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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Contraponto 6547 - "Todos juntos contra os juros altos!"

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20/10/2011
Todos juntos contra os juros altos!

Da Carta Maior - 20/10/2011

É necessário aproveitar o momento de crise internacional a nosso favor e dar uma “paulada” na SELIC, trazendo-a dos 11,5% para algo em torno de 8 ou 9%. Os únicos prejudicados serão os detentores de capital especulativo, que vêm para cá em busca de rentabilidade elevada e segura, sem nenhum compromisso com a economia brasileira.

Para quem está habituado a acompanhar a cena política brasileira, a iniciativa pode até parecer um tanto bizarra. Afinal, o auto intitulado “Movimento por um Brasil com Juros Baixos: mais Produção e Emprego” se constitui de um amplo arco de aliança de forças políticas. A iniciativa coube a várias entidades do movimento sindical (como a CUT, a Força Sindical, entre outras) e do movimento empresarial (como a FIESP, a ABIMAQ, por exemplo), e com o passar dos dias a adesão tem aumentado de forma significativa. [1]

No entanto, tal fato só deve soar estranho para aqueles que carregam consigo um pseudo “principismo” na forma de fazer política e se recusam a qualquer tipo de unidade na ação com parceiros que podem ter diferentes visões de mundo e de projetos para o nosso País. Na verdade, o que mais chama a atenção no caso é a impressionante demora em se ter articulado um movimento de tal envergadura por uma causa que consegue unificar um conjunto vastíssimo de setores sociais aqui no Brasil e no resto do planeta. Há décadas a política monetária levada a cabo pelos sucessivos governos teve a marca da ortodoxia extremada e a manutenção das taxas de juros mais altas em todos os continentes. O sacrifício imposto à grande maioria dos setores da sociedade tem sido imenso.

No discurso, todo mundo se dizia contra tal aberração, com exceção dos representantes do capital financeiro e seus porta-vozes espalhados, de forma estratégica, pelos órgãos da grande imprensa. Cavalgando tranquilamente na trilha hegemônica aberta pelo neoliberalismo, eles conseguiam calar as vozes dissonantes e inviabilizar que propostas alternativas fossem sequer cogitadas de implementação como política econômica. Porém, os empresários do setor produtivo – apesar de serem prejudicados por tal política - não se dispunham a colocar suas forças em ação de forma mais aberta e mobilizadora contra a política monetária, pois talvez se sentissem um tanto incomodados em assumir tal postura perante o governo e a sociedade.

Já uma parte das entidades do movimento sindical se recusava a qualquer forma de mobilização nas ruas contra a política monetária, com a desculpa equivocada de que não poderiam ir contra aspectos da política de um governo de cuja base de apoio faziam parte. E assim foi o longo período do reinado absoluto dos juros altos, provocando a maior transferência de recursos públicos para o setor financeiro privado de nossa história, sob a forma dos juros e serviços da dívida pública.

E aqui também foi necessário que eclodisse a crise financeira de 2008 e suas recaídas mais recentes para que tais entidades resolvessem tomar atitudes mais ousadas. Pegando carona nos movimentos de revolta como “los indignados” e “occupy Wall Street”, as entidades começam a ensaiar timidamente alguns passos aqui em nossas terras. Mas só assumiram algo mais efetivo depois que o COPOM promoveu a redução da SELIC na reunião de agosto de míseros 0,5%. E agora outra redução quase irrelevante de mais 0,5%, na reunião de outubro, exatamente como previa a pesquisa do Banco Central junto aos operadores do mercado financeiro.. Sem querer desmerecer a importância política do movimento, é importante registrar que até parece terem resolvido assumir uma postura mais ofensiva apenas depois que a Presidenta Dilma deu sinais que desejaria mesmo juros mais baixos.

A primeira manifestação de lançamento do movimento foi carregada de simbolismo. As entidades se dirigiram à sede do Banco Central na Avenida Paulista para demonstrar seu descontentamento com a política monetária de juros tão elevados. No coração da cidade de São Paulo, em meio a edifícios de bancos, de grandes multinacionais e da própria Federação das Indústrias, foi deixado o registro de um movimento que bem representa a amplitude da evidente discordância reinante no interior da sociedade brasileira a respeito dos juros estratosféricos.

Porém, se o objetivo das entidades é realmente trazer a taxa SELIC para níveis - digamos – mais “razoáveis”, então será necessário avançar ainda bastante na capacidade de mobilização e intervenção na arena política e nas ruas. Parcela significativa dos economistas não comprometidos com a banca já tem se manifestado a respeito da urgência em se estabelecer uma política de juros reais (taxa oficial deduzida a inflação) bem mais reduzida. Hoje ela continua em torno de 6 % ao ano, enquanto a maioria dos países desenvolvidos pratica níveis próximos a zero ou mesmo negativos.

Assim, é necessário aproveitar o momento de crise internacional a nosso favor e dar aquilo que o jargão do financês chama de “paulada” na SELIC, trazendo-a dos 11,5% para algo em torno de 8 ou 9%. Os únicos prejudicados serão os detentores de capital especulativo, que vêm para cá em busca de rentabilidade elevada e segura, sem nenhum compromisso com a economia e a sociedade brasileiras. Todos os demais setores serão beneficiados por tal mudança. O Estado deixará de comprometer volumes criminosos de recursos orçamentários para sustentar o parasistismo, passando a investir mais na saúde, educação e outras áreas prioritárias. A taxa de câmbio sairá desse patamar de valorização do real frente às moedas internacionais, propiciando maior competitividade às nossas exportações de manufaturados e reduzindo o nível absurdo de importações de produtos industrializados. Com isso, poder-se-ia iniciar, de forma efetiva, um processo de reversão da atual tendência à desindustrialização, com a qual perdemos emprego e renda para o resto do mundo.

Se não existem mais tantas barreiras políticas e ideológicas à redução dos juros, cabe à sociedade organizada fazer valer sua voz e seus interesses junto ao governo. E a história recente tem demonstrado que apenas a mobilização objetiva funciona como elemento de pressão. Cada vez mais fica evidente para a população a balela em que se transformou o dogma, até anteontem intocável, da “independência do Banco Central”. Na verdade, esse foi o recurso de retórica utilizado para permitir que a autoridade monetária operasse de forma absolutamente “dependente” do sistema financeiro. E, pior ainda, fazendo com que o conjunto do governo e do sistema político se tornasse refém de seus interesses. Não adianta apontar apenas para o horizonte longínquo de 2012, como chegaram a ensaiar alguns oradores do movimento no dia 18 passado. A mudança é urgente! Caso fiquemos esperando o ritmo de queda de 0,5% a cada 45 dias, aí sim mais uma vez perderemos o bonde da oportunidade histórica de uma queda substantiva. Foi o erro cometido em 2008, fato reconhecido até por integrantes da atual equipe econômica

É necessário ampliar o movimento para focar já na próxima reunião do COPOM de 29 e 30 de novembro, com exigências de níveis bem objetivos de meta de taxa SELIC desejada. Há muito espaço político ainda a ser preenchido com entidades que até agora não demonstraram envolvimento que a causa merece, como UNE, UBES, MST, OAB, CONTAG e tantas outras. Ampliando essa base e sensibilizando a população a se mobilizar a favor da medida, o movimento terá 45 dias para trabalhar o conjunto da sociedade, de forma a convencer a Presidenta e sua equipe de que outro patamar de taxas de juros é possível!

NOTA
[1] Ver: http://www.brasilcomjurosbaixos.com.br/


*Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.

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sábado, 3 de setembro de 2011

Contraponto 6156 - " 'Deus-mercado' condena queda de juros "

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03/09/2011
“Deus-mercado” condena queda de juros


Do Blog do Miro - sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Por Altamiro Borges

Os agiotas do capital financeiro, disfarçados de “analistas de mercado”, não gostaram da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, de 12,5% para 12%. A chiadeira dos especuladores é infernal. Os rentistas já prevêem um novo apocalipse inflacionário e reclamam que o “BC cedeu às pressões políticas ao reduzir juros”.



No outro extremo, as centrais sindicais elogiaram a primeira redução da Selic no governo Dilma, mas alertaram que o corte ainda foi tímido. Para Wagner Gomes, presidente da CTB, é preciso “mais ousadia” para aquecer o mercado interno e evitar os traumas da crise mundial. Já Paulo Pereira, presidente da Força Sindical, aplaudiu a decisão do BC, mas ponderou. “Remédio certo, dosagem errada”.

O choro da mídia rentista

A mídia rentista, porém, só amplificou o discurso terrorista dos banqueiros. Segundo os agiotas ouvidos pela Folha, a decisão do BC de cortar a Selic em 0,5 ponto percentual é “um movimento arriscado” e “um sinal de que a diretoria da instituição cedeu a pressões”. Os entrevistados são todos vinculados à oligarquia financeira e tucanos de carteirinha – o que a Folha não diz.

Luis Carlos Mendonça de Barros, diretor da Quest Investimentos e ex-ministro de FHC, é um dos mais duros na crítica à queda dos juros. “A independência do BC está arranhada. Ele é hoje um órgão auxiliar do Ministério da Fazenda”. Na mesma toada, Carlos Langoni, ex-presidente do Banco Central, critica o “retrocesso do BC voltar a atuar cedendo a pressões políticas”.

Comentaristas ou capachos da TV?

Já o Estadão aparentou “surpresa” com a decisão do BC. O jornal afirma que consultou 72 instituições do “mercado financeiro” e que “era unânime a aposta na estabilidade da taxa Selic em 12,50%”. Nos últimos dias, o Estadão produziu vários editoriais sobre o risco da “volta da inflação”. Acostumado a rezar no altar do “deus mercado”, o jornal ficou surpreso com a decisão do Copom.

Nas emissoras de rádio e televisão, os famosos “comentaristas econômicos” – que mais parecem funcionários dos banqueiros – também fizeram duras críticas “às pressões políticas” pela redução dos juros. Umbilicalmente ligada ao capital financeiro, a mídia rentista atua como seu porta-voz e não aceita qualquer interferência da sociedade nos rumos da economia.

Paraíso dos banqueiros

Para a oligarquia financeira, é um absurdo os movimentos sociais irem às ruas contra a política monetária. Ela deve ficar ao sabor do “deus-mercado”, sob pressão única dos rentistas. Já o BC deve ser “independente”, sem qualquer interferência do governo democraticamente eleito pela sociedade. Ele deve ouvir apenas os banqueiros! Qualquer outra pressão fere o “deus mercado”.

Os rentistas ganham fortunas especulando com os juros altos. Para eles, o Brasil é um paraíso. Aqui imperam as maiores taxas do planeta. Descontada a inflação, os juros reais são de 6,35%. Na Hungria, segunda do ranking mundial, eles são de 2,8%; no Chile, 2,3%. Já nos EUA e na Europa, as taxas são negativas. Por isso, tanto dinheiro flui do exterior para especular e assaltar o Brasil.

Mídia apóia o roubo rentista

Como não podem assumir abertamente o assalto, os rentistas criam fantasmas, fazem terrorismo. Falam do “risco do descontrole da inflação”, criticam a “pressão política”, rechaçam a interferência do Estado “populista”. É tudo conversa mole para enganar os incautos. Na verdade, os rentistas defendem, a ferro e fogo, os seus interesses mesquinhos. Dane-se o Brasil e o seu povo.

Para eles, pouco importa se os juros altos entravam a produção e o consumo, restringindo investimentos e crédito e prejudicando a geração de emprego e renda. Pouco importa, também, que os juros altos saqueiem os recursos da sociedade, sendo os maiores responsáveis pelo aumento do endividamento público – já que parte dos títulos da dívida está indexada à Selic.

Os rentistas pensam exclusivamente nos seus altos lucros. E, para disfarçar o roubo, eles contam com a ajuda dos "comentaristas econômicos" da mídia venal!
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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Contraponto 6145 - "Santayana enfrenta os juros e os neolibelês(*)"

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02/09/2011

Santayana enfrenta os juros e os neolibelês(*)

Do Conversa Afiada - 02/09/2011

Esse José Alencar ... Sabia das coisas


O Conversa Afiada reproduz com especial regozijo artigo de Mauro Santayana extraído do JB online:

Logo nesta sexta-feira, quando o PiG (**) generalizadamente exibe o ranger de dentes dos neolibelês (*) contra a queda dos juros. Estão inconsoláveis.

Os juros e o Banco Central


por Mauro Santayana


Os defensores da plena autonomia do Banco Central consideraram um erro a redução da taxa Selic, de meio ponto percentual, para 12% ao ano – ainda assim, a mais alta entre as economias industrializadas. Sempre que isso ocorre, os mesmos interesses se erguem, na defesa dos rentistas. Como as moedas não copulam, nem partejam, quem paga os juros é o trabalho, que produz a mais valia obtida pelo capital. Desculpem se a expressão é marxista, mas qualquer um que pense um pouco não precisa de Marx e seus textos contestados pelo fundamentalismo mercantil, para chegar à verdade. Como trabalho se entenda também a administração das empresas produtivas, seja diretamente pelos acionistas ou gerentes contratados. Mas o rentista clássico, que vive longe das máquinas ou, que, como banqueiro, manipula o dinheiro alheio – e leva à angústia e ao desespero os devedores, os estados à falência, como está ocorrendo agora, com o desemprego e a violência - sua atividade não pode ser vista como produtiva, por mais se esforcem os seus porta-vozes, ao expor os argumentos de uma pseudo-filosofia econômica. Esse “senhorio” da moeda, em nome de falsa racionalidade técnica, que está sempre a serviço do capital, e não das pessoas, tem sido responsável pelas grandes crises do capitalismo moderno, como a História demonstra.


O Banco Central – e os lugares comuns têm a sua força – vem sendo, no Brasil, mais do que em outros países, a central dos bancos. Ora, seus diretores, por mais geniais sejam, não dispõem de legitimidade política para cuidar da moeda, que é o símbolo mais forte da soberania nacional. A moeda representa os bens da comunidade, acumulados com o trabalho de gerações sucessivas. Para que assegure seu valor real, ela deve ser emitida por quem tenha a legitimidade política para fazê-lo: os eventuais governantes do Estado, como detentores da vontade nacional. Sem voto, nos estados democráticos como se identifica o nosso, não há poder legítimo. De duas, uma: ou o Banco Central se submete às decisões políticas do governo nacional, ou se estará sobrepondo ao poder dos eleitos para conduzir o Estado, e, assim, colocando-se acima da soberania do povo.


A quem interessa manter os juros altos? Há um axioma, que nunca se respeitou no Brasil, de que a taxa de juros não pode superar a taxa de crescimento do PIB. O raciocínio, empírico, é irretorquível: uma sociedade não pode pagar mais de juros do que o que ela obtém com o seu trabalho. A tradução de um leigo, como o colunista, é simples: trata-se de uma extorsão cometida pelo sistema financeiro contra os que trabalham e produzem. É mais do que uma transferência de recursos, é uma usurpação do poder real sobre a sociedade. Isso explica a dívida pública acumulada como confisco de parcela dos resultados do trabalho dos brasileiros.


É um mistério que o país continue crescendo dentro desse sistema. Talvez ele se explique se considerarmos as estatísticas uma ficção. É provável, portanto, que o nosso PIB real seja maior do que o IBGE constata no exame do comportamento da economia. Se assim for, que viva a informalidade, menos sujeita à expropriação dos bancos e aos instrumentos de aferição oficial.


A economia não é, como dizem os que a conhecem melhor, ciência exata. Deveria ser ciência moral, mas não é, a não ser que ouçamos alguns santos, que dela trataram, como Santo Antonino de Florença, do século XV, autor do clássico de teologia “Summa Moralis” e feroz combatente contra a usura.


Os economistas, de modo geral (menos, é claro, os mais competentes) costumam fazer de seu ofício uma espécie de culto esotérico, com confusas fórmulas algébricas e aleijões lógicos. Como recomendava Lord Keynes, eles deveriam encarar o seu trabalho com a mesma modéstia com que os dentistas encaram o seu. O certo é que todas as aplicações da inteligência, ou todos os saberes, se assim entendemos as ciências, se encontram a serviço das relações de poder. Isso faz com que a economia volte à sua denominação clássica, da qual seus profissionais de hoje buscam fugir: economia política. Fora da política, que trata do poder, não há economia, nem há coisa alguma. O Banco Central, como administrador da moeda, deve sim, submeter-se à legitimidade do poder político.


Para lembrar um empresário e homem público brasileiro, que nos deixou recentemente – José Alencar – a taxa de juros cobrada no Brasil (e cobrada sobretudo do Estado, com a cumplicidade de alguns de seus servidores) é um assalto.


Em tempo: na página 23 do Globo de hoje, há o seguinte título: “Analistas não sabem mais o que esperar do Copom”.

Que bom !

Já houve tempo neste país em que os analistas sabiam o que esperar do Copom e mais do que isso: decidiam pelo Copom.

No cinzento Governo Cerra/FHC e no início do Governo do Nunca Dantes, na jestão do Henrique Meirelles, os “analistas” neolibelês (*) do Globo e do PiG (**) se reuniam a portas fechadas com a diretoria do Banco Central para determinar a taxa de juros.

É por essas e outras que o Santayana está uma fera !


Paulo Henrique Amorim



(*) “Neolibelê” é uma singela homenagem deste ansioso blogueiro aos neoliberais brasileiros. Ao mesmo tempo, um reconhecimento sincero ao papel que a “Libelu” trotskista desempenhou na formação de quadros conservadores (e golpistas) de inigualável tenacidade. A Urubóloga Miriam Leitão é o maior expoente brasileiro da Teologia Neolibelê.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
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domingo, 8 de maio de 2011

Contraponto 5320 - "A 'crise' dos carrinhos. E a oposição com isso?"

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08/05/2011

A “crise” dos carrinhos. E a oposição com isso?

Do Viomundo - 07 de maio de 2011 às 19:16

Humor

por Luiz Carlos Azenha

Fui hoje a um daqueles hipermercados gigantescos (desculpem o pleonasmo) de São Paulo, comprar os aparatos necessários à replicação, no Brasil, da doutrina Hans Bintje*.

Na entrada, crise. Faltavam carrinhos de compras para atender a todos os clientes. Os funcionários da loja, desesperados, despencavam escada rolante abaixo para recuperar os carrinhos deixados por consumidores que desembarcavam as mercadorias no estacionamento, em seus automóveis.

Entrei bisbilhotando os carrinhos alheios: comida, comida, muita comida.

Um funcionário do mercado anunciava que o preço da picanha congelada tinha baixado de 34 para 16 reais o quilo. Coisa de gringo esperto: provocar aquele fuzuê que estimula as pessoas a comprar coisas que não haviam planejado comprar (já notaram que não tem janela, nem relógio em supermercado? Parece cassino). Nessa, tem gente que nem se liga na qualidade, nem na data de validade do produto.

Uma família deixava o lugar com uma TV de 42 polegadas em um carrinho, protegendo o objeto como se fosse algum santuário.

Uma outra discutia diante de cartazes gigantes que anunciavam um novo navio de uma empresa de cruzeiros. Era a porta de uma agencia de viagens, que estava cheia. O jovem argumentava que era muito difícil conseguir visto para os Estados Unidos, que a mãe deveria desistir do sonho de conhecer a Disney e fazer um cruzeiro no Caribe. Como argumento, apontou para o novo navio: “Tem até pista de patinação, mãe!”.

Meu impulso de repórter foi de perguntar se algum dos três sabia patinar no gelo.

Duvido que algumas das centenas de pessoas que vi no hipermercado, consultadas, diriam que são eleitoras do PT. Mas é óbvio que uma boa parte delas, inclusive da perseguida nova classe média, identifica o quadro econômico com o “governo que está aí”. Disputar eleição com o “governo que está aí” equivale, assim, a suicídio político.

Aos tucanos resta, portanto, inventar a hiperinflação. Afinal, não é sempre que um Nobel de Economia recomenda que os Estados Unidos sigam o exemplo do Brasil, atacando a desigualdade e dando mais poder de barganha salarial aos trabalhadores.

Para os tucanos, na falta de uma proposta alternativa, o medo é o menos ruim dos cabos eleitorais. Lembram de 2010? Medo do aborto, medo da guerrilheira, do sapo cururu e do Zé Dirceu. Sobrou até para os blogueiros sujos…

*A doutrina Hans Bintje consiste em “plantar” minhocas. Os bichos cavam como se fossem Navy SEALs descontrolados, arejam a terra, ajudam a fortalecer plantas e raízes. As frutíferas produzem mais, atraindo mais abelhas e pássaros, que se divertem com as minhocas desprevinidas. Um círculo virtuoso, como o que os tucanos querem desfazer agora na economia pregando juros, juros e mais juros.
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