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domingo, 1 de novembro de 2009

Contraponto 598 - MERCOSUL - "O transitório e o duradouro".


01/11/2009

MERCOSUL - O transitório e o duradouro.

Blog de um sem Mídia

Por Mauro Santayana - sábado, 31 de outubro de 2009

Prevaleceu o bom senso, e a Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou, ontem, a entrada da Venezuela no Mercosul. Há os que se opõem a esse ingresso e, em passado recente, pretendiam que aderíssemos ao Alca. O Tratado de Livre Comércio das Américas, como o desejavam os norte-americanos, seria, para repetir o guatemalteco Juan Arévalo, a associação entre as sardinhas e o tubarão. A adesão do México ao Nafta representou a desnacionalização da indústria, o aumento da criminalidade, a repercussão dramática da crise econômica norte-americana em seu território. O México perdeu 15% dos empregos existentes em 1994 e, só no ano passado, 6.290 pessoas foram assassinadas na guerra do narcotráfico.

O presidente Chávez tem surpreendido os meios políticos com seu comportamento inusitado. Sua eleição constituiu a quebra de um paradigma. Mas essa quebra de paradigma não ocorreu somente na Venezuela. No mundo inteiro, o eleitorado tem preferido, nos últimos decênios, homens que fogem aos modelos clássicos de chefes de Estado e de governo do século 19 e início do século 20. São homens que não se identificam com o que convencionamos chamar establishment. Esses homens novos, para usar o léxico político romano, não constituem privilégio da esquerda. A direita também os elege, mais do que a esquerda e, talvez, tenha a ela cabido o privilégio de inaugurar o costume, quando fez do caubói Ronald Reagan o presidente dos Estados Unidos em 1980. Quebrou-se, na mesma ocasião, o paradigma na Inglaterra, com a eleição de Mme. Thatcher para ocupar o gabinete de Downing Street, que havia sido, só no século passado, de Lord Balfour e de Lloyd George, de Churchill, Harold Wilson e Bevan. E que dizer de nossos dias, com Berlusconi e Sarkozy? E não nos esqueçamos de Barack Hussein Obama – talvez o que intelectualmente mais se aproxime do modelo clássico dos governantes do passado.

A História registra quebras anteriores de paradigma, mas geralmente localizados e episódicos, como ocorreu com a eleição de Andrew Jackson, nos Estados Unidos de 1828. Quebra de paradigma é também a presença de Lula, no Alvorada. Argumentam, os adversários da inclusão da Venezuela no Mercosul, que o regime, ali, não é democrático. Mas, o que é mesmo democracia? Se os destacados adversários da Venezuela conseguissem defini-la com precisão, resolveriam um dos problemas básicos da ciência política. Em termos pragmáticos – e não acadêmicos – democracia é aquele regime que nos convém, e não democrático aquele que não nos agrada. Há democracias e democracias. Seria, por exemplo, democrático o governo da Itália, cujo primeiro-ministro controla mais da metade do poder de informação no país? Em sua melhor definição, a democracia rejeita adjetivos, e os rejeita porque é um processo – e os processos não admitem qualificações definitivas.

É preciso separar o transitório do duradouro, já que na política, como na vida em geral, não há situações permanentes. O presidente Chávez é um inquilino do Palácio de Miraflores, como outros houve, desde a tumultuada independência da região. Como em todos os países do continente, a história da Venezuela oscila entre o despotismo das oligarquias e a resistência dos pobres. Houve governos que lutaram pela democracia republicana e pela igualdade, como os de Rômulo Bentacourt e Rômulo Gallegos. E ditaduras militares impostas pelos golpes de Estado, como a de Perez Jimenez. E há o clássico exemplo da corrupção insuportável de governos que começaram bem, como ocorreu com Carlos Andrés Perez. Se Chávez e sua forma particular de governo são realidades transitórios, a Venezuela é duradoura. Hoje, a Venezuela é um dos mais importantes parceiros comerciais do Brasil, e, acima dos preconceitos contra o índio Chávez, prevalecem os interesses dos grandes empresários brasileiros, que exportam bens e serviços para aquele país. E, da mesma forma, os nossos objetivos nacionais permanentes.

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Requião e o acordo

O governador Roberto Requião disse o que devia dizer. O acordo prévio entre o PMDB e o PT, quanto à Vice-Presidência na chapa de Dilma Rousseff, expressa a vontade da candidata, de Michel Temer e seus próximos. Só a convenção nacional do partido decidirá que posição assumir no pleito do ano que vem. E, embora a candidatura da ministra pareça consolidada no PT, ela só será definitiva depois da convenção de seu partido. Em política, como em tudo na vida, as circunstâncias mudam a cada instante.
JB online
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Contraponto 582 - Bom pro Brasil, mas a Globo não quer


30/10/2009

O Globo é um poço de ódio. E se lixa para o Brasil

Brizola Neto - quinta-feira, 29 outubro, 2009 às 12:04

Defensor da globalização, do livre mercado, do “dinheiro não tem pátria”, O Globo hoje dá um espetáculo de como é capaz de misturar interesses e ódios políticos e relações comerciais. Um editorial furioso (que pode ser lido no Blog do Noblat) tenta pressionar os senadores para rejeitarem o ingresso da Venezuela no Mercosul, pelo fato de , segundo o jornal dos Marinho, Hugo Chávez “não é confiável”. Ameaçam, com isso, comprometer as relações com o maior parceiro comercial do Brasil, responsável por um suparávit em nossas contas de mais de US$ 5 bilhões em favor de nosso país.


Não é novidade. A ditadura militar à qual O Globo serviu - ela era um exemplo de democracia, não acham: - já nos fez romper relações com a China e, com isso, nos impediu de termos relacionamentos sólidos com aquele país que “explodiu” como grande mercado comercial do mundo. A duras penas fomos construindo a parceria que temos hoje com eles e que é extraordinariamente importante para nossa economia.

Compara o governo venezuelano ao da Alemanha nazista e ao da Itáli de Mussolini. Diz que lá não é uma democracia, embora já se tenham feito, desde a eleição de Hugo Chávez, há 10 anos, nada menos que 14 eleições e plebiscitos nacionais, sob fiscalização internacional.

Mas Chávez, de fato, comete alguns “crimes imperdoáveis”. O primeiro, diz claramente o que pensa, e o diz para todos, usando os meios de comunicação. Não está disposto a deixar que o povo leia o que fala “interpretado” pelos donos da mídia. Depois, não aceita o império dos interesses estrangeiros sobre os interesses nacionais. Aceita os investimentos estrangeiros no país mas de acordo com regras. A Venezuela está cheia de empresas estrangeiras - muitas delas brasileiras - que aceitam trabalhar e lucrar nestas condições.Aliás, estes próprios empresários têm feito apelos para que não se faça uma loucura e se comprometam nossos negócios de exportação, nossa produção e os empregos gerados aqui pelas vendas à Venezuela.

Imperdoável mesmo, porém, para O Globo foi Chávez ter cumprido a lei. Concessões de rádio e televisão têm prazo contratual. Longo, por sinal, em média de 20 a 30 anos. Acabado o prazo, acaba a concessão. Está escrito, assinado e é legal. Mas a Globo acha que, depois de assinada uma concessão, mesmo com prazo determinado, este é um direito vitalício, a ser transmitido por gerações. Os Marinho não têm a menor dúvida de que suas concessões serão prorrogadas até que seu tataranetos estejam no comando das empresas, embora tenham assinado contratos com data para terminar.

O barões de nossa mídia acreditam piamente que têm direitos nobiliárquicos, como na Idade Média. Espero que o Senado, hoje, acabe com essa vergonha que nosso país está passando por iniciativa de gente medíocre, incapaz de colocar os interesses do Brasil e de sua economia acima de seus mesquinhos ódios pessoais.
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Contraponto 388 - Direita troglodita

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01/10/2009
Jereissati não é nacionalista, mas é provinciano


Tijolaço - Brizola Neto, quarta-feira, 30 setembro, 2009 às 12:12

Inacreditável o comportamento do empresário e senador Tasso Jereissati. Como tucano de alto coturno, cansa de afirmar que o mundo é globalizado, que as empresas não devem ser discriminadas por serem nacionais ou estrangeiras, que a presença no Estado na economia é um retrocesso, etc, etc…Mas está encaminhando hoje um relatório à Comissão de Relações Exteriores do Senado dando parecer contrário à entrada da Venezuela, a terceira maior economia do nosso continente, no Mercosul!

O seu argumento é o “processo acelerado de desmonte das liberdades democráticas” que estaria em curso hoje na Venezuela, com objetivo de garantir “a perpetuação do presidente Hugo Chávez no poder”. Engraçado, lá a reeleição teve de ser aprovada em plebiscito; aqui, com o apoio de Jereissati, a reeleição de FHC foi aprovada apenas no Congresso e sabe lá Deus com que “incentivos” a parlamentares.

Mas, independentemente destas questões, o que isso tem a ver com relações comerciais? O Brasil tem uma balança comercial fortemente superavitária com a Venezuela. Nosso saldo comercial com aquele país chega, dependendo do mês, a repesentar um terço do saldo total obtido no nosso comércio exterior. Melhor, exportamos para lá não produtos primários, mas industrializados, de alto valor agregado. Nossas exportações para lá, em 10 anos, cresceram 859% e o saldo, em 2008, foi de US$ 4,6 bilhões, o dobro do obtido com os EUA!

Senhor Jereissati, não deixe os seus preconceitos ideológicos cometerem este crime contra os interesses nacionais. Se não pode respeitar um Governo eleito, que atravessou, em geral vitorioso, 14 processos eleitorais em 10 anos, respeite ao menos os interesses comerciais do Brasil. O senhor mesmo admite que o empresariado pediu a aprovação do acordo comercial. Se isso não é discriminação ideológica, o que é?

Daqui a pouco vou postar aqui a prova de que o empresariado do mundo inteiro, principalmente dos países desenvolvidos, não é provinciano como os tucanos globalizantes brasileiros.