gente tem estranhado e até criticado esse ritmo, observou Lula, mas talvez porque estejam acostumados a antigos hábitos de presidentes que diminuiam o ritmo no último ano de governo, ou que deixavam de trabalhar na parte da manhã ou na parte da tarde nos últimos meses. Mas Lula afirmou que tem motivos de sobra para trabalhar até o dia 31 de dezembro:

“(…) nem todos os presidentes da República tiveram o gostoso prazer de inaugurar a quantidade de obras que eu tenho para inaugurar. Nem todos. E nós estamos neste momento colhendo um pouco daquilo que plantamos em momentos dificeis.”

Ouça aqui a íntegra do presidente em Pernambuco:

O presidente aproveitou o evento para defender a democratização na distribuição de verbas publicitárias a veículos de comunicação promovida pelo seu governo nos últimos oito anos. Veja o vídeo:


Lula lembrou sua trajetória até chegar à Presidência e disse que se sentiu obrigado a mudar o patamar de governança no País, porque tinha que provar que um trabalhar de origem humilde tinha todas as condições de governar, tão bem ou melhor do que os presidentes anteriores. “Porque eu nao queria provar a mim mesmo, eu queria provar aos trabalhadores e as pessoas mais humildes deste País”, afirmou o presidente.

“Foi essa necessidade de provar que me fez trabalhar mais do que de hábito se trabalhava neste País. Acreditar mais do que se acreditar, depositar confiança no povo mais do que se depositava. Acreditar na parceria, no trabalho entre os entes federados.”

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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Contraponto 3807 - "No nordeste, a realidade contra o cabresto"

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01/11/2010

No nordeste, a realidade contra o cabresto

Do Nassif
Enviado por luisnassif, seg, - 14:39

Por Jotaroberto

A vitoria da realidade do nordeste sobre o preconceito do cabresto do Bolsa Familia, nestas eleições. Uma realidade que nossa midia evitou mostrar, neste texto fantastico da Prof. Tania Bacelar de Araujo, da UFPE.

A ampla vantagem da candidata Dilma Rousseff no primeiro turno no Nordeste reacende o preconceito de parte de nossas elites e da grande mídia face às camadas mais pobres da sociedade brasileira e em especial face ao voto dos nordestinos. Como se a população mais pobre não fosse capaz de compreender a vida política e nela atuar em favor de seus interesses e em defesa de seus direitos. Não "soubesse" votar.

Desta vez, a correlação com os programas de proteção social, em especial o "Bolsa Família" serviu de lastro para essas análises parciais e eivadas de preconceito. E como a maior parte da população pobre do país está no Nordeste, no Norte e nas periferias das grandes cidades (vale lembrar que o Sudeste abriga 25% das famílias atendidas pelo "Bolsa Família"), os "grotões"- como nos tratam tais analistas ? teriam avermelhado. Mas os beneficiários destes Programas no Nordeste não são suficientemente numerosos para responder pelos percentuais elevados obtidos por Dilma no primeiro turno : mais de 2/3 dos votos no MA, PI e CE, mais de 50% nos demais estados, e cerca de 60% no total ( contra 20% dados a Serra).

A visão simplista e preconceituosa não consegue dar conta do que se passou nesta região nos anos recentes e que explica a tendência do voto para Governadores, parlamentares e candidatos a Presidente no Nordeste.

A marca importante do Governo Lula foi a retomada gradual de políticas nacionais, valendo destacar que elas foram um dos principais focos do desmonte do Estado nos anos 90. Muitas tiveram como norte o combate às desigualdades sociais e regionais do Brasil. E isso é bom para o Nordeste.

Por outro lado, ao invés da opção estratégica pela "inserção competitiva" do Brasil na globalização - que concentra investimentos nas regiões já mais estruturadas e dinâmicas e que marcou os dois governos do PSDB -, os Governos de Lula optaram pela integração nacional ao fundar a estratégia de crescimento na produção e consumo de massa, o que favoreceu enormemente o Nordeste. Na inserção competitiva, o Nordeste era visto apenas por alguns "clusters" (turismo, fruticultura irrigada, agronegócio graneleiro...) enquanto nos anos recentes a maioria dos seus segmentos produtivos se dinamizaram, fazendo a região ser revisitada pelos empreendedores nacionais e internacionais.

Por seu turno, a estratégia de atacar pelo lado da demanda, com políticas sociais, política de reajuste real elevado do salário mínimo e a de ampliação significativa do crédito, teve impacto muito positivo no Nordeste. A região liderou - junto com o Norte - as vendas no comercio varejista do país entre 2003 e 2009. E o dinamismo do consumo atraiu investimentos para a região. Redes de supermercados, grandes magazines, indústrias alimentares e de bebidas, entre outros, expandiram sua presença no Nordeste ao mesmo tempo em que as pequenas e medias empresas locais ampliavam sua produção.

Além disso, mudanças nas políticas da Petrobras influíram muito na dinâmica econômica regional como a decisão de investir em novas refinarias (uma em construção e mais duas previstas) e em patrocinar - via suas compras - a retomada da indústria naval brasileira, o que levou o Nordeste a captar vários estaleiros.

Igualmente importante foi a política de ampliação dos investimentos em infra-estrutura - foco principal do PAC - que beneficiou o Nordeste com recursos que somados tem peso no total dos investimentos previstos superior a participação do Nordeste na economia nacional. No seu rastro,a construção civil "bombou" na região.

A política de ampliação das Universidades Federais e de expansão da rede de ensino profissional também atingiu favoravelmente o Nordeste, em especial cidades médias de seu interior. Merece destaque ainda a ampliação dos investimentos em C&T que trouxe para Universidades do Nordeste a liderança de Institutos Nacionais ? antes fortemente concentrados no Sudeste - dentre os quais se destaca o Instituto de Fármacos (na UFPE) e o Instituto de Neurociências instalado na região metropolitana de Natal sob a liderança do cientista brasileiro Miguel Nicolelis que organizará uma verdadeira ?cidade da ciência? num dos municípios mais pobres do RN (Macaíba).

Igualmente importante foi quebrar o mito de que a agricultura familiar era inviável. O PRONAF mais que sextuplicou seus investimentos entre 2002 e 2010 e outros programas e instrumentos de política foram criados ( seguro ? safra , Programa de Compra de Alimentos, estimulo a compras locais pela Merenda Escolar, entre outros) e o recente Censo Agropecuário mostrou que a agropecuária de base familiar gera 3 em cada 4 empregos rurais do país e responde por quase 40% do valor da produção agrícola nacional. E o Nordeste se beneficiou muito desta política, pois abriga 43% da população economicamente ativa do setor agrícola brasileiro.

Resultado: o Nordeste liderou o crescimento do emprego formal no país com 5,9% de crescimento ao ano entre 2003 e 2009, taxa superior a de 5,4% registrada para o Brasil como um todo, e aos 5,2% do Sudeste, segundo dados da RAIS.

Daí a ampla aprovação do Governo Lula em todos os Estados e nas diversas camadas da sociedade nordestina se refletir na acolhida a Dilma. Não é o voto da submissão - como antes - da desinformação, ou da ignorância. É o voto da auto- confiança recuperada, do reconhecimento do correto direcionamento de políticas estratégicas e da esperança na consolidação de avanços alcançados - alguns ainda incipientes e outros insuficientes. É o voto na aposta de que o Nordeste não é só miséria (e, portanto, "Bolsa Família"), mas uma região plena de potencialidades.http://tatodoomundoenganado.blogspot.com/2010/10/o-voto-do-nordeste-para-alem-do.html

(*) Tânia Bacelar de Araújo, ex-secretária de Planejamento (1987-88) e da Fazenda do Estado de Pernambuco (1988-90) e ex-secretária Nacional de Políticas Regionais do Ministério da Integração Nacional (2003), é especialista em desenvolvimento regional, economista, socióloga e professora do Departamento de Economia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Contraponto 2975 - "Nordeste foi o carro-chefe do emprego e da renda em 2009"

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09/08/2010


Nordeste foi o carro-chefe do emprego e da renda em 2009


Vermelho - 08/08/2010

Os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) divulgados, na última quinta-feira (5), pelo Ministério do Trabalho, mostram que foram fechadas 198 mil vagas para trabalhadores de menor escolaridade (até a 8ª série do ensino fundamental) no ano de 2009, enquanto o saldo foi positivo em 1,963 milhão de empregos para as demais faixas de escolaridade, resultando em um saldo total de 1,765 milhão de ocupações formais — celetistas ou funcionários públicos.
Para o ministro do trabalho, Carlos Lupi, o mercado de trabalho brasileiro está mostrando que quanto maior a qualificação e a escolaridade do trabalhador, mais chances ele tem de conseguir um emprego e ser melhor remunerado. "Quanto menor o nível de escolaridade, maiores foram as demissões", observou.

Os dados regionais da Rais de 2009 mostram que o Nordeste foi a região que criou mais empregos e onde o salário médio real mais cresceu. O aumento de postos de trabalho no ano passado foi de 7,04% na região em relação a 2008, enquanto a remuneração média subiu 4,78%, acima dos 2,51% da média nacional.

"A gente comprova que há um crescimento regionalizado maior no Brasil, nas regiões mais carentes, e isso se deve basicamente ao salário mínimo que aumentou mais que a inflação", disse Lupi.

Na região Sudeste, a remuneração média cresceu menos em 2009 (2,2%), o que levou a uma pequena redução na diferença entre os salários das duas regiões. Em 2008, o trabalhador do Nordeste recebia um salário 30% inferior ao do Sudeste, em média, diferença que caiu para 28% no ano passado.

A força de trabalho feminina ocupou mais espaço no mercado em 2009, segundo a Rais. O emprego feminino cresceu 5,34% em relação ao ano de 2008, enquanto o crescimento para os homens foi de 3,87%.

Em 2009, as mulheres ocupavam 17 milhões de postos de trabalho enquanto os homens ocupavam 24,1 milhões. Mesmo que ainda sejam minoria no mercado de trabalho brasileiro, as mulheres ocupam mais postos quando a comparação é feita entre os trabalhadores com ensino superior completo. Elas estão em 3,97 milhões de vagas e eles, em 2,76 milhões.

Quando comparados os dados por faixa etária, os jovens entre 16 e 24 anos registraram as menores taxas de crescimento de novos empregos. Nessa faixa etária houve um aumento de 1,46% em 2009 na comparação com 2008.

Na faixa entre 18 e 24 anos houve um aumento de 2,61%. Esse comportamento, segundo o ministério, sinaliza uma opção dos jovens de permanecer mais tempo na escola antes de ingressar no mercado de trabalho.

O Brasil contabilizou 41,2 milhões de empregos formais em 2009, saldo de 1,7 milhão em relação a 2008. Os setores que mostraram maior desempenho foram o de serviços, com a criação de 654 mil novos postos de trabalho; a administração pública, com 453,8 mil empregos; o comércio, com 368,8 mil postos e a construção civil, com 217,7 mil novos postos de trabalho.

Os dados mostram que o número de trabalhadores formais no país até junho de 2010, tomando como referência as informações da Rais de 2009 mais o saldo do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) deste ano (1,437 milhão), chega a 42,680 milhões.

Fonte: Valor Econômico
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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Contraponto 2138 - "Ó xente, que maravilha, bá! O Nordeste puxa a a fila."

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05/05/2010
Ó xente, que maravilha, bá! O Nordeste puxa a a fila.

Tijolaço - quarta-feira, 5 maio, 2010 às 13:14

Brizola Neto


Há uma notícia que vai ser pouco lida, porque só saiu no Valor Econômico, mas que eu faço questão de dividir aqui com vocês. A região Nordeste vem aumentando sua participação no volume total do crédito no Brasil. No fim de 2004, estavam lá 9,5% do saldo das operações de crédito, este ano, subiram 11,6% ,em janeiro. No mesmo período, a participação do Norte passou de 3,21% para 3,58%, e a do Centro-Oeste foi de 9,23% para 9,32%.

O Nordeste tem 27% da população brasileira. Essa, portanto, deve ser sua participação ideal numa economia equilibrada. O avanço, que pode parecer pequeno, representa, proporcionalmente, muito. Principalmente porque tem sido enorme a expansão do crédito no país, como um todo.

Diz a matéria que o Nordeste lidera a expansão do crédito nos últimos cinco anos em termos percentuais, com alta acumulada de 331,5% até o fim de 2009. Em segundo lugar aparece o Norte, com avanço de 296%, seguido por Centro-Oeste (259%), Sul (245,7%) e Sudeste (243,6%). De olho neste potencial, os bancos estão aumentando sua rede de agências e postos na região.

Sinal que esta região historicamente injustiçada está avançando e- que bom para todos nós – tornando o Brasil um país menos desigual. Ano passado, uma matéria do Estadão mostrou que mesmo no pior da crise, no Governo Lula, o crescimento do Nordeste ficou acima da média nacional. Um carioca-gaúcho como eu só pode ficar feliz vendo nossos irmãos nordestinos, finalmente, tendo direito a um quinhão do progresso brasileiro.

O triste é que continue existindo tanto preconceito. Ao ler o jornal impresso, com a matéria correta e muito informativa do repórter Murillo Camaroto, do Recife, me deparei com um subtítulo e uma abertura que, certamente, foram acrescentados na edição, em São Paulo: “NORDESTE ROUBA FATIA DAS DEMAIS REGIÕES BRASILEIRAS NO CRÉDITO”, seguida do texto que diz que “o crescimento da oferta de crédito no Nordeste, que há pelo menos cinco anos avança em ritmo mais acelerado que o das demais regiões do país, é alimentado com recursos captados na Região Sudeste, centro financeiro do país(…) “

Dá para perceber quanto preconceito se contém nessa forma de apresentar os fatos. Um pena que existam pessoas na elite brasileira que não conseguem entender que este país não poderá ser bom para ninguém se não puder ser bom para todos. O castigo do egoísmo é o medo e o drama de ter, mais cedo ou mais tarde, sua vida invadida pela miséria que cerca sua riqueza.
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Contraponto 79 - Anuário do Ceará e os 100 anos do DNOCS

.Água para entender o Nordeste

Por Jocélio Leal – Coluna Vertical S/A do jornal “O Povo” de 10/08/2009

Água é o tema do Anuário do Ceará deste ano. O capítulo autoral é dedicado a um percurso histórico pelo Nordeste, desde as raízes da literatura sobre a região, com inspiração na miséria da caatinga. Um álbum de retratos repleto de tons cinza a desenhar paisagens, carcaças e desesperanças, como bem descreve o texto de “A história da Água no Ceará”.
"E o Sertão virou mar”. Este é o título do primoroso texto assinado por Ana Mary C. Cavalcante no Anuário do Ceará 2009-2010, a ser lançado hoje à noite, às 20 horas, no La Maison Dunas. No dizer do agrônomo Paulo de Brito Guerra, em "A Civilização da Seca" (Dnocs, 1981), citado por Ana Mary, a "Seca Grande" de 1877 foi a maior catástrofe ocorrida na região. Morreram mais de meio milhão de pessoas. E pior do que a falta d'água, era a falta de assistência dos governos. Até 1845, descreve Guerra, a política pública se limitava à distribuição de esmolas, passando-se à construção de cadeias e igrejas, para dar trabalho aos flagelados.
Em todo caso, como destaca o economista Cláudio Ferreira Lima, também consultor editorial do Anuário e fonte do capítulo, ainda nos anos 1800, a chamada "Seca Grande" tangeu o governo imperial para o Nordeste. Ele diz que "o grande flagelo do Norte", como passa a ser chamado, e torna um problema nacional. Foi quando Dom Pedro 11 criou a Comissão Imperial de Inquérito, em cujo relatório ficou recomendada a melhoria do sistema de transportes e, sobretudo, a construção de açudes. Depois, o imperador nomeia comissão de engenheiros para percorrer a província do Ceará e estudar meios de abastecimento durante as estiagens, bem como um sistema de irrigação. Era o esboço do que viria a ser o atual Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). Para combater os efeitos da estiagem no Nordeste, o Dnocs ainda tem de matar um leão a cada dia dos 100 anos do órgão.
No subcapítulo Cronologia das Águas, com os principais atos relacionados à água no Nordeste, a contagem tem início em 1583. Foi o ano em que pesquisadores apontam como a data mais remota que se tem notícia de seca no Nordeste. O ano da graça de 1999, o então presidente Fernando Henrique Cardoso, assinou Medida Provisória 1.795, extinguindo o Departamento. Foi a mobilização de servidores, políticos e empresários que evitou o fim. Pressionado, ao invés de implodi-lo, o Governo reestruturou órgão. A última estação da Cronologia é 21 de outubro de 2009. Marcará o primeiro século do Dnocs. O capítulo é um documento importante para entender o Nordeste.

PITACO DO ContrapontoPIG

Fernando Henrique Cardoso quase extingue o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas - DNOCS - em 1999.
Teria cometido um crime contra o Nordeste. O DNOCS teve, tem e ainda terá importância crucial para a nossa região. Sem a atuação do DNOCS em décadas passadas, algumas regiões do Nordeste seriam, hoje, simplesmente desabitadas. O editor desde Blog tem um imenso orgulho de pertencer, agora na condição de aposentado, ao quadro daquele glorioso Departamento.
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