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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Contraponto 5137 - "Fome: cresce a extrema pobreza nos EUA"


06/04/2011


Fome: cresce a extrema pobreza nos EUA

Do Blog do Miro - quarta-feira, 6 de abril de 2011

Por Altamiro Borges

Num artigo contundente publicado no jornal mexicano La Jornada, David Brooks apresenta a face cruel dos EUA pouco difundida pela mídia colonizada. Mostra que a pobreza extrema cresce em ritmo acelerado no império. Já as poderosas corporações batem recordes de lucros. No capitalismo, a crise mata de fome o trabalhador e engorda ainda mais os tubarões.

“Aqui milhões padecem de fome. Não estamos falando do Haiti, nem de países africanos, nem asiáticos, nem das ‘favelas’ sul-americanas, e sim do extraordinário fato de que no país mais rico do mundo, milhões sofrem do que se chama insegurança alimentar, o que o cristianismo traduz como: não saber de onde virá a próxima comida”, afirma, indignado, David Brooks logo na abertura do seu artigo.

16 milhões de menores na miséria

“Nos EUA é permitido – sem transformar em escândalo nacional – que as crianças não tenham o suficiente para comer. O programa nacional de televisão da CBS News, ‘60 minutos’, mostrou recentemente as faces e as histórias de famílias de sem-teto, cujos filhos falavam o que sentem quando não comem o suficiente. Mais de 16 milhões de menores de idade vivem na pobreza – dois milhões mais que antes da crise econômica que explodiu em 2007”.

Um das crianças entrevistadas na Flórida explicou o que se sente quando tem fome. “É difícil. Não dá para dormir. Dorme-se por cinco minutos e desperta novamente. Dói o estômago. É porque não tem alimento nele”. Muitas famílias contaram à CBS que jamais imaginaram ficar sem casa ou sem alimento suficiente para seus filhos, já que gozavam de uma vida de classe média. “Com a crise, tudo acabou”, aponta o jornalista do La Jornada.

Milhares alojados em motéis

Parte da reportagem da CBS foi feita na mesma zona conhecida como o lugar mais feliz do mundo – nos condados em volta da Disney World, em Orlando, Flórida. A CBS detectou ali 67 motéis que alojam mais de 500 crianças sem-teto. Em volta das escolas do condado de Seminole, mil estudantes perderam recentemente suas casas. “O governo aloja milhares de famílias de sem-teto em motéis por todo o país durante um período”.

Segundo recente estudo da Feeding, a maior organização do país dedicada à assistência das famílias carentes, mais de um a cada seis estadunidenses (16,6% da população) sofreu de insegurança alimentar em algum momento de 2009. A entidade hoje presta serviços de apoio para 37 milhões de estadunidenses, entre eles 14 milhões de crianças, um aumento de 46% na comparação com 2006.

“A fome está por todas as partes”

“Até na capital do país mais poderoso do mundo há cada vez mais fome. Na zona metropolitana de Washington, mais de 400 mil residentes sofreram períodos de fome durante a recessão”, relata Brooks. Outras partes do país, em zonas ricas ou marginalizadas, também registraram cifras crescentes de fome, segundo recente relatório da Feeding.

“A maioria ficaria surpresa ao saber das dimensões da fome em suas comunidades. As pessoas tendem a pensar que a fome ocorre em algum outro lugar, mas não no seu quintal. Mas o informe mostra que a fome está por todas as partes de nossa nação agora mesmo”, comentou Vicki Escarra, diretora da Feeding América, ao jornal Washington Post.

Obama ainda corta gastos sociais

Diante da gravidade da situação, qual é a resposta do governo? Barack Obama propõe reduzir a assistência alimentar aos necessitados, promover mais cortes no gasto social e reduzir os impostos dos milionários. Para Brooks, esta conduta, que nega os compromissos de campanha do “democrata”, tem elevado o tom das críticas ao seu governo.

Mark Bittman, crítico de gastronomia do jornal New York Time, anunciou que se somaria ao jejum de uma semana com quatro mil pessoas por todo o país, com o propósito de chamar a atenção da opinião pública sobre as propostas de redução drástica dos programas de assistência aos pobres. “Os cortes para supostamente reduzir o déficit farão com que mais pessoas morram de fome e vivam miseravelmente”, explicou.

“A fome não é prioridade nos EUA”

A revolta aumenta quando se observa a opulência dos ricaços e o aumento dos lucros das corporações empresariais em plena crise. Em 2010, os lucros empresariais cresceram a taxas mais aceleradas desde 1950, enquanto houve um recorde no número de pessoas que dependem da assistência federal para comer. Como já apontou o cineasta Michel Moore, os 400 estadunidenses mais ricos têm mais riqueza que a metade dos lares do país, enquanto 45% dos estadunidenses gastam um terço de sua renda em alimentos e uma a cada quatro crianças dorme com fome no país.

O aumento dos protestos nos EUA parece, no entanto, não incomodar a elite e seu governo de plantão. “A fome não está entre as prioridades das cúpulas políticas e econômicas deste país. Aparentemente, a segurança alimentar não é assunto considerado de segurança nacional”, conclui David Brooks.
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Contraponto 4426 - A multiplicação dos pobres nos EUA: já são 47,8 milhões

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13/01/2011

A multiplicação dos pobres nos EUA: já são 47,8 milhões

Do Vermelho - 13/01/2011

Definitivamente, o badalado modo de vida americano (American way of life), embora ainda atraia imigrantes desesperados e imprudentes, já não é o mesmo. A pobreza avança, acompanhando a decadência de Tio Sam, alavancada pela crise e a escandalosa concentração de renda. Já atinge 47,8 milhões de pessoas, segundo números preliminares do censo de 2009, que adota novos critérios para o cálculo da pobreza.

Proporcionalmente, o número de pobres nos EUA é comparável ao do Brasil: um em cada seis habitantes; e é maior que o da China, onde há um pobre em cada nove habitantes. No Brasil, o número foi estimado em 30 milhões de pobres no ano passado; na China, onde existem 150 milhões de pobres numa população de 1,3 bilhões de pessoas, a pobreza – proporcionalmente – é menor: lá um em cada nove chineses são pobres.É preciso ressalvar que os critérios de pobreza nos três países não são semelhantes.

Idosos

Muitos pobres norte-americanos são idosos, com idade acima de 65 anos. Vivem na pobreza devido à alta dos custos médicos e de outros serviços que não são prestados pelo Estado. Nos EUA, os créditos fiscais, subsídios de alimentos e outros programas do governo ajudaram a garantir que a taxa de pobreza não aumentasse ainda mais durante a recessão de 2009, o primeiro ano de mandato do presidente Barack Obama.

Sob a nova fórmula de cálculo adotada no censo, a pobreza total em 2009 era de 15,7%, equivalendo a 47,8 milhões de pessoas. A fórmula revelou que a pobreza cresceu de forma mais intensa entre os estadunidenses maiores de 65 anos, em todos os grupos demográficos. Aumentou também entre os adultos em idade produtiva, de 18 a 64 anos de idade, bem como entre os hispânicos e os brancos. As crianças, mesmo negras, e os casais não casados mostraram menor probabilidade de pobreza, segundo a nova medição.

Devido a novos ajustes às variações geográficas do custo de vida, as regiões oeste e noroeste mostraram a maior proporção de pobres: quase um em cada cinco pessoas no oeste. A nova forma de medir não substitui a taxa oficial de pobreza, mas será publicada ao lado das tabelas tradicionais, como um "complemento" que as agências federais e estaduais poderão usar para definir suas políticas de combate à pobreza.

Os economistas há muito tempo criticam a forma oficial tradicional de medir a pobreza porque só inclui as rendas pagas antes do pagamento de impostos e não levam em conta os gastos médicos, de transporte e com o trabalho.

Crescente polarização social

O desenvolvimento do capitalismo americano ao longo das últimas décadas foi marcado pela crescente concentração da renda e polarização social. As políticas neoliberais introduzidas por Ronald Reagan no início dos anos 1980 exacerbaram o problema. O salário mínimo acumula perda 9,3% desde então. Os salários em geral não acompanharam os preços e valem hoje, em termos reais, menos do que nos anos 1970, malgrado todo o avanço da produtividade do trabalho observada desde então. O salário/hora médio se mantém praticamente no mesmo valor real desde 1964 (ao redor de 18 dólares).

Alguns economistas estimam em cerca de 30 milhões o número de trabalhadores desempregados e subempregados no país. O número oficial fica em torno de 15 milhões (o que não é pouco), mas só compreende o chamado desemprego direto, excluindo os desocupados por desalento (que não mais procuram emprego e são excluídos da população ativa) e a multidão de precarizados a viver de bicos.

Privilégios tributários

Cerca de 3,5 milhões de pessoas nos EUA, um terço das quais são crianças, não tem moradia fixa em algum momento do ano. Nada menos que 50 milhões não têm plano de saúde. O país, é preciso esclarecer, não conta com serviço público de saúde. 49 milhões de pessoas vivem em casas onde só há comida porque recebem vales-alimentação ou frequentam dispensas de comida ou restaurantes populares para obter ajuda.

Na mesma medida em que crescia a pobreza na base da sociedade, no andar de cima as coisas caminharam no sentido inverso. Isentos de impostos, os ricos ficaram ainda mais ricos. No topo, 0,01% da população ganha 976 vezes mais do que 90% dos americanos. Metade dos americanos detém somente 2,5% da riqueza nacional. O 1% mais rico, 33,8% (Institute for Policy Studies). Em 1962, esta faixa de privilegiados detinha 125 vezes mais riqueza que a família americana média. Hoje a razão é de 190 vezes.

O 1% mais rico viu sua riqueza dobrar desde 1979. Os 90% mais pobres amargaram uma diminuição da riqueza. Sua carga tributária (reduzida de forma escandalosa por George Bush) era de mais de 60% em 1968, hoje é de menos de 40%. Obama prometeu alterar o quadro, mas não teve coragem ou força suficiente e manteve as benesses tributárias concedidas pelos republicanos.

Produto da acumulação capitalista

Que os ricos gozam de incontáveis privilégios na terra de Tio Sam ficou também comprovado nas intervenções que o Estado fez na economia para contornar a crise, derramando trilhões de dólares para resgatar banqueiros e grandes capitalistas da falência e abandonando os trabalhadores à própria sorte e ao rigor cínico e implacável dos bancos na execução da dívida hipotecária. Não há o menor sinal de que a situação tende a melhor para a classe trabalhadora no país.

A realidade dos EUA não é mais nem menos que o produto perverso da acumulação capitalista (liberta pelo neoliberalismo das amarras do chamado Estado intervencionista), que reproduz em escala ampliada a desigualdade, aumentando a concentração da renda e a polarização social. Os apologistas do império, que apresentam a decadente potência capitalista como a maior democracia de todos os tempos e terra de grandes oportunidades para quem nela queira se aventurar, certamente não têm o que falar sobre os indicadores que sinalizam o “milagre” da multiplicação dos pobres no interior do país mais rico e poderoso do mundo

Da redação, Umberto Martins e José Carlos Ruy, com agências
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sábado, 27 de novembro de 2010

Contraponto 4076 - "Enquanto no Brasil fome diminuiu, nos EUA subiu"

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27/11/2010


Enquanto no Brasil fome diminuiu, nos EUA subiu


Blog do Favre - 27/11/2010

Parcela de lares americanos com insegurança alimentar é metade do patamar registrado aqui


Cássia Almeida e Clarice Spitz – O GLOBO

● Apesar de ainda ter 11,2 milhões de pessoas em insegurança alimentar grave, a situação do Brasil melhorou nos últimos cinco anos. O mesmo não aconteceu nos Estados Unidos. Lá, pesquisa similar indicou que a parcela de lares com insegurança alimentar grave ou moderada subiu de 3,9% em 2004 para 5,7% em 2008. No Brasil, essa proporção caiu de 16,9% para 11,5%:

— A crise global que começou lá fez aumentar o desemprego e a vulnerabilidade das famílias. Em 2009, a situação deve ter ficado ainda pior — afirmou Rômulo Paes Sousa, secretário-executivo do Ministério de Desenvolvimento Social.

Para chegar aos números do Brasil, o IBGE usou a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia) que classifica os domicílios pelo grau de segurança alimentar, ou seja, se havia uma situação de conforto ou de risco de ficar sem comer naquele lar.

A escala prevê quatro categorias. A segurança alimentar indica que as famílias tiveram acesso regular e permanente a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente. Já a insegurança alimentar pode ser leve, moderada e grave. Ela é leve quando há preocupação ou incerteza quanto ao acesso aos alimentos e a qualidade é considerada inadequada. A insegurança alimentar moderada ocorre quando há redução quantitativa de alimentos entre adultos. Já a insegurança alimentar grave é constatada com a redução quantitativa de alimentos também entre crianças e há fome.

A escala brasileira é adaptada da produzida pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos nos anos 1990. É preciso que a pessoa tenha respondido sim a pelo menos dez perguntas, de um total de 14, nos lares em que há crianças, para ser considerada uma situação de insegurança alimentar grave.

Postado por Luis Favre
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Contraponto 261 - O México e a pobreza


14/09/2009


México esgota petróleo sem resolver a pobreza

Pátria Latina. Segunda , 14 de Setembro de 2009 às 10:51


México (Prensa Latina) O petróleo no México está a ponto de acabar sem ter contribuído para melhorar a economia do país, advertiu hoje a imprensa ao destacar que se trata da principal entrada de divisas nos últimos 30 anos.

A infra-estrutura de Petróleos Mexicanos (PEMEX) é obsoleta e apresenta um atraso de até 20 anos com respeito a outros produtores.

Administração deficiente, mau planejamento, excessiva corrupção, além de custosas pré-vendas para o sindicato petroleiro, são as causas da débâcle petroleira, pela qual especialistas têm comentado a necessidade de repensar os empregos do futuro, sem enfocá-los a esta indústria.

Segundo o El Universal, a paraestatal entregou informação aos Estados Unidos que indicava que há petróleo disponível comercialmente só para pouco mais de sete anos.

A geração de riqueza produzida pelo boom petroleiro pode ser lida como a história de dilapidação que deixou o México à beira de ficar sem reservas, sentenciou o rotativo.

Outras das razões que levaram a tal estado de depauperação do setor são o corporativismo sindical, bem como reduzidos níveis de investimento. Finalmente o florescimento da indústria do ouro negro não tirou o México da miséria, como alguns previram.

A situação indica que, sem descobertas importantes no que resta da presente administração, para meados do quarto ano dos próximos seis anos presidenciais no México poderiam acabar as reservas nas jazidas conhecidas.

Até a data, as reservas comprovadas, de onde é extraída a produção diária e os excedentes para exportar, reduziram 58% nos últimos 10 anos, comentaram.

Com tudo isso, o comércio exterior oscila, advertem especialistas, pois o petróleo continua sendo ainda assim a principal fonte de divisas da nação.
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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Contraponto 55 - Marolinha mesmo (2)

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Na crise, 503 mil brasileiros saíram da pobreza

Pedro Peduzzi Repórter da Agência Brasil

Elza Fiúza/ABr
Brasília - O presidente do Ipea, Márcio Pochmann,
divulga o estudo Desigualdade e Pobreza no Brasil
Metropolitano Durante a Crise Internacional:
Primeiros Resultados

Brasília - O presidente do Ipea, Márcio Pochmann, divulga o estudo Desigualdade e Pobreza no Brasil Metropolitano Durante a Crise Internacional: Primeiros Resultados
Brasília - O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) calculou que, apesar dos efeitos nocivos da crise mundial iniciada há um ano, 503 mil pessoas deixaram a condição de pobreza nas seis principais regiões metropolitanas do país. O levantamento do Ipea comparou o número de pobres existentes, no Brasil, antes e durante a crise financeira internacional.

“De 2002 para cá, temos 4 milhões de pessoas a menos vivendo em condições de pobreza no conjunto dessas seis regiões. Na comparação do período atual com o período anterior à crise, verificamos que 503 mil pessoas saíram da pobreza”, disse o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, no lançamento do estudo Desigualdade e Pobreza no Brasil Metropolitano Durante a Crise Internacional: Primeiros Resultados.

O estudo abrange as regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, do Rio de Janeiro, de São Paulo e Porto Alegre. Segundo Pochmann, parte da redução se deve às políticas nacionais que visaram proteger a base da pirâmide social.

“Houve uma série de decisões que ajudaram a criar uma rede de proteção social àqueles segmentos mais vulneráveis da população brasileira”, afirmou o presidente do Ipea. “Entre elas, houve a elevação do salário mínimo e a ampliação do programa Bolsa Família, que impediram que o Brasil aumentasse a pobreza, como havíamos observado em outros momentos de crise”, completou.

O estudo comparou o número de pobres entre outubro de 2007 e junho de 2008 com o do período entre outubro de 2008 e junho de 2009. Das 503 mil pessoas que saíram da condição de pobreza – cuja renda per capita da família é de meio salário mínimo –, quase 63% localizavam-se na região metropolitana de São Paulo.
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