domingo, 28 de novembro de 2010

Contraponto 4082 - Vitória arrasadora do Rio no Alemão cria constrangimento

.
28/11/2010
Vitória arrasadora do Rio
no Alemão cria constrangimento


O ordinário blogueiro entrevista Fuzileiros Navais

Conversa Afiada - Publicado em 28/11/2010

A retomada do território do Alemão pelas forças da Lei durou das 8h da manhã às 9h30 da manhã deste domingo.

Foram cerca de 1200 homens e carros anfíbios, blindados, e helicópteros numa ação coordenada pelo exemplar policial federal José Mariano Beltrame, Secretário de Segurança do Rio.

Os traficantes tinham fugido da Vila Cruzeiro para o Alemão.

As 44 saídas do Alemão foram fechadas.

Os traficantes ficaram presos lá dentro.

E as forças do delegado Beltrame, aos poucos, identificarão os criminosos e as áreas em que armazenavam drogas e armamento.

Este ordinário blogueiro entrevistou Beltrame para o Domingo Espetacular, e ele informou que tropas federais manterão a ocupação do Alemão e da Vila Cruzeiro até que novos policiais militares sejam formados e possam instalar as UPPs.

Nunca dantes na história deste país houve uma ação tão extensa, maciça e fulminantemente eficaz quanto esta no Rio de Janeiro.

A vitória de Sérgio Cabral e Beltrame cria inevitáveis constrangimentos.

Mostra, de forma escancarada, que nenhum governante pode mais fechar os olhos, sentar em cima das mãos, conciliar, ou fazer acordo secreto com o crime organizado.

O Rio de Janeiro era e é uma área de forte consumo e tráfico de droga.

Mas não é a única.

E um dia e, um dia, a casa cai.

O crime organizado vai para a rua, queima ônibus, atira em postos da polícia, tranca ruas e cospe na cara do governante.

Sérgio Cabral e Beltrame demonstraram que é possível enfrentar o crime organizado.

Só não enfrenta quem fez acordo com ele ou dele tem medo.


Paulo Henrique Amorim

Artigos relacionados
.

Contraponto 4081 - Charge on line do Bessinha

.
28/11/2010
Charge do Bessinha (235)

.

Contraponto 4080 - "O império teme a repercussão de novas revelações do Wikileaks"

.
28/11/2010


O império teme a repercussão de novas revelações do Wikileaks


Do Vermelho - 27 de Novembro de 2010 - 15h35

Site pode ter até 3 milhões de documentos da chancelaria dos EUA que revelam artimanhas e crimes do império pelo mundo
O governo dos Estados Unidos está entrando em contato com diversos governos aliados para avisá-los de potenciais constrangimentos diplomáticos que podem resultar da publicação, na internet, de informações confidenciais do Departamento de Estado americano.

As informações estão supostamente em posse do site Wikileaks, que não confirmou quando publicará os dados, mas acredita-se que isso ocorrerá nos próximos dias.

O site já causou furor anteriormente ao publicar um dossiê secreto sobre a guerra no Afeganistão e dados que comprovam não só a conivência como a cumplicidade do governo dos Estados Unidos com casos de tortura no Iraque, entre outros documentos sigilosos.

Agora, o Departamento de Estado diz temer que o vazamento de seus documentos cause tensão com nações amigas, e o órgão, segundo relatos da imprensa, já conversou com governos de países como Grã-Bretanha, Turquia, Israel, Dinamarca e Noruega, em uma aparente tentativa de minimizar danos.

Revelações "perigosas"

No caso da Turquia, suspeita-se que a divulgação possa incluir documentos sugerindo que Ancara teria ajudado a Al-Qaeda no Iraque e que os Estados Unidos teriam ajudado separatistas curdos combatidos pelo governo turco.

Documentos com comentários privados de autoridades americanas sobre governos estrangeiros também podem ser fonte de constrangimento.

O correspondente da BBC em Washington, Steve Kingstone, afirma que a dúvida é se o vazamento se limitará a causar incômodo diplomático ou se, de fato, revelará dados desconhecidos sobre a política externa americana.

Na quarta-feira, o porta-voz do Departamento de Estado, PJ Crowley, disse que o vazamento poderia abalar a confiança de aliados na diplomacia americana. "Quando essa confiança é traída e vai parar na primeira página dos jornais, isso tem um impacto", disse.

A chancelaria americana tem pressionado o Wikileaks argumentando que o vazamento pode ser perigoso para os interesses americanos. Felizmente, apelos prévios semelhantes feitos pelo Pentágono foram ignorados pelo site.

Um porta-voz do governo britânico confirmou nesta sexta-feira que recebeu uma ligação do governo americano, mas não quis "especular" sobre o conteúdo dos documentos vazados até que eles venham a público.

Não se sabe ao certo a origem do vazamento nem o que está em posse do Wikileaks, mas há relatos de que podem ser até 3 milhões de documentos que revelam manobras e crimes praticados pelo império em todo o mundo.

Com agências
.

sábado, 27 de novembro de 2010

Contraponto 4079 - "Lula defende soberania e critica EUA e FMI na IV Cúpula da Unasul"

.
27/11/2010

Lula defende soberania e critica EUA e FMI na IV Cúpula da Unasul

A IV Cúpula inicia nova etapa da Unasul

Do Vermelho - 27 de Novembro de 2010 - 18h49

No encontro que marcou sua despedida da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), o presidente brasileiro fez duras críticas aos Estados Unidos e ao FMI.
Os líderes do bloco aprovaram sexta-feira (26) a criação de um protocolo contra os golpes militares na América do Sul, prevendo sanções econômicas e políticos aos governos que forem impostos de forma antidemocrática. Na região, sempre é bom lembrar, as conspiração golpistas passam invariavelmente pelas embaixadas dos EUA.

O protocolo democrático estabelece a suspensão, do âmbito da Unasul, dos países que sofram golpes de Estado e autoriza os países vizinhos a aplicar um bloqueio comercial.

Contra o golpismo

Elaborada pelo Equador, que passou a presidência temporária do bloco à Guiana, a proposta chegou a gerar desentendimento entre os chanceleres da região sobre seus critérios de aplicação. Mas o documento final acabou sendo aprovado pelos presidentes.

"Banir os golpes de Estado da América do Sul – e temos que banir de toda a América Latina – é um compromisso da maior importância, e a Unasul mostrou que pode ajudar", afirmou o chanceler brasileiro, Celso Amorim, a jornalistas em Georgetown.

A seu ver, a medida aprovada pelo bloco pode ajudar a evitar o efeito cascata de desestabilização na região, tendo como precedente a deposição do presidente hondurenho Manuel Zelaya, no ano passado.

Para Amorim, o mau exemplo de Honduras contribuiu para que os presidentes reagissem imediatamente durante a recente crise no Equador, que viveu, no final de setembro, uma tentativa de golpe contra o presidente Rafael Correa.

Antes de Correa, foram vítimas de tentativas golpistas os presidentes da Venezuela (abril de 2002) e da Bolívia (2008). Nos dois casos, os golpistas foram derrotados. Já em Honduras, os “gorilas” acabaram vitoriosos em 2009. As embaixadas norte-americanas tiveram participação ativa em todos esses movimentos.

"A carta democrática da Unasul será fundamental para afastar riscos à ordem institucional na região", afirmou Lula em discurso na 4ª Cúpula da Unasul, em Georgetown, capital da Guiana

Elites submissas

"O que é importante é que não se pode abrir mão, em momento algum, de construir uma América do Sul forte, sem analfabetos, sem desnutrição, com avanço científico e tecnológico. Mas, sobretudo, uma América do Sul onde cada cidadão sul-americano tenha orgulho de ser do jeito que nós somos."

Ao enaltecer a Unasul, Lula criticou os governantes sul-americanos das décadas de 1980 e de 1990 por não terem avançado na integração regional e também por terem aceitado os modelos econômicos ditados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Esses programas, com o mesmo caráter reacionário dos que estão sendo aplicados hoje na Grécia e Irlanda, eram vazios de conteúdo social, na opinião do presidente.

Ele também disse sentir-se ofendido quando via, no passado, fotos nos jornais dos técnicos do FMI desembarcando no Brasil. ao final de cada ano, para negociar as condições de novos empréstimos. Para ele, esses governos agiram de forma "submissa às elites" e desprezaram o conceito de soberania.
"Alguns países precisaram ser refundados", declarou Lula, valendo-se de um termo caro aos líderes do bolivarianismo - além de Chávez, o boliviano Evo Morales e o equatoriano Rafael Correa.

Nova etapa

Lula voltou a criticar a reação dos EUA ao anúncio do acordo na área nuclear entre o Brasil, a Turquia e o Irã, em maio passado. Afirmou que os EUA jamais poderão resolver o contencioso com o Irã porque o país imperialista é um "criador de problemas".

A Unasul inicia uma nova etapa, com a Guiana na presidência e o compromisso de dar novos passos para a integração regional e a consolidação da região como zona de paz. O relatório do presidente equatoriano, Rafael Correa, ao inaugurar a IV Cúpula em Georgetown em presença de seus homólogos da Argentina, Brasil, Colômbia, Guiana, Paraguai, Suriname, Venezuela e os chanceleres de Bolívia, Chile, Peru e Uruguai, traçou a pauta do encontro.

Uma ovação fechada foi a melhor homenagem ao primeiro Secretário Geral do bloco regional, o ex-presidente argentino, Néstor Kirchner, falecido recentemente e que recebeu o reconhecimento póstumo de todos no Centro Internacional de Convenções da Guiana.

Protocolo democrático

Ainda não se sabe quando se dará sua substituição até a próxima reunião dos mandatários em Mar del Plata, Argentina. A IV Cúpula esteve carregada de notícias transcendentes, como a aprovação do Protocolo Democrático para evitar futuras tentativas de golpes de Estado.

O documento aprovado foi de consenso, a única mudança realizada foi o de usar "protocolo" em lugar de "cláusula" que foi o termo utilizado pelos Chanceleres. O mandatário da Guiana, Bharrat Jagdeo, ao assumir a presidência pró témpore da Unasul destacou a importância de que este mecanismo de integração seja incondicional na aplicação do protocolo democrático lembrado por unanimidade.

"Independentemente das ideologias dos países que tenham suas democracias ameaçadas, afirmou Jagdeo, temos que assegurar que isto (golpes de Estado) não se passe em nossa região".

Reconciliação

Ao final do encontro outra notícia inesperada foi o anúncio de Correa e do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, da restauração plena de suas relações, interrompidas após o bombardeio colombiano a Angostura em março de 2008.

"O destino tem que ser traçado, não sofrido, os desafios são grandes, mas é maior ainda nossa esperança", afirmou o presidente pró témpore que sai ao vislumbrar uma região de paz, sem bases militares estrangeiras e capaz de dirigir por si mesma seus próprios conflitos.

Da redação, com agências
.

Contraponto 4078 - "E agora PIG? FHC repete discurso de Franklin Martins: diz que tem que haver regulação da mídia"

.
27/11/2010


E agora PIG? FHC repete discurso de Franklin Martins: diz que tem que haver regulação da mídia


Amigos do Presidente - por Zé Augusto - sábado, 27 de novembro de 2010

Passada as eleições, o ex-presidente FHC resolveu falar o mesmo que Lula, Dilma, Franklin Martins, o PT, o PCdoB, o PSB, nós da blogosfera estamos falando há tempos: que a mídia tem que ter regulamentação.

O ex-presidente disse que é "impossível" não ter regulação, e completou:

"No debate atual, existe uma certa confusão. Estamos misturando a necessidade eventual da organização dos meios de difusão, inclusive por causa das novas tecnologias e da convergência entre plataformas, que requerem alguma regulação, com aquilo que não requer regulação, que é o conteúdo".

Repetiu extamente o que disse Franklin Martins no recente Seminário de Convergência de Mídias.

FHC "derrapa", e esquece a Constituição de 88, que assinou

O ex-presidente só derrapou e confundiu ao dizer que o conteúdo não tem que ter regulação. Tem sim. Não tem que ter censura, mas tem que ter regulação de limites de programação estrangeira, cotas de programação regional, e outras coisas da Constituição de 88, da qual FHC participou como constituinte.
.

Contraponto 4077 - "Idiotice na TV vai diminuir"

.
27/11/2010

Idiotice na TV vai diminuir

Programa "Casseta & Planeta" vai acabar no ano que vem

Do Esquerdopata - 27/11/2010

KEILA JIMENEZ
DE SÃO PAULO


Espectador típico do programa

O humorístico "Casseta & Planeta", Globo, vai acabar. A produção da atração confirmou que o programa deixará de ser exibido em 2011.

O "Casseta & Planeta" está há quase 20 anos na grade da emissora. O último programa vai ao ar no dia 21 de dezembro.

A emissora informou, via assessoria, que "o grupo sentiu necessidade de pensar em um novo formato e pediu à Globo para esticar o período de férias e trabalhar nisso, pois os compromissos de um programa semanal no ar comprometem essa tarefa."

A Globo informa ainda que "espera novidades para o segundo semestre de 2011".

Nos últimos meses, o humorístico vinha amargando uma das piores audiências da década, chegando a registrar médias na casa dos 20 pontos de audiência (cada ponto corresponde a 60 mil domicílios na Grande SP). Há dois anos, o programa registrava 30 pontos de média.

A informação é de que apesar do fim do programa, o grupo não vai se separar e já pensa em outro projeto para a TV.

Postado por Esquerdopata às 16:47 4 comentários Links para esta postagem
.

Contraponto 4076 - "Enquanto no Brasil fome diminuiu, nos EUA subiu"

.
27/11/2010


Enquanto no Brasil fome diminuiu, nos EUA subiu


Blog do Favre - 27/11/2010

Parcela de lares americanos com insegurança alimentar é metade do patamar registrado aqui


Cássia Almeida e Clarice Spitz – O GLOBO

● Apesar de ainda ter 11,2 milhões de pessoas em insegurança alimentar grave, a situação do Brasil melhorou nos últimos cinco anos. O mesmo não aconteceu nos Estados Unidos. Lá, pesquisa similar indicou que a parcela de lares com insegurança alimentar grave ou moderada subiu de 3,9% em 2004 para 5,7% em 2008. No Brasil, essa proporção caiu de 16,9% para 11,5%:

— A crise global que começou lá fez aumentar o desemprego e a vulnerabilidade das famílias. Em 2009, a situação deve ter ficado ainda pior — afirmou Rômulo Paes Sousa, secretário-executivo do Ministério de Desenvolvimento Social.

Para chegar aos números do Brasil, o IBGE usou a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia) que classifica os domicílios pelo grau de segurança alimentar, ou seja, se havia uma situação de conforto ou de risco de ficar sem comer naquele lar.

A escala prevê quatro categorias. A segurança alimentar indica que as famílias tiveram acesso regular e permanente a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente. Já a insegurança alimentar pode ser leve, moderada e grave. Ela é leve quando há preocupação ou incerteza quanto ao acesso aos alimentos e a qualidade é considerada inadequada. A insegurança alimentar moderada ocorre quando há redução quantitativa de alimentos entre adultos. Já a insegurança alimentar grave é constatada com a redução quantitativa de alimentos também entre crianças e há fome.

A escala brasileira é adaptada da produzida pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos nos anos 1990. É preciso que a pessoa tenha respondido sim a pelo menos dez perguntas, de um total de 14, nos lares em que há crianças, para ser considerada uma situação de insegurança alimentar grave.

Postado por Luis Favre
.

Contraponto 4075 - "Celso Lungaretti: A batalha do Rio de Janeiro"

.
27/11/2010
Celso Lungaretti: A batalha do Rio de Janeiro

Do Vermelho - 27 de Novembro de 2010 - 11h32

Canso de repetir: a criminalidade é intrínseca ao capitalismo.

Por Celso Lungaretti*

Porque as molas mestras do capitalismo são a ganância, a busca do privilégio e da diferenciação, e o consumismo.

Ter cada vez mais posses e recursos materiais.

Competir zoologicamente com os semelhantes, no afã de se colocar em situação superior à deles.

Mitigar todas as suas insatisfações adquirindo e desfrutando coisas.

E se relacionando com os outros seres humanos como se eles fossem também coisas a serem desfrutadas; coisificando-os, enfim.

Com isto, nunca é preenchido por completo o vazio da irrealização, sempre falta algo e sempre o que falta é mais importante do que o já conquistado. O homem moderno é um Cidadão Kane que nunca encontra o rosebud.

Pois os seres humanos só se realizam plenamente na coexistência cooperativa, solidária, harmoniosa e amorosa com outros seres humanos.

O capitalismo é um sistema perverso, que se alimenta do desequilíbrio e da desarmonia.

Que não garante a todos o necessário para todos, embora meios haja para tanto.

Que gera sempre, como uma secreção, seu exército industrial de reserva, seus excluídos, seus miseráveis.

Eles são o resultado da mais-valia, que continua firme, forte e toda poderosa.

Apenas sofisticou-se, ocultando-se atrás dos hologramas projetados pela indústria cultural; o grande truque do diabo é fingir que não existe.

A mais valia continua dividindo a humanidade em exploradores e explorados.

Continua estabelecendo graduações entre os explorados, de forma que eles mirem apenas o degrau superior e não a sociedade sem graduações nem classes; que nunca vejam a floresta por trás das primeiras árvores.

O dado novo é que alguns dos que estavam bem embaixo perceberam a inutilidade de tentarem realizar seus sonhos consumistas subindo a escada, degrau por degrau.

Descobriram atalhos para passar ao lado dos degraus e chegar logo ao topo.

Ironia da História: o capitalismo passou à fase das corporações, da liderança compartilhada, tornando quase impossível que grandes empreendedores ergam impérios do nada (Bill Gates é uma exceção que confirma a regra), mas a criminalidade forneceu uma válvula de escape para tais indivíduos.

Pablo Escobar foi o Henry Ford dos novos tempos. E outros não conhecemos porque os néo-Escobares perceberam que não lhes convém alardear seu poderio.

Até certo ponto, os traficantes são complementares ao capitalismo: fornecem aquilo de que muitos explorados necessitam para continuar suportando sua existência insatisfatória.

Enquanto se comportam como empresários discretos e cumprem adequadamente sua função de espantalhos, dificilmente são destruídos pelo Estado.

Mas, aqueles a quem os deuses querem destruir, primeiramente enlouquecem.

Então, às vezes os traficantes também têm seus desvarios: tentam oficializar a conquista simbólica de parcelas do território brasileiro.

Mas, o Estado não pode consentir que o poder econômico da contravenção ganhe ostensiva expressão política, substituindo-o às escâncaras.

Aí, com seu poder de fogo superior, convocando Exército, Marinha e Aeronáutica se necessário, coloca os traficantes no seu lugar.

Morrem inocentes no fogo cruzado, o cidadão comum sofre prejuízos e enfrenta transtornos, a indústria cultural fatura em cima das manchetes empolgantes, eventualmente são presos ou mortos alguns grandes traficantes.

De quebra, a mentalidade policialesca ganha reforço e penetra mais fundo na cabeça dos videotas: a repressão é o que nos salva de termos nossos carros queimados!

E dá-lhe mais repressão, mais tropas de elite! A fascistização da sociedade vai avançando imperceptivelmente, naturalmente.

Antes, gatos escaldados por 1964, os mais sensatos queriam as Forças Armadas longe das questões sociais, defendendo apenas o Brasil dos seus inimigos externos.

Agora, já se aplaudem os blindados da Marinha subindo o morro.

Como tantos aplaudiram a defesa da tortura e das truculências policiais num filmeco repulsivo.

De toda essa tempestade de som e fúria, o que restará?

O Estado vencerá a Batalha do Rio de Janeiro.
Que só não é de Itararé porque há mortos e feridos. Mas, não decide guerra nenhuma.

Decidiria se os traficantes vencessem. Mas, eles nunca vencerão. Nem aqui, nem na Colômbia que os pariu.

O Estado não quer, verdadeiramente, acabar com os traficantes. Consentirá veladamente na sua reorganização, com novas lideranças substituindo as tombadas, desde que respeitem os limites intrínsecos.

A sova garantirá que eles se comportem por algum tempo. E, quando botarem as manguinhas de fora, receberão nova sova. É simples assim.

Só teremos solução real quando identificarmos o verdadeiro inimigo (É o capitalismo, idiota!). Que sobrevive erigindo em espantalhos os inimigos menores, ou meros oponentes – Escobar, Castro, Bin-Laden, Saddam, Chávez, Ahmadenijad, há sempre um na berlinda.

E quando nos mobilizarmos para dar-lhe um fim, antes que - condenado pela História e cada vez mais devastador em sua agonia - seja ele a nos levar juntos para a destruição, ao aniquilar as bases naturais que sustentam a vida humana no planeta.

*Celso Lungaretti.
Jornalista e escritor

.

Contraponto 4074 - "Marco Aurélio Garcia é convidado a permanecer no governo Dilma"

.
27/11/2010

Marco Aurélio Garcia é convidado a permanecer no governo Dilma

Marco Aurélio Garcia

Do Vermelho - 27 de Novembro de 2010 - 13h10

O professor Marco Aurélio Garcia foi convidado pela presidente Dilma Rousseff a permanecer no cargo de assessor internacional da Presidência, segundo informações do jornal “Folha de São Paulo”.

De acordo com a repórter Ana Flor, da Folha, Marco Aurélio havia sido sondado para ocupar outro posto: secretário-geral da Unasul. Ele substituiria o ex-presidente argentino Nestor Kirchner, que morreu no mês passado.

Antes de responder à sondagem, Marco Aurélio teria telefonado para Dilma. Encontrava-se em Georgetown, na Guiana, onde acompanhou o presidente Lula numa reunião da Unasul. Dilma teria dito a Marco Aurélio que pretende mantê-lo no cargo e agendou uma conversa para segunda-feira (29).

Já o ministro Celso Amorim não deve permanecer à frente do Itamaraty. O nome do seu substituto ainda não foi divulgado. Frequenta a bolsa de apostas como favorito o secretário-geral do Itamaraty, Antonio Patriota.

Da redação, com informações da Folha de São Paulo
.

Contraponto 4073 - "A velha mídia corrupta quer censurar blogs que praticam a honestidade às claras"

.
27/11/2010


A velha mídia corrupta quer censurar blogs que praticam
a honestidade às claras

"
Amigos do Presidente - por Zé Augusto - sábado, 27 de novembro de 2010

Jornalismo engajado existe no mundo inteiro. A velha mídia, por exemplo, foi engajada para derrubar Getúlio Vargas e Jango, foi engajada no apoio à ditadura, foi engajada na eleição de Collor e FHC, e foi engajada por Alckmin e Serra, e foi engajada para tentar derrubar o governo Lula. Só que é corrupta, quando quer se apresentar como "isenta" e "apartidária". Corrompe a informação e engana (ou tenta enganar) seus leitores desavisados.

No entanto o articulista do Correio Braziliense, Lúcio Vaz, se julga no direito de querer censurar o nosso blog de poder entrar no Palácio do Planalto, para participar de entrevista com blogueiros, por causa do título do blog ser "Os Amigos do Presidente Lula".

O Correio Braziliense, teve momentos que lhe cairia bem o nome de "Os amigos de José Roberto Arruda" (*), dado o cheiro de panetone exalado pelo jornal na cobertura inicial do "Mensalão do DEM".

Teve outros momentos que lhe cairia bem o nome de "Os amigos de Joaquim Roriz", como neste vídeo:



Em seu artigo, Lúcio Vaz, continua a criticar o nosso blog:

O seu representante tratou de se apresentar antes de fazer a primeira pergunta: “Blogs ativistas como o nosso nasceram ainda no seu primeiro mandato, inspirados para combater as tentativas de golpear o seu governo”.


Ora, fomos apenas explicitamente honestos com os leitores e internautas que assistiam. Nosso blog foi engajado para combater as tentativas da velha mídia, enquanto outros, jornais como o Correio Braziliense, foi engajado em tentar derrubar o governo, fabricando escândalos, forjando crises, querendo desgastá-lo, impedir a reeleição em 2006 e a sucessão por Dilma em 2010.

Nosso blog é autêntico e honesto, a começar pelo título. Não esconde nossa posição do leitor, nem de ninguém. Os jornalões como o do articulista não são honestos com o leitor, porque não explicitam sua posição demo-tucana.

O presidente já concedeu mais de 900 entrevistas à velha mídia. Agora concedeu uma a blogueiros que fazem contraponto à esta velha mídia. Entre 10 blogs convidados pela comissão organizadora dos blogueiros (e não por escolha do Planalto), um deles foi o nosso, não pelo nome, mas pela relevância, pelo trabalho, por ser um dos pioneiros, por ser muito lido e ter se tornado influente, a ponto do candidato José Serra nos imputar acusações falsas, e chegar ao ponto de revelar em entrevista ter pedido ao Presidente da República para tirá-lo do ar, imaginando erroneamente que o blog era ligado ao Presidente.

Mesmo com mais de 900 entrevistas para velha mídia, contra apenas uma para estes blogs autônomos, o articulista prega a censura à diversidade e à liberdade de imprensa para os outros. Quer apenas a liberdade de imprensa para o cartel do seu patrão.

(*) José Roberto Arruda (ex-DEMos/DF), quando governador, comprou de mais de 5.000 assinaturas do jornal, inflando a tiragem com dinheiro público.
.

Contraponto 4072 - "Unasul aprova protocolo contra golpes no continente"


27/11/2010


Unasul aprova protocolo contra golpes no continente

Agência Brasil
- 22/11/2010

Da BBC Brasil

Brasília - No encontro que marcou a despedida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), os líderes do bloco aprovaram, hoje (26), a criação de um protocolo "antigolpe" na América do Sul, que prevê sanções econômicas e políticas a países cujos governos democráticos sofram atentados.

O “protocolo democrático” estabelece a suspensão dos países do âmbito da Unasul que sofram um golpe de Estado e autoriza os países vizinhos a aplicar um bloqueio comercial.

"A carta democrática da Unasul será fundamental para afastar riscos à ordem institucional na região", afirmou Lula em discurso na 4ª Cúpula da Unasul, em Georgetown, capital da Guiana.

Elaborada pelo Equador, que passou a presidência temporária do bloco à Guiana, a proposta chegou a gerar desentendimento entre os chanceleres da região sobre seus critérios de aplicação. Mas o documento final acabou sendo aprovado pelos presidentes.

"Banir os golpes de Estado da América do Sul – e temos que banir de toda a América Latina – é um compromisso da maior importância, e a Unasul mostrou que pode ajudar", afirmou o chanceler brasileiro, Celso Amorim, a jornalistas em Georgetown.

A seu ver, a medida aprovada pelo bloco pode ajudar a evitar o efeito cascata de desestabilização na região, tendo como precedente a deposição do presidente hondurenho Manuel Zelaya, no ano passado.

Para Amorim, o "mau exemplo" de Honduras contribuiu para que os presidentes reagissem imediatamente durante a recente crise no Equador. A rebelião policial, no final de setembro, foi interpretada pelo bloco como uma tentativa de golpe contra o presidente Rafael Correa.

A crise equatoriana "inspirou" a criação do protocolo que deve funcionar como medida de dissuasão a tentativas de desestabilização. "Qual país pode se dar o luxo de viver isolado na região?", comenta Amorim.

A transição na secretaria-geral do bloco não foi definida no encontro e será um dos desafios que os líderes terão de enfrentar nos próximos meses.

Depois que Lula descartou a possibilidade de assumir o cargo, o ex-presidente uruguaio Tabaré Vásquez passou a ser um dos mais cotados para assumir a vaga do argentino Néstor Kirchner, que morreu em outubro.

No entanto, de acordo com fontes diplomáticas, sua candidatura pode enfrentar resistências por parte do governo argentino. À época, Vásquez foi contrário à eleição de Néstor Kirchner para o cargo de secretário-geral.

Amorim minimizou o impasse, ao afirmar que a ausência do secretário-geral não é um problema para o funcionamento do bloco e que é preciso encontrar alguém com “autoridade moral” para aconselhar os demais chefes de Estado.
.

Contraponto 4071 - A mulher determinou...

27/11/2010

Humor

(De um email recebido)

NÃO SUPORTANDO AQUELA TAMPA SEMPRE MIJADA,

A MULHER DETERMINOU:




FAVOR URINAR SENTADO!







.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Contraponto 4070 - Lula: 'É uma alegria saber que temos força para vencer o crime organizado'

..
26/11/2010


Lula: 'É uma alegria saber que temos força para vencer o crime organizado'

Do Blog Amigos do Presidente - sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Durante viagem à Guiana, o presidente Lula comentou os atos de violência ocorridos no Rio de Janeiro:

"O que o governador Sérgio Cabral pedir e estiver dentro da lei podem estar certos de que faremos para ajudar o Rio de Janeiro. Para nós é uma alegria saber que nós temos força para vencer o crime organizado", disse o presidente. "O Sérgio Cabral tem facilitado. Ele não fica com pequenez de achar que é interferência. Na medida em que ele precisou e pediu ele foi atendido. É assim que tem que ser", elogiou Lula, ressaltando que o Rio vem recebendo todo o apoio do Planalto. (Com informações do Jornal 'O Dia')

Governos do Rio e Federal agem com coragem, responsabilidade e decisão no Rio de Janeiro

As facções criminosas no Rio tentaram reagir à implantação das UPP's (Unidades de Polícia Pacificadora) que botam para correr quadrilhas de traficantes que se instalavam em comunidades carentes.

A tentativa foi de intimidar o governo, assustando a população com "arrastões" (assaltos em bandos) e incendiar carros e ônibus, para obrigar o governo a "aliviar" e diminuir ou parar com as UPP's.

Normalmente, governos sob onda de criminalidade, ficam com medo do confronto gerar muitas mortes e desgaste, e acabam cedendo, fazendo algum acordo informal de não agressão, como os demo-tucanos fizeram com o PCC em São Paulo. Preferem abafar, tirar o assunto segurança pública do noticiário.

No Rio, o governador Sérgio Cabral (PMDB/RJ) resolveu não aceitar a chantagem dos criminosos.

O quartel-general de uma das facções criminosas que estão por trás dos ataques, tornou-se o Complexo do Alemão, um conjunto de mais de 20 comunidades que, pelo tamanho, população e características geográficas, a polícia estava deixando para pacificar depois. E foi ali, onde estão os cabeças das quadrilhas, que a operação policial resolveu ir atrás.

As forças de segurança, tanto do governo estadual como federal, montaram uma operação mobilizando mais de 20 mil homens, e usando até blindados e helicópteros das Forças Armadas.

A supremacia das forças de estado, apesar da aparência de guerra mostrado na TV, acaba protegendo vidas da população, porque desencoraja os traficantes ao confronto, uma vez que preferem a fuga... tentativa, porque quase 200 já foram presos. As baixas na bandidagem inclui apreensão de armas e drogas, e asfixia no faturamento, porque atrapalha totalmente a venda e distribuição de drogas.

Os traficantes já devem estar arrependidos de terem provocado arrastões e incêndios, e o Rio de Janeiro caminha para se livrar de um dos maiores focos de insegurança.
.

Contraponto 4069 - "Mimimimi - Ou a dor de cotovelo da Velha Mídia"

.
26/11/2010

Mimimimi - Ou a dor de cotovelo da Velha Mídia

Jornalismo chapa branca? Aderi.

Do Blog DoLaDoDeLa - 26/11/2010

Marco Aurélio Mello*


Pouca gente dispõe de duas horas, num dia de semana corrido como é para todos, para assistir, ao vivo, a uma entrevista com um presidente da República em fim de segundo mandato. Mas seis mil pessoas encontraram uma maneira de fazê-lo, na última quarta-feira, pela internet. E dezenas de milhares de outras procuraram tempo para assistir depois, gravada. Não era uma entrevista comum.

No Palácio do Planalto, pela primeira vez na história do país, Lula acomodava em poltronas nobres, um grupo que se dispõe a falar com aqueles que não se sentem compreendidos, nem alcançados pelos meios de comunicação convencionais. O fato em si foi tão importante, que na rede mundial, a repercussão foi assustadora. Pelo tweeter, a "tag" #lulablogs chegou ao topo das citações, não só no Brasil, como em todo mundo. Diante disso, os portais, as redes de rádio e as de televisão se viram obrigados a abrir espaço para um fato que se impôs, independentemente da vontade dos pauteiros e editores das redações pelo país. Tudo isso consagra, na prática, o que empiricamente nós internautas e blogueiros estamos experimentando há algum tempo: o poder de difundir informação com capilaridade, rapidez e credibilidade, portanto, influência.

A velha mídia já percebeu a força desta onda, mas faz de conta que ela ainda é uma "marolinha". Ao partir para o confronto com esses guerrilheiros, como decidiram fazer nos últimos dias, não se esqueçam das lições da Guerra do Vietnã. Vocês podem ter treinamento, arsenal e muito, muito dinheiro.

Nós, do lado de cá, no meio da selva, temos a força de um ideal e conhecemos o território da notícia como poucos. Durante a entrevista, uma frase do presidente chamou a atenção. Lula disse, não com essas palavras, que a velha mídia vê os fatos sempre pelas lentes empoeiradas dos mesmos intérpretes. E isso já experimentei na prática na Corte do Cosme Velho. Economia: fulano e sicrano, Contas Públicas: beltrano, e assim por diante. É esse distanciamento da realidade o maior inimigo deles, não nós.
Marco Aurélio Mello. Vinhedo, São Paulo, Brazil.Jornalista pela Metodista de SBC. Aluno convidado do curso de Comunicação de Massa e Sociedade Moderna da Universidade de La Crosse, Wisconsin, USA. Bolsista do 1º Curso de formação de Governantes da Fundação Escola de Governo. Desde 1987 já trabalhou em imprensa especializada, sindical, produtora de TV e TV aberta (editor do JN da Globo). Atualmente é editor especial do Jornal da Record.
.

Contraponto 4068 - "Rio: as várias faces do crime"

.
26/11/2010

Rio: as várias faces do crime

Do Direto da Redação - Publicado em 26/11/2010

Rodolpho Motta Lima*

E eis-nos às voltas com a violência no nosso querido Rio de Janeiro. Amplificados ou não por uma mídia que nem sempre faz questão de distinguir a realidade do sensacionalismo e que, por isso mesmo, às vezes acaba contribuindo para estender o alcance das intenções terroristas dos criminosos, esses acontecimentos estão a merecer um posicionamento mais efetivo das autoridades e da sociedade em geral, em diversas frentes.

A evolução da violência no Rio, culminando na perplexidade que toma conta, hoje, dos cariocas, foi muito bem descrita na coluna da Leila Cordeiro. Neste primeiro momento, parece óbvio que os cidadãos conscientes têm que apoiar as medidas repressivas ao tráfico levadas a efeito pela nossa “polícia do bem” (ainda é preciso saber distingui-la), da mesma forma que foram aplaudidas as instalações das diversas UPPs, com seus esperados desdobramentos no campo social.

Nunca é demais, contudo, enfatizar que não estamos diante de um caso policial, mas de um muito sério problema estrutural de uma sociedade adoentada, cujas origens estão na miséria e na pobreza impostas a vastas camadas do povo, aliadas a uma postura de descomprometimento e abandono com que foram sendo tratados os menos favorecidos, ao longo de muitos anos. A exclusão é a mãe do crime, tendo como cúmplice a perversa convivência do poder público com a desigualdade social.

Antes das medidas desencadeadas pelo Governo Sérgio Cabral – que, mal ou bem, romperam a cadeia de passividade diante do crime organizado no Rio e, por isso, contam com o incondicional apoio da populaçao - , o único momento em que, a rigor, tentou-se uma solução de estrutura para o problema situou-se no tempo de Leonel Brizola, ao contrário do que tentam, até hoje, veicular os seus detratores. Naquele instante, entendendo-se o problema em toda a sua complexidade social e vislumbrando-se a sua extensão futura, apontava-se a Educação como um caminho de busca da solução. Os CIEPs pretendiam ser – e creio que seriam – uma alternativa à senda criminosa, com reflexos imediatos (ao retirar os jovens do convívio direto e infelizmente sedutor com o crime, no dia a dia) e mediatos (ao preparar, pela formação, uma geração capaz de rejeitar a marginalidade pela digna inserção social).

Argumentos elitistas “constitucionais”, porém, dinamitaram o projeto de Darcy Ribeiro, alegando que não se podia gastar tanto dinheiro assim em algumas escolas públicas de tempo integral, já que não se podia fazer o mesmo com todas, ferindo, assim, o princípio “democrático” da igualdade. Mas é claro que ali se iniciava um processo que se poderia disseminar, através de políticas públicas que, aumentando as verbas para a Educação, chegassem à universalidade de procedimentos. De qualquer forma, a argumentação revelava uma preferência pelo nivelamento por baixo, que acabou prevalecendo até hoje...

Esse ponto de vista – fundado na insensibilidade e em uma certa perversidade ideológica – é usual em um segmentos privilegiados da sociedade. Nunca se manifesta claramente , mas, reduzido à sua simplicidade, no caso em questão, poderia ser sintetizado em uma pergunta retórica daqueles cujos filhos estudam nos melhores colégios : “Por que temos que pagar impostos para beneficiar essa gente com colégios caros e de qualidade exagerada?”. Acho que essa pergunta começa a ser respondida, embora à custa da tragédia...

Acredito que é preciso denunciar, também, dentro da complexidade que o assunto envolve, a responsabilidade de componentes da sociedade civil que, por ação ou omissão, alimentam o crime, fortalecem o tráfico. E aí é interessante chamar a atenção para o fato de que a mídia , o Estado, as igrejas omitem-se claramente quando se trata de enfocar com vigor os usuários das drogas, sem os quais estas não existiriam e, por consequência, o tráfico. Parece haver pouca disposição para enfrentar esse lado da questão, preferindo-se, convenientemente, ver nos usuários apenas dependentes e doentes, sem responsabilidade direta pelos seus atos. É há matizes diferentes, quando isso é abordado. O pobre drogado pelo crack aparece em múltiplas reportagens de “denúncia” , mas pouco se fala dos ricos e endinheirados, o pessoal da classe média alta, os ricos e famosos de todo gênero, que só os ingênuos desvinculam dos tóxicos. Mas todos – e os que tiveram um berço dourado mais ainda – são cúmplices do crime e respondem solidariamente pelas incêndios, balas perdidas, assassinatos, roubos e tudo mais que o ambiente do tóxico engendra.

A sociedade está doente, e o Rio de janeiro apenas reflete essa doença, que, penso, passa pela marca egocêntrica dos nossos tempos de afirmação hedônica dos prazeres do corpo, pela busca da satisfação individual a qualquer preço e risco, pela permissividade generalizada de uma família pulverizada que está perdendo o controle sobre os seus jovens (em crescente processo de alienação). Tudo isso, a meu ver, funciona como nutriente para a disseminação do uso da droga. É não se resolverá com forças policiais e armamentos pesados.

Ao lado das conjunturais ações que tentam , literalmente, apagar incêndios, as diversas instituições têm que atuar na esfera que lhes cabe, com contribuições permanentes para o esclarecimento e a conscientização dos males individuais e sociais causados pela droga. É óbvio que o vício não se extinguirá por força dessas ações, mas poderá ser minorado. O que não se pode é esquecer que a própria sociedade “honesta e trabalhadora” tem segmentos que alimentam o tráfico e sustentam o crime.

A solução paliativa imediata do problema do Rio pode vir com as ações policiais, Acredito que virá. Mas uma solução definitiva está longe de vir. Só virá com políticas de saúde de peso e com a disseminação da Educação , não apenas a que se aprende nas escolas – de que se beneficiarão os mais pobres – mas também aquela que se extrai da vida – e essa está sendo necessária para todas as camadas da sociedade.

*Rodolpho Motta Lima. Advogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ , com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasil.
.