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domingo, 19 de dezembro de 2010

Contraponto 4256 - "IPEA faz a radiografia do Brasil"

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19/12/2010
IPEA faz a radiografia do Brasil

Blog do Emir - Domingo, 19 de Dezembro de 2010

Emir Sader*

Saímos da ditadura sem consciência plena do tamanho da crise, do esgotamento do modelo dominante que trazia no seu bojo o fim da ditadura e a retomada da democracia. Pagamos um preço caro por acreditar que a democracia politica resolveria os problemas acumulados pelo Brasil, quando se tratava do esgotamento do longo ciclo expansivo iniciado 5 décadas antes e que tinha transformado radicalmente o país.

Desde então o Brasil viveu novos ciclos de transformações – regressivas e progressivas -, de forma concentrada, como nunca tínhamos vivido na nossa história. Em uma década se desmontou o papel regulador do Estado, se privatizou grande parte do patrimônio público, se fragmentaram as relações sociais, se promoveu o mercado como eixo da economia e da sociabilidade.

Terminamos agora uma década de recuperação desses retrocessos, em que o Estado recuperou sua capacidade de regulação, de indução do crescimento econômico e de garantia dos direitos sociais. O mercado interno de consumo popular passou a ter um papel essencial no desenvolvimento do país. O principal problema acumulado pelo Brasil – a desigualdade social – foi atacado e, pela primeira vez, a injustiça diminuiu e se passou a governar para todos.

Mas todas essas transformações aceleradas foram implementadas sem a consciência correspondente de onde andava o país, como está sua estrutura social, que país temos ao final de tantas transformações.

O IPEA, sob a direção de Marcio Pochmann, mudou a agenda de debates no Brasil, permitindo que fossemos nos reapropriando das condições reais em que vive o país. Uma pauta que tinha sido hegemonizada pelos parâmetros do Consenso de Washington, do pensamento único, do Estado mínimo, da centralidade do mercado – correspondentes às politicas do governo FHC – que tiveram uma extensa influencia na intelectualidade, multiplicada pelo monopólio privado dos meios de comunicação.

Em pouco tempo o IPEA renovou radicalmente os parâmetros de pensamento sobre o Brasil, os critérios de avaliação das politicas publicas, as projeções economias e sociais, recolocou os termos do debate sobre o país. Nunca tínhamos contado com um acervo tão amplo, competente e atualizado de materiais sobre o Brasil.

Acaba de sair um novo pacote de materiais, que constitui no mais amplo conjunto de analises com que podemos contar para conhecer ao Brasil realmente existente. Para que se possa socializar a informação sobre esses materiais fundamentais, segue uma lista dos títulos que o IPEA acaba de colocar à disposição de todos os querem conhecer o Brasil no final da primeira década do século XXI (que podem ser encontrados em www.ipea.gov.br):

- Desafios ao Desenvolvimento Brasileiro: contribuições do conselho de orientação do IPEA

- Trajetórias Recentes de Desenvolvimento: estudos de experiências internacionais selecionadas

- Inserção Internacional Brasileira Soberana

- Macroeconomia para o Desenvolvimento

- Estrutura produtiva e Tecnológica Avançada e Regionalmente Integrada

-Infraestrutura Econômica e Social

- Sustentabilidade Ambiental

- Proteção Social, Garantia de Direitos e Geração de Oportunidades

- Fortalecimento do Estado, das Instituições e da Democracia

- Perspectivas do Desenvolvimento Brasileiro


*Emir Sader. Socióologo e cientista político às 10:55
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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Contraponto 2741 - Ipea: erradicação da miséria em 2016


14/07/2010
Ipea: erradicação da miséria em 2016

Enviado por luisnassif, ter, 13/07/2010 - 17:39

Da Agência Brasil

Apesar das desigualdades regionais, Brasil pode acabar com a miséria em 2016, diz Ipea

Carolina Gonçalves
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro- Até 2016, o Brasil pode superar a miséria e diminuir a taxa nacional de pobreza absoluta (rendimento médio domiciliarper capita de até meio salário mínimo por mês), segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre pobreza e miséria. O levantamento apresentado hoje (13) no Rio de Janeiro alerta que, para atingir esse ideal, o país precisa equilibrar a desigualdade que existe entre os estados em relação às taxas de redução da pobreza.

Segundo o levantamento baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), entre 1995 e 2008 saíram da condição de pobreza absoluta 12,8 milhões de pessoas enquanto 13,1 milhões superaram a condição de pobreza extrema (rendimento médio domiciliar per capita de até um quarto de salário mínimo mensal).

O desafio, segundo o Ipea, é fazer com que os estados apresentem ritmos diferenciados de redução da miséria, justamente por apresentarem níveis diferentes de distribuição de renda e de riqueza. Entre 1995 e 2008, as taxas de pobreza extrema entre as unidades da federação foram bem desiguais. Em 1995, Maranhão (53,1%), Piauí (46,8%) e Ceará (43,7%) eram os estados com maior proporção de miseráveis em relação à população. Treze anos depois, Alagoas assumiu o topo do ranking, com a taxa de pobreza extrema de 32,3%. Na outra ponta da lista, Santa Catariana (2,8%), São Paulo (4,6%) e Paraná (5,7%) apresentaram os melhores resultados.

Em relação à pobreza absoluta, entre os estados que tiveram os melhores resultado nesse período estão Santa Catarina, que reduziu a taxa em 61% no período de 13 anos, Paraná (52,2%) e Goiás (47,3%). Já o Amapá (12%), o Distrito Federal (18,2%) e Alagoas (18,3%) tiveram as menores taxas de redução do universo de pessoas nessas condições.

Edição: Vinicius Doria
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Contraponto 1162 - "Podemos vencer a pobreza extrema até 2016"

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15/01/2010
Podemos vencer a pobreza extrema até 2016

Zé Dirceu - publicado em 14-Jan-2010

A excelente notícia está nas páginas do estudo do IPEA...

Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr
Márcio Pochmann

A excelente notícia está nas páginas do estudo "Pobreza, desigualdade e políticas públicas", do IPEA, apresentado na Capital paulista nesta semana: estamos diante da oportunidade histórica de erradicar do nosso país a pobreza extrema até 2016.

O documento do IPEA aponta que no Brasil, entre 2003 a 2008, a pobreza extrema (de até ¼ de salário mínimo per capita) teve uma queda média anual de 2,1%; já a redução da pobreza absoluta (até meio salário mínimo per capita) foi de 3,1%. Projetando o desempenho desse período, nosso país chegaria em 2016, ano das Olimpíadas no Rio, com índices quanto à pobreza próximos ao de países desenvolvidos. "Se em 2008 a taxa de pobreza absoluta era de 28,8%, em 2016 pode chegar a 4%. Da mesma forma, a pobreza extrema pode ser reduzida a 0%", afirma Márcio Pochmann, presidente do Instituto.

A estimativa também prevê um índice Gini de 0,48 em seis anos para o Brasil. Hoje, estamos em 0,54. O índice mundial é uma das principais medidas da desigualdade de renda - quanto mais próximo de 1, mais desigual é o país. Em 2016, o Gini brasileiro poderá se aproximar, por exemplo, dos EUA (0,46). De acordo com Pochmann, o país "precisa de mais políticas de redistribuição de renda, não só de distribuição", de uma gestão mais ampla na área social e um trabalho com metas na área social.

Já quanto aos gastos públicos, avalia o presidente do IPEA, que a redução na pobreza é reflexo da evolução dos gastos sociais nas três esferas públicas. Em 1985, esses gastos correspondiam a 13,3% do PIB. Em 2005, chegou-se a 21,9%. Outro fator é a descentralização desses gastos, que chegam cada vez mais às esferas estadual e municipal.
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Contraponto 540 - Reforma Agrária é estratégica para desenvolvimento


23/10/2009
Pochmann: Reforma Agrária é estratégica para desenvolvimento

Portal Vermelho 22 de Outubro de 2009 - 16h15

Em tempos de ataques da mídia e dos setores mais conservadores do parlamento ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o presidente do Ipea, Márcio Pochmann, afirma que repartir a propriedade da terra assumiu valor de soberania nacional e defesa do meio ambiente.

Nonato de Vasconcelos (AGU)
O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, defendeu a reforma agrária como elemento central na configuração de um novo padrão econômico de soberania nacional. O economista participou do seminário Incra 40 anos: Reforma Agrária, Direito e Justiça, na última sexta-feira (16), em Recife (PE).

Ele afirmou que o programa de reforma agrária é um antídoto contra a desnacionalização da propriedade da terra no Brasil, que está ameaçada pela imposição econômica das grandes corporações multinacionais, que, segundo ele, governam a economia no mundo.



Pochmann explicou que o faturamento dos 500 maiores grupos econômicos representa metade de tudo o que é produzido no planeta, sob hegemonia do poder privado. “Nós estamos em um contexto onde não há mais países que tem empresas, mas empresas que tem países. As 50 maiores corporações do mundo têm um faturamento que equivale ao PIB [Produto Interno Bruto] de 120 países”, apontou.

Em relação ao capital estrangeiro atuando sobre o poder político, o presidente do Ipea exemplificou: “é um contexto parecido com aquela pequena cidade de cinco mil habitantes que, de repente, vê lá instalada uma siderurgia, que contrata mais de três mil pessoas e até viabiliza o orçamento da prefeitura, mas ao fim e ao cabo vamos questionar se quem manda na cidade é mesmo o prefeito democraticamente eleito ou o presidente da siderurgia”.

Soberania e meio ambiente

Para Pochmann, a mudança na estrutura fundiária é fundamental para o projeto de soberania nacional, porque é uma decisão sobre o poder econômico das corporações no país. Ele denunciou um processo de internacionalização da propriedade da terra no Brasil, que ganha corpo no cenário de crescente escassez de terras férteis, água doce e minerais.

Além disso, Pochmann avaliou a reforma agrária como estratégica para a defesa do meio ambiente. “A reforma agrária ganha outra dimensão, que é a defesa da sustentabilidade do planeta. A produção definida exclusivamente pelo poder econômico será cada vez mais insustentável. Portanto, a alteração fundiária ganha dimensões adicionais, não apenas o princípio da justiça, econômico e da política, mas, sobretudo, da estratégia de soberania de uma nação e da sustentabilidade ambiental”, destacou.

Ainda segundo Pochmann, que também é professor de economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a história do Brasil foi marcada pelas sociedades agrária e urbano-industrial até o fim do século passado sem que fosse alterada sua estrutura agrária. Ele condenou o processo de concentração de terras e afirmou ser preciso reocupar o campo. “A reforma agrária está no contexto de um novo padrão econômico que defendemos para o país. O campo sofreu uma trajetória de esvaziamento que aumentou a pobreza e a exclusão nas cidades”, finalizou.

Da redação, com assessoria de imprensa

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Contraponto 473 - "Em defesa do serviço público"


14/10/2009

Em defesa do serviço público

Tijolaço - terça-feira, 13 outubro, 2009 às 21:38

Outro dia publiquei aqui um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostrando que o Brasiil tinha um número de servidores públicos muito menor que o da maioria dos paises, fossem os desenvolvidos, fossem os em desenvolvimento.
Hoje, O Globo publica matéria de página inteira, usando dados levantados pelo deputado tucano Arnaldo Madeira, onde se procura induzir o leitor a ver um inchaço no serviço público, A manipulação dos números é vergonhosa.

Primeiro, porque o número líquido de contratações -57 mil - tem mais da metade dele -29 mil - na área de educação, e basicamente a educação superior, onde foram criadas 12 novas universidades públicas e abertas dezenas de milhares de vagas. Funcionários para a área de saúde e agentes da previdência social, por exemplo, não parecem ser contratações supérfluas, mas em áreas onde o atendimento é péssimo, e a falta de pessoal é a maior razão disso.


Logo abaixo da manchete, o matéria diz que o governo abriu “26,1 mil(vagas) só este ano”,dando a isso uma conotação eleitoreira. Ora, além de serem vagas por concurso, não contratações políticas, a média está exatamente no que o próprio jornal informa. De janeiro de 2003 a 2009 foram 160,1 mil vagas. Ou seja, absolutamente coerente com a média anual destes últimos anos.
Eu acho que, aliás, o governo está aquem do que seria necessário recompor e até ampliar o quadro de servidores. O que se faz é assustar com números que, num país como o Brasil, são necessáriamente grandes. Não há nada de anormal numa taxasde crescimento do número de servidores de 1,77% ao ano, se considerarmos que a população cresce mais depressa que isso e nosso serviço público ainda é deficiente.
Ou o que querem é uma política de sucateamento do serviço público, sem pessoal e remuneração que o façam funcionar minimamente bem?
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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Contraponto 55 - Marolinha mesmo (2)

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Na crise, 503 mil brasileiros saíram da pobreza

Pedro Peduzzi Repórter da Agência Brasil

Elza Fiúza/ABr
Brasília - O presidente do Ipea, Márcio Pochmann,
divulga o estudo Desigualdade e Pobreza no Brasil
Metropolitano Durante a Crise Internacional:
Primeiros Resultados

Brasília - O presidente do Ipea, Márcio Pochmann, divulga o estudo Desigualdade e Pobreza no Brasil Metropolitano Durante a Crise Internacional: Primeiros Resultados
Brasília - O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) calculou que, apesar dos efeitos nocivos da crise mundial iniciada há um ano, 503 mil pessoas deixaram a condição de pobreza nas seis principais regiões metropolitanas do país. O levantamento do Ipea comparou o número de pobres existentes, no Brasil, antes e durante a crise financeira internacional.

“De 2002 para cá, temos 4 milhões de pessoas a menos vivendo em condições de pobreza no conjunto dessas seis regiões. Na comparação do período atual com o período anterior à crise, verificamos que 503 mil pessoas saíram da pobreza”, disse o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, no lançamento do estudo Desigualdade e Pobreza no Brasil Metropolitano Durante a Crise Internacional: Primeiros Resultados.

O estudo abrange as regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, do Rio de Janeiro, de São Paulo e Porto Alegre. Segundo Pochmann, parte da redução se deve às políticas nacionais que visaram proteger a base da pirâmide social.

“Houve uma série de decisões que ajudaram a criar uma rede de proteção social àqueles segmentos mais vulneráveis da população brasileira”, afirmou o presidente do Ipea. “Entre elas, houve a elevação do salário mínimo e a ampliação do programa Bolsa Família, que impediram que o Brasil aumentasse a pobreza, como havíamos observado em outros momentos de crise”, completou.

O estudo comparou o número de pobres entre outubro de 2007 e junho de 2008 com o do período entre outubro de 2008 e junho de 2009. Das 503 mil pessoas que saíram da condição de pobreza – cuja renda per capita da família é de meio salário mínimo –, quase 63% localizavam-se na região metropolitana de São Paulo.
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