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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Contraponto 6033 - "Omelete quebram ovos"

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.18/08/2011
Omelete quebram ovos

Quem tem razão não teme companhia, mas não baixa a cabeça

Do Tijolaço - 18/08/2011

A Presidenta Dilma tem toda a razão em afirmar, como fez hoje, que “a verdadeira faxina que este país tem de fazer é a faxina contra a miséria”. E também em afirmar que “nossa maior riqueza não é o petróleo, não é o minério, não é a nossa sofisticada agricultura, nossa maior riqueza são os 190 milhões de brasileiros”.

Mas a Presidenta não é, certamente, ingênua de achar que o Brasil inteiro se unirá num “grande abraço republicano, olhando para os brasileiros que mais precisam”.

A miséria no Brasil não é uma desgraça cultural, climática, filosófica ou sociológica. É fruto de um modelo econômico que foi imposto e é sustentado por forças políticas que não têm o menor pudor em concordar, em tese, com aquelas afirmações, nem de publicar estas profissões de fé nas páginas de papel couché de seus “balanços sociais”.

Nossa miséria não é de “geração espontânea”. Dos senhores de engenho aos investidores modernos, ela é fruto da apropriação da riqueza natural e do trabalho das coletividades humanas, ao quais encaram como “custo”, não como elemento dinâmico do crescimento da economia.

A nossa riqueza não é o petróleo, não é o minério, não é a nossa sofisticada agricultura, são os brasileiros. Mas são aqueles, e não estes, que lhes importam de verdade.

É dever republicano de um chefe de Estado convocar todos, sem distinção, para o combate à miséria. Mas é também seu dever saber, como sabe Dilma, que o crescimento econômico com inclusão social só não tem inimigos “em tese”. Porque, na prática, os beneficiários do modelo excludente e gerador de miséria vão se aferrar com seus dentes e garras ferozes aos privilégios que, para eles, transformam o Brasil num paraíso.

Contraponto 6028 - "Dilma lança pacto contra miséria no Sudeste ao lado de Alckmin"

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18/08/2011


Dilma lança pacto contra miséria no Sudeste ao lado de Alckmin


Do Vermelho - 18 de Agosto de 2011 - 11h18


A presidente Dilma Rousseff deixa de lado as divergências políticas e vai à sede do governo paulista nesta quinta-feira (18) para lançar um pacto de combate à miséria no Sudeste. A iniciativa é voltada para pessoas com renda inferior a R$70 mensais – 2,7 milhões de pessoas da região.


Uma das medidas já antecipada por aliados de Dilma e do governador de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin, é a criação do cartão único para resgate dos benefícios pagos pelos governos federal e estadual.

Trata-se da associação do Bolsa Família com o Renda Cidadã - a versão local do programa nacional. No Estado de São Paulo, há um milhão de pessoas em situação de pobreza extrema.

No total, o Brasil Sem Miséria, principal iniciativa social da presidente, visa acabar com o problema de mais de 16,2 milhões de pessoas até 2014. O governador tucano também andou dizendo, no início da semana, que tem o combate à miséria como “item número um” de sua agenda.

A parceria administrativa entre os dois governos, contudo, tem gerado preocupação em apoiadores tanto da presidente quanto do governador. “Será um avanço político no modelo de gestão, com benefício para a sociedade. Não podemos partidarizar uma ação como essa”, ponderou o presidente do PT estadual, Edinho Silva, numa tentativa de manter o evento apenas no campo institucional.

Isso porque, nos bastidores da Assembleia Legislativa e da Câmara Municipal de são Paulo já surgiam receios em relação à parceria. Do lado petista, aliados temiam que o pacto entre Dilma e Alckmin ajude o tucano na sua busca por consolidar uma imagem de que prioriza a questão social.

Já o PSDB avaliava que o eleitorado podia interpretar a ação como uma aproximação com um modelo que sempre foi apontado como “assistencialista” pelos tucanos, mas que tem se revelado inegavelmente exitoso.

Tanto que, em nome dos louros que essa parceria administrativa pode render, o governador de São Paulo adotou a estratégia de evitar engrossar o coro da oposição contra o governo, às vezes até com afagos à presidente.

Contra a miséria

Para reforçar o combate à miséria, a presidente pediu ao Congresso a inclusão de crédito adicional de R$ 1,2 bilhão no orçamento deste ano para ampliar o Bolsa Família e contratar equipes para buscar os que precisam de ajuda. A maior parte disso deve ser gasta no Nordeste, onde estão 59% dos necessitados, ou 9,6 milhões do total.

Pouco mais de 17% dos moradores do Sudeste vivem em condições de miséria. Desses, 79% estão nas cidades e 21% estão em áreas rurais. Em São Paulo, os mais pobres se dividem principalmente em duas regiões: na capital e em sua região metropolitana e mais ao sul, no Vale do Ribeira, perto do Paraná.

Além de São Paulo, o programa tentará acabar com a miséria em Minas Gerais (900 mil potenciais beneficiados), Rio de Janeiro (586 mil) e Espírito Santo (145 mil).

Com Agências
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