segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Contraponto 6113 - "O fim do neoliberalismo, sem autocrítica"

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Por JB Costa

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2908201109.htm

LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA

O mal-estar dos nossos dias

Os anos neoliberais do capitalismo terminaram com a crise financeira de 2008, que os desmoralizou

VIVEMOS UM tempo de crise, um tempo de mal-estar. A selvagem revolta no Reino Unido mostrou com clareza; foi uma reedição agravada das revoltas da França de 2005.

Essas, como as manifestações mais moderadas e mais objetivas na Grécia, na Espanha, e na própria Inglaterra contra as políticas de austeridade impostas pelos credores ou então autoimpostas pelo próprio governo conservador, demonstram que não vivemos dias felizes.


A miséria material continua a identificar países pobres e explorados da periferia, mas a miséria humana, a sensação de insegurança e falta de perspectivas e a frustração generalizada estão em toda parte. Especialmente no mundo rico.

Os EUA, que no pós-guerra eram uma sociedade coesa e vigorosa, hoje são uma sociedade dividida e desorientada. Na Europa a crise provocada pelo euro sugere para todos a estagnação senão a decadência econômica.

Como explicar o que está acontecendo? É o capitalismo que fracassou, é o Estado social que foi destruído, como afirma um crítico tão radical como brilhante como é Slavoj Zizek? Não aceito esse tipo de diagnóstico.

Os 30 anos neoliberais do capitalismo foram um tempo de retrocesso social e político, de aumento brutal das desigualdades e da instabilidade financeira e de diminuição das taxas de crescimento econômico. Mas o Estado social europeu sobreviveu porque foi defendido em eleições democráticas.

Foi então porque o mundo moderno perdeu seus parâmetros morais, como pretendem os conservadores? Não vale a pena perder tempo com esse tipo de não-explicação. As revoltas nem sempre são racionais, e muitas vezes não são sequer razoáveis, mas são sempre morais.

Mostram sempre indignação moral contra a injustiça, o privilégio e a corrupção dos ricos. Os revoltosos de Londres agiram em alguns momentos como criminosos, mas não subestimemos sua indignação.

Houve, sim, decadência moral no nosso tempo. Mas a perda de parâmetros morais decorreu da aliança contraditória e malsã do conservadorismo com o neoliberalismo - com uma ideologia ferozmente individualista, que nega de forma militante solidariedade e interesse público.

Os progressistas não têm o monopólio da moral, já que os conservadores foram sempre guardiões da moralidade, embora a confundindo com a ordem estabelecida. O conservador apenas não estava disposto, como estão o progressista e o revolucionário, a arriscar a ordem em nome da justiça social.

Quando, entretanto, nos 30 anos neoliberais, o conservadorismo foi capturado pelo neoliberalismo, tornou-se uma fonte de desorganização social e de retrocesso moral.

O mal-estar do nosso tempo só será superado quando o mundo rico redescobrir o futuro. Mas essa redescoberta só pode ser feita quando fizer a crítica ao neoliberalismo.

Os anos neoliberais do capitalismo terminaram com a crise financeira de 2008, que os desmoralizou, como desmoralizou a teoria econômica neoclássica que os justificava.

Mas nem as elites conservadoras nem os intelectuais progressistas foram capazes de fazer a crítica necessária do que aconteceu. Nem de reafirmar sua confiança na ideia do progresso ou do desenvolvimento.

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Contraponto 6112 - "De céticos a cínicos"

29/08/2011

De céticos a cínicos

Do Blog do Emir - 29/08/2011

Emir Sader*

O ceticismo parece um bom refúgio em tempos em que já se decretou o fim das utopias, o fim do socialismo, até mesmo o fim da história. É mais cômodo dizer que não se acredita em nada, que tudo é igual, que nada vale a pena. O socialismo teria dado em tiranias, a política em corrupção, os ideais em interesses. A natureza humana seria essencialmente ruim: egoísta, violenta, propensa à corrupção.


Nesse cenário, só restaria não acreditar em nada, para o que é indispensável desqualificar tudo, aderir ao cambalache: nada é melhor, tudo é igual. Exercer o ceticismo significa tratar de afirmar que nenhuma alternativa é possível, nenhuma tem credibilidade. Umas são péssimas, outras impossíveis. Alguns órgãos, como já foi dito, são máquinas de destruir reputações. Porque se alguém é respeitável, se alguma alternativa demonstra que pode conquistar apoios e protagonizar processos de melhoria efetiva da realidade, o ceticismo não se justificaria.

Na realidade o ceticismo se revela, rapidamente, na realidade, ser um cinismo, em que tanto faz como tanto fez, uma justificativa para a inércia, para deixar que tudo continue como está. Ainda mais que o ceticismo-cinismo está a serviço dos poderes dominantes, que costumam empregar esses otavinhos, dando-lhes espaço e emprego.

Seu discurso é que o mundo está cada vez pior , à beira da catástrofe ecológica, tudo desmorona e outros cataclismos. Concitam a essa visão pessimista, ao ceticismo e a somar-se à inercia, que permite que os poderosos sigam dominando, os exploradores sigam explorando, os enganadores – como eles – sigam enganando.

Por mais que digam que tudo está pior, que o século passado foi um horror – como se o mundo estivesse melhor no século XIX -, que nada vale a pena, não podem analisar a realidade em concreto. Para não ir mais longe, basta tomar a América Latina – tema sobre o qual a ignorância dessa gente é especialmente acentuada. Impossível não considerar que o século XX foi o mais importante da sua história, o primeira em que a região começou a ser protagonista da sua historia. De economias agro exportadoras, se avançou para economias industrializadas em vários países, para a urbanização , para a construção de sistemas públicos de educação e de saúde, para o desenvolvimento do movimento operário e dos direitos dos trabalhadores.

Mas bastaria concentrar-nos no período recente, no mundo atual, para nos darmos conta de que as sociedades latino-americanas – o continente mais desigual do mundo – ou pelo menos a maioria delas, avançaram muito na superação das desigualdades e da miséria. Ainda mais em contraste com os países do centro do capitalismo, referência central para os cético-cínicos, que giram em falso em torno de políticas que a América Latina já superou.

As populações da Venezuela, da Bolívia, do Equador, estão vivendo muito melhor do que antes dos governos de Hugo Chavez, de Evo Morales e de Rafael Correa. A Argentina dos Kirdhcner esta’ muito melhor do que com Menem. O Brasil de Lula e de Dilma esta’ muito melhor do que com FHC.(Grifo do ContrapontoPIG)

Mas o ceticismo-cinismo desconhece a realidade concreta, não conhece a história. É pura ideologia, estado de ânimo, que dá cobertura aos poderosos, lado que escolheram, ao optar por deixar o mundo como ele está. Trata de passar sentimentos de angustia diante dos problemas do mundo, mas é apenas uma isca para fazer passar melhor seu compromisso com que o mundo não mude, continue igual. Até porque a vida está bem boa para eles que comem da mão dos ricos e poderosos.

Ser otimista não é desconsiderar os graves problemas de toda ordem que o mundo vive, não porque a natureza humana seja ruim por essência, mas porque vivemos em um sistema centrado no lucro e não nas necessidades humanas – o capitalismo, na sua era neoliberal. Desconhecer as raízes históricas dos problemas, não compreender que é um sistema construído historicamente e que, portanto, pode ser desconstruído, que teve começo, tem meio e pode ter fim. Que a história humana é sempre um processo aberto de alternativas e que triunfam as alternativas que conseguem superar esse ceticismo-cinismo que joga água no moinho de deixar tudo como está, pela ação consciente, organizada, solidária dos homens e mulheres concretamente existentes.


*Emir Sader. Sociólogo e cientista político

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Contraponto 6111 - "Racistas controlam a revista Veja"

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29/08/2011

Racistas controlam a revista Veja

Do Blog do Miro - 28/08/2011

Por Altamiro Borges


Ao tentar invadir o apartamento em que o ex-ministro José Dirceu se hospeda em Brasília e ao usar imagens ilegais dos corredores do hotel, o repórter Gustavo Ribeiro escancarou os métodos criminosos da revista Veja. Isto só confirma que a famiglia Civita não se diferencia muito do mafioso midiático Rupert Murdoch, com seus grampos e subornos. Esta postura, que não tem nada de jornalística ou ética, é bem antiga. O texto abaixo é de agosto de 2006 e mostra as relações sinistra dos donos da Veja:

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Na sua penúltima edição, a revista Veja estampou na capa a foto de uma mulher negra, título de eleitor na mão e a manchete espalhafatosa: “Ela pode decidir a eleição”. A chamada de capa ainda trazia a maldosa descrição: “Nordestina, 27 anos, educação média, R$ 450 por mês, Gilmara Cerqueira retrata o eleitor que será o fiel da balança em outubro”. O intuito evidente da capa e da reportagem interna era o de estimular o preconceito de classe contra o presidente Lula, franco favorito nas pesquisas eleitorais entre a população mais carente. A edição não destoava de tantas outras, nas quais esta publicação da Editora Abril assume abertamente o papel de palanque da oposição de direita e destina veneno de nítido conteúdo fascistóide.

Agora, o escritor Renato Pompeu dá novos elementos que apimentam a discussão sobre a linha editorial racista desta revista. No artigo “A Abril e o apartheid”, publicado na revista Caros Amigos que está nas bancas, ele informa que “o grupo de mídia sul-africano Naspers adquiriu 30% do capital acionário da Editora Abril, que detém 54% do mercado brasileiro de revistas e 58% das rendas de anúncios em revistas no país. Para tanto, pagou 422 milhões de dólares. A notícia é de maio e foi publicada nos principais órgãos da mídia grande do Brasil. Mas não foi dada a devida atenção ao fato de a Naspers ter sido um dos esteios do regime do apartheid na África do Sul e ter prosperado com a segregação racial”.

Líderes da segregação racial

A Naspers tem sua origem em 1915, quando surgiu com o nome de Nasionale Pers, um grupo nacionalista africâner (a denominação dos sul-africanos de origem holandesa, também conhecidos como bôeres, que foram derrotados pela Grã-Bretanha na guerra que terminou em 1902). Este agrupamento lançou o jornal diário Die Burger, que até hoje é líder de mercado no país. Durante décadas, o grupo, que passou a editar revistas e livros, esteve estreitamente vinculado ao Partido Nacional, a organização partidária das elites africâneres que legalizou o detestável e criminoso regime do apartheid no pós-Segunda Guerra Mundial.

Como relata Renato Pompeu, “dos quadros da Naspers saíram os três primeiros-ministros do apartheid”. O primeiro diretor do Die Burger foi D.F. Malan, que comandou o governo da África do Sul de 1948 a 1954 e lançou as bases legais da segregação racial. Já os líderes do Partido Nacional H.F. Verwoerd e P.W. Botha participaram do Conselho de Administração da Naspers. Verwoerd, que quando estudante na Alemanha teve ligações com os nazistas, consolidou o regime do apartheid, a que deu feição definitiva em seu governo, iniciado em 1958. Durante a sua gestão ocorreram o massacre de Sharpeville, a proibição do Congresso Nacional Africano (que hoje governa o país) e a prolongada condenação de Nelson Mandela.

Já P. Botha sustentou o apartheid como primeiro-ministro, de 1978 a 1984, e depois como presidente, até 1989. “Ele argumentava, junto ao governo dos Estados Unidos, que o apartheid era necessário para conter o comunismo em Angola e Moçambique, países vizinhos. Reforçou militarmente a África do Sul e pediu a colaboração de Israel para desenvolver a bomba atômica. Ordenou a intervenção de forças especiais sul-africanas na Namíbia e em Angola”. Durante seu longo governo, a resistência negra na África do Sul, que cresceu, adquiriu maior radicalidade e conquistou a solidariedade internacional, foi cruelmente reprimida – como tão bem retrata o filme “Um grito de liberdade”, do diretor inglês Richard Attenborough (1987).

Os tentáculos do apartheid

Renato Pompeu não perdoa a papel nefasto da Naspers. “Com a ajuda dos governos do apartheid, dos quais suas publicação foram porta-vozes oficiosos, ela evoluiu para se tornar o maior conglomerado da mídia imprensa e eletrônica da África, onde atua em dezenas de países, tendo estendido também as suas atividades para nações como Hungria, Grécia, Índia, China e, agora, para o Brasil. Em setembro de 1997, um total de 127 jornalistas da Naspers pediu desculpas em público pela sua atuação durante o apartheid, em documento dirigido à Comissão da Verdade e da Reconciliação, encabeçada pelo arcebispo Desmond Tutu. Mas se tratava de empregados, embora alguns tivessem cargos de direção de jornais e revistas. A própria Naspers, entretanto, jamais pediu perdão por suas ligações com o apartheid”.

Segundo documentos divulgados pela própria Naspers, em 31 de dezembro de 2005, a Editora Abril tinha uma dívida liquida de aproximadamente US$ 500 milhões, com a família Civita detendo 86,2% das ações e o grupo estadunidense Capital International, 13,8%. A Naspers adquiriu em maio último todas as ações da empresa ianque, por US$ 177 milhões, mais US$ 86 milhões em ações da família Civita e outros US$ 159 milhões em papéis lançados pela Abril. “Com isso, a Naspers ficou com 30% do capital. O dinheiro injetado, segundo ela, serviria para pagar a maior parte das dividas da editora”. Isto comprova que o poder deste conglomerado, que cresceu com a segregação racial, é hoje enorme e assustador na mídia brasileira.

Os interesses alienígenas

Mas as relações alienígenas da revista Veja não são recentes nem se dão apenas com os racistas da África do Sul. Até recentemente, ela sofria forte influência na sua linha editorial das corporações dos EUA. A Capital International, terceiro maior grupo gestor de fundos de investimentos desta potência imperialista, tinha dois prepostos no Conselho de Administração do Grupo Abril – Willian Parker e Guilherme Lins. Em julho de 2004, esta agência de especulação financeira havia adquirido 13,8% das ações da Abril, numa operação viabilizada por uma emenda constitucional sancionada por FHC em 2002.

A Editora Abril também têm vínculos com a Cisneros Group, holding controlada por Gustavo Cisneros, um dos principais mentores do frustrado golpe midiático contra o presidente Hugo Chávez, em abril de 2002. O inimigo declarado do líder venezuelano é proprietário de um império que congrega 75 empresas no setor da mídia, espalhadas pela América do Sul, EUA, Canadá, Espanha e Portugal. Segundo Gustavo Barreto, pesquisador da UFRJ, as primeiras parcerias da Abril com Cisneros datam de 1995 em torno das transmissões via satélites. O grupo também é sócio da DirecTV, que já teve presença acionária da Abril. Desde 2000, os dois grupos se tornaram sócios na empresa resultante da fusão entre AOL e Time Warner.

Ainda segundo Gustavo Barreto, “a Editora Abril possui relações com instituições financeiras como o Banco Safra e a norte-americana JP Morgan – a mesma que calcula o chamado ‘risco-país’, índice que designa o risco que os investidores correm quando investem no Brasil. Em outras palavras, ela expressa a percepção do investidor estrangeiro sobre a capacidade deste país ‘honrar’ os seus compromissos. Estas e outras instituições financeiras de peso são os debenturistas – detentores das debêntures (títulos da dívida) – da Editora Abril e de seu principal produto jornalístico. Em suma, responsáveis pela reestruturação da editora que publica a revista com linha editorial fortemente pró-mercado e anti-movimentos sociais”.

Um ninho de tucanos

Além de ser controlada por grupos estrangeiros, a Veja mantém relações estreitas com o PSDB, que é o núcleo orgânico do capital rentista, e com o PFL, que representa a velha oligarquia conservadora. Emílio Carazzai, por exemplo, que hoje exerce a função de vice-presidente de Finanças do Grupo Abril, foi presidente da Caixa Econômica Federal no governo FHC. Outra tucana influente na família Civita, dona do Grupo Abril, é Claudia Costin, ministra de FHC responsável pela demissão de servidores públicos, ex-secretária de Cultura no governo de Geraldo Alckmin e atual vice-presidente da Fundação Victor Civita.

Não é para menos que a Editora Abril sempre privilegiou os políticos tucanos. Afora os possíveis apoios “não contabilizados”, que só uma rigorosa auditoria da Justiça Eleitoral poderia provar, nas eleições de 2002, ela doou R$ 50,7 mil a dois candidatos do PSDB. O deputado federal Alberto Goldman, hoje um vestal da ética, recebeu R$ 34,9 mil da influente família; já o deputado Aloysio Nunes, ex-ministro de FHC, foi agraciado com R$ 15,8 mil. Ela também depositou R$ 303 mil na conta da DNA Propaganda, a famosa empresa de Marcos Valério que inaugurou um ilícito esquema de financiamento eleitoral para Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB. Estes e outros “segredinhos” da Editora Abril ajudam a entender a linha editorial racista da revista Veja e a sua postura de opositora radical do governo Lula.
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Contraponto 6110 - "Entenda por que a Veja fez de novo"


Eduardo Guimarães

Alinhavando pontos esparsos dos últimos fatos envolvendo a revista Veja e José Dirceu, chega-se a uma conclusão surpreendente: os que puxam os cordões da revista jamais pretenderam produzir alguma conseqüência direta da matéria publicada no último fim de semana, a qual “acusa” o ex-ministro de ter recebido aliados políticos em um hotel de Brasília.

Pense comigo, surpreso leitor: será que uma organização do porte da Veja não tem consciência de que o que publicou não passa de um amontoado de opiniões e suposições sem o menor embasamento probatório ou meramente indicativo?

Nenhuma instância do Ministério Público, da Polícia Federal ou de qualquer outra instituição da República pode dar a menor bola a esse caso. Não pode ser considerado ilegal que alguém que tem um cargo de provimento político pelo governo encontre aliados políticos pertencentes ao mesmo partido que o seu ou à mesma aliança política daquele partido.

Veja tem advogados, como todos sabem. Muitos advogados. E também se sabe muito bem que sua matéria de capa do último fim de semana não passa de opinião ou suposição – ou de ambas. Então por que publicar uma matéria que, aparentemente, até os seus pares na grande mídia não quiseram repercutir por julgarem fraca e tendenciosa?

Bobinha a Veja, não?

A resposta à pergunta acima, definitivamente, é não – a Veja, de boba, não tem nada. E, quanto ao silêncio de seus congêneres no Partido da Imprensa Golpista, talvez não passe de tática para não inflar a denúncia de José Dirceu, que pegou a turma toda no contrapé. E o que é pior – ou melhor: acidentalmente.

Uma digressão: a Veja está usando o blog de Reinaldo Azevedo – que, nessas horas, sempre deixa ver por que o império da família Civita o paga – para se explicar. Todavia, por mais que a revista e seu garoto de recados fujam, uma hora terão que dar explicações para o fato de o seu repórter ter tentado invadir o apartamento de Dirceu.

Mas, voltando à vaca fria, por que, diabos, a Veja publicou uma matéria que qualquer um que entenda um pouco de política sabe que não daria em nada mesmo que o repórter invasor não tivesse recorrido a um crime para fazer o que o patrão chama de “jornalismo”?

Havendo um veículo que se disponha a violar qualquer princípio ético e jornalístico é mais fácil produzir uma capa de revista fortemente criminalizadora do PT (o partido do governo Dilma) para setores da direita midiática que já se organizam em “movimentos espontâneos” da “sociedade civil” para marcharem “contra a corrupção” pelas ruas de algumas capitais.

Não importa o que diz a matéria da Veja porque esses setores que tentam aprofundar a crise política do governo Dilma não precisam de fatos, mas de símbolos para brandir na campanha moralista que vem por aí e que, além de manifestantes, terá até “frente parlamentar”. Uma campanha que muita gente – inclusive do governo – ainda não percebeu.

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Contraponto 6109 - "Ex- jogador Sócrates reconhece que era dependente de álcool"

29/08/2011

Ex- jogador Sócrates reconhece que era dependente de álcool

Do G1- 29/08/2011

Em entrevista exclusiva ao Fantástico, ex-jogador diz que sai mais forte após escapar da morte.

Depois de passar por uma internação de emergência, Sócrates, o ex-jogador do Corinthians e da seleção brasileira, voltou sábado (27) para casa e contou para a equipe do Fantástico como a bebida quase o levou à morte. Aos 57 anos, ele reconhece que era dependente de álcool.

“É nessas horas, que a gente cresce. Saio muito mais forte, muito maior e com muito mais compromissos e responsabilidades que eu tinha antes”, resume Sócrates.

Sócrates conversou com o Fantástico no sábado (27), sete horas depois de sair do hospital. Foram nove dias internado. O ídolo corintiano, do calcanhar inconfundível e formado em medicina falou ao abertamente sobre a doença que quase o levou à morte e os problemas com bebida alcoólica.

“Eu tenho um ponto cirrótico. É uma lesão que não é tão grave, mas ela em localizada em área hipersensível do fígado. Essa lesão é causada, fundamentalmente, por álcool”.

As primeiras horas no hospital foram as mais delicadas. Sócrates entrou pela porta caminhando. Ele tinha uma hemorragia digestiva. O sucesso do trabalho dos médicos evitou a morte do ex-jogador.

“O fígado estava todo inflamado, então ele não deixa passar nada. É como se fosse uma bomba de sangue represado. Ele vai ter que explodir em algum lugar. No meu caso, foi o estômago”, conta Sócrates.

“Eles iriam tentar fazer o máximo para tentar segurar a vida dele. Mas que poderia ser difícil”, lembra Kátia Bagnarelli, mulher de Sócrates.

Um cateter, um pequeno tubo, foi usado para fazer o sangue circular. Sócrates ficou nas mãos de um médico que torce para um rival do Corinthians. “Ele é são-paulino, então ele disse que um são-paulino teve que salvar a vida de um corintiano”, conta a mulher.

Esse não foi o primeiro problema grave provocado pela cirrose, revela o ex-meio-campista das copas de 82 e 86.

“Há três meses, eu tive um sangramento. Mas mesmo assim, a coisa aconteceu, explodiu. Provavelmente não vai precisar de transplante, hoje de jeito nenhum”, ele diz.

Na década de 1980, foi um dos líderes da democracia corintiana. A concentração deixou de ser obrigatória e outras questões como horário dos treinos, também eram decididas no voto.

O ex-craque nunca escondeu que gostava de bebida alcoólica. Mas agora reconhece que era dependente.

“Fui alcoólatra sim. Quando eu queria. Quem usa álcool cotidianamente é alcoólatra. Eu fui dependente de álcool. Não tomava todo dia. Eu estava há três meses sem beber”, ele garante.

Além de não beber, Sócrates vai ter que seguir uma dieta rigorosa e fazer exames clínicos com frequência.

“Abstinência vai ser total daqui para frente, para que meu fígado reúna condições de se equilibrar totalmente e que não dê mais problemas”, avalia ex-jogador.

“Agora é só aguinha tônica, água sem gás. Nós dois sentadinhos, batendo papo, tomando água”, brinca o ex-jogador Casagrande.
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Contraponto 6108 - Charge on line do Bessinha

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29/08/2011
Charge do Bessinha (452)


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domingo, 28 de agosto de 2011

Contraponto 6107 - "A deseducação pelo consumismo"

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28/08/2011
A deseducação pelo consumismo

Do Direto da Redação - Publicado em 28/08/2011


Rodolpho Motta Lima*

Diversos organismos vinculados à Educação – inclusive alguns sindicatos de classe - estão se mobilizando na campanha pela aplicação de 10 % do PIB brasileiro em nossa educação pública. Como cidadão e educador, considero que 10 % são um componente da solução para os problemas do setor, seja para a disponibilização dos insumos básicos de que ele se recente , seja para o maior reconhecimento e valorização do professor em termos salariais, seja para os projetos de formação continuada e de aprimoramento das tecnologias de educação que permitam a implementação dos novos rumos do ensino

Em outro artigo, há cerca de um ano, fiz questão de depor sobre os novos fundamentos teóricos da ensino no Brasil – que envolvem a Lei de Diretrizes de Bases, a aplicação de novos Parâmetros Curriculares, o surgimento do ENEM e de seus objetivos. No âmbito filosófico, pensava e penso que estamos indo bem. E nem poderia ser diferente, considerados os nomes de Anísio Teixeira, Paulo Freire e Darcy Ribeiro que, entre outros, estão na origem das mudanças que se preconizam. Na prática, porém, a nossa Educação ainda está longe de impor-se como vetor das transformações sociais que minimizem os assustadores níveis de desigualdade entre os brasileiros.

Mas, hoje, não pretendo falar do Estado e de suas obrigações para com o ensino público. Pelo menos, não diretamente. É que, ao lado da escola e de sua missão integradora, há uma considerável gama de fatores, com muitos atores, que compõem o processo educativo. Eles têm a ver com um tipo de visão do mundo da qual que não escapa o ambiente dos jovens em geral (pobres ou ricos), e que passa pelos valores que os bombardeiam ideologicamente fora dos muros do colégio, interferindo de forma decisiva na sua produção como estudantes e acabando por neutralizar ou até opor-se aos princípios filosóficos dos renovados currículos escolares. Sem querer encaminhar o raciocínio de forma maniqueísta, é como se duas forças absolutamente antagônicas estivessem disputando, a todo momento, os corações e mentes dos jovens.

Vivemos a sociedade do consumismo. A obsessão pelo consumo é a marca de um mundo orientado para e pelo mercado, um mundo que se organiza – social, política, e economicamente – para “educar-nos” pelos padrões voltados para o ato de consumir. Evidentemente, o consumo é uma necessidade humana, velha como o mundo. Joga com a sobrevivência do homem e com o atendimento de suas necessidades básicas. Já o consumismo é uma ideologia, um misto de padrão cultural imposto e de doença crônica, capaz de levar ao extermínio os valores de cidadania que um verdadeiro processo educacional se obriga a ver garantidos em nome da sociedade.

Os “pilares da educação” fixados pela UNESCO em 1990 - motivadores da nossa Lei de Diretrizes e dos Parâmetros Curriculares que se pretende ver implantados – estabelecem que o aluno deve “aprender a conhecer, fazer, conviver e ser”. Mas, na realidade que vivenciamos, nivelam-se adultos infantilizados e crianças pretensiosamente adultas em torno dos projetos “neocolonizadores” do consumismo, conduzidos pela cumplicidade da mídia oportunista com as grandes corporações empresariais. E tudo isso contando com a complacência das famílias. Nesse cenário, os educadores conscientes correm o risco de falar sozinhos e os menos conscientes de ceder à tentação do “colaboracionismo”... Como defender a cidadela do “conviver” e do “ser” diante do avassalador exército que nos compele a cada instante a identificar no “ter” a própria razão de viver?

Tudo se está transformando em mercadoria, com suas ramificações. Uma delas: o descarte , como velho, de tudo que deixa de ser instantâneo. Com o consumismo, vêm também o exibicionismo, o egocentrismo, a ambição de ser “famoso”, “notado” e, por extensão, “desejado”. E o nosso mundo está criando – desde a tenra idade - consumidores que também anseiam por ser consumidos, seres-mercadorias.

Consome-se tudo, ideias também, às vezes as mais estapafúrdias. E até sentimentos se vendem e se compram. Um exemplo, só para fazer pensar. Em uma entrevista à Globo News (“Almanaque”), o bom ator Gabriel Braga Nunes, que fez o personagem Leo na última novela – um personagem marcado pela maldade e atrocidade, um assassino frio de gente inocente – confessou que sentiu um prazer especial ao perceber que, no final da trama, muitas pessoas começavam a sentir pena dele, submetido que estava a provações. Disse que tinha mesmo, de propósito, tentado acrescentar ao personagem ingredientes para provocar esse sentimento de pena. Quando perguntado, porém, na mesma reportagem, sobre como explicar esse processo de “conversão” de espectadores, foi surpreendemente sincero: “Só tenho uma coisa a dizer: Otários!”. Ou seja, consumidores do produto forjado, do produto imposto, do produto errado...

Alguém dirá que me estou afastando do tema. Afinal, a discussão deveria ser em torno dos 10% do PIB. Pode ser. Mas, a partir do que percebo nas salas de aula, penso que esses valores “imateriais” devem merecer tanta atenção quanto o volume de recursos financeiros que queremos ver aplicados na Educação. Afinal, o que desejamos é que ela seja capaz de propiciar cidadania plena, que passa longe da febre consumista.

A propaganda é avassaladora e perversa na defesa do “ter” contra o “ser”. Ela nos persegue diariamente. È aquele cara que incendeia o seu carro velho e enguiçado quando por ele passa um carrão... É aquele casal de pais, incapazes de se dar conta da presença participativa da criança que balbucia afetos, mas que se extasiam ao perceber que ela “divulga” a banda larga e as vantagens de possuí-la... E o que dizer da grande maioria de “consumidores” das tecnologias que aí estão (computadores, celulares, máquinas fotográficas, etc.) que, iludidos pela propaganda, pagam pelo que não usam ou nem sabem que podem usar? E pagam caro, sacrificando algumas de suas necessidades básicas. Típicas produções do “ter”, autênticas negações do “ser”...

Rodolpho Motta Lima. Advogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ , com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasil.

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Contraponto 6106 - "Nordeste continua a ser a China do Brasil Ou: o plano secreto do Lula"

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28/08/2011

Nordeste continua a ser a China do Brasil

Ou: o plano secreto do Lula


Do Conversa Afiada - 28/08/2011

Saiu na Folha (*) pág. A4:

“Nordeste mantém ritmo da economia e descola do país”


“Região continua crescendo como no inicio do ano, ao contrário do Sudeste”

“Investimentos privados e dinheiro de programas sociais contribuem para amortecer os efeitos do combate à inflação”


Clique aqui para ler “Se o PiG (**) não fosse o PiG, o Brasil seria maior”.

“ … o Nordeste virou destino de vultosos investimentos como os do porto de Suape, na região metropolitana de Recife, onde estão previstos aportes de R$ 24 bilhões até 2014, a maior parte de empresas privadas”, diz a Folha.

Clique aqui para ler “Suape faz uma revolução em Pernambuco; Eduardo Campos dá de 10 a 0 em Padim Pade Cerra”.

Clique aqui para ver a entrevista em que Eduardo Campos administra o vigor tucano dos entrevistadores de um programa na Bandeirantes.

A economista Tânia Bacelar – “a mulher nordestina do ano” – lembra que o desemprego em julho em Pernambuco foi de 6,3%, bem abaixo de sua média histórica:

“ (porque) Pernambuco está recebendo um volume de investimentos equivalente a toda a riqueza que produz em um ano”.

As obras da ferrovia Transnordestina (que ligará o interior do Piauí aos portos de Suape e Pecém, no Ceará) empregam 11,5 mil pessoas.

NAVALHA

Este Conversa Afiada sustenta que o Nunca Dantes tinha (e tem, com sua sucessora) um plano secreto.

Além da mobilidade na vertical (ele puxou uma Espanha para a Classe C), fomentou a mobilidade na horizontal.

Fez o Brasil crescer fora do eixo Rio- São Paulo.

Por que, amigo navegante, o Padim Pade Cerra tem uma idéia fixa, o câmbio ?

Porque o câmbio alto foi o que desenvolveu São Paulo – com a exportação de café.

E encolheu o resto do Brasil, que não podia importar (e crescer).

Por isso ele só pensa naquilo: no câmbio.

Como diz o sábio Fernando Lyra, São Paulo não pensa o Brasil.

O Padim talvez ainda não tenha percebido que o Nunca Dantes realizou um plano secreto.

Esses tucanos de São Paulo um dia vão tomar um susto.

Vão precisar de muita bolinha de papel.


Paulo Henrique Amorim



(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

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Contraponto 6105 - "A nova velha Libia"

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28/08/2011
A nova velha Libia

Do Direto da Redação - Publicado em 28/08/2011

Mário Augusto Jakobskind*

Uma semana depois de a delegação brasileira integrada por parlamentares, jornalistas e ativistas sociais ser impedida de ingressar na Líbia em função da intensificação dos bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a TV Globo ingressou em Trípoli para “informar“ aos telespectadores os acontecimentos. O informar fica entre aspas, porque muito mais do que informar o esquema global desembarcou na capital líbia para apresentar um entretenimento e com texto provavelmente encomendado pela OTAN do que outra coisa. Aliás, se for consultado o WikLeaks pode-se saber quem são exatamente certos colunistas e âncoras da Globo. Wiliam Waack que o diga.

O repórter da Globo em Trípoli culpava o “ditador” Khadafi por tudo de mal que estava acontecendo e bradava que o povo comemorava a definição em favor dos opositores do regime que chegava ao fim. Da mesma forma que ocorreu com as imagens dos opositores ao longo dos últimos seis meses, os que chegaram a Trípoli não reuniam o povo nas comemorações, apesar dos textos dizerem o contrário.

Sobre as consequências dos bombardeios da OTAN, nada.

O líder líbio, segundo as agências de notícias, estava sendo procurado em tudo que é canto do país. E isso com a ajuda da OTAN, que colocou a inteligência no encalço do “bandido”. Empresários líbios, parte deles recém chegados da Tunísia, dos Estados Unidos e até da Europa, ofereciam 1,7milhão de dólares pela captura de Khadafi vivo ou morto.

A TV Globo, e de um modo geral toda a mídia de mercado tupiniquim, silenciou não apenas sobre as consequências dos bombardeios, como também em apresentar aos leitores, telespectadores e ouvintes quem é quem na OTAN. Andeers Fogh Rasmussen, atual secretário geral da entidade, por exemplo, foi Primeiro-Ministro da Dinamarca de 2001 a 2009, liderando uma coalizão com a ala direita do Partido Conservador Popular. Como se não bastasse, Rasmussen trabalhou intensamente com o Partido Popular Dinamarquês, de extrema direita, agremiação política irmã do Partido Progressista da Noruega, onde militava Anders Behring Breivik, o terrorista neonazista que além de disseminar ódio contra estrangeiros recentemente assassinou dezenas de pessoas em atentados.

Esta é a Otan, a verdadeira definidora da queda do regime de Khadafi e que se propõe a estabelecer a democracia na Líbia. Há testemunhas de jornalistas, não das Organizações Globo, claro, que para abrir caminho dos opositores a OTAN bombardeou indiscriminadamente tudo que via a sua frente em Trípoli.

Segundo o jornalista Thierry Meyssan, colaborador do Global Research, no sábado, 20 de agosto, um barco da OTAN atracou ao lado de Trípoli, entregando armas pesadas e desembarcando jihadistas da Al Qaeda, enquadrados por oficiais da Aliança. Meyssan revelou ainda que helicópteros e aviões da OTAN bombardeavam para todos os lados e pessoas eram metralhadas nas ruas para abrir caminho aos opositores.

O Tribunal Penal Internacional de Haia pretende julgar Khadafi por “crimes contra a humanidade”, naturalmente se ele for capturado vivo. Já o vice-presidente sul africano, Kgalerna Morlanthe cogita apoiar proposta de grupos progressistas no sentido de processar a OTAN no mesmo Tribunal sob o argumento que a Organização teria desrespeitado os direitos humanos na Líbia.

O Conselho Nacional de Transição, órgão político dos opositores de Khadafi, na palavra do chefe Mustafá Abdeljalil admite que em seis meses de combate, teriam morrido mais de 20 mil pessoas. Não houve referências aos bombardeios da OTAN.

Os acontecimentos na Líbia remetem a 1 de novembro de 1911, quando foi utilizada a aviação da Itália para bombardear posições turcas em Ain Zara, a leste de Trípoli. Quatro bombas de 1,5 quilos foram lançadas então. Em 2011, muito, mas muito mais do que isso, possantes jatos, da França, do Reino Unido e dos Estados Unidos, com o apoio de muitos países da Europa e mesmo árabes, arrasaram a Líbia e foram os principais responsáveis pelo avanço até Trípoli dos opositores de Khadafi.

O dirigente deposto errou de cabo a rabo ao fazer inúmeras concessões ao capital financeiro e aos senhores da guerra, imaginando que cairia nas graças do Ocidente. Em um primeiro momento, segundo revelam documentos da Wikleaks, o governo líbio passou a ser considerado exemplar em termos de combate ao terrorismo.

Bastou Khadafi querer adotar medidas que contrariavam interesses econômicos poderosos na área do petróleo, mesmo com as concessões feitas, apareceram os rebeldes que tomaram Benghazi.

A entrada em cena da OTAN teve como pretexto a defesa da população líbia da “ação criminosa” de Khadafi. Mas quando o mesmo Khadafi abriu para o Ocidente a partir de 2003, recebendo com tapete vermelho Madame Condoleezza Rice e Tony Blair, as “atrocidades de Khadafi” hoje reveladas eram simplesmente ignoradas.

Pelo atrevimento de Khadafi em formar com demais países africanos um bloco econômico com moeda própria, o governo dos Estados Unidos decidiu agir. Como não poderia fazer o serviço sozinho em função do desgaste no Iraque e Afeganistão convenceu os aliados David Cameron, do Reino Unido, e Nicolas Sarkozy a agir. Dois aliados do gênero cachorrinho e a docilidade da ONU complementaram o serviço.

Esta guerra civil, em suma, ainda está para ser contada. Um item importante será conhecer com maiores detalhes o papel da mídia, que mais do que mídia passou a ser a própria guerra que está resultando em uma “nova Líbia”. A Al Jazeera. do Catar teve participação intensa no esquema.

Ah, sim, e a família real que controla a Arábia Saudita a ferro e fogo, tudo bem? Podem ficar a vontade em matéria de atrocidades porque são aliados dos Estados Unidos. Mulher sendo presa porque é proibida de dirigir, deixa para lá, afinal a família real é aliada e para os aliados tudo. Para os que ousam, OTAN neles com a chancela da ONU.


Mário Augusto Jakobskind
. É correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE

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Contraponto 6104 - "Guerra de Rapina"

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28/08/2011
Guerra de Rapina

Do O Povo on line - 28/08/2011

Valdemar Menezes

Não há nenhuma segurança de que os novos donos do poder, na Líbia, seguirão caminho diferente do antecessor, em termos de pouco apreço à democracia. A diferença, talvez, é que será um regime dócil aos interesses das grandes potências e, assim, bem-quisto, como o é a ditadura da Arábia Saudita - que inferniza a vida de seu povo - e outros regimes igualmente despóticos, mas que entregam suas riquezas de mãos beijadas aos ocidentais. Fosse sincero o objetivo democrático dos interventores, as demais ditaduras estariam com os dias contados. Mas, não é isso o que acontece: não se mexe em quem fecha os olhos ao saque da riqueza nacional por forças estrangeiras. O escândalo maior é o descaramento com que as grandes potências trataram a resolução do Conselho de Segurança da ONU que impunha limites à intervenção.

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Trama antidemocrácica

Do O Povo on line - 28/08/2011



Valdemar Menezes

Há exatos 50 anos, a democracia brasileira sofria uma tentativa de golpe realizada por facções direitistas militares e civis. Desconcertados pela falta de apoio popular a Jânio Quadros, depois que este anunciou a renúncia ao cargo presidencial (na verdade esperavam que o povo exigisse a volta de Jânio e este então regressaria com todos os poderes e fecharia o Congresso, onde não tinha maioria), os três ministros militares, passando por cima da Constituição, vetaram a posse do vice-presidente constitucional João Goulart (Jango), odiado pelas forças conservadoras por ter sido ministro do Trabalho de Getúlio e ter perfil nacionalista. Não imaginavam deparar-se com a resistência de Leonel Brizola (foto), governador do Rio Grande do Sul, do próprio povo gaúcho e do III Exército. Mas foi o que aconteceu.

RESISTÊNCIA E DECEPÇÃO

Brizola entrincheirou-se no Palácio Piratini e de lá formou uma rede de emissoras de rádio – a Cadeia da Legalidade – pregando resistência ao golpe e o respeito à Constituição. Ficou ao seu lado, o comandante do III Exército, general Machado Lopes e a Brigada Gaúcha (Polícia). Armas foram distribuídas ao povo. Em todo o país, as forças democráticas manifestaram apoio à posse de Jango. À beira da guerra civil, os golpistas pensaram duas vezes e quando já temiam que o confronto lhes fosse desfavorável, João Goulart, de maneira decepcionante, aceitou um acordo pelo qual assumia o poder, mas dentro de um regime parlamentarista, onde deveria ser apenas uma figura decorativa.

ALERGIA À DEMOCRACIA

A crise de 1961 era apenas mais uma investida das forças golpistas conservadoras que não se haviam conformado com a redemocratização de 1946. De novo, as elites tradicionais, aliadas à Washington, tentavam travar um caminho de desenvolvimento nacional independente. Nunca aceitaram a democracia, em todas as suas consequências, pois esta sempre lhes tinha sido desfavorável. Em 1954, encurralaram Getúlio Vargas, que vinha sendo alvo de uma campanha infamante, desde que se decidira pela criação da Petrobras. Cercado, o velho presidente preferiu matar-se a ser deposto. Isso provocou uma enorme onda de indignação popular contra os golpistas, impedindo-os de assumir o poder.

DERROTA DA DEMOCRACIA

Tentaram, então, impedir a eleição de Juscelino Kubistchek. Falharam. Tramaram contra sua posse. Empossado, promoveram duas sublevações para derrubá-lo. Com a eleição de Jânio Quadros, pensava-se que tinham amainado a sede de poder. Engano: queriam poder absoluto. Nada de Congresso. Falhado o golpe da renúncia, os ministros militares tentaram impedir a posse do vice Jango. Não o conseguiram, diante da resistência popular. Três anos depois, em 1964, finalmente obtiveram o que queriam, com o auxílio da CIA e do Pentágono, inaugurando uma ditadura que durou mais de 20 anos.

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Contraponto 6103 - "Crescem índices de distribuição de água, tratamento de esgoto e coleta de lixo nas cidades"

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28/08/2011

Crescem índices de distribuição de água, tratamento de esgoto e coleta de lixo nas cidades


Da Agência Brasil - 27/08/2011 - 14h59

Lourenço Canuto
Repórter da Agência Brasil

Brasília – As ligações de distribuição de água, os sistemas de esgotamento sanitário e a coleta de lixo cresceram no país entre 2008 e 2009. Baseado em coleta de dados do Ministério das Cidades, o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) identificou 1,6 milhão novos usuários do serviço de abastecimento de água, o que corresponde a um aumento de 16,6 mil quilômetros nas redes de distribuição em todo o país.

O esgotamento sanitário teve 1,1 milhão de novas ligações no período, quando foram instalados 16,5 mil quilômetros de novas redes de escoamento. O volume de esgoto tratado no país, atualmente, chega a 237 milhões de metros cúbicos.

Houve, no período avaliado, elevação de 215 milhões de metros cúbicos na produção de água, mas o consumo ficou em apenas 25% desse potencial, equivalente a 53,9 milhões de metros cúbicos.

Em 2009, o abastecimento de água beneficiou 4.891 municípios e o sistema de esgotamento sanitário, 2.409 municípios. Os números correspondem a 97,2% e a 81,5% do total da população urbana do país, respectivamente em relação à rede de abastecimento de água e à de esgoto.

Houve também aumento da cobertura do serviço regular de coleta domiciliar de resíduos sólidos, equivalente a 93,4%. A destinação final totalizou o montante de 24,9 milhões de toneladas de resíduos domiciliares e públicos. Foram despejados em aterros sanitários 16,2 milhões de toneladas, mais 5,9 milhões de toneladas para aterros controlados, 1 milhão de toneladas para unidades de triagem e de compostagem e 1,8 milhões de toneladas foram depositadas em lixões.

O maior índice de atendimento total com abastecimento de água encontrado foi encontrado em Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, no Paraná e no Distrito Federal. Nenhuma unidade da Federação ficou na faixa de menor índice, ou seja, com índice menor que 40% de atendimento total de água.

São números crescentes que sinalizam "a redução na poluição do meio ambiente em geral, mostrando melhora no quadro do saneamento do Brasil", constata o diagnóstico. O SNIS é o maior banco de dados do setor de saneamento no país e serve para traçar políticas públicas nos três níveis de governo (federal, estadual e municipal), sendo usado também para basear decisões na área do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O trabalho é elaborado anualmente pela Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades. Neste mês, a secretaria lançou a 15ª edição do Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos e a 8ª edição do Diagnóstico de Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos, referentes a 2009.

As informações são fornecidas por prestadores de serviços e abrangem aspectos operacionais, administrativos, econômico-financeiros, contábeis e da qualidade dos serviços. Em relação a 2008, houve, em 2009, três mudanças fundamentais no cenário dos dados, ampliação do número de prestadores de serviços; coleta de informações mais simplificada e aumento da importância do SNIS na tomada de decisões sobre novos investimentos.

Ainda de acordo com o levantamento, os investimentos nos serviços de água e esgoto nos estados, tiveram acréscimo em 2009, totalizando R$ 7,8 bilhões. No anterior, os investimentos foram R$ 2,2 bilhões.

O SNIS traça também um horizonte para os próximos anos, em dez indicadores médios dos serviços de água e esgoto. O cenário varia dependendo do estado e também do município. Soluções individuais, como o uso de poços e o depósito de esgoto em fossas, não entram nesse banco de dados.

No entanto, foi elaborado recentemente pelo Ministério das Cidades o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), com horizonte para 20 anos, em que está prevista a universalização dos serviços de água na área urbana. Em relação aos serviços de esgotos e de coleta e tratamento de resíduos sólidos, o plano prevê, para 2030, cobertura de mais de 91% na área urbana.

Edição: Lana Cristina
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Contraponto 6102 - Charge on line do Bessinha


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28/08/2011

Charge do Bessinha (451)

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Contraponto 6101 - "O renascimento do Nordeste"



Folha de S. Paulo - Nordeste mantém rítmo da economia e descola do país - 28/08/2011

Nordeste mantém ritmo da economia e descola do país

Região continua crescendo como no início do ano, ao contrário do Sudeste

Investimentos privados e dinheiro de programas sociais contribuem para amortecer efeitos do combate à inflação

Daniel Marenco - 3.fev.2011/Folhapress

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Complexo industrial e portuário de Suape (PE)

MARIANA CARNEIRO
MARIANA SCHREIBER
DE SÃO PAULO

A economia da região Nordeste continua crescendo num passo acelerado, descolada do resto do país e sem sentir os efeitos das medidas adotadas pelo governo para esfriar a atividade econômica e combater a inflação.

Enquanto os Estados nordestinos foram impulsionados por investimentos do governo federal e de empresas privadas, o enfraquecimento da indústria e o aumento das taxas de juros fizeram o Sul e o Sudeste trocar de marcha.

De acordo com projeções do Banco Central, a economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre do ano e 0,7% no segundo trimestre, sempre em relação ao período imediatamente anterior.

O Sudeste cresceu 1,4% no primeiro trimestre e 0,6% no segundo, segundo o BC. No Nordeste, a economia manteve no segundo trimestre o mesmo ritmo do começo do ano, crescendo 1,6%.

O Nordeste é a região em que a presidente Dilma Rousseff alcançou sua melhor votação na eleição do ano passado. Lá, seu governo obtém índices de aprovação maiores do que os de outras regiões, segundo o Datafolha.

O aumento dos juros e outras medidas do governo atingiram com mais força o Sul e o Sudeste porque a oferta de crédito é maior nessas regiões e sua economia depende mais da indústria, abalada pela competição com produtos importados e pela turbulência global.

Enquanto isso, o Nordeste virou destino de vultosos investimentos como os do porto de Suape, na região metropolitana de Recife, onde estão previstos aportes de R$ 24 bilhões até 2014, a maior parte de empresas privadas.

Isso ajuda a explicar por que a taxa de desemprego na capital alcançou 6,3% no mês passado, bem abaixo da sua média histórica, superior a 10%, nota a economista Tânia Bacelar, da Universidade Federal de Pernambuco.

"Pernambuco está recebendo um volume de investimentos equivalente a toda riqueza que produz em um ano", diz ela. "Isso gera um impacto muito forte na economia local, que é relativamente pequena perto de Estados como São Paulo."

RENDA EXTRA

As obras da ferrovia Transnordestina empregam 11,5 mil pessoas em Pernambuco, no Ceará e no Piauí. No Maranhão, a mineradora Vale investe na ampliação do porto de Ponta da Madeira e da Estrada de Ferro Carajás.

A renda extra assegurada pelos programas sociais do governo federal também faz diferença na economia local. Metade das 13 milhões de famílias atendidas pelo Bolsa Família vive no Nordeste.

Em abril, o governo reajustou os benefícios do programa em 19,4%, ao mesmo tempo em que iniciou um esforço para conter os gastos federais em outras áreas, sobretudo os investimentos.

O economista Carlos Azzoni, da Universidade de São Paulo, explica que os investimentos e os programas sociais ajudam o Nordeste a amortecer o impacto da desaceleração da economia. "Além disso, este ano não teve seca, fenômeno que teria impacto negativo", diz.

Mas o Nordeste não está completamente imune ao esfriamento da economia nas regiões mais desenvolvidas do país. A economia local deve perder o ritmo até o fim do ano, ainda que em menor intensidade, afirma Azzoni.

"A região sempre acompanha o que acontece no Brasil", diz Bacelar, da UFPE. "Se o país entrar numa desaceleração maior, não será diferente com o Nordeste."

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