quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Contraponto 1323 - Dilma e Ciro trocam elogios

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04/02/2010

Dilma e Ciro trocam elogios... logo, Serra vai cair!

Amigos do Presidente - por: Zé Augusto - quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010



Dilma e Ciro trocam elogios.

A imprensa noticia com ares de intriga. Mas o que existe é estratégia política. É óbvio que Ciro quer explorar melhor seu cacife, não ser coadjuvante, e não perder sua liderança política para futuras eleições.

Mas essa insistência dele tem um efeito colateral bom para Dilma.

As últimas pesquisas mostraram que sem Ciro, Serra sobe mais do que Dilma (por enquanto).

Isso indica apenas que, para o eleitor de Ciro, Serra é mais conhecido do que Dilma, pois do ponto de vista político, o normal é o eleitor que prefere Ciro ter Dilma como segunda opção (já que são mais próximos politicamente), do que Serra, que é adversário ferrenho.

O fato é que, se o noticiário mostrar mais Dilma X Ciro, em debates de alto nível, quem pode "dançar" é Serra.

Na prática, Dilma estará sendo apresentada ao eleitor de Ciro que ainda não a conhece e ainda não ligou o nome à pessoa, que ela é a candidata do presidente Lula.

O próprio Ciro também pode subir um pouco, mas tirando votos de Serra. Se o eleitor conservador, que rejeita Dilma em qualquer circunstância, enxergar Ciro com mais potencial do que Serra, ver no noticiário uma tendência à polarização Dilma X Ciro, pode virar a casaca, e mexer no ranking de intenção de votos, com Dilma em primeiro, Ciro em segundo e Serra em terceiro.

O ano mal começou, e adivinhar o futuro é especulação. Tudo pode acontecer. Serra pode desistir. Ciro nega, mas ainda pode vir a candidatar-se em São Paulo, se o quadro mudar. O fato é que todos mexem seus pauzinhos, mas o grande eleitor com capacidade de decidir essa eleição é Lula, e sua candidata é Dilma.
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Contraponto 1322 - Internet de alta velocidade nas escolas brasileiras


04/02/2010

Internet de alta velocidade já chega a mais de 43 mil escolas brasileiras

Blog do Planalto - quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010 às 17:57

Estudantes de 43.192 escolas brasileiras (66,57% do total) já podem usar internet de alta velocidade desde o final do ano passado, segundo balanço divulgado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), do Ministério das Comunicações. A meta é até o final de 2010 ter todas as 64.879 instituições de ensino do País com o serviço de banda larga, beneficiando cerca de 37 milhões de estudantes.

O acesso à internet pelos estudantes brasileiros ganhou impulso com o programa Banda Larga nas Escolas, iniciado em 2008, em parceria com o Ministério da Educação e operadoras de telefonia fixa, com vigência até 2025.

De acordo com a Anatel, os estados com mais escolas conectadas são Minas Gerais (4.962), São Paulo (4.842), Rio de Janeiro (4.080) e Bahia (4.026). Já as unidades da federação com menos instituições contempladas são Roraima (68), Amapá (131) e Acre (187).

De acordo com o Ministério das Comunicações, o programa resulta de um compromisso voluntário das concessionárias de telefonia fixa firmado na ocasião da mudança do Plano Geral de Metas para a Universalização (PGMU) do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC). O Ministério trabalhou para que as empresas de telefonia trocassem a obrigação de levar os Postos de Serviços de Telecomunicações a todos os municípios até o fim de 2010 pelo compromisso de instalar o chamado backhaul, a rede de telecomunicações de alta velocidade capaz de chegar aos municípios do país.

Rádio digital

Enquanto isso, em Belo Horizonte, foi realizada mais uma rodada de testes de rádio digital, com o início de transmissões experimentais do padrão de tecnologia européia DRM (Digital Radio Mondiale). . Os dados serão coletados e comparados com outros testes realizados no país com o padrão norte-americano Iboc (In-Band-On-Chanel). O relatório comparativo com as transmissões deverá ser entregue ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, até o final de fevereiro.

Os resultados com os testes em transmissões digitais usando a tecnologia Iboc já foram concluídos na cidade de São Paulo. Segundo o Ministério, para subsidiar uma definição do padrão de rádio digital pelo governo federal, ainda falta concluir os testes com o sistema DRM, inicialmente realizados também na capital paulista. A decisão final do governo será tomada ouvindo os radiodifusores. “Precisamos estar atentos às novas tecnologias digitais. O Brasil precisa se preparar para a nova onda do rádio: a digitalização”, diz Hélio Costa.

Artigos relacionados

Contraponto 1321 - Charge do Bessinha (8)

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04/02/2010

Charge do Bessinha (8)
chargeonline.com.br


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Contraponto 1320 - Por que São Paulo Alaga?

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04/02/2010

Por que São Paulo alaga

Cidadania - Atualizado às 12h07m de 3 de fevereiro de 2010

por Eduardo Guimarães

Está havendo uma ocultação criminosa de um fato inquestionável: a grande São Paulo (região que inclui a capital paulista e várias cidades limítrofes) está se afogando em água e excrementos, dezenas de pessoas estão morrendo, prejuízos econômicos incalculáveis estão ocorrendo a cada dia em razão de medidas – ou de falta de medidas – do governador do Estado e do prefeito da capital.

As informações que corroboram a assertiva acima foram divulgadas publicamente pelo site do jornalista Luiz Carlos Azenha através de trabalho memorável da também jornalista Conceição Lemes, que se dispôs a navegar de barquinho pelo infecto rio Tietê para saber o que de fato está acontecendo com uma obra de mais de um bilhão de reais, financiada com os impostos daqueles que estão vendo suas casas submergirem em incontáveis partes da região metropolitana de São Paulo.

Apesar disso, há um outro processo igualmente criminoso sendo empreendido pelas tevês abertas e pelas rádios e jornais paulistanos. Globo, Bandeirantes, SBT, Rede TV, Gazeta, Folha de São Paulo, Estadão, revista Veja, rádio CBN, rádio Eldorado, os portais de internet UOL, IG e G1, bem como muitos outros veículos, tentam, desesperadamente, vender a idéia de que essa catástrofe está acontecendo em São Paulo por culpa de São Pedro.

É mentira. Não existe nenhuma catástrofe natural em andamento. Com as medidas corretas, seria perfeitamente viável São Paulo não se afogar em água cheia de merda até nos bairros chiques de madames que, com imprensa amiga dos autores da proeza e tudo, já dizem que não votarão mais em Serra ou em Kassab “nem mortas”.

As razões pelas quais está acontecendo esta calamidade que milhões – eu disse MILHÕES – de paulistas estão vivendo está bem explicada na representação que o Partido dos Trabalhadores apresentou ao Ministério Público de São Paulo. Simplesmente as autoridades paulista e paulistana reduziram irresponsavelmente as verbas para ações do poder público que poderiam ter evitado o que está acontecendo.

Essa história de que supostamente está caindo do céu, exclusivamente em São Paulo, a maior quantidade de água desde o Dilúvio bíblico, e de que não haveria ações do poder público que evitariam o desastre, é mentirosa. E nenhum técnico respeitável dirá o contrário.

Haveria o que ter sido feito nos últimos cinco anos, sim. Não foi feito por redução de investimentos nas obras necessárias com concomitante aumento das verbas de publicidade oficial dos governos da capital e do Estado de São Paulo.

Essa é a verdade. Há pareceres técnicos de renomados especialistas que explicam didaticamente por que está acontecendo esta tragédia em São Paulo. Enquanto isso, a imprensa, que deveria estar ao lado da população, trata de acobertar os autores dessa tragédia.

Confio na verdade e na justiça. Senão nas dos homens, nas de Deus. Esses irresponsáveis que causaram todo esse sofrimento pagarão por seus crimes. Acredito que uma luz se fará sobre as mentes obscurecidas e dopadas dos paulistas e estes enxergarão como têm sido manipulados por meia dúzia de meios de comunicação tão culpados quanto os políticos que protegem.

Leia também

http://www.viomundo.com.br/denuncias/conceicao-lemes-sao-paulo-privatizou-controle-das-aguas/

http://www.viomundo.com.br/denuncias/conceicao-lemes-tiete-transborda-por-falta-de-limpeza-da-calha/

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/descobertas-tardias/

http://www.rubro.paginaoficial.ws/noticia.php?id_secao=1&id_noticia=121643

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PITACO DO ContrapontoPIG:

Eduardo Guimarães (a exemplo do Azenha e de outros blogueiros) diz aqui - com todas as letras - a razão dos alagões em São Paulo.

Está mais do que evidente a culpa dos governos Alkmim e Serra em tamanho desastre.

E a mídia ? Pra variar, o PIG mente, distorce, desvia e livra os tucanos desta inominável irresponsabilidade.

O Brasil inteiro precisa saber do absurdo que acontece. É preciso romper a blindagem midiática que protege os governos criminosos do PSDB paulista.

A blogosfera sadia tem feito a sua parte e aos poucos vai mostrando ao País as verdadeiras causas e os efeitos danosos dos alagões na maior cidade do País.

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Contraponto 1319 - "Quem punirá Gilmar Mendes?"


04/02/2010
"Quem punirá Gilmar Mendes?"

Carta Capital - 02/02/2010 19:28:50

Rodrigo Martins

Desembargador aposentado e presidente do Instituto Giovanni Falcone, Wálter Fanganiello Maierovitch avalia que a resposta do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Ayres Britto, ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, foi serena e precisa. “Mendes insinuou que a corte eleitoral julga alguns políticos com mais rigor que outros, o que é uma acusação gravíssima”, afirma Maierovitch, colunista de CartaCapital. “O ministro Ayres Britto colocou as coisas no seu devido lugar, mas a atitude de Gilmar Mendes deveria ser objeto de uma reprimenda disciplinar, caso existisse alguma instância de controle externo do STF”.

A celeuma iniciou-se em 26 de janeiro, quando Mendes cobrou rigor no julgamento das representações feitas pela oposição em que o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff são acusados de fazer campanha eleitoral antecipada. “Não pode é o Judiciário adotar um duplo standard: ser muito severo com prefeito ou com governador, e ser muito leniente com o presidente ou com o seu candidato”, afirmou o supremo juiz.

O ministro Ayres Britto não havia rebatido as acusações do colega do STF até a segunda-feira 1, quando discursou no evento para marcar o início das atividades da TSE neste ano. “A Justiça Eleitoral brasileira, a partir do TSE, prosseguirá no pleno domínio do seu propósito reconhecido de jamais julgar quem quer que seja com dois pesos e duas medidas. Tanto os titulares dos mandatos eletivos quanto os pretendentes a exercê-los”, garantiu Ayres Britto. “A Justiça Eleitoral brasileira tem prefeita noção da necessidade de equidistância das partes. Permaneceremos livres de monitoramentos ou pressões de quem quer que seja, parta de onde partir”.

A intromissão do presidente do Supremo no trabalho de uma corte da qual não faz parte causou desconforto no Judiciário. Na avaliação de Maierovitch, se Gilmar Mendes não fosse um ministro do STF, ele poderia ser punido pelo Conselho Nacional de Justiça. “O CNJ foi criado para ser um órgão de controle externo do Judiciário, mas na prática não é. Primeiro, porque o conselho é composto majoritariamente por juízes, portanto, não podemos falar em controle externo da sociedade. Segundo, porque o Supremo não está submetido ao CNJ. Aliás, quem preside o conselho é o próprio ministro Gilmar Mendes. Que autonomia o órgão terá para avaliar sua conduta?”, indaga.

De acordo com o desembargador aposentado, o único instrumento existente para punir um juiz do STF é o impeachment no Congresso. Mas, nos casos em que um ministro extrapola suas competências ou abusa do poder, pouco pode ser feito. “No fim, tudo acaba numa resposta protocolar do Ayres Britto, mesmo diante de uma acusação tão grave. O alardeado controle externo do Judiciário é uma falácia”, diz Maierovitch. “É por isso que o presidente do STF continua extrapolando suas funções e mantém o péssimo hábito de fazer pré-julgamentos, fora dos autos e no momento inapropriado”.

Confira neste link a íntegra da reportagem “O standard de Gilmar Mendes”, publicada na edição desta semana de CartaCapital, sobre as pressões feitas pelo presidente do STF a favor das representações da oposição contra Lula e Dilma Rousseff.
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Contraponto 1318 - "Um porta-aviões chamado Haiti"

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04/02/2010

"A IV Frota em ação: um porta-aviões chamado Haiti

Portal Vermelho - 3 de Fevereiro de 2010 - 11h46

A reação dos Estados Unidos de militarizar a parte haitiana da ilha logo após o devastador terremoto de 12 de janeiro deve ser considerada dentro do contexto gerado a partir da crise financeira e da chegada de Barack Obama à presidência. As tendências de fundo já estavam presentes, mas a crise acelerou-as de um modo que lhes deu maior visibilidade. Trata-se da primeira intervenção de envergadura da IV Frota, restabelecida há pouco tempo.

Por Raul Zibechi*, em Carta Maior

Com a crise haitiana, a militarização das relações entre os EUA e a América Latina avança mais um passo, como parte da militarização de toda política externa de Washington. Deste modo, a superpotência em declínio tenta retardar o processo que a converterá em uma de outras seis ou sete potências no mundo. A intervenção é tão escancarada que o jornal oficial chinês Diário do Povo (de 21 de janeiro) pergunta se os EUA pretendem incorporar o Haiti como um Estado mais da União.

O jornal chinês cita uma análise da revista Time, onde se assegura que “o Haiti se converteu no 51° estado dos EUA ou, pelo menos, seu quintal”. Com efeito, em apenas uma semana o Pentágono mobilizou para a ilha um porta-aviões, 33 aviões de socorro e numerosos navios de guerra, além de 11 mil soldados.

A Minustah, missão da ONU para a estabilização do Haiti, tem apenas 7 mil soldados. Segundo a Folha de São Paulo (20 de janeiro), os EUA substituíram o Brasil de seu lugar de direção da intervenção militar na ilha, já que, em poucas semanas, terá “doze vezes mais militares que o Brasil no Haiti”, chegando a 16 mil homens.

O mesmo Diário do Povo, em um artigo sobre o “efeito estadunidense” no Caribe, assegura que a intervenção militar deste país no Haiti terá influência em sua estratégia no Caribe e na América Latina, onde mantém uma importante confrontação com Cuba e Venezuela. Essa região é, para o jornal chinês, “a porta de entrada de seu quintal”, que os EUA buscam “controlar muito de perto” para “continuar ampliando seu raio de influência sobre o sul”.

Tudo isso não é muito novo. O importante é que se inscreve em uma escalada que iniciou com o golpe militar em Honduras e com os acordos com a Colômbia para a utilização de sete bases neste país. Se, a isso, somamos o uso das quatro bases que o presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, cedeu a Washington em outubro, e as já existentes em Aruba e Curaçao (ilhas próximas a Venezuela pertencentes a Holanda), temos um total de 13 bases rodeando o processo bolivariano. Agora, além disso, consegue posicionar um enorme porta-aviões no meio do Caribe.

Segundo Ignácio Ramonet, no Le Monde Diplomatique de janeiro, “tudo anuncia uma agressão iminente”. Esse não parece ser o cenário mais provável, ainda que se possa concluir duas coisas: os EUA optaram pelo militarismo para mitigar seu declínio e necessitam do petróleo da Colômbia, Equador e, sobretudo, da Venezuela para afiançar sua situação hegemônica ou, pelo menos, diminuir a velocidade deste declínio. No entanto, as coisas não são tão simples.

Para o jornal francês, “a chave está em Caracas”. Sim e não. Sim porque, com efeito, 15% das importações de petróleo dos EUA provém da Colômbia, Venezuela e Equador, mesmo índice da quantidade importada do Oriente Médio. Além disso, a Venezuela caminha para converter-se na maior reserva de petróleo do planeta, assim que se confirmarem as reservas do Orinoco descobertas recentemente. Segundo o Serviço Geológico dos EUA, seriam o dobro das da Arábia Saudita. Tudo isso seria suficiente para que Washington desejasse, como deseja, tirar Hugo Chávez do poder.

Ao meu modo de ver, o problema central para a hegemonia estadunidense no seu “quintal” é o Brasil. O petróleo é uma riqueza importante. Mas é preciso extraí-lo e transportá-lo, o que demanda investimentos, ou seja, estabilidade política. O Brasil já é uma potência global, é o segundo dos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), ficando atrás em importância apenas da China.

Dos dez maiores bancos do mundo, três são brasileiros (e cinco chineses). Nenhum destes dez bancos é dos EUA ou da Inglaterra. O Brasil tem a sexta reserva de urânio do mundo (com apenas 25% de seu território investigado) e estará entre as cinco maiores reservas de petróleo quando for concluída a prospecção da bacia de Santos.

As multinacionais brasileiras figuram entre as maiores do mundo. A Vale do Rio Doce é a segunda mineradora e a primeira em mineração de ferro; a Petrobras é a quarta empresa petrolífera do mundo e a quinta empresa global por seu valor de mercado; a Embraer é a terceira empresa aeronáutica, atrás apenas da Boeing e da Airbus; o JBS Friboi é o primeiro frigorífico de carne de gado bovino do mundo; a Braskem é a oitava petroquímica do planeta. E poderíamos seguir com a lista.

Ao contrário da China, o Brasil é autosuficiente em matéria de energia e será um grande exportador. Sua maior vulnerabilidade, a militar, está em vias de ser superada graças à associação estratégica com a França. Na década que se inicia, o Brasil fabricará aviões caça de última geração, helicópteros de combate e submarinos graças à transferência de tecnologia pela França. Até 2020, se não antes, será a quinta economia do planeta. E tudo isso ocorre debaixo do nariz dos EUA.

O Brasil já controla boa parte do Produto Interno Bruto da Bolívia, Paraguai e Uruguai, tem uma presença muito firme na Argentina, da qual é um sócio estratégico, assim como no Equador e no Peru, que facilitam a saída para o Pacífico. Aí está o osso mais duro para a IV Frota.

O Pentágono desenhou para o Brasil a mesma estratégia que aplica à China: gerar conflitos em suas fronteiras para impedir a expansão de sua influência: Coréia do Norte, Afeganistão, Paquistão, além da desestabilização da província de Xinjiang, de maioria muçulmana.

Na América do Sul, um rosário de instalações militares do Comando Sul rodeia o Brasil pela região andina e o sul. A pinça se fecha com o conflito Colômbia-Venezuela e Colômbia-Equador. Agora contará com o porta-aviões haitiano, deslocando desta ilha a importante presença brasileira à frente da Minustah. É uma estratégia de ferro, friamente calculada e rapidamente executada.

O problema que as nações e os povos da região enfrentam é que as catástrofes naturais serão uma moeda de troca corrente nas próximas décadas. Isso é apenas o começo. A IV Frota será o braço militar mais experimentado e melhor preparado para intervenções “humanitárias” em situações de emergência.

O Haiti não será a exceção, mas sim o primeiro capítulo de uma nova série pautada pelo posicionamento militar dos EUA em toda a região. Dito de outro modo: nós, latino-americanos, corremos sério perigo e já é hora de nos darmos conta disso.

*Raul Zibechi é jornalista uruguaio


Tradução: Katarina Peixoto
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Contraponto 1317 - Questionário para jornalistas da Fossa de São Paulo

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03/02/2010
Questionário para jornalistas da FSP (Força Serra Presidente)

Carta Maior - 03/03/2010.

Emir Sader*

1 - Como se sentem de trabalhar para um jornal que pregou o golpe de militar de 1964 e saudou sua realização?

2. Como se sentem trabalhando em um jornal que emprestou carros para que a Oban disfarçasse suas ações de seqüestro, tortura, desaparição e morte de opositores?


3. Consideram que Octavio Frias é o jornalista em melhores condições de dirigir o jornal e, por isso, desde que seu pai lhe entregou a direção do jornal, permanece no mesmo cargo? Ou está lá porque é uma empresa familiar e tem que ser dirigida pelos seus proprietários? Foram consultados para sua escolha e manutenção no cargo? Foram consultados sobre a composição do Conselho Editorial da publicação?

4. Consideram que houve ditabranda e não ditadura? Se discordou do editorial do jornal, teve possibilidade de manifestar sua opinião?

5. Se é uma empresa familiar, uma oligarquia familiar, consideram que o jornal tem moral para julgar que é democrático e quem não é?

6. Como se sentiu diante do artigo de um colunista da FSP com acusações sem nenhum fundamento ao Lula?

7. Como se sentiu quando a FSP publicou um artigo de um psicanalista na primeira página, dizendo, já no título, que o governo tinha assassinado mais de 100 pessoas no aeroporto de Congonhas? E depois nem se retratou, quando saiu o relatório final do acidente?

8. Sabe que a FSP teve um tempo glorioso, quando foi dirigida por Claudio Abramo – que hoje se enojaria com o que se tornou o jornal que ele dirigiu?

9. Consegue ler a página 2 – editoriais e artigos tucanos?

10. Não sente vergonha de trabalhar na FSP, por tudo isso e muito mais?

*Emir Sader. Sociólogo e cientista político.
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Contraponto 1316 - "Serra foge da disputa?"

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03/02/2010
"Serra foge da disputa?"


Com Texto Livre - quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Marcos Coimbra*

Janeiro terminou cheio de boas notícias para Lula, pensando no seu projeto principal, aquele ao qual dedica seu melhor esforço: dar a vitória a Dilma em outubro.

Nas duas pesquisas nacionais divulgadas nos últimos dias, os resultados são-lhe todos favoráveis: sua popularidade subiu, sua candidata melhorou, o principal adversário parou ou retrocedeu um pouco, aumentou a tendência à polarização.

A primeira foi feita pela Vox Populi entre os dias 14 e 26 e a segunda pela Sensus, entre os dias 25 e 29, as duas em janeiro. Nelas, não há nenhum resultado que surpreenda pelo ineditismo, tudo sendo coerente com o panorama que outras pesquisas, feitas no correr de 2009, já apontavam.

Elas apenas mostram que a passagem do tempo está contribuindo para provocar a situação desejada pelo presidente.

Ambas testaram duas hipóteses nas perguntas de intenção estimulada de voto, uma com e outra sem o nome de Ciro Gomes. Nos dados da Vox, Serra continua liderando, mas com vantagem significativamente menor.

Com Ciro na lista, Serra tem 34% e Dilma 27%, ele 11% e Marina 6%. Sem, Serra sobe para 38%, Dilma fica com 29% e Marina com 8%. Na Sensus, Serra teria 33% e Dilma 28%, ficando Ciro com 12% e Marina com 7%. No outro cenário, Serra 41%, Dilma 28% e Marina 10%.

Olhando para o que tínhamos há alguns meses, as mudanças são grandes. Não faz muito tempo, Serra reunia, sozinho, intenções suficientes para vencer a eleição em primeiro turno, ao fazer mais que a soma de seus oponentes.

Nessas pesquisas, mesmo no cenário sem Ciro, a possibilidade parece remota.

A dianteira de Serra sobre Dilma foi o que mais mudou. Na pesquisa anterior da Vox, feita em meados de dezembro, sua vantagem passava de 20 pontos percentuais, que se reduziram a 7% ou 9% agora.

Algo parecido acontece nos dados da Sensus, embora sua pesquisa anterior seja de novembro: a diferença entre os dois iria de 5%, com Ciro na lista, a 13%, sem ele.

O encurtamento da vantagem do governador em relação à ministra já tinha sido constatado em outras pesquisas feitas em dezembro. O Datafolha, por exemplo, havia indicado uma queda de 21 para 14 pontos entre agosto e o final de 2009, depois dela ter estado em 25% alguns meses antes.

As duas pesquisas concordam que a candidatura de Ciro se mantem em um patamar entre 10% e 15%, mais perto do limite de baixo que de cima dessa faixa. E ambas mostram que Serra é quem mais se beneficia da retirada de Ciro das listas, pois é quando seu nome delas consta que Serra se sai pior.

É fácil se confundir na interpretação desses resultados, deles deduzindo que “Dilma precisa de Ciro”. Trata-se, no entanto, de um equívoco, que decorre de não se considerar o nível de conhecimento muito desigual que ainda há entre os candidatos.

Serra e Ciro são os únicos que muitos eleitores conhecem, pois disputaram eleições nacionais, coisa que nem Dilma, nem Marina fizeram. A proporção dos que nunca sequer ouviram falar nelas permanece perto de 35%.

Quando essas pessoas consideram listas onde estão os nomes dos dois, optam, na maioria das vezes, por um ou outro. E, quando um sai, pelo que resta.

Ou seja, não é que “Ciro tira mais votos de Serra que de Dilma”, apenas que quem não conhece (ainda) Dilma ou Marina tende a ir para Serra quando só resta ele de conhecido. Isso fica aritmeticamente claro nos dados da Sensus:

Dilma permanece exatamente igual nos cenários com e sem Ciro, mostrando que, quando ele sai, ela não ganha (por enquanto) nem um ponto.

À medida, no entanto, que avançar o conhecimento das duas, o que vai acontecer mais rapidamente de agora para frente, esse efeito se reduzirá. Aí sim será possível falar alguma coisa sobre a transferência de votos de Ciro (ou qualquer outro candidato) para os demais. As pesquisas de agora nada dizem sobre esse fenômeno.

Com Ciro parado e Marina sem dar mostras de crescer, outro dos projetos de Lula para as eleições está se materializando. Tudo indica que teremos a polarização que ele sempre buscou, um embate PT vs. PSDB já no primeiro turno, em que ele tudo fará para que os eleitores confrontem seu governo ao do antecessor.

Ajudando a entender seus resultados eleitorais (e o que permitem antever), as pesquisas mostram que Lula sobe mais um degrau em um tipo de popularidade que não conhecíamos em nossa experiência como país democrático.

Há tempos se sabe que ele tem, atualmente, uma avaliação positiva quase consensual, mas é sempre surpreendente constatar que ela continua a melhorar. No final de janeiro, segundo os dados da Vox, 74% dos brasileiros achavam seu governo “ótimo” ou “bom”, ou seja, 3 em 4 pessoas. Como outros 20% consideram o governo “regular”, restam 6% para reprová-lo.

Com uma insatisfação desse porte, podemos ter uma ideia do tamanho do desafio que aguarda Serra.

*Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Contraponto 1315 - "Grileiro da Cutrale e laranjas da mídia"

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03/02/2010

"Grileiro da Cutrale e laranjas da mídia"

Blog do Miro
02/02/2010

por Altamiro Borges

Preparando o clima para o início das investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do MST, que será um dos principais palanques da oposição demo-tucana em 2010, a TV Globo voltou à carga com as fortes cenas da destruição dos pés de laranja da empresa Cutrale, no interior paulista, em setembro passado. Com base num outro vídeo bastante suspeito da Policia Civil de São Paulo, nove ativistas dos sem-terra foram presos na semana passada, inclusive três dirigentes petistas, acusados de participarem de “furtos, depredações e atos de vandalismo”.

O bombardeio midiático é violento. Quando da destruição dos laranjais, até Luiz Carlos Bresser Pereira, ex-ministro nos governos Sarney e FHC, estranhou a virulência dos ataques. “Não vou defender o MST pela ação, embora esteja claro para mim que ele é uma das únicas organizações a, de fato, defender os pobres no Brasil. Mas não vou também condená-lo ao fogo do inferno. Não aceito a transformação das laranjeiras em novos cordeiros imolados pela ‘fúria de militantes irracionais’”. Indignado com a cobertura da mídia, ele criticou duramente “o noticiário televisivo que omitiu que a fazenda [da Cutrale] é fruto de grilagem contestada pelo Incra”.

Respostas do MST são ofuscadas

Agora, com a prisão espalhafatosa e arbitrária das lideranças rurais, a mídia hegemônica volta à ofensiva. A crítica é implacável, apesar do próprio MST já ter reconhecido publicamente o equívoco daquela iniciativa. Numa entrevista à revista CartaCapital, no final do ano passado, João Pedro Stedile, da coordenação nacional do movimento, foi taxativo. “A destruição dos pés de laranja foi um erro. Deu margem para que o serviço de inteligência da PM, articulado com a TV Globo, desmoralizasse o MST”. Para ele, o equívoco decorreu do desespero das famílias de sem-terra acampadas na região, que vivem em condições desumanas e sem qualquer infra-estrutura.

Já com relação às imagens de depredação e furtos na fazenda, usadas para justificar a prisão das lideranças, o dirigente do MST rejeitou as acusações da polícia. “Isto é mentira. As famílias não fizeram nada daquilo. Foi uma armação entre a polícia e a Cutrale. Depois da saída das famílias, chamaram a imprensa. Desafiamos a organizarem uma comissão independente para investigar quem desmontou os tratores e entrou nas casas dos empregados”. Ele lembra que os sem-terra foram retirados à força do local em dois caminhões da Cutrale, sendo filmados e revistados.

Revista Veja arquiva reportagem

O esgoto

Em todo este estranho episódio, a mídia venal revela que tem lado nos conflitos de classe – que defende abertamente os interesses dos barões do agronegócio. Com as cenas exibidas à exaustão para jogar a sociedade contra o MST, as redes “privadas” de televisão e os jornalões oligárquicos demonizam os sem-terra e endeusam a poderosa Cutrale. Neste esforço, eles deixam, inclusive, de repercutir denúncias antigas contra a empresa. Em maio de 2003, por razões desconhecidas – talvez em mais uma ação mercenária –, a insuspeita revista Veja publicou elucidativa reportagem sobre a Cutrale. Agora, ela simplesmente arquivou a bombástica matéria.

Na ocasião, ela revelou que a empresa é uma das mais ricas e poderosas do mundo. “O brasileiro José Luís Cutrale e sua família detêm 30% do mercado global de suco de laranja, quase a mesma participação da Opep no negócio de petróleo”. A produção mundial de laranjas e de derivados se reduzia a duas regiões do planeta – no interior de São Paulo e na Flórida, nos EUA. “A Cutrale vende suco concentrado para mais de vinte países, entre os quais os Estados Unidos, todos os da Europa e a China. Seus clientes são grandes companhias do padrão da Parmalat, da Nestlé e da Coca Cola, dona de uma das empresas de suco de laranja mais populares dos Estados Unidos”.

“A agressividade gerencial da Cutrale”

Segundo a revista, este poderoso império foi erguido de forma suspeita. “O principal segredo do negócio consiste em adquirir a fruta a preço baixo – preço de banana, brincam os fornecedores –, esmagá-lo pelo menor custo possível e vender o suco a um valor elevado”. Em 2001, o governo FHC chegou a investigar a altíssima lucratividade da Cutrale (nos anos 1980, ela teve taxas de retorno na ordem de 70%, um fenômeno raro). “Uma autoridade da Receita Federal relatou a Veja que a estratégica para elevar a lucratividade do grupo passa por contabilizar parte dos resultados por intermédio de uma empresa sediada no paraíso fiscal das Ilhas Cayman. Com isso, informa a autoridade da Receita, a Cutrale conseguiria pagar menos impostos no Brasil”.

A revista também criticava a “agressividade gerencial da família Cutrale”, que já virou “lenda no interior paulista. Os plantadores de laranja no Brasil têm poucas opções para escoar a produção. Há apenas cinco grandes compradores da fruta e Cutrale é o maior deles. Por essa razão, acabam mantendo com o rei da laranja uma relação que mistura temor e dependência. Por um lado, eles precisam que ele compre a produção. Por outro, assustam-se com alguns métodos adotados pela Cutrale para convencê-los a negociar as laranjas por um preço mais baixo”. Vários produtores relataram à revista a brutal pressão para baixar preços ou mesmo para adquirir suas fazendas, inclusive com sobrevôos ameaçadores de helicóptero e outros métodos terroristas.

Uma coleção de processos na Justiça

Um fato gravíssimo ocultado pela mídia nos dias atuais de ódio ao MST é que Cutrale coleciona processos na Justiça por desrespeito aos direitos trabalhistas, crimes ambientais, pressão contra os lavradores e porte ilegal de armas. Na reportagem de maio de 2003, a revista citava que “essa linha dura já rendeu à Cutrale discussões legais sobre formação de cartel. De 1994 para cá, ela já foi alvo de cinco processos no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), autarquia encarregada de preservar a concorrência... Jamais sofreu uma punição”.

A revista Veja e o grosso da mídia hegemônica simplesmente esqueceram estas irregularidades. Para satanizar o MST, a imprensa endeusa a Cutrale. Os sem-terra são os bandidos e o poderoso empresário, um santo. As emissoras “privadas” de televisão e os jornalões sequer explicam aos ingênuos que as terras no interior paulista não pertencem legalmente à empresa. Elas fazem parte do lote chamado Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares pertencentes à União. Ou seja, elas foram griladas – roubadas – pela Cutrale. Em 2007, a Justiça Federal cedeu a totalidade do imóvel ao Incra. Mas a empresa permanece na área com base em ações judiciais protelatórias.

A mídia faz escândalo com a destruição de dois hectares de laranjas em setembro, numa área que seria usada no plantio de alimentos para os acampados, mas não informa que desde que a Cutrale começou a monopolizar o produto, milhares de pequenos e médios agricultores já abandonaram, de 1999 a 2006, cerca de 280 mil hectares de pés de laranja em São Paulo. “Mas a TV Globo e o helicóptero da PM nunca se importaram”, ironiza Stedile. Diante da riquíssima família Cutrale, que tem uma fortuna avaliada em US$ 5 bilhões, os colunistas da mídia são realmente laranjas!
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Contraponto 1314 - O manifesto dos movimentos sociais


03/02/2010
O manifesto dos movimentos sociais

Do Viomundo - Atualizado e Publicado em 03 de fevereiro de 2010 às 04:27

10 ANOS DO FSM - OUTRO MUNDO É POSSÍVEL E NECESSÁRIO

Nós, militantes de diversas organizações dos movimentos sociais reunidos no FSMT de Salvador, realizamos a Assembleia dos Movimentos Sociais com o intuito de consolidar uma plataforma de bandeiras unitárias e calendário de lutas.

O Fórum Social Mundial surgiu em 2001 como uma forma de resistência dos povos de todo o planeta contra a avalanche neoliberal dos anos 90. Dessa forma ganhou força e se tornou um grande pólo contra hegemônico ao capital financeiro. Ao longo desses 10 anos passou pelo Brasil, Venezuela, Índia e Quênia, e outros países, levando a esperança de um mundo novo.

Foi dessa maneira que o FSM conseguiu contagiar corações e mentes para a ideia de que é sim possível construir outro mundo com justiça social, democracia, sem destruir o planeta e valorizando as culturas nacionais. O FSM foi fundamental para a construção de uma nova conjuntura que valorize a integração e a solidariedade entre os povos. E é assim que partiremos para novas lutas e para construir o próximo Fórum Social Mundial em Dakar em janeiro de 2011.

Com o declínio do neoliberalismo e a crise do capitalismo os valores representados por esse sistema passam a ser questionados pela sociedade. Assim, o capitalismo predatório que destrói o meio ambiente causando graves desequilíbrios climáticos, que desrespeita os povos de todo o mundo e suas soberanias, que explora o trabalhador e desestrutura o mundo do trabalho, que exclui o jovem, discrimina o homossexual, oprime a mulher, marginaliza o negro, mercantiliza a cultura é agora visto com ressalvas.

A crise financeira mundial é uma crise do sistema capitalista. Ela expôs as contradições intrínsecas a esse modelo e quebrou as certezas e a hegemonia do mercado como um deus regulador das relações comercias e sociais. Essa crise abriu a possibilidade de se rediscutir o ordenamento mundial, os rumos da sociedade, o papel do Estado e um novo modelo de desenvolvimento. Porém, sabemos que esse momento pelo qual passamos é de profundas adversidades para a classe trabalhadora de todo o mundo em função das crises financeira e climática em curso. A consequência das crises é o aumento da desigualdade e por esse motivo reafirmamos o nosso desafio com as lutas e com a solidariedade de classe .

Nosso continente, a América Latina, atrai os olhos de todo o planeta diante de sua onda transformadora . Por outro lado, a hegemonia mundial ainda é capitalista e as elites não entregarão o continente que sempre foi tido como o quintal do imperialismo de mão beijada. Não é à toa a promoção do golpe contra Chávez em 2002, em Honduras em 2009, a tentativa de golpe contra Lula em 2005 ou mesmo a desestabilização de Fernando Lugo que está em curso no Paraguai.

Ao mesmo tempo, as elites se utilizam e fortalecem novos instrumentos de dominação. Sua principal arma hoje é a grande mídia e os monopólios de comunicação. Esses organismos funcionam como verdadeiros porta-vozes das elites conservadoras e golpistas. Por isso ganham força os movimentos de cultura livre e as rádios e jornais comunitários que conseguem driblar o monopólio midiático.

O povo estadunidense elegeu Barack Obama em um grande movimento de massas carregando consigo as esperanças de superar a era Bush. Entretanto, mesmo com Obama o imperialismo continua sendo imperialismo. Os EUA crescem seu olho diante das grandes riquezas naturais do nosso continente, como a recente descoberta do Pré-sal. No mesmo momento em que os EUA reativam a quarta frota marítima também instalam mais bases militares na Colômbia e no Panamá , além de insistir no retrógrado bloqueio a Cuba.

Atentos a esses movimentos do imperialismo, os movimentos sociais reunidos no Fórum Social Mundial Temático em Salvador reafirmam seu compromisso com a luta por justiça social, democracia, soberania, pela integração solidária da América Latina e de todos os povos do mundo, pelo fortalecimento da integração dos povos, pela autodeterminação dos povos e contra todas as formas de opressão.

No Brasil, muitos avanços foram conquistados pelo povo durante os 7 anos do Governo Lula. O Estado foi fortalecido alcançando maior ritmo de desenvolvimento, a distribuição de renda e o progresso social avançaram com a valorização do salário mínimo e políticas sociais como o Bolsa Família, a integração solidária do continente foi estimulada. Porém, muito mais há para ser feito. As Reformas estruturais capazes de enraizar as conquistas democráticas não foram realizadas e a grave desigualdade social perpetrada por mais de 5 séculos em nosso pais está longe de ser resolvida. Por isso, devemos lutar pelo aprofundamento das conquistas nesse período de embate político que se aproxima.

Reafirmamos a luta contra os monocultivos predatórios, os desmatamentos, o uso de agrotóxicos que gera a poluição dos rios e do ar. Seguiremos na luta contra o latifúndio e em defesa da biodiversidade e dos recursos naturais como forma de preservação do meio ambiente, dos ecossistemas, da fauna e flora integradas com o homem.

Nos unimos no combate ao machismo, ao racismo e à homofobia. Lutamos por uma sociedade justa e igualitária, livre de qualquer forma de opressão, onde as mulheres tenham seus direitos respeitados e não sofram abusos e violências, os negros não sofram preconceito e saiam da condição histórica de pobreza que lhes é reservada desde os tempos da escravidão, os homossexuais tenham acesso a direitos civis e não sofram discriminação.

Sabemos que essas conquistas virão da luta do povo organizado. Por isso, convocamos todos os militantes a fazer um grande mutirão de debates envolvendo estados, municípios e segmentos sociais no intuito de construir um projeto de desenvolvimento soberano, democrático e com distribuição de renda para o Brasil. Só assim seremos capazes de aprofundar as mudanças que estamos construindo e derrotar a direita conservadora e reacionária do nosso país nas eleições que se avizinham.

Esse grito que expressa nosso anseio liberdade e mais direitos não poderia ser dado em lugar melhor. Estamos na Bahia, terra de todos os santos e de bravos lutadores, valorosos intelectuais e líricos poetas e artistas como a banda tambores das raças que abriu a Assembleia entoando versos que afirmam que:

Zumbi não morreu, está presente entre nós. Palmares referência que sustenta nossa voz.Liberdade, igualdade, revolta dos buzios, levante malês, herança ancestral que alimenta a união é a força pra vencer!

De Salvador conclamamos o povo brasileiro a lutar por um Brasil livre, independente, democrático e justo socialmente.

Para isso, o conjunto dos movimentos sociais brasileiros convoca a Assembleia Nacional dos Movimentos Sociais para o dia 31 de maio em São Paulo e definem as seguintes bandeiras de luta:

SOBERANIA NACIONAL

- Defesa do Pré-sal 100% para o povo brasileiro;
- Pela retirada das bases estrangeiras da América Latina e Caribe;
- Defesa da autodeterminação dos povos;
- Pela retirada imediata das tropas dos EUA do Afeganistão e do Iraque;
- Pela criação do Estado Palestino;
- Contra os Golpes de Estado a exemplo de Honduras;
- Contra a presença da 4ª Frota na América Latina;
- Pela integração solidária da América Latina;
- Contra a volta do neoliberalismo
- Pelo fortalecimento do MERCOSUL, UNASUL e da ALBA;
- Pela democratização e o fortalecimento das forças armadas;
- Pela defesa da Amazônia e da nossa biodiversidade como patrimônio nacional.

DESENVOLVIMENTO

- Por uma política nacional de desenvolvimento ambientalmente sustentável, que preserve o meio ambiente e a biodiversidade, e que resguarde a soberania sobre a Amazônia brasileira.
- Por um Projeto popular de Desenvolvimento nacional com distribuição de renda e valorização do trabalho;
- Pelo fortalecimento da indústria nacional;
- Contra o latifúndio e os monocultivos que depredam o meio ambiente
- Em defesa da Reforma Agrária.
- Redução da jornada de trabalho sem redução de salários;
- Por políticas Públicas para a Juventude;
- Defesa de formas de organização econômica baseadas na cooperação, autogestão e culturas locais;
- Pela alteração da Lei Geral do Cooperativismo e da conquista de um Sistema de Finanças Solidárias e Programa de Desenvolvimento da Economia Solidária (PRONADES), do Direito ao Trabalho Associado e Autogestionário, e de um Sistema de Comércio Justo e Solidário;
- Por um desenvolvimento local sustentável.
- Por Políticas Públicas de Igualdade Racial;

DEMOCRACIA

- Contra os monopólios midiáticos e pela democratização dos meios de comunicação.
- Contra a criminalização dos movimentos sociais;
- Em defesa da Cultura livre
- Pela ampliação da participação do povo nas decisões através de plebiscitos e referendum;
- Contra o golpe em Honduras;
- Contra a desestabilização dos governos democráticos e populares da América Latina;
- Pelo fim das patentes de remédios
- Contra a intolerância religiosa, em defesa do Estado laico.

MAIS DIREITOS AO POVO

- Educação pública, gratuita e de qualidade para todos e todas, com a universalização do acesso, promoção da qualidade e incentivo à permanência, seja na educação infantil, no ensino fundamental, médio e superior. Por uma campanha efetiva de erradicação do analfabetismo. Adoção de medidas que democratizem o acesso ao ensino superior público;
- Defesa da saúde pública garantindo acesso da população a atendimento de qualidade. Tratamento preventivo às doenças, atendimento digno às pessoas nas instituições públicas;
- Pela garantia e ampliação dos direitos sexuais reprodutivos;
- Contra a exploração sexual das mulheres;
- Pelo fim do fator previdenciário e por reajuste digno para os aposentados.

SOLIDARIEDADE

- Solidariedade ao povo haitiano diante do recente desastre ocorrido em virtude de uma seqüência de terremotos.
- Solidariedade ao povo cubano – pela liberdade dos 5 prisioneiros políticos do Império.
- Solidariedade aos povos oprimidos do mundo.
- Solidariedade aos presos políticos do MST

CALENDÁRIO DE 2010

08-18 Março – Jornada de comemoração dos 100 anos do Dia Internacional da Mulher
Março – Jornada de lutas em defesa da educação - UNE e UBES
Abril– Jornada de mobilizações em defesa da Reforma agrária e contra a criminalização dos movimentos sociais
01 de Maio – Dia do Trabalhador
31 de Maio – Assembléia Nacional dos Movimentos Sociais
1 de junho – Conferência Nacional da Classe Trabalhadora
Setembro – Plebiscito pelo limite máximo da propriedade
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Contraponto 1313 - EUA nação de "instabilidade política"

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03/02/2010

Davos classifica os EUA como nação de "instabilidade política"

Vermelho - 2 de Fevereiro de 2010 - 18h48

Como parâmetro político, o Fórum Econômico Mundial em Davos em geral oferece alguns indicadores reveladores do ambiente global, e este ano não é exceção. Contaram-me que uma expressão estava sendo usada por não americanos sobre os EUA que eu honestamente posso dizer que nunca tinha ouvido antes: “instabilidade política”.

por Thomas L. Friedman
para o New York Times


“Instabilidade política” é uma expressão normalmente reservada a países como a Rússia ou o Irã ou Honduras. Mas agora, um empresário americano observou: “As pessoas me perguntam sobre instabilidade política nos EUA. Nos tornamos imprevisíveis para o mundo.”

Repare, as pessoas em conferências internacionais adoram criticar os EUA, rir dos EUA e reclamar dos EUA. É o único esporte mundial mais popular que o futebol. Contudo, no passado, sempre criticavam sabendo que os EUA eram essa rocha em quem sempre podiam confiar para assumir a liderança. Este ano é diferente. Neste ano, asiáticos e europeus em particular, puxam você para o lado e fazem alguma versão da seguinte pergunta: “Diga-me, o que está acontecendo em seu país?”

Estamos deixando as pessoas nervosas.

Bancos, multinacionais e fundos de investimento frequentemente contratam especialistas em política externa para fazerem uma “análise de risco político” antes de investirem em lugares como, digamos, Cazaquistão ou Argentina. Em breve, possivelmente, acrescentarão os EUA em suas listas de observação.

Dá para entender por que os estrangeiros estão inconfortáveis. Eles olham para os EUA e veem um presidente eleito por uma sólida maioria, entrando no cargo com uma onda de otimismo, controlando tanto a Câmara quanto o Senado. Ainda assim, um ano depois ele não consegue aprovar sua maior prioridade legislativa: a reforma na saúde.

“Nosso sistema político de dois partidos está quebrado justo quando tudo precisa de grandes consertos, não pequenos reparos” disse K.R. Sridhar, fundador da Bloom Energy, empresa de células de combustível no Vale do Silício que está participando do fórum. “Estou falando de saúde, infra-estrutura, educação, energia. Somos nós que precisamos de um Plano Marshall agora.”

De fato, em termos de frases que eu nunca de ouvido antes, há outra assim: “Será que o Consenso de Pequim está substituindo o Consenso de Washington?” O “Consenso de Washington” é um termo cunhado após a guerra fria que se refere às políticas de mercado livre, pró-comércio e globalização promovidas pelos EUA. Como disse Katrin Bennhold no “International Herald Tribune” nesta semana, os países em desenvolvimento estão procurando “uma receita para estabilidade e crescimento mais rápido do que oferece o combalido Consenso de Washington, de mercados abertos, moedas flutuantes e eleições livres.” Nessa medida, “fala-se cada vez mais de um Consenso de Pequim”.

O Consenso de Pequim é um híbrido de “Confúcio, comunismo, capitalismo” sob a tutela de um Estado de um partido, diz Bennhold, com muita orientação do governo, mercados de capital estritamente controlados e um processo de tomada de decisão capaz de fazer duras escolhas e investimentos de longo prazo sem ter que ouvir pesquisas de opinião pública.

Pessoalmente eu não desistiria do Consenso de Washington com tanta facilidade. Se está combalido não é por causa dos princípios que promovem a abertura econômica e comercial, muitos dos quais a China está praticando melhor do que nós ultimamente. Está fracassando porque, bem, por causa de Washington.

Foi difícil ler o eloquente discurso do Estado da União do presidente Barack Obama e não se sentir dividido entre sua visão para os próximos anos e a consciência de que as forças da inércia e dos interesses especiais que o bloqueiam -sem mencionar o Partido Republicano- tornam a chance de ele implementar essa visão altamente improvável. Essa é a definição de “empacado”. E neste instante estamos empacados.

O que é duro e frustrante é que estamos tão perto de desempacar. Se houvesse apenas seis ou oito senadores republicanos -um pouco mais de Judd Greggs e Lindsey Grahams- prontos em concordar com Obama em algum território comum nas questões da redução do déficit, energia, saúde e reforma bancária, acredito que, depois do susto em Massachusetts, o presidente de fato faria concessões de forma a forjar não apenas pequenos acordos graduais, mas avanços substanciais em questões importantes. Contudo, até agora, os republicanos estão tendo um bom ano em termos políticos sendo simplesmente o partido do “não”.

Isso é uma vergonha porque, aqui estamos, um país lutando para obter alguns bilhões a mais de estímulo para ajudar nossos desempregados e pequenas empresas, quando o maior estímulo de todos está se escondendo à plena vista. Este seria o fim da paralisia política e a remoção da mortalha de incerteza que estão afetando tudo, desde o custo do meu plano de saúde até o custo da minha luz ou até a forma que nossos grandes bancos podem fazer negócios.

Se os dois partidos pudessem se unir e remover as nuvens de incerteza sobre essas questões, remover a impressão crescente de que nosso país está politicamente paralisado, não seria necessário mais nenhum centavo de dinheiro de estímulo. O investimento e o empréstimo decolariam sozinhos. Contudo, se os dois partidos continuarem com seu duelo até a morte, nenhum estímulo nos dará o crescimento sustentado e o emprego que precisamos.

Fonte: NYT
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Contraponto 1312 - "Mensagem do Executivo destaca medidas anticrise"

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03/02/2010
Mensagem do Executivo destaca medidas anticrise


Desabafo - 03/02/2010

Em mensagem ao Congresso Nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o papel positivo desempenhado pelo Brasil frente à crise financeira mundial em 2009, tendo o apoio da sociedade brasileira e a contribuição dos parlamentares para a realização das medidas necessárias no combate à estagnação e desemprego. A mensagem do poder Executivo foi entregue pela ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff ao presidente do Congresso Nacional José Sarney na solenidade de abertura do ano legislativo de 2010, ocorrida hoje (02), em Brasília.
“O conjunto da sociedade brasileira mobilizou-se para enfrentar a crise. Trabalhadores acreditaram na capacidade nacional de superar os obstáculos mais severos e continuaram a movimentar nosso comércio. Empresários voltaram rapidamente a investir, passado o susto inicial dos mercados. E o Governo agiu rápida e firmemente para remover os entraves à liquidez, à expansão do crédito, ao consumo e ao investimento. As medidas econômicas foram amplamente debatidas nessa Casa (Congresso Nacional), que também deu sua contribuição: sugeriu novas iniciativas, assim como aprimorou e melhorou os projetos encaminhados pelo Governo”.
Um dos destaques foi o investimento feito em obras de infraestrutura, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), de forma a propiciar o desenvolvimento econômico e social. Mesmo no período de crise, o valor dos pagamentos em relação ao ano anterior (2008) teve um aumento em 58%. Exemplos disso são as obras da ferrovia Transnordestina, as usinas hidrelétricas do Rio Madeira (Jirau e Santo Antonio) e a obra de integração do Rio São Francisco com as bacias do Nordeste Setentrional, “todas essas com andamento em ritmo adequado”. Leia na íntegra acessando o portal da Casa Civil.
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Contraponto 1311 - "Desmatamento da Amazônia cai 72% em outubro e novembro de 2009"


03/02/2010

"Desmatamento da Amazônia cai 72% em outubro e novembro de 2009"


Amigos do Presidente - por: Zé Augusto - quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Dados de monitoramento por satélite do Deter (Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real) divulgados nesta terça-feira (2/2) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicam uma queda acumulada no desmatamento de 72% nos meses de outubro e novembro de 2009, em relação ao mesmo período do ano anterior.

As quedas sucessivas nas taxas de desmatamento levaram o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc a prever que o Brasil poderá apresentar uma redução em 2020 de mais de 95% na área desmatada em relação à década anterior batendo a meta do governo que é de 80%, de acordo com o Plano Nacional de Mudanças Climáticas aprovado pelo presidente Lula.

Para o ministro, a queda no desmatamento reflete, em grande parte, o resultado das ações coordenadas da Comissão Interministerial de Combate ao Crime e Infrações Ambientais (Ciccia), que com ações de comando e controle apreendeu bois piratas, embargou propriedades e intensificou as fiscalizações.

Ele explicou que os satélites do Inpe e o sistema japonês Alos, que consegue ver através das nuvens, permitiram que fiscais atuassem em áreas com desmatamento em fase inicial. Como exemplo, Minc contou o caso do município de Apuí, no Amazonas. No mês de outubro foram registrados 32km² de desmatamento no estado. Com a área desmatada identificada pelos satélites, a equipe da Ciccia pode atuar prontamente. O resultado foi desmatamento zero no mês de novembro.

Para o ministro, agora é o momento de intensificar as ações que levam alternativas sustentáveis à população que vive na Amazônia. Ele citou o Mutirão Arco Verde, que leva piscicultura, manejo florestal comunitário, extrativismo; e o Fundo Amazônia, que financiará projetos sustentáveis. "Com isso a gente quer mostrar que é possível a população viver com dignidade na Amazônia sem destruir o bioma, mantendo a floresta em pé", destacou.

No final da entrevista coletiva, Minc mandou um recado para aqueles que desmatam a floresta. "Tremei poluidores, vai acabar a invisibilidade. Antes os satélites ficavam cegos durante cinco meses no ano por causa das chuvas. Agora, combinando o Inpe com o satélite japonês, vamos ver e combater o crime ambiental durante todo o ano", finalizou. Leia mais aqui.
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Contraponto 1310 - Charge do Besinha (6 e 7)

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03/02/2010
Charge do Bessina (6 e 7)

chargeonline.com.br
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Contraponto 1309 - "Mídia oculta conexões Serra-Arruda"

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03/02/2010
Mídia oculta conexões Serra-Arruda


Oni Presente - 2 fevereiro/2010

Altamiro Borges*

Há algumas semanas, o blogueiro Luis Nassif adverte para um fato grave que continua ignorado pela mídia golpista. “Duas investigações em andamento – a Operação Castelo de Areia e o caso José Roberto Arruda – estão batendo direto no sistema de financiamento de campanha do governador José Serra… Não é nada trivial. Não se trata de denúncias de oposição, de suspeitas, mas de investigações policiais calcadas em provas, depoimentos de testemunhas, documentos”.

No final de dezembro, a revista CartaCapital confirmou a existência da “conexão Serra-Arruda”, como Nassif batizou sua descoberta. Ela revelou que o administrador de empresa Ailton de Lima Ribeiro, “homem de confiança de José Serra”, é um dos envolvidos no escândalo do “mensalão do DEM”. Filiado ao PSDB, Ribeiro trabalhou com Serra no Ministério da Saúde e na prefeitura de São Paulo. Na sequência, prestou serviços ao prefeito demo Gilberto Kassab. Desde março de 2009, ele era um colaborador íntimo de José Roberto Arruda, o governador do Distrito Federal.

“Homem de confiança de Serra”

Segundo aponta a revista, “ao desenrolar o novelo do Arrudagate, o fio das investigações aponta para um esquema formado por uma rede de empresas beneficiadas por contratos milionários no Distrito Federal e em São Paulo”. Ribeiro é o principal envolvido. O gestor tucano já havia sido alvo de outras denúncias. Após ocupar vários cargos importantes no Ministério da Saúde, ele foi afastado do órgão durante as investigações da Máfia do Sangue. Em outubro de 2008, também foi citado no rastro da investigação da Operação Parasitas, que apurou a existência de um grupo de empresas que fraudava e superfaturava contratos na área de saúde com a prefeitura paulistana.

Com o estouro do escândalo do “mensalão do DEM” de Brasília, outro demo, Gilberto Kassab, decidiu suspender o contrato milionário, sem licitação, feito pela Secretaria Municipal de Saúde com o Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), no valor de R$ 15,8 milhões. “A prefeitura já havia pago, antecipadamente, R$ 2 milhões. Surpresa: Ribeiro faz parte da diretoria do Iabas. O seu nome consta do site da organização como diretor de gestão em saúde pública”, relata a revista, que descreve outros casos sinistros envolvendo o versátil administrador tucano.

Ensurdecedor silêncio da imprensa

Para o blogueiro Luis Nassif, não há mais dúvidas sobre a existência da conexão Serra-Arruda. A sujeira é fedorenta. Ele observa que a reportagem confirma “um novo operador de José Roberto Arruda, diretamente ligado ao governador Serra. Antes de Arruda, o operador atuou diretamente na montagem do sistema de terceirização da saúde em São Paulo. Há tempos pessoas do setor tinham me dito que o modelo era a reedição dos esquemas pesados do PAS, da gestão de Paulo Maluf”. Luis Nassif é taxativo: “Ailton de Lima Ribeiro é homem de confiança de Serra”.

Ele destaca ainda que “o prefeito Kassab anulou um contrato milionário, sem licitação, entre a Secretaria da Saúde do município – sob responsabilidade de Januário Montone, também ligado diretamente a Serra. Um dos sócios da empresa sob suspeita é o próprio Aílton”. Outra pista é que Ailton seria “o principal responsável pela contratação, em São Paulo, das mesmas empresas de informática que integram o esquema de Arruda”. Diante de tantos indícios, é muito estranho o ensurdecedor silêncio da mídia. Será que existiria também uma conexão Serra-Arruda-mídia?

*Altamiro Borges - Jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB – Partido Comunista do Brasil, autor do livro “Sindicalismo, resistência e alternativas” (Editora Anita Garibaldi)
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