A
Rússia poderá colaborar com a China e a Índia para criar uma estação
orbital comum. Formulada por especialistas russos após a reunião do
Conselho de Peritos da Comissão Militar-Industrial da Rússia, esta
iniciativa de parceria no espaço poderá ser proposta para discussão na
cúpula do Brics que se celebrará no próximo verão em Ufa. .
Por Nina Antakolskaya, na Voz da Rússia
No contexto de iminentes problemas econômicos, o Conselho debateu diferentes cenários de desenvolvimento do ramo espacial russo. Assim, o membro correspondente da Academia de Cosmonáutica Russa, Andrei Ionin, propôs se recusar a cooperar com os EUA e a Europa no âmbito da Estação Espacial Internacional (EEI) e de outros projetos, reorientando-se para projetos conjuntos com os países do Brics.
Além da Rússia, este formato reúne a Índia, África do Sul, China e
Brasil, países que desenvolvem seus próprios programas espaciais
ambiciosos, não estão, ao mesmo tempo, envolvidos na cooperação com os
EUA e a Europa nem impuseram à Rússia sanções relativas ao uso de
diferentes componentes na indústria espacial.
O Brics pretende formar uma aliança tecnológica. E para iniciar, é
sempre necessário dar um primeiro passo concreto, disse Andrei Ionin.
"Um ambicioso projeto espacial do Brics poderia ser o primeiro passo no
caminho de formação da aliança tecnológica. Os países seriam capazes de
desenvolver não só tecnologias espaciais mas também as robóticas, as
tecnologias de informação estratégicas, as de mineração e as
nanobiotecnologia, entre outras. Quer dizer, tudo isso precisamos de
desenvolver e possuir em conjunto, para não dependermos de alguém tentar
através de sanções restringir nosso acesso a essas tecnologias. O mais
importante é um projeto conjunto que implementemos juntos, aprendendo a
trabalhar juntos, entendermos uns aos outros e alargar a confiança".
Ao desenvolver ativamente seus próprios programas de voos espaciais
tripulados, a China e a Índia têm alcançado notórios progressos nesta
área. E os especialistas russos acreditam que a parceria na criação de
uma estação espacial comum poderia ser interessante precisamente para
eles, em primeiro lugar.
“Sendo promissor, o projeto é, definitivamente, necessário e possível”,
esta opinião é compartilhada também pelo membro numerário da Academia de
Cosmonáutica Russa, Alexander Zheleznyakov. Contudo, na sua fase
inicial, o projeto não prevê usar nenhuma tecnologia de ponta, afirma o
especialista.
"A Rússia poderia contribuir para esse projeto de estação
disponibilizando os blocos que estão sendo preparados para a EEI. Esses
blocos poderão ser reconvertidos para construir uma estação nacional
russa ou uma estação orbital em cooperação com a Índia e a China. A
Índia não poderá contribuir com algo completamente novo para este
projeto, já que ainda está se aproximando de voos espaciais tripulados.
Ela não possui tecnologias idôneas e os próprios desenvolvimentos ainda
são muito modestos. A China sim que está criando uma estação nacional,
mas usa as tecnologias já testadas na Rússia e na EEI. Portanto, eu vejo
o projeto sobretudo como político".
Os cientistas russos irão propor o projeto internacional, conjunto com a
China e a Índia, de uma estação orbital tripulada para a discussão no
Conselho Empresarial do Brics. Enquanto isso, a iniciativa será
analisada em paralelo ao mais alto nível político para decidir sobre a
possibilidade de incluí-la na agenda da cúpula do Brics. Ambos os
eventos serão realizados no verão boreal de 2015 em Ufa. .
Para quem anda insatisfeito com a política de comunicação do governo
Dilma, uma boa notícia: o ministro-chefe da Secretaria Geral da
Presidência da República, Miguel Rossetto, recebe blogueiros para um
café da manhã nesta quinta-feira, 29 de janeiro, às 8h30, na sala 98 do
4º andar do Palácio do Planalto.
Em um momento em que da esquerda à direita todos cobram manifestações
públicas do governo Dilma, o ministro responderá questões que todos
estão fazendo.
Nesta semana, a imprensa corporativa anunciou que Rossetto confirmou
que o governo pode negociar medidas de contenção de gastos do
seguro-desemprego após questionamentos da nova política pelas centrais
sindicais.
Há uma infinidade de questões que o secretário pessoal da presidente
da República poderá responder. Comunicação, eleição para presidente da
Câmara, política econômica, denúncias de corrupção, alianças no
Congresso. Em uma entrevista como essa, vale tudo.
A última vez em que o Palácio do Planalto convocou blogueiros foi em 26 de setembro do ano passado, para entrevista com a então candidata à reeleição Dilma Rousseff.
Este blogueiro esteve na entrevista com Dilma e estará no café da
manhã com Rosseto. O encontro deve ser transmitido pela Presidência da
República. Se for, este blog deve transmitir também. Se o leitor vier a
esta página por volta das 9 ou 9:30 da manhã desta quinta 29, poderá
assistir à transmissão.
O blog aceita sugestões de perguntas de seus leitores. .
Aproveitando a primeira reunião ministerial, a presidenta fez um discurso nitidamente voltado à nação.
Entretanto, ao assistir os 35 minutos de discurso da presidenta, sinto mais uma vez um grande alívio por termos sobrevivido às eleições.
E entendo melhor porque a presidenta resiste tanto a falar mais e a dar entrevistas.
É patente que Dilma, definitivamente, não se sente à vontade como oradora.
A eleição foi vencida pelo projeto, e sobretudo pelo repúdio da população a um retrocesso neoliberal (o mesmo que tenta se imiscuir agora no governo, via Levy), não pelas qualidades retóricas da presidenta.
Dilma é uma pessoa tímida, que fica nervosa, que gagueja, que se absorve tanto na angústia de se expor que tem dificuldade de se concentrar.
Quando improvisa, é um desastre.
Ela tentou, por exemplo, fazer graça com o fato do Brasil figurar como maior mercado mundial de cosméticos.
Após sorrir timidamente, dirige um olhar cúmplice aos ouvintes. A linguagem corporal diz: quero falar uma coisa engraçada, me ajudem.
Só que, para o ouvinte, o efeito é inverso. O ouvinte fica ainda mais aflito, quase com pena, porque sabe que ela quer dizer alguma coisa divertida, sabe até o que ela quer dizer, porque em geral é alguma piada trivial, e sabe que ela não está conseguindo encontrar a expressão.
A presidenta então hesita mais que nunca. Por fim, após torturantes décimos de segundo de silêncio constrangedor, ela consegue soltar a frase engasgada.
No caso dos cosméticos, a frase engraçada é uma expressão pernóstica: “a vaidade intrínseca” da mulher.
De resto, o texto do discurso é, como sempre, repetitivo, medíocre e confuso.
Ao invés de incutir entusiasmo, provoca desânimo.
O problema de comunicação, portanto, vem de cima, da própria presidenta.
Não me levem a mal.
Eu votei em Dilma, apoio seu governo (com críticas, claro), e todos os dias respiro aliviado por termos vencido uma eleição tão difícil em 2014.
Também acho que a história será justa com Dilma, e ela poderá ser considerada uma das melhores presidentes que o Brasil já teve.
Uma presidenta que implementou (e ampliou os existentes) os maiores programas sociais da nossa história, ao mesmo tempo em que deu início e coordenou o maior conjunto de obras de infra-estrutura dos últimos séculos.
Nenhum outro presidente jamais fez tanto pela educação pública brasileira, ampliando o Prouni, criando o Ciência sem Fronteiras e o Pronatec, aumentando o salário de professores universitários, expandindo e aprimorando o Enem.
Nenhum presidente enfrentou a corrupção com tanto respeito às instituições como Dilma.
Mesmo diante de inúmeros abusos, a presidenta manteve uma postura serena e confiante no Ministério Público e no Judiciário, de maneira que, com o passar do tempo, a história poderá lhe dar o crédito por ter sido a responsável por um grande avanço do país na luta contra a corrupção.
E fez tudo isso enfrentando o mais concentrado, poderoso e agressivo conglomerado midiático do mundo.
É incrível, portanto, que a pessoa que enfrentou e enfrenta tudo isso seja uma mulher tão tímida, dotada de uma retórica tão pobre.
A explicação, mais uma vez, é simples.
A rusticidade oratória da presidenta, a sua incrível dificuldade para se comunicar, são compensadas por uma grande ferocidade política, uma coragem extraordinária e uma incomparável disposição para trabalhar.
A ferocidade política se evidencia quando ela fala em corrupção. A sua linguagem corporal muda completamente – e não creio que seja algo planejado porque a postura da presidenta transpira espontaneidade por todos os poros.
Uma espontaneidade absolutamente desastrada, ou “gauche”, como diria Drummond, e por isso mesmo autêntica.
Aliás, isso confirma uma teoria de Carlyle sobre o “heroi político”, segundo a qual as pessoas admiram suas lideranças políticas por suas virtudes, mas as amam por seus defeitos.
Explica também a estranha alquimia operada no frenesi da campanha eleitoral, quando todos os defeitos da presidenta foram convertidos em virtudes, ao passo que as virtudes de Aécio, a sua oratória impecável, a sua fleuma, o seu sorriso triunfante, se tornaram defeitos.
Foi o momento em que dezenas de milhares de pessoas, durante comícios em São Paulo, Rio, Recife, gritavam juntos: “Dilma, eu te amo”.
Ninguém jamais gritou: “Aécio, eu te amo.”
Os defeitos de Dilma, sua dificuldade para falar, confirmam a sua coragem. Pois é como alguém que tivesse uma horrível fobia do mar e mesmo assim insistisse em trabalhar num navio.
Voltando à corrupção, Dilma deixa bem claro, ao abordar o tema, mais pela linguagem corporal e pelo tom de voz, do que por suas palavras, a sua ferocidade política.
É como um recado à própria base aliada, onde ela sabe se encontrar os maiores corruptos, porque estes sempre se refugiam sob as asas do poder.
Como se ela dissesse: “não adianta, não vou mover uma palha para ajudar ninguém. Vai todo mundo se ferrar. Quem mandou roubar?”
*
Sobre o conteúdo da fala, comento os principais pontos:
1) Proposta de segurança pública.
É um dos pontos essenciais, e que pode granjear uma grande popularidade para a presidenta, se o projeto for bem sucedido. A presidenta quer estabelecer um sistema de segurança público unificado, em todas as federações, o que convêm ao país e às novas circunstâncias tecnológicas.
2) Proposta de desburocratização.
Outro ponto importantíssimo para destravar investimentos no país e gerar empregos. Entretanto, é um desses projetos prometidos por todo governo. Vamos ver se agora isso avança. A burocracia no Brasil, em todos os níveis, atrapalha muito a nossa produtividade. Suponho que, se for bem encaminhado, será aprovado com facilidade, visto que não encontrará objeções ideológicas por parte de nenhum partido.
3) Comunicação melhor dos ministérios.
Foi um dos momentos mais duros de seu discurso. Ela falou explicitamente em travar a batalha da comunicação e combater a desinformação. É também o ponto que os internautas mais politizados ouviram com mais ceticismo, visto que a própria presidenta jamais seguiu o conselho que agora dá aos ministros. Afinal, o governo vai continuar cevando os cofres da grande mídia, aquela mesma que desinforma, com dinheiro público? É evidente, além disso, que a iniciativa, neste ponto, precisa ser centralizada pela presidência da república. Dilma não tem sequer um porta-voz. Nem os ministros sabem o que se passa no governo, ou o que pensa a presidenta, como eles poderão defender a sua administração?
4) Direitos trabalhistas.
O discurso soou um pouco falso, embora seja reconfortante ouvir a presidenta afirmar que os direitos trabalhistas seguirão intocáveis. Mas e a tal proposta de mudar a carência do seguro desemprego de 6 meses para 18 meses, prejudicando profundamente o jovem? É uma coisa absurda. A única razão de ser do seguro-desemprego é segurar a renda do trabalhador logo após ele perder o seu emprego. Uma carência de 18 meses não adianta nada. Em 18 meses, o trabalhador já morreu de fome. Agora o governo já admitiu reduzir a carência para 12 meses. Ruim do mesmo jeito. O seguro-desemprego deveria ser emitido imediatamente após a demissão. O governo deveria reduzir o atual prazo de 6 meses, que já é longo, e não tentar estendê-lo.
5) Quanto ao ajuste fiscal, Dilma poderia ter lembrado que o seu governo implementou mudanças importantes no imposto de renda, isentando mais trabalhadores e criando degraus progressivos de cobrança. Seria essencial, neste momento, a presidenta fazer um discurso duro contra a sonegação e a evasão fiscal, de longe o maior problema do Brasil, muito maior inclusive do que a corrupção. O sindicato nacional dos auditores fiscais estima que o Brasil perde mais de 400 bilhões de reais por ano com sonegação. A ong Tax Justice já posicionou o Brasil como um dos países com maior índice de sonegação do mundo. Como isso não sai na mídia, que também sonega, o governo parece não se interessar tanto pelo tema.
6) Dilma falou da necessidade de se investigar a Petrobrás, e os esquemas que a prejudicaram, sem quebrar empresas que formam a base da infra-estrutura no país. É um posicionamento político importante da presidenta, uma chamada para o bom senso. Só que o Ministério Público Federal já andou tentando agir com bom senso, e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi acusado de fazer um acordão para salvar o governo. Janot então, para salvar a pele, recuou e aderiu à mídia, fazendo discursos raivosos e udenistas. A mídia não quer saber de bom senso ou interesse nacional. Ela quer crise política e paralisação de obras fundamentais, para prejudicar o governo e preparar o terreno para seus candidatos em 2016 e 2018. Ou seja, o governo terá de “travar a batalha da comunicação” principalmente neste caso da Lava Jato. Não é o que tem feito até o momento.
Assista ao discurso da presidenta:
.
Dilma rompe o silêncio
Por Miguel do Rosário, postado em janeiro 28th, 2015 |
1 comentários
Ela falou, finalmente.
Aproveitando a primeira reunião ministerial, a presidenta fez um discurso nitidamente voltado à nação.
Entretanto, ao assistir os 35 minutos de discurso da presidenta,
sinto mais uma vez um grande alívio por termos sobrevivido às eleições.
E entendo melhor porque a presidenta resiste tanto a falar mais e a dar entrevistas.
É patente que Dilma, definitivamente, não se sente à vontade como oradora.
A eleição foi vencida pelo projeto, e sobretudo pelo repúdio da
população a um retrocesso neoliberal (o mesmo que tenta se imiscuir
agora no governo, via Levy), não pelas qualidades retóricas da
presidenta.
Dilma é uma pessoa tímida, que fica nervosa, que gagueja, que se
absorve tanto na angústia de se expor que tem dificuldade de se
concentrar.
Quando improvisa, é um desastre.
Ela tentou, por exemplo, fazer graça com o fato do Brasil figurar como maior mercado mundial de cosméticos.
Após sorrir timidamente, dirige um olhar cúmplice aos ouvintes. A
linguagem corporal diz: quero falar uma coisa engraçada, me ajudem.
Só que, para o ouvinte, o efeito é inverso. O ouvinte fica ainda mais
aflito, quase com pena, porque sabe que ela quer dizer alguma coisa
divertida, sabe até o que ela quer dizer, porque em geral é alguma piada
trivial, e sabe que ela não está conseguindo encontrar a expressão.
A presidenta então hesita mais que nunca. Por fim, após torturantes
décimos de segundo de silêncio constrangedor, ela consegue soltar a
frase engasgada.
No caso dos cosméticos, a frase engraçada é uma expressão pernóstica: “a vaidade intrínseca” da mulher.
De resto, o texto do discurso é, como sempre, repetitivo, medíocre e confuso.
Ao invés de incutir entusiasmo, provoca desânimo.
O problema de comunicação, portanto, vem de cima, da própria presidenta.
Não me levem a mal.
Eu votei em Dilma, apoio seu governo (com críticas, claro), e todos
os dias respiro aliviado por termos vencido uma eleição tão difícil em
2014.
Também acho que a história será justa com Dilma, e ela poderá ser considerada uma das melhores presidentes que o Brasil já teve.
Uma presidenta que implementou (e ampliou os existentes) os maiores
programas sociais da nossa história, ao mesmo tempo em que deu início e
coordenou o maior conjunto de obras de infra-estrutura dos últimos
séculos.
Nenhum outro presidente jamais fez tanto pela educação pública
brasileira, ampliando o Prouni, criando o Ciência sem Fronteiras e o
Pronatec, aumentando o salário de professores universitários, expandindo
e aprimorando o Enem.
Nenhum presidente enfrentou a corrupção com tanto respeito às instituições como Dilma.
Mesmo diante de inúmeros abusos, a presidenta manteve uma postura
serena e confiante no Ministério Público e no Judiciário, de maneira
que, com o passar do tempo, a história poderá lhe dar o crédito por ter
sido a responsável por um grande avanço do país na luta contra a
corrupção.
E fez tudo isso enfrentando o mais concentrado, poderoso e agressivo conglomerado midiático do mundo.
É incrível, portanto, que a pessoa que enfrentou e enfrenta tudo isso
seja uma mulher tão tímida, dotada de uma retórica tão pobre.
A explicação, mais uma vez, é simples.
A rusticidade oratória da presidenta, a sua incrível dificuldade para
se comunicar, são compensadas por uma grande ferocidade política, uma
coragem extraordinária e uma incomparável disposição para trabalhar.
A ferocidade política se evidencia quando ela fala em corrupção. A
sua linguagem corporal muda completamente – e não creio que seja algo
planejado porque a postura da presidenta transpira espontaneidade por
todos os poros.
Uma espontaneidade absolutamente desastrada, ou “gauche”, como diria Drummond, e por isso mesmo autêntica.
Aliás, isso confirma uma teoria de Carlyle sobre o “heroi político”,
segundo a qual as pessoas admiram suas lideranças políticas por suas
virtudes, mas as amam por seus defeitos.
Explica também a estranha alquimia operada no frenesi da campanha
eleitoral, quando todos os defeitos da presidenta foram convertidos em
virtudes, ao passo que as virtudes de Aécio, a sua oratória impecável, a
sua fleuma, o seu sorriso triunfante, se tornaram defeitos.
Foi o momento em que dezenas de milhares de pessoas, durante comícios
em São Paulo, Rio, Recife, gritavam juntos: “Dilma, eu te amo”.
Ninguém jamais gritou: “Aécio, eu te amo.”
Os defeitos de Dilma, sua dificuldade para falar, confirmam a sua
coragem. Pois é como alguém que tivesse uma horrível fobia do mar e
mesmo assim insistisse em trabalhar num navio.
Voltando à corrupção, Dilma deixa bem claro, ao abordar o tema, mais
pela linguagem corporal e pelo tom de voz, do que por suas palavras, a
sua ferocidade política.
É como um recado à própria base aliada, onde ela sabe se encontrar os
maiores corruptos, porque estes sempre se refugiam sob as asas do
poder.
Como se ela dissesse: “não adianta, não vou mover uma palha para ajudar ninguém. Vai todo mundo se ferrar. Quem mandou roubar?”
*
Sobre o conteúdo da fala, comento os principais pontos:
1) Proposta de segurança pública.
É um dos pontos essenciais, e que pode granjear uma grande
popularidade para a presidenta, se o projeto for bem sucedido. A
presidenta quer estabelecer um sistema de segurança público unificado,
em todas as federações, o que convêm ao país e às novas circunstâncias
tecnológicas.
2) Proposta de desburocratização.
Outro ponto importantíssimo para destravar investimentos no país e
gerar empregos. Entretanto, é um desses projetos prometidos por todo
governo. Vamos ver se agora isso avança. A burocracia no Brasil, em
todos os níveis, atrapalha muito a nossa produtividade. Suponho que, se
for bem encaminhado, será aprovado com facilidade, visto que não
encontrará objeções ideológicas por parte de nenhum partido.
3) Comunicação melhor dos ministérios.
Foi um dos momentos mais duros de seu discurso. Ela falou
explicitamente em travar a batalha da comunicação e combater a
desinformação. É também o ponto que os internautas mais politizados
ouviram com mais ceticismo, visto que a própria presidenta jamais seguiu
o conselho que agora dá aos ministros. Afinal, o governo vai continuar
cevando os cofres da grande mídia, aquela mesma que desinforma, com
dinheiro público? É evidente, além disso, que a iniciativa, neste ponto,
precisa ser centralizada pela presidência da república. Dilma não tem
sequer um porta-voz. Nem os ministros sabem o que se passa no governo,
ou o que pensa a presidenta, como eles poderão defender a sua
administração?
4) Direitos trabalhistas.
O discurso soou um pouco falso, embora seja reconfortante ouvir a
presidenta afirmar que os direitos trabalhistas seguirão intocáveis. Mas
e a tal proposta de mudar a carência do seguro desemprego de 6 meses
para 18 meses, prejudicando profundamente o jovem? É uma coisa absurda. A
única razão de ser do seguro-desemprego é segurar a renda do
trabalhador logo após ele perder o seu emprego. Uma carência de 18 meses
não adianta nada. Em 18 meses, o trabalhador já morreu de fome. Agora o
governo já admitiu reduzir a carência para 12 meses. Ruim do mesmo
jeito. O seguro-desemprego deveria ser emitido imediatamente após a
demissão. O governo deveria reduzir o atual prazo de 6 meses, que já é
longo, e não tentar estendê-lo.
5) Quanto ao ajuste fiscal, Dilma poderia ter lembrado que o seu
governo implementou mudanças importantes no imposto de renda, isentando
mais trabalhadores e criando degraus progressivos de cobrança. Seria
essencial, neste momento, a presidenta fazer um discurso duro contra a
sonegação e a evasão fiscal, de longe o maior problema do Brasil, muito
maior inclusive do que a corrupção. O sindicato nacional dos auditores
fiscais estima que o Brasil perde mais de 400 bilhões de reais por ano
com sonegação. A ong Tax Justice já posicionou o Brasil como um dos
países com maior índice de sonegação do mundo. Como isso não sai na
mídia, que também sonega, o governo parece não se interessar tanto pelo
tema.
6) Dilma falou da necessidade de se investigar a Petrobrás, e os
esquemas que a prejudicaram, sem quebrar empresas que formam a base da
infra-estrutura no país. É um posicionamento político importante da
presidenta, uma chamada para o bom senso. Só que o Ministério Público
Federal já andou tentando agir com bom senso, e o procurador-geral da
República, Rodrigo Janot, foi acusado de fazer um acordão para salvar o
governo. Janot então, para salvar a pele, recuou e aderiu à mídia,
fazendo discursos raivosos e udenistas. A mídia não quer saber de bom
senso ou interesse nacional. Ela quer crise política e paralisação de
obras fundamentais, para prejudicar o governo e preparar o terreno para
seus candidatos em 2016 e 2018. Ou seja, o governo terá de “travar a
batalha da comunicação” principalmente neste caso da Lava Jato. Não é o
que tem feito até o momento.
Assista ao discurso da presidenta:
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Dilma rompe o silêncio
Por Miguel do Rosário, postado em janeiro 28th, 2015 |
1 comentários
Ela falou, finalmente.
Aproveitando a primeira reunião ministerial, a presidenta fez um discurso nitidamente voltado à nação.
Entretanto, ao assistir os 35 minutos de discurso da presidenta,
sinto mais uma vez um grande alívio por termos sobrevivido às eleições.
E entendo melhor porque a presidenta resiste tanto a falar mais e a dar entrevistas.
É patente que Dilma, definitivamente, não se sente à vontade como oradora.
A eleição foi vencida pelo projeto, e sobretudo pelo repúdio da
população a um retrocesso neoliberal (o mesmo que tenta se imiscuir
agora no governo, via Levy), não pelas qualidades retóricas da
presidenta.
Dilma é uma pessoa tímida, que fica nervosa, que gagueja, que se
absorve tanto na angústia de se expor que tem dificuldade de se
concentrar.
Quando improvisa, é um desastre.
Ela tentou, por exemplo, fazer graça com o fato do Brasil figurar como maior mercado mundial de cosméticos.
Após sorrir timidamente, dirige um olhar cúmplice aos ouvintes. A
linguagem corporal diz: quero falar uma coisa engraçada, me ajudem.
Só que, para o ouvinte, o efeito é inverso. O ouvinte fica ainda mais
aflito, quase com pena, porque sabe que ela quer dizer alguma coisa
divertida, sabe até o que ela quer dizer, porque em geral é alguma piada
trivial, e sabe que ela não está conseguindo encontrar a expressão.
A presidenta então hesita mais que nunca. Por fim, após torturantes
décimos de segundo de silêncio constrangedor, ela consegue soltar a
frase engasgada.
No caso dos cosméticos, a frase engraçada é uma expressão pernóstica: “a vaidade intrínseca” da mulher.
De resto, o texto do discurso é, como sempre, repetitivo, medíocre e confuso.
Ao invés de incutir entusiasmo, provoca desânimo.
O problema de comunicação, portanto, vem de cima, da própria presidenta.
Não me levem a mal.
Eu votei em Dilma, apoio seu governo (com críticas, claro), e todos
os dias respiro aliviado por termos vencido uma eleição tão difícil em
2014.
Também acho que a história será justa com Dilma, e ela poderá ser considerada uma das melhores presidentes que o Brasil já teve.
Uma presidenta que implementou (e ampliou os existentes) os maiores
programas sociais da nossa história, ao mesmo tempo em que deu início e
coordenou o maior conjunto de obras de infra-estrutura dos últimos
séculos.
Nenhum outro presidente jamais fez tanto pela educação pública
brasileira, ampliando o Prouni, criando o Ciência sem Fronteiras e o
Pronatec, aumentando o salário de professores universitários, expandindo
e aprimorando o Enem.
Nenhum presidente enfrentou a corrupção com tanto respeito às instituições como Dilma.
Mesmo diante de inúmeros abusos, a presidenta manteve uma postura
serena e confiante no Ministério Público e no Judiciário, de maneira
que, com o passar do tempo, a história poderá lhe dar o crédito por ter
sido a responsável por um grande avanço do país na luta contra a
corrupção.
E fez tudo isso enfrentando o mais concentrado, poderoso e agressivo conglomerado midiático do mundo.
É incrível, portanto, que a pessoa que enfrentou e enfrenta tudo isso
seja uma mulher tão tímida, dotada de uma retórica tão pobre.
A explicação, mais uma vez, é simples.
A rusticidade oratória da presidenta, a sua incrível dificuldade para
se comunicar, são compensadas por uma grande ferocidade política, uma
coragem extraordinária e uma incomparável disposição para trabalhar.
A ferocidade política se evidencia quando ela fala em corrupção. A
sua linguagem corporal muda completamente – e não creio que seja algo
planejado porque a postura da presidenta transpira espontaneidade por
todos os poros.
Uma espontaneidade absolutamente desastrada, ou “gauche”, como diria Drummond, e por isso mesmo autêntica.
Aliás, isso confirma uma teoria de Carlyle sobre o “heroi político”,
segundo a qual as pessoas admiram suas lideranças políticas por suas
virtudes, mas as amam por seus defeitos.
Explica também a estranha alquimia operada no frenesi da campanha
eleitoral, quando todos os defeitos da presidenta foram convertidos em
virtudes, ao passo que as virtudes de Aécio, a sua oratória impecável, a
sua fleuma, o seu sorriso triunfante, se tornaram defeitos.
Foi o momento em que dezenas de milhares de pessoas, durante comícios
em São Paulo, Rio, Recife, gritavam juntos: “Dilma, eu te amo”.
Ninguém jamais gritou: “Aécio, eu te amo.”
Os defeitos de Dilma, sua dificuldade para falar, confirmam a sua
coragem. Pois é como alguém que tivesse uma horrível fobia do mar e
mesmo assim insistisse em trabalhar num navio.
Voltando à corrupção, Dilma deixa bem claro, ao abordar o tema, mais
pela linguagem corporal e pelo tom de voz, do que por suas palavras, a
sua ferocidade política.
É como um recado à própria base aliada, onde ela sabe se encontrar os
maiores corruptos, porque estes sempre se refugiam sob as asas do
poder.
Como se ela dissesse: “não adianta, não vou mover uma palha para ajudar ninguém. Vai todo mundo se ferrar. Quem mandou roubar?”
*
Sobre o conteúdo da fala, comento os principais pontos:
1) Proposta de segurança pública.
É um dos pontos essenciais, e que pode granjear uma grande
popularidade para a presidenta, se o projeto for bem sucedido. A
presidenta quer estabelecer um sistema de segurança público unificado,
em todas as federações, o que convêm ao país e às novas circunstâncias
tecnológicas.
2) Proposta de desburocratização.
Outro ponto importantíssimo para destravar investimentos no país e
gerar empregos. Entretanto, é um desses projetos prometidos por todo
governo. Vamos ver se agora isso avança. A burocracia no Brasil, em
todos os níveis, atrapalha muito a nossa produtividade. Suponho que, se
for bem encaminhado, será aprovado com facilidade, visto que não
encontrará objeções ideológicas por parte de nenhum partido.
3) Comunicação melhor dos ministérios.
Foi um dos momentos mais duros de seu discurso. Ela falou
explicitamente em travar a batalha da comunicação e combater a
desinformação. É também o ponto que os internautas mais politizados
ouviram com mais ceticismo, visto que a própria presidenta jamais seguiu
o conselho que agora dá aos ministros. Afinal, o governo vai continuar
cevando os cofres da grande mídia, aquela mesma que desinforma, com
dinheiro público? É evidente, além disso, que a iniciativa, neste ponto,
precisa ser centralizada pela presidência da república. Dilma não tem
sequer um porta-voz. Nem os ministros sabem o que se passa no governo,
ou o que pensa a presidenta, como eles poderão defender a sua
administração?
4) Direitos trabalhistas.
O discurso soou um pouco falso, embora seja reconfortante ouvir a
presidenta afirmar que os direitos trabalhistas seguirão intocáveis. Mas
e a tal proposta de mudar a carência do seguro desemprego de 6 meses
para 18 meses, prejudicando profundamente o jovem? É uma coisa absurda. A
única razão de ser do seguro-desemprego é segurar a renda do
trabalhador logo após ele perder o seu emprego. Uma carência de 18 meses
não adianta nada. Em 18 meses, o trabalhador já morreu de fome. Agora o
governo já admitiu reduzir a carência para 12 meses. Ruim do mesmo
jeito. O seguro-desemprego deveria ser emitido imediatamente após a
demissão. O governo deveria reduzir o atual prazo de 6 meses, que já é
longo, e não tentar estendê-lo.
5) Quanto ao ajuste fiscal, Dilma poderia ter lembrado que o seu
governo implementou mudanças importantes no imposto de renda, isentando
mais trabalhadores e criando degraus progressivos de cobrança. Seria
essencial, neste momento, a presidenta fazer um discurso duro contra a
sonegação e a evasão fiscal, de longe o maior problema do Brasil, muito
maior inclusive do que a corrupção. O sindicato nacional dos auditores
fiscais estima que o Brasil perde mais de 400 bilhões de reais por ano
com sonegação. A ong Tax Justice já posicionou o Brasil como um dos
países com maior índice de sonegação do mundo. Como isso não sai na
mídia, que também sonega, o governo parece não se interessar tanto pelo
tema.
6) Dilma falou da necessidade de se investigar a Petrobrás, e os
esquemas que a prejudicaram, sem quebrar empresas que formam a base da
infra-estrutura no país. É um posicionamento político importante da
presidenta, uma chamada para o bom senso. Só que o Ministério Público
Federal já andou tentando agir com bom senso, e o procurador-geral da
República, Rodrigo Janot, foi acusado de fazer um acordão para salvar o
governo. Janot então, para salvar a pele, recuou e aderiu à mídia,
fazendo discursos raivosos e udenistas. A mídia não quer saber de bom
senso ou interesse nacional. Ela quer crise política e paralisação de
obras fundamentais, para prejudicar o governo e preparar o terreno para
seus candidatos em 2016 e 2018. Ou seja, o governo terá de “travar a
batalha da comunicação” principalmente neste caso da Lava Jato. Não é o
que tem feito até o momento.
Assista ao discurso da presidenta:
034
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O discurso que abriu a primeira reunião
ministerial do segundo mandato, ontem, teve o último ponto como o "mais
importante", na avaliação de Tereza Cruvinel, colunista do 247; Dilma
Rousseff prometeu colocar em debate com a sociedade, já nesse primeiro
semestre, o tema da reforma política; "Como, ela não disse, mas só
debater é pouco", opina a jornalista, que defende que "Dilma pode e deve
fazer muito mais", como reunir o Conselho da República, o que raramente
acontece, e "enviar uma proposta"; "Se o Congresso engavetá-la, pior
para ele. Ficará mais uma vez claro que os senhores congressistas, entra
e sai legislatura, não querem mudar nada neste sistema", afirma; leia a
íntegra
247 – O último ponto do discurso de ontem da
presidente Dilma Rousseff aos 39 ministros na Grana do Torto foi o "mais
importante" de toda a fala, avalia a colunista do 247 Tereza Cruvinel.
Dilma Rousseff prometeu colocar em debate com a sociedade, já nesse
primeiro semestre, o tema da reforma política.
Na opinião da jornalista, porém, "só debater é pouco". "Dilma pode e
deve fazer muito mais", defende Tereza, em seu blog. Uma das propostas
que Dilma deveria seguir, diz ela, é reunir o Conselho da República,
instituição prevista em nossa Constituição como um órgão de
aconselhamento da presidência e que raramente se reúne
.
Outra sugestão da jornalista é a de a presidente "enviar uma
proposta". "Se o Congresso engavetá-la, pior para ele. Ficará mais uma
vez claro que os senhores congressistas, entra e sai legislatura, não
querem mudar nada neste sistema que vem encalacrando o país".
Em um texto publicado hoje sobre o discurso, o Blog do Planalto
ressaltou no título: "Presidenta diz que reforma política será
prioridade". O destaque é mais uma prova de que o governo pretende dar
mais atenção ao tema. "Uma das prioridades do governo neste semestre
será estimular o debate e ações pela reforma política no País, demanda
de grande expectativa da sociedade brasileira", diz o post (leia aqui).
Na
reportagem "Em 4 anos de Dilma, MEC teve a pior execução do orçamento,
desde 2001", o jornal O Estado de São Paulo esconde informações
importantes para o leitor, as deixando para o pé da página: a presidenta
Dilma foi responsável por um aumento nominal de 93% nos investimentos
na educação.
Com o crescimento, o primeiro mandato de Dilma totalizou um orçamento de cerca de R$ 265 bilhões para a educação.
Somente no penúltimo parágrafo a reportagem reconhece: "Mesmo com
execução orçamentária abaixo da média, os gastos com educação tiveram
forte ampliação no governo Dilma".
E a boa notícia escondida no
início continua: "No governo Dilma, foi a primeira vez que a proporção
da educação passou a representar mais de 5% do orçamento previsto e
também do gasto".
Corretíssimos tanto a iniciativa quanto o texto publicado no site do PT e já compartilhado no perfil oficial da presidenta da República
no Facebook, no qual o partido contesta, por incorretos, os dados da
reportagem “Em 4 anos de Dilma, MEC teve a pior execução do orçamento,
desde 2001″, publicada no jornal O Estado de S.Paulo nesta 2ª feira
(ontem).
Screen Shot 2015-01-27 at 5.41.28 PMFoi o contrário,
Estadão! “A presidenta Dilma Rousseff foi responsável por um aumento
nominal de 93% nos investimentos na educação, quando comparado com o
último governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, contesta a
nota no site do PT. O partido chama atenção, ainda, para um detalhe na
reportagem: a informação veio escondida no pé da matéria.
“O
jornal paulistano preferiu esconder o aumento no orçamento do setor –
cerca de R$ 265 bi – em quatro anos. Optou por manipular as
estatísticas”, diz um trecho da nota petista. Na verdade a reportagem do
Estadão faz uma comparação entre os governos petista (2003-2014) e
tucano (1995-2002).
Estadão consegue transformar boa em má notícia contra Dilma
“Quem
se aventurou até o fim do texto, no entanto, foi surpreendido pela
verdade: o desempenho em execução do orçamento só foi menor nos dois
últimos anos de FHC”. Somente no penúltimo parágrafo a reportagem
reconhece: “Mesmo com execução orçamentária abaixo da média, os gastos
com educação tiveram forte ampliação no governo Dilma”.
O partido
questiona, também, que as informações, embora positivas em relação ao
desempenho da presidente, podem ter sido utilizadas contra ela. “No
governo Dilma, foi a primeira vez que a proporção da educação passou a
representar mais de 5% do orçamento previsto e também do gasto” lembra o
partido.
“Contra Dilma, investimento recorde em educação vira
notícia negativa”, destaca o PT. Coisa que nossa grande mídia consegue
fazer! Como ninguém!
A Petrobras foi submetida a um desafio impossível: estimar as perdas com a corrupção para dar baixa no balanço.
Os vazamentos indiscriminados ventilaram a suspeita de que os desvios
poderiam ter ascendido a R$ 20 bilhões. Mas a única coisa de concreto
que se tem é a comissão de 3% sobre cada contrato fechado. E quem pagava
era o fornecedor, não a Petrobras.
Compare-se a propina com, digamos, uma comissão de vendas.
Do ponto de vista penal, a distinção é total: propina é crime e tem que levar a cadeia quem pagou e quem recebeu.
Do ponto de vista contábil (e do ponto de vista de proporção do
contrato) ambas equivalem. Ou seja, o custo de uma propina é similar ao
de uma comissão por intermediação comercial.
Mas não é só isso.
A intermediação justifica-se no caso de contratos sem licitação. Aí,
valem os contatos e a lábia do vendedor. No caso de contratos licitados,
o custo da intermediação (ou seja, da propina) é embutido no preço do
contrato. Teoricamente, então, o primeiro cálculo para estimar as perdas
da. Petrobras seria o sobrepreço pago para compensar a propina. Para
isso, a Lava Jato precisa ter o quadro completo de propinas pagas e
repassá-lo à Petrobras.
Não apenas isso.
Há a suspeita de formação de cartel. A caça implacável da força
tarefa atrás da Odebrecht tem uma explicação. Não se pode conceber um
cartel sem a presença da maior empreiteira. Se nada for encontrado que
incrimine a Odebrechet, ficará difícil provar a tese do cartel.
Daí o empenho dos delegados e procuradores em plantar notas na
imprensa, buscando o caminho mais fácil: intimidar os executivos da
empresa para que adiram à delação premiada.
Se conseguirem juntar todos os elos e provar a existência do cartel, o
passo seguinte será estimar o sobrepreço que resultou do acordo. E esse
sobrepreço teria que ser calculado em cada obra. Não pode ser
confundido com os aditivos, já que parte deles têm justificativas
técnicas.
Já se dizia que era mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma
agulha do que um rico ir para a prisão. O rico já foi. Diria que é mais
fácil contar as areias do castelo do que ter uma resposta precisa para
as baixas contábeis da Petrobras.
Para o Conselho de Medicina ler: Reino Unido contrata 3 mil médicos estrangeiros.
Tijolaço - 28 de janeiro de 2015 | 13:36 Autor: Fernando Brito
Está no The Guardian, para que o nosso corporativismo médico ficar com cara de tacho.
O National Health System do Reino Unido, um ultra-mega-SUS
num país em que a medicina privada é exceção, contratou, no ano passado,
três mil médicos estrangeiros.
Vieram de pelo menos 27 países, incluindo a Índia, Polônia, Austrália e Grécia – e também do Iraque, Síria e Sudão.
Não que a coisa esteja muito bem por lá, não está.
As pressões, inclusive as dos médicos, para abrir o sistema a uma maior presença das empresas médicas são grandes.
Desde Margareth Tatcher cortou verbas e mudou as regras contratuais dos “GPs” (General Practitioner, o médico generalista por lá) elas vêm se acentuando .
Mas a essência pública do sistema permanece e o médico não é um “produto de mercado”, que tem seu preço específico.
E a “livre escolha” não é a regra, porque os médicos tratam segundo protocolos e critérios que são comuns à toda medicina.
E, claro, a todo paciente, seja rico ou pobre.
Até porque eles são iguais, ao menos do ponto da fisiologia, não é?
A ideia essencial da medicina privada não é a liberdade do paciente.
O noticiário da Globo é tendencioso. Ninguém que seja medianamente
informado pensará diferente. Entretanto, não sei se as vítimas desse
noticiário perceberam que no afã de denegrir o Governo, o que está
perfeitamente dentro de suas prerrogativas de imprensa livre, a Tevê
Globo, sobretudo nas pessoas dos comentaristas William Wack e Carlos
Sardenberg, passaram a atacar o Estado brasileiro, o que sugere crime de
lesa-pátria.
O Jornal da Globo de ontem, terça-feira, ultrapassou todos os limites
da manipulação no sentido de execrar com a Petrobras através de uma
análise distorcida de fatos e estatísticas. Os dois comentaristas
tomaram por base valor de mercado, comparando-o com dívidas, para
sugerir que a empresa está quebrada. É puro charlatanismo, economia de
botequim, violação das mais elementares regras de jornalismo sério.
Valor de mercado não mede valor de empresa; é simplesmente um
indicador de solvência de ações num dia no ambiente ultra-especulativo
de bolsas de valores. O que mede o valor real de uma empresa é seu
patrimônio comparado com seu endividamento. As dívidas que a Petrobras
contraiu para suas atividades produtivas, notadamente do pré-sal, são
muitíssimo inferiores a seu patrimônio, no qual se incluem bilhões de
barris medidos de óleo do pré-sal.
Evidentemente que os dois comentaristas da Globo torcem para que o
petróleo fique por tempo indefinido abaixo dos 45 dólares para
inviabilizar o pré-sal brasileiro. Esqueçam isso. É uma idiotice
imaginar que a baixa do petróleo durará eternamente: a própria imprensa
norte-americana deu conta de que os poços em desenvolvimento do óleo e
do gás de xisto, os vilões dos preços baixos, tem um tempo de vida muito
inferior ao que se pensava antes.
É claro que o preço baixo do petróleo tem um forte componente
geopolítico a fim de debilitar, de uma tacada, a economia russa, a
economia venezuelana e a economia iraniana – e muito especialmente a
primeira. Mas o fato é que atinge também empresas americanas que
entraram de cabeça no xisto, assim como países “aliados” que produzem
petróleo. No caso do pré-sal, ele só se tornaria inviável no mercado
internacional com o barril abaixo de 45 dólares.
Os ataques dos dois comentaristas da Globo à Petrobras têm endereço
certo: é parte de uma campanha contra o modelo de partilha de produção
do pré-sal sob controle único da Petrobras, contra a política de
conteúdo nacional nas encomendas da empresa e contra a contratação das
grandes construtoras brasileiras para os serviços de construção de
plataformas e outras obras civis, principalmente de refinarias.
Esses três pontos foram assinalados no discurso de Dilma como
inegociáveis. É uma decisão de Estado, não apenas de Governo.
Sintomaticamente, os dois comentaristas da Globo sequer mencionaram
esses pontos. Preferiram dar destaque maior ao noticiário pingado da
Lava Jato, que, cá pra nós, já está ficando chato na medida em que não
tem nada realmente novo, mas simples repetição à exaustão de denúncias
anteriores.
P.S. Talvez os dois comentaristas teriam maior simpatia pela
Petrobras se parassem para dar uma olhada nos anúncios televisivos sobre
a performance vitoriosa da empresa, e que ela está pagando para serem
exibidos na Globo, para mim de forma absurda e injustificável.
J. Carlos de Assis. Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB. . .
O quarto trimestre
do ano passado foi o melhor da história da Apple. Graças ao sucesso dos
novos iPhone 6 e 6 Plus, a empresa registrou uma receita recorde de US$
74,6 bilhões, 30% maior que no mesmo período do ano passado. E o lucro
trimestral também foi recorde: US$ 18 bilhões, ou US$ 5 bilhões acima do
recorde anterior.
Entre outubro e dezembro, a Apple vendeu 74,5
milhões de iPhones no mundo, um crescimento de 46% em um ano. “Vendemos
44 mil iPhones por hora. É até difícil de entender. O lançamento do
iPhone 6 e 6 Plus foi o mais rápido da nossa história. O produto já está
presente em 130 países”, comentou o CEO da Apple, Tim Cook, durante a
teleconferência sobre o balanço. No quarto trimestre, a Apple vendeu 5,5
milhões de computadores e 21 milhões de iPads.
Outro dado
impressionante informado pelo executivo: no dia 22 de novembro a Apple
alcançou a marca de 1 bilhão de aparelhos com iOS vendidos até o momento
– trata-se da soma de todos os iPhones e iPads vendidos na história.
Os
mercados emergentes foram as estrelas desse trimestre para a empresa.
Cook destacou especificamente o desempenho na China e no Brasil. Hoje a
China é o segundo maior mercado de iPhones no mundo.
Segundo
Cook, o quarto trimestre registrou a maior quantidade de novos usuários
de iPhone de toda a história do produto. E também foi a maior quantidade
de migrações de usuários de Android para iPhone, considerando os três
últimos lançamentos de iPhones. De acordo com o CEO da Apple, a
quantidade de usuários de modelos antigos de iPhone que migrou para os
novos modelos ainda é pequena. Ele não revelou a proporção, contudo.Apple Watch e Apple Pay
O
relógio inteligente da Apple, o Apple Watch, começará a ser vendido em
abril, disse Cook. “Minhas expectativas são altas. A quantidade de
desenvolvedores que estão escrevendo apps é impressionante e vemos
grandes inovações”, comentou.
Sobre Apple Pay, já há 750 bancos e
instituições financeiras aceitando o sistema de pagamento sem contato
da Apple nos EUA. Em lojas que aceitam pagamentos por NFC, o Apple Pay
já representa US$ 2 de cada US$ 3 em transações desse tipo. Em alguns
casos chega a 80%. “2015 será o ano do Apple Pay”, disse.
Em tempo: Kamel, você sabia que a indústria de aplicativos para celular
já vende mais que toda Hollywood ? Kamel, você e a Globo já têm um
“plano B” ? Ou os filhos do Roberto Marinho – que não têm nome próprio –
ainda acham que o Aécio ganhou e vai abrir o BNDES ?
François Hollande administra um país
dilacerado entre os que clamam pela "guerra ao terror" e aqueles que
querem segurança sem comprometer as liberdades civis
Perguntaria Hamlet: “Ser ou não ser?” Charlie, está
claro. A personagem de Shakespeare é o paradigma da dúvida atormentada
pela invulnerabilidade do efêmero. Surpreende, porém, e até espanta, a
rapidez com que a larga maioria fez sua escolha. Por quê? A que se deve o
imediatismo da resposta? Agir às pressas, de impulso, precipita amiúde
equívocos, enganos, erros. Não seria o caso de parar para pensar?
Pois é, pensar. Explorar a faculdade que o ser humano tem de
constatar sua pessoal existência. O mundo vive uma quadra de enormes
incertezas e de graves conflitos, e a situação se apinha de inúmeros por
quês. Por que aqui estamos a padecer uma crise econômica que poupa
somente banqueiros e especuladores, aliás, a eles aproveita
acintosamente? Por que o rentismo grassa enquanto o desemprego aumenta?
Por que o desequilíbrio social se aprofunda em todos os cantos?
Por que
uma centena de multinacionais impõe sua vontade a Estados soberanos? Por
que a senhora Merkel e seus banqueiros ditam as regras à inteira
Comunidade Europeia e decretam a austeridade em lugar do
desenvolvimento? Por que o atual presidente da UE é o ex-premier do
Luxemburgo, o aprazível paraíso fiscal?
Interrogações sem conta, propostas pela circunstância. Pode-se, se
quisermos, perguntar aos nossos botões por que o mundo carece hoje de
poetas, ou por que pagam-se dezenas de milhões de dólares por um tubarão
morto mergulhado em uma caixa de vidro cheia de formol, ou por que
navegantes da internet divulgam aos quatro ventos o cardápio do seu
jantar da noite anterior. Ou por que, de súbito, a humanidade
concentra-se na Place de la République, de corpo presente ou em
espírito, para manifestar contra o terrorismo.
O espetáculo parisiense assinala, ao mesmo tempo, o triunfo do
modismo e da hipocrisia. Fácil identificar o lado de cada qual, a ser
clara a desfaçatez das autoridades. Em boa parte, tem responsabilidades
em relação ao terrorismo, quando não são seus instigadores, cúmplices,
ou até mesmo praticantes, competentes ou não. Conseguiram o que queriam,
admitamos. Juntaram o Ocidente em uma praça parisiense para ostentar os
seus poderes e cuidar dos seus interesses políticos, sem exclusão de
golpes baixos, ações de guerra, assaltos aos cofres públicos e
terrorismo de Estado, sem contar as violações dos Direitos Humanos.
Diante deles, incitada pelas frases feitas da propaganda midiática,
súcuba dos apelos da retórica globalizada, a grei automatizada. Incapaz
de entender se, de pura e sacrossanta verdade, o massacre na redação do Charlie Hebdo
configura um ataque sem precedentes à liberdade de imprensa, ou de
expressão. Ou à liberdade na acepção total, sem qualificativos.
Resta entender o significado e o alcance das palavras. Sabemos, em
primeiro lugar, ou pretendemos saber, que a liberdade de cada um acaba
na liberdade do semelhante. Nem todos se dão conta disso.
De qualquer
forma, a liberdade proclamada pela Revolução Francesa acaba por ser de
poucos se não for completada pela igualdade. Livre é realmente uma
sociedade de iguais. Se há canto da Terra onde esta simbiose acontece,
louvado seja quem fez o milagre. Nem se fale do Brasil, o país de
casa-grande e senzala.
Outra questão diz respeito à liberdade de imprensa, que na mídia
nativa conta com paladinos aguerridos. A liberdade que defendem é a de
fazer o que bem entendem. Não é assim em outros países democráticos e
civilizados, onde a mídia é devidamente regulamentada, para impedir,
entre outros objetivos, o monopólio e o oligopólio. Na França, é certo, o
Charlie Hebdo podia circular à vontade, a despeito dos seus discutíveis
propósitos e de certo autoritarismo a vingar na redação. O cartunista
Siné, célebre desde o fim dos anos 50, foi despedido porque suas charges
não tinham a desejada agressividade e evitavam certos assuntos.
A virulência antimuçulmana, no Charlie Hebdo, não é inferior àquela
dirigida contra as religiões monoteístas de cristãos e judeus. Tempos
atrás, uma charge mostrava, da forma mais crua, o encontro (seria um
rendez-vous?) entre a Virgem Maria e um centurião romano, com o
resultado de trazer à vida quem mais, se não Jesus Cristo. Ocorre a
lembrança de um Pif-Paf, a seção entregue pelo O Cruzeiro
dos Diários Associados a Millôr Fernandes, por mais de duas décadas. O
humorista estava disposto a contar a história fracassada de Adão e Eva
no Paraíso Terrestre. Jocosa e sem vulgaridade, no traço steinberguiano
de Millôr.
ACNBB protestou oficialmente, e Millôr foi despedido com a habitual
pusilanimidade. Não houve manifestação na Cinelândia carioca.
Não convém ao Ocidente aceitar a ideia de que a tragédia decorre de
uma ação de guerra levada a cabo por um comando bem treinado, mas é
assim que pensam os fanáticos arregimentados pela Jihad.
Se uma bomba um
dia desses explodir, digamos, no Grand Palais, não podemos alegar o
atentado contra a liberdade de expressão, como não o foi o ataque às
Torres Gêmeas. O objetivo do terrorismo, de resto, é solapar a
capacidade de resistência do inimigo designado, de certa maneira é
semear o pânico com a humilhação do alvejado.
Não se trata, de todo modo, de buscar explicações, e sim de entender
que a liberdade de expressão tem necessariamente limites, bem como a
intenção de provocar, desbragada na publicação satírica. O que talvez
esclareça quanto ao seu escasso êxito junto ao público francês. Nesta
semana, o Charlie Hebdo saltou de uma tiragem de algumas dezenas de
milhares de cópias para milhões. Também este é fruto do modismo, a
contar, para a manipulação da opinião pública, com instrumentos cada vez
mais capilares e eficazes. Vezos e tendências momentâneos assumem a
ribalta e tomam conta da plateia de forma avassaladora. Até levá-la, se
for o caso, à Place de la République.
É provável que na multidão também figurassem muitos cidadãos
franceses de origem árabe, ou africana, e de religião muçulmana,
impelidos pela repulsa ao terrorismo, conquanto ofendidos pela charge
que visava o Profeta. Que fazer com 6 milhões de muçulmanos franceses
donos de todos os direitos de cidadania? Expulsá-los em bloco? Não
faltarão aqueles que aprovariam a solução com entusiasmo. Caso se trate
de torcedores do futebol, a xenofobia os teria levado a não considerar o
triste destino da seleção francesa, privada de muitos entre seus
melhores craques.
Deste ponto de vista, o Brasil é um país resolvido, embora não isento
do preconceito racial e social.
Por aqui pobres e pretos vivem sob
suspeita. Manda, porém, o jus soli, pelo qual somos todos
brasileiros. Na França, e em toda a Europa, meta de forte migração de
áreas subdesenvolvidas, a questão suscita ásperas polêmicas, mesmo
porque em muitos países a tradição soletra o jus sanguinis.
O
sangue determina a cidadania. Eventos como o massacre que abalou o mundo
vão excitar o ódio racial na França, na Europa, e alhures, em benefício
da direita mais reacionária.
Quem leva vantagem? Na França, Marine Le Pen, que se fortalece como candidata à Presidência da República. Na Itália, crescerá a Lega. Na Alemanha, o Pegida,
grupo ultradireitista. Rajoy, na Espanha, reforça seu poder. De todos
os líderes, Netanyahu é aquele que, ao carregar sua campanha eleitoral
até Paris, exibe com maior clareza seus propósitos. E a orquestração bem
trabalhada acaba por acentuar as incompatibilidades, os contrastes, as
divergências, os conflitos. A violência e o desvario em geral.
Neste caldo de cultura germinam, como no magma primevo a se esfriar
teria nascido a vida do planeta, o fanatismo assassino, a criminalidade
nas suas distintas fisionomias. Isto é do conhecimento até do mundo
mineral, mas não de todos os homens. Fatos como a chacina parisiense
repetem-se à toda hora, provocados pelo fanatismo, pela revolta, pela
insanidade, pela desgraça. E pelo terror de Estado. Não cabe justificar o
horror. Recomenda-se, entretanto, aquilatar envolvimentos e
responsabilidades. E anotar que inomináveis delitos cometidos pelos
senhores do mundo ocidental não costumam merecer a repulsa das praças
lotadas.
Para evocar fatos próximos, é da incompetência impafiosa da
diplomacia norte-americana que eclode a Guerra do Iraque, ou brota a
maior ameaça terrorista representada pelo Estado Islâmico. Tal é a
inexorável verdade factual. Há culpas em cartório, contribuições
transparentes ao descalabro dos dias de hoje, às quais a maioria se
presta de pronto porque tolhida fatalmente ao exercício da razão.
O alpiste servido aos incautos, aos desmemoriados, aos crédulos, aos
ignorantes, é a versão dos cavalheiros tão bem representados na praça
parisiense. Aproveitam-se da eficácia dos instrumentos chamados a
entorpecer as consciências e demolir o mais pálido resquício de espírito
crítico.
Talvez estejamos no limiar de uma nova Idade Média, contradição
apenas aparente do dito progresso tecnológico. Se o homem dispõe de
computador e celular de infinitas funções, e vive bem mais do que as
gerações precedentes, nem por isso ganha em sabedoria, pelo contrário. O
respeito à memória, base de todo conhecimento, dispersa-se na moda
contingente. Nesta moldura, o livro tende a se tornar objeto obsoleto.
Na mesmice globalizada instalam-se, disfarçados pela banalidade, a
ignorância, a indiferença. E os desbordantes porquês não logram
resposta.
Quando o Jornal Nacional noticia alguma suposta deficiência do
governo federal, certas figurinhas carimbadas da oposição a esse governo
têm espaço garantido para criticá-lo. Álvaro Dias (PSDB-PR) ou Agripino
Maia (DEM-RN) já se tornaram figuras familiares para boa parte dos
brasileiros devido à grande exposição que têm naquele telejornal
cotidianamente.
O assunto pode ser o escândalo na Petrobrás, a suposta crise de
energia elétrica no país, o baixo crescimento da economia, a inflação,
seja lá o que for que o JN – e congêneres – noticiar sobre problemas de
responsabilidade do governo federal, lá estará algum oposicionista – de
preferência, os dois supracitados – para acusar Dilma, hoje, assim como
fazia com Lula, ontem.
Nesta terça-feira 27, porém, a matéria do Jornal Nacional sobre a
crise hídrica em SP mais do que justificaria que a oposição ao governo
do Estado fosse chamada a opinar sobre o assunto, assim como a oposição a
Dilma é chamada a comentar problemas que dizem respeito ao governo
dela, como os citados no parágrafo anterior. Porém, como de costume, não
rolou.
O vídeo abaixo mostra a gravidade do que foi anunciado pelo governo
paulista em relação ao racionamento de água que deve começar a viger em
São Paulo em mais algumas semanas. Poucos suspeitaram de que o problema
fosse tão grave. Os paulistanos terão água na torneira apenas 2 dias por
semana.
Já se tornou ocioso repetir que responsabilidade o governo Geraldo
Alckmin tem sobre o problema.
Além da imensa responsabilidade do PSDB
por governar SP desde 1995 (VINTE ANOS ATRÁS) com o mesmo Alckmin e com
José Serra, o atual governador agravou sua responsabilidade ao esperar
passar o período eleitoral e as festas de fim de ano para tomar medidas
mais drásticas para poupar água.
Alguns dirão que Dilma também não tomou as medidas econômicas que
está tomando agora e que são impopulares. Pode-se discutir essa questão.
Durante o processo eleitoral, porém, tanto o programa de governo de
Dilma quanto seus principais expoentes disseram várias vezes que seria
necessário desmontar a política anticíclica que ao longo dos últimos 5
anos impediu que o país sentisse o auge da crise econômica
internacional.
Quem não prestou atenção na campanha de Dilma, paciência. Quem se
informou direito sabia que as medidas de austeridade tomadas
recentemente viriam, ainda que não tenham sido detalhadas na época, mas
que eram imagináveis.
Seja como for, verdadeira ou não, a suposta contradição entre o que
Dilma disse na campanha e o que fez após se reeleger foi apontada no
Jornal Nacional, entre outros, por membros da oposição. Por que o mesmo
Jornal Nacional não chama a oposição a Alckmin para comentar medidas
como as que o governo dele acaba de noticiar, em relação à crise
hídrica?
Então ficamos assim: o governo Alckmin adiou medidas urgentes por
conta das eleições e, com isso, aumentou a dramaticidade do racionamento
de água recém-anunciado pelo governo paulista. Os cinco dias sem água
por semana poderiam ser três, talvez dois se, em meados do ano passado, o
governo paulista tivesse feito o que era preciso.
Aliás, à oposição ao governo paulista caberia, também, dizer na Globo
que a crise hídrica em SP é uma crise anunciada há mais de uma década,
como mostram matérias da imprensa, à época.
O mais grave em tudo isso é que o amordaçamento da oposição a
governos tucanos é regra na Globo. Só fala a oposição a governos
petistas, sobretudo ao governo Dilma.
Nesse aspecto, em meados do ano passado o deputado estadual pelo PT de São Paulo Antonio Mentor deu entrevista
a este Blog em que relatou a dificuldade da oposição ao governo Alckmin
de se fazer ouvir pela mídia, sobretudo pela Globo, por falta de
interesse desses veículos no que acontece em SP e, mais do que isso, no
que tem a dizer essa oposição.
Dessa forma, como foi possível ver no vídeo acima, o Jornal Nacional –
e congêneres – deixa em branco o espaço para que o seu telespectador
questione os governantes, já que, sem a crítica que o telejornal permite
à oposição ao governo Dilma fazer, o governo tucano de SP acaba
blindado.
Contudo, uma coisa é certa: se os paulistas não aprendemos pelo amor
quem é que controla a distribuição de água em São Paulo – e, por isso,
mais da metade de nós pensa que a responsabilidade é do governo federal
–, aprenderemos pela dor durante o longo e penoso racionamento de água
que temos pela frente. Cedo ou tarde, os paulistas vão se revoltar. . .
Lucro representa uma queda de 38% em relação ao
trimestre anterior em 2014 e 9,9% frente ao mesmo período de 2013;
resultado não incluiu baixas contábeis relacionadas às denúncias de
corrupção da Operação Lava Jato, mas incluiu baixas de R$ 2,7 bilhões
com a descontinuidade dos projetos das refinarias Premium I e II;
segundo a nota da presidente da Petrobras, Graça Foster, a companhia
reafirma a manutenção da política de preços de diesel e gasolina, "não
repassando a volatilidade do mercado internacional, o que, na situação
atual, favorece excepcionalmente o caixa"
SÃO PAULO - A Petrobras (PETR3;PETR4) anunciou que
registrou lucro líquido de R$ 3,087 bilhões no terceiro trimestre de
2014, ante R$ 3,395 bilhões no mesmo período de 2013, segundo balanço
não auditado divulgado na madrugada desta quarta-feira.
Este lucro representa uma queda de 38% em relação ao trimestre
anterior em 2014, "refletindo o menor lucro operacional", segundo a
Petrobras. Já frente ao mesmo período de 2013, quando o lucro havia sido
de R$ 3,395 bilhões, o recuo foi de 9,9%.
O resultado não incluiu baixas contábeis relacionadas às denúncias de
corrupção da Operação Lava Jato, mas incluiu baixas de R$ 2,7 bilhões
de reais com a descontinuidade dos projetos das refinarias Premium I e
II.
Já o Ebitda ajustado da companhia ficou em R$ 11,7 bilhões, ante R$
16,2 bilhões no segundo trimestre de 2014 e R$ 13,1 bilhões no terceiro
trimestre de 2013.
"A divulgação das demonstrações contábeis não revisadas pelos
auditores independentes “tem o objetivo de atender obrigações da
companhia (covenants) em contratos de dívida e facultar o acesso às
informações aos seus públicos de interesse, cumprindo com o dever de
informar ao mercado e agindo com transparência com relação aos eventos
recentes que vieram a público no âmbito da ‘Operação Lava Jato’”
A “companhia entende que será necessário realizar ajustes nas
demonstrações contábeis para a correção dos valores dos ativos
imobilizados que foram impactados por valores relacionados aos atos
ilícitos perpetrados por empresas fornecedoras, agentes políticos,
funcionários da Petrobras e outras pessoas no âmbito da ‘Operação Lava
Jato’”
“No entanto, em face da impraticabilidade de quantificar de forma
correta, completa e definitiva tais valores que foram capitalizados em
seu ativo imobilizado, a companhia considerou a adoção de abordagens
alternativas para correção desses valores: i) uso de um percentual médio
de pagamentos indevidos, citados em depoimentos; ii) avaliação a valor
justo dos ativos cuja constituição se deu por meio de contratos de
fornecimento de bens e serviços firmados com empresas citadas na
‘‘Operação Lava Jato’’. Essas alternativas se mostraram inapropriadas
para substituir a impraticável determinação do sobrepreço relacionado a
esses pagamentos indevidos”, informou a companhia em seu release de
resultado.
Preços dos combustíveis
Segundo a nota da presidente da Petrobras, Graça Foster, a companhia
reafirma a manutenção da política de preços de diesel e gasolina, "não
repassando a volatilidade do mercado internacional, o que, na situação
atual, favorece excepcionalmente o caixa".
O patamar atual de produção de petróleo e derivados assegura à
empresa o mesmo patamar de geração operacional [geração de caixa], mesmo
com o preço do barril de petróleo Brent variando entre US$ 50/bbl e US$
70/bbl, segundo a presidente.
De acordo com a presidente, a Petrobras enfrenta um momento único em
sua história e o resultado das avaliações indicou que os ativos com
valor justo abaixo do imobilizado totalizaram R$ 88,6 bilhões de
diferença a menor. Os ativos com valor justo superior totalizaram R$
27,2 bilhões de diferença a maior frente ao imobilizado.
“Decidimos não utilizar a metodologia da determinação do valor justo
como “proxy” para ajustar os ativos imobilizados da companhia devido à
corrupção, pois o ajuste seria composto de elementos que não teriam
relação direta com pagamentos indevidos”, afirmou.
“Assim, aprofundaremos outra metodologia que tome por base valores,
prazos e informações contidos nos depoimentos em conformidade com as
exigências dos órgãos reguladores (CVM e SEC), visando a emissão das
demonstrações contábeis revisadas”.
Produção
A produção total de óleo e gás natural cresceu 6% no 3º trimestre de
2014 frente o segundo trimestre, com 2,7 mil barris por dia. No
acumulado do ano, a produção diária é de 2,6 mil barris, representando
alta de 3% em comparação com o mesmo período de 2013.
Já o endividamento líquido da empresa cresceu 8% em comparação com o
segundo trimestre de 2014, passando para R$ 261 milhões. De janeiro até
setembro, houve crescimento de 35% em relação ao mesmo período de 2013.
A Petrobras planeja aumentar sua produção de petróleo no Brasil em
4,5% em 2015 ante 2014, com variação de 1 ponto percentual na meta para
mais ou para menos, destacou no relatório de resultados.
Cearense, engenheiro agrônomo, servidor público federal aposentado,casado, quatro filhos e onze netos. Um brasileiro comum, profundamente indignado com a manipulação vergonhosa e canalha feita pela mídia golpista e pela direita brasileira, representantes que são de uma elite egoísta, escravista, entreguista, preconceituosa e perversa.
Um brasileiro que sonha um Brasil para todos e não apenas para alguns, como tem sido desde o seu descobrimento até os nossos dias.
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O QUE É PIG ?
"Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PIG, Partido da Imprensa Golpista." (Paulo Henrique Amorim.) Dentre os componentes do PIG, os principais e mais perigosos veículos de comunicação são: a Rede Globo, O Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo e a revista Veja.
O PIG - um instrumento de dominação usado pela plutocracia - atua visando formar uma legião de milhões de alienados políticos manipuláveis, conforme os seus interesses.
Estes parvos políticos - na maioria das vezes, pobres de direta - são denominados na blogosfera progressista como 'midiotas'.
O estudo Os Donos da Mídia, do Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom), mostra que de 1990 a 2002 o número de grupos que controlam a mídia no Brasil reduziu-se de nove para seis.A eles estão ligados 668 veículos em todo o país: 309 canais de televisão, 308 canais de rádio e 50 jornais diários. http://www.cartacapital.com.br/sociedade/em-encontro-da-une-profissionais-defendem-democratizacao-da-midia/
MENSALÕES
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OS "MENSALÕES" NÃO JULGADOS
PGR e o STF – terão que se debruçar sobre outros casos e julgá-los de acordo com os mesmos critérios, para comprovar isonomia e para explicitar para os operadores de direito que a jurisprudência, de fato, mudou e não é seletiva.
É bonito ouvir um Ministro do STF afirmar que a condenação do “mensalão” (do PT) mostra que não apenas pés-de-chinelo que são condenados. Mas e os demais?
Alguns desses episódios:
1 - O mensalão tucano, de Minas Gerais, berço da tecnologia apropriada, mais tarde, pelo PT.
2 - A compra de votos para a reeleição de FHC. Na época houve pagamento através da aprovação, pelo Executivo, de emendas parlamentares em favor dos governadores, para que acertassem as contas com seus parlamentares.
3 - Troca de favores entre beneficiários da privatização e membros do governo diretamente envolvidos com elas. O caso mais explícito é o do ex-Ministro do Planejamento José Serra com o banqueiro Daniel Dantas. Dantas foi beneficiado por Ricardo Sérgio – notoriamente ligado a Serra.
4 - O próprio episódio Satiagraha, que Dantas conseguiu trancar no STJ (Superior Tribunal de Justiça), por meio de sentenças que conflitam com a nova compreensão do STF sobre matéria penal.
5 - O envolvimento do Opportunity com o esquema de financiamento do “mensalão”. Ao desmembrar do processo principal e remetê-lo para a primeira instância, a PGR praticamente livrou o banqueiro das mesmas penas aplicadas aos demais réus.
6 - Os dados levantados pela CPI do Banestado, de autorização indevida para bancos da fronteira operarem com contas de não-residentes. Os levantamento atingem muitos políticos proeminentes.
........................................................... Luis Nassif