quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Contraponto 15.917 - "Rússia convida parceiros do Brics para criar estação espacial comum"

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29/01/2015

 


Rússia convida parceiros do Brics para criar estação espacial comum

 

Portal Vermelho -  28 de janeiro de 2015 - 16h17

 

A Rússia poderá colaborar com a China e a Índia para criar uma estação orbital comum. Formulada por especialistas russos após a reunião do Conselho de Peritos da Comissão Militar-Industrial da Rússia, esta iniciativa de parceria no espaço poderá ser proposta para discussão na cúpula do Brics que se celebrará no próximo verão em Ufa.
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Por Nina Antakolskaya, na Voz da Rússia

 

 

No contexto de iminentes problemas econômicos, o Conselho debateu diferentes cenários de desenvolvimento do ramo espacial russo. Assim, o membro correspondente da Academia de Cosmonáutica Russa, Andrei Ionin, propôs se recusar a cooperar com os EUA e a Europa no âmbito da Estação Espacial Internacional (EEI) e de outros projetos, reorientando-se para projetos conjuntos com os países do Brics. 


Além da Rússia, este formato reúne a Índia, África do Sul, China e Brasil, países que desenvolvem seus próprios programas espaciais ambiciosos, não estão, ao mesmo tempo, envolvidos na cooperação com os EUA e a Europa nem impuseram à Rússia sanções relativas ao uso de diferentes componentes na indústria espacial.

O Brics pretende formar uma aliança tecnológica. E para iniciar, é sempre necessário dar um primeiro passo concreto, disse Andrei Ionin.

"Um ambicioso projeto espacial do Brics poderia ser o primeiro passo no caminho de formação da aliança tecnológica. Os países seriam capazes de desenvolver não só tecnologias espaciais mas também as robóticas, as tecnologias de informação estratégicas, as de mineração e as nanobiotecnologia, entre outras. Quer dizer, tudo isso precisamos de desenvolver e possuir em conjunto, para não dependermos de alguém tentar através de sanções restringir nosso acesso a essas tecnologias. O mais importante é um projeto conjunto que implementemos juntos, aprendendo a trabalhar juntos, entendermos uns aos outros e alargar a confiança".

Ao desenvolver ativamente seus próprios programas de voos espaciais tripulados, a China e a Índia têm alcançado notórios progressos nesta área. E os especialistas russos acreditam que a parceria na criação de uma estação espacial comum poderia ser interessante precisamente para eles, em primeiro lugar.

“Sendo promissor, o projeto é, definitivamente, necessário e possível”, esta opinião é compartilhada também pelo membro numerário da Academia de Cosmonáutica Russa, Alexander Zheleznyakov. Contudo, na sua fase inicial, o projeto não prevê usar nenhuma tecnologia de ponta, afirma o especialista.

"A Rússia poderia contribuir para esse projeto de estação disponibilizando os blocos que estão sendo preparados para a EEI. Esses blocos poderão ser reconvertidos para construir uma estação nacional russa ou uma estação orbital em cooperação com a Índia e a China. A Índia não poderá contribuir com algo completamente novo para este projeto, já que ainda está se aproximando de voos espaciais tripulados. Ela não possui tecnologias idôneas e os próprios desenvolvimentos ainda são muito modestos. A China sim que está criando uma estação nacional, mas usa as tecnologias já testadas na Rússia e na EEI. Portanto, eu vejo o projeto sobretudo como político".

Os cientistas russos irão propor o projeto internacional, conjunto com a China e a Índia, de uma estação orbital tripulada para a discussão no Conselho Empresarial do Brics. Enquanto isso, a iniciativa será analisada em paralelo ao mais alto nível político para decidir sobre a possibilidade de incluí-la na agenda da cúpula do Brics. Ambos os eventos serão realizados no verão boreal de 2015 em Ufa.

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Contraponto 15.916 - "Rossetto chama blogueiros para café da manhã no Planalto"

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29/01/2018

 

Rossetto chama blogueiros para café da manhã no Planalto

rossetto

Eduardo Guimarães


Para quem anda insatisfeito com a política de comunicação do governo Dilma, uma boa notícia: o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, recebe blogueiros para um café da manhã nesta quinta-feira, 29 de janeiro, às 8h30, na sala 98 do 4º andar do Palácio do Planalto.

Em um momento em que da esquerda à direita todos cobram manifestações públicas do governo Dilma, o ministro responderá questões que todos estão fazendo.

Nesta semana, a imprensa corporativa anunciou que Rossetto confirmou que o governo pode negociar medidas de contenção de gastos do seguro-desemprego após questionamentos da nova política pelas centrais sindicais.

Há uma infinidade de questões que o secretário pessoal da presidente da República poderá responder. Comunicação, eleição para presidente da Câmara, política econômica, denúncias de corrupção, alianças no Congresso. Em uma entrevista como essa, vale tudo.

A última vez em que o Palácio do Planalto convocou blogueiros foi em 26 de setembro do ano passado, para entrevista com a então candidata à reeleição Dilma Rousseff.

Este blogueiro esteve na entrevista com Dilma e estará no café da manhã com Rosseto. O encontro deve ser transmitido pela Presidência da República. Se for, este blog deve transmitir também. Se o leitor vier a esta página por volta das 9 ou 9:30 da manhã desta quinta 29, poderá assistir à transmissão.

O blog aceita sugestões de perguntas de seus leitores.
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Contraponto 15.915 - "Dilma rompe o silêncio"

 

29/01/2015

Dilma rompe o silêncio


Cafezinho -  postado em janeiro 28/01/2015


ScreenHunter_5486 Jan. 28 17.39
Ela falou, finalmente.


Por Miguel do Rosário


Aproveitando a primeira reunião ministerial, a presidenta fez um discurso nitidamente voltado à nação.

Entretanto, ao assistir os 35 minutos de discurso da presidenta, sinto mais uma vez um grande alívio por termos sobrevivido às eleições.

E entendo melhor porque a presidenta resiste tanto a falar mais e a dar entrevistas.

É patente que Dilma, definitivamente, não se sente à vontade como oradora.

A eleição foi vencida pelo projeto, e sobretudo pelo repúdio da população a um retrocesso neoliberal (o mesmo que tenta se imiscuir agora no governo, via Levy), não pelas qualidades retóricas da presidenta.

Dilma é uma pessoa tímida, que fica nervosa, que gagueja, que se absorve tanto na angústia de se expor que tem dificuldade de se concentrar.

Quando improvisa, é um desastre.

Ela tentou, por exemplo, fazer graça com o fato do Brasil figurar como maior mercado mundial de cosméticos.

Após sorrir timidamente, dirige um olhar cúmplice aos ouvintes. A linguagem corporal diz: quero falar uma coisa engraçada, me ajudem.

Só que, para o ouvinte, o efeito é inverso. O ouvinte fica ainda mais aflito, quase com pena, porque sabe que ela quer dizer alguma coisa divertida, sabe até o que ela quer dizer, porque em geral é alguma piada trivial, e sabe que ela não está conseguindo encontrar a expressão.

A presidenta então hesita mais que nunca. Por fim, após torturantes décimos de segundo de silêncio constrangedor, ela consegue soltar a frase engasgada.

No caso dos cosméticos, a frase engraçada é uma expressão pernóstica: “a vaidade intrínseca” da mulher.

De resto, o texto do discurso é, como sempre, repetitivo, medíocre e confuso.

Ao invés de incutir entusiasmo, provoca desânimo.

O problema de comunicação, portanto, vem de cima, da própria presidenta.

Não me levem a mal.

Eu votei em Dilma, apoio seu governo (com críticas, claro), e todos os dias respiro aliviado por termos vencido uma eleição tão difícil em 2014.

Também acho que a história será justa com Dilma, e ela poderá ser considerada uma das melhores presidentes que o Brasil já teve.

Uma presidenta que implementou (e ampliou os existentes) os maiores programas sociais da nossa história, ao mesmo tempo em que deu início e coordenou o maior conjunto de obras de infra-estrutura dos últimos séculos.

Nenhum outro presidente jamais fez tanto pela educação pública brasileira, ampliando o Prouni, criando o Ciência sem Fronteiras e o Pronatec, aumentando o salário de professores universitários, expandindo e aprimorando o Enem.

Nenhum presidente enfrentou a corrupção com tanto respeito às instituições como Dilma.

Mesmo diante de inúmeros abusos, a presidenta manteve uma postura serena e confiante no Ministério Público e no Judiciário, de maneira que, com o passar do tempo, a história poderá lhe dar o crédito por ter sido a responsável por um grande avanço do país na luta contra a corrupção.

E fez tudo isso enfrentando o mais concentrado, poderoso e agressivo conglomerado midiático do mundo.

É incrível, portanto, que a pessoa que enfrentou e enfrenta tudo isso seja uma mulher tão tímida, dotada de uma retórica tão pobre.

A explicação, mais uma vez, é simples.

A rusticidade oratória da presidenta, a sua incrível dificuldade para se comunicar, são compensadas por uma grande ferocidade política, uma coragem extraordinária e uma incomparável disposição para trabalhar.

A ferocidade política se evidencia quando ela fala em corrupção. A sua linguagem corporal muda completamente – e não creio que seja algo planejado porque a postura da presidenta transpira espontaneidade por todos os poros.

Uma espontaneidade absolutamente desastrada, ou “gauche”, como diria Drummond, e por isso mesmo autêntica.

Aliás, isso confirma uma teoria de Carlyle sobre o “heroi político”, segundo a qual as pessoas admiram suas lideranças políticas por suas virtudes, mas as amam por seus defeitos.

Explica também a estranha alquimia operada no frenesi da campanha eleitoral, quando todos os defeitos da presidenta foram convertidos em virtudes, ao passo que as virtudes de Aécio, a sua oratória impecável, a sua fleuma, o seu sorriso triunfante, se tornaram defeitos.

Foi o momento em que dezenas de milhares de pessoas, durante comícios em São Paulo, Rio, Recife, gritavam juntos: “Dilma, eu te amo”.

Ninguém jamais gritou: “Aécio, eu te amo.”

Os defeitos de Dilma, sua dificuldade para falar, confirmam a sua coragem. Pois é como alguém que tivesse uma horrível fobia do mar e mesmo assim insistisse em trabalhar num navio.

Voltando à corrupção, Dilma deixa bem claro, ao abordar o tema, mais pela linguagem corporal e pelo tom de voz, do que por suas palavras, a sua ferocidade política.

É como um recado à própria base aliada, onde ela sabe se encontrar os maiores corruptos, porque estes sempre se refugiam sob as asas do poder.

Como se ela dissesse: “não adianta, não vou mover uma palha para ajudar ninguém. Vai todo mundo se ferrar. Quem mandou roubar?”

*

Sobre o conteúdo da fala, comento os principais pontos:

1) Proposta de segurança pública.

É um dos pontos essenciais, e que pode granjear uma grande popularidade para a presidenta, se o projeto for bem sucedido. A presidenta quer estabelecer um sistema de segurança público unificado, em todas as federações, o que convêm ao país e às novas circunstâncias tecnológicas.

2) Proposta de desburocratização.

Outro ponto importantíssimo para destravar investimentos no país e gerar empregos. Entretanto, é um desses projetos prometidos por todo governo. Vamos ver se agora isso avança. A burocracia no Brasil, em todos os níveis, atrapalha muito a nossa produtividade. Suponho que, se for bem encaminhado, será aprovado com facilidade, visto que não encontrará objeções ideológicas por parte de nenhum partido.

3) Comunicação melhor dos ministérios.

Foi um dos momentos mais duros de seu discurso. Ela falou explicitamente em travar a batalha da comunicação e combater a desinformação. É também o ponto que os internautas mais politizados ouviram com mais ceticismo, visto que a própria presidenta jamais seguiu o conselho que agora dá aos ministros. Afinal, o governo vai continuar cevando os cofres da grande mídia, aquela mesma que desinforma, com dinheiro público? É evidente, além disso, que a iniciativa, neste ponto, precisa ser centralizada pela presidência da república. Dilma não tem sequer um porta-voz. Nem os ministros sabem o que se passa no governo, ou o que pensa a presidenta, como eles poderão defender a sua administração?

4) Direitos trabalhistas.

O discurso soou um pouco falso, embora seja reconfortante ouvir a presidenta afirmar que os direitos trabalhistas seguirão intocáveis. Mas e a tal proposta de mudar a carência do seguro desemprego de 6 meses para 18 meses, prejudicando profundamente o jovem? É uma coisa absurda. A única razão de ser do seguro-desemprego é segurar a renda do trabalhador logo após ele perder o seu emprego. Uma carência de 18 meses não adianta nada. Em 18 meses, o trabalhador já morreu de fome. Agora o governo já admitiu reduzir a carência para 12 meses. Ruim do mesmo jeito. O seguro-desemprego deveria ser emitido imediatamente após a demissão. O governo deveria reduzir o atual prazo de 6 meses, que já é longo, e não tentar estendê-lo.

5) Quanto ao ajuste fiscal, Dilma poderia ter lembrado que o seu governo implementou mudanças importantes no imposto de renda, isentando mais trabalhadores e criando degraus progressivos de cobrança. Seria essencial, neste momento, a presidenta fazer um discurso duro contra a sonegação e a evasão fiscal, de longe o maior problema do Brasil, muito maior inclusive do que a corrupção. O sindicato nacional dos auditores fiscais estima que o Brasil perde mais de 400 bilhões de reais por ano com sonegação. A ong Tax Justice já posicionou o Brasil como um dos países com maior índice de sonegação do mundo. Como isso não sai na mídia, que também sonega, o governo parece não se interessar tanto pelo tema.

6) Dilma falou da necessidade de se investigar a Petrobrás, e os esquemas que a prejudicaram, sem quebrar empresas que formam a base da infra-estrutura no país. É um posicionamento político importante da presidenta, uma chamada para o bom senso. Só que o Ministério Público Federal já andou tentando agir com bom senso, e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi acusado de fazer um acordão para salvar o governo. Janot então, para salvar a pele, recuou e aderiu à mídia, fazendo discursos raivosos e udenistas. A mídia não quer saber de bom senso ou interesse nacional. Ela quer crise política e paralisação de obras fundamentais, para prejudicar o governo e preparar o terreno para seus candidatos em 2016 e 2018. Ou seja, o governo terá de “travar a batalha da comunicação” principalmente neste caso da Lava Jato. Não é o que tem feito até o momento.

Assista ao discurso da presidenta:








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Dilma rompe o silêncio

ScreenHunter_5486 Jan. 28 17.39


Ela falou, finalmente.
Aproveitando a primeira reunião ministerial, a presidenta fez um discurso nitidamente voltado à nação.
Entretanto, ao assistir os 35 minutos de discurso da presidenta, sinto mais uma vez um grande alívio por termos sobrevivido às eleições.
E entendo melhor porque a presidenta resiste tanto a falar mais e a dar entrevistas.
É patente que Dilma, definitivamente, não se sente à vontade como oradora.
A eleição foi vencida pelo projeto, e sobretudo pelo repúdio da população a um retrocesso neoliberal (o mesmo que tenta se imiscuir agora no governo, via Levy), não pelas qualidades retóricas da presidenta.
Dilma é uma pessoa tímida, que fica nervosa, que gagueja, que se absorve tanto na angústia de se expor que tem dificuldade de se concentrar.
Quando improvisa, é um desastre.
Ela tentou, por exemplo, fazer graça com o fato do Brasil figurar como maior mercado mundial de cosméticos.
Após sorrir timidamente, dirige um olhar cúmplice aos ouvintes. A linguagem corporal diz: quero falar uma coisa engraçada, me ajudem.
Só que, para o ouvinte, o efeito é inverso. O ouvinte fica ainda mais aflito, quase com pena, porque sabe que ela quer dizer alguma coisa divertida, sabe até o que ela quer dizer, porque em geral é alguma piada trivial, e sabe que ela não está conseguindo encontrar a expressão.
A presidenta então hesita mais que nunca. Por fim, após torturantes décimos de segundo de silêncio constrangedor, ela consegue soltar a frase engasgada.
No caso dos cosméticos, a frase engraçada é uma expressão pernóstica: “a vaidade intrínseca” da mulher.
De resto, o texto do discurso é, como sempre, repetitivo, medíocre e confuso.
Ao invés de incutir entusiasmo, provoca desânimo.
O problema de comunicação, portanto, vem de cima, da própria presidenta.
Não me levem a mal.
Eu votei em Dilma, apoio seu governo (com críticas, claro), e todos os dias respiro aliviado por termos vencido uma eleição tão difícil em 2014.
Também acho que a história será justa com Dilma, e ela poderá ser considerada uma das melhores presidentes que o Brasil já teve.
Uma presidenta que implementou (e ampliou os existentes) os maiores programas sociais da nossa história, ao mesmo tempo em que deu início e coordenou o maior conjunto de obras de infra-estrutura dos últimos séculos.
Nenhum outro presidente jamais fez tanto pela educação pública brasileira, ampliando o Prouni, criando o Ciência sem Fronteiras e o Pronatec, aumentando o salário de professores universitários, expandindo e aprimorando o Enem.
Nenhum presidente enfrentou a corrupção com tanto respeito às instituições como Dilma.
Mesmo diante de inúmeros abusos, a presidenta manteve uma postura serena e confiante no Ministério Público e no Judiciário, de maneira que, com o passar do tempo, a história poderá lhe dar o crédito por ter sido a responsável por um grande avanço do país na luta contra a corrupção.
E fez tudo isso enfrentando o mais concentrado, poderoso e agressivo conglomerado midiático do mundo.
É incrível, portanto, que a pessoa que enfrentou e enfrenta tudo isso seja uma mulher tão tímida, dotada de uma retórica tão pobre.
A explicação, mais uma vez, é simples.
A rusticidade oratória da presidenta, a sua incrível dificuldade para se comunicar, são compensadas por uma grande ferocidade política, uma coragem extraordinária e uma incomparável disposição para trabalhar.
A ferocidade política se evidencia quando ela fala em corrupção. A sua linguagem corporal muda completamente – e não creio que seja algo planejado porque a postura da presidenta transpira espontaneidade por todos os poros.
Uma espontaneidade absolutamente desastrada, ou “gauche”, como diria Drummond, e por isso mesmo autêntica.
Aliás, isso confirma uma teoria de Carlyle sobre o “heroi político”, segundo a qual as pessoas admiram suas lideranças políticas por suas virtudes, mas as amam por seus defeitos.
Explica também a estranha alquimia operada no frenesi da campanha eleitoral, quando todos os defeitos da presidenta foram convertidos em virtudes, ao passo que as virtudes de Aécio, a sua oratória impecável, a sua fleuma, o seu sorriso triunfante, se tornaram defeitos.
Foi o momento em que dezenas de milhares de pessoas, durante comícios em São Paulo, Rio, Recife, gritavam juntos: “Dilma, eu te amo”.
Ninguém jamais gritou: “Aécio, eu te amo.”
Os defeitos de Dilma, sua dificuldade para falar, confirmam a sua coragem. Pois é como alguém que tivesse uma horrível fobia do mar e mesmo assim insistisse em trabalhar num navio.
Voltando à corrupção, Dilma deixa bem claro, ao abordar o tema, mais pela linguagem corporal e pelo tom de voz, do que por suas palavras, a sua ferocidade política.
É como um recado à própria base aliada, onde ela sabe se encontrar os maiores corruptos, porque estes sempre se refugiam sob as asas do poder.
Como se ela dissesse: “não adianta, não vou mover uma palha para ajudar ninguém. Vai todo mundo se ferrar. Quem mandou roubar?”
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Sobre o conteúdo da fala, comento os principais pontos:
1) Proposta de segurança pública.
É um dos pontos essenciais, e que pode granjear uma grande popularidade para a presidenta, se o projeto for bem sucedido. A presidenta quer estabelecer um sistema de segurança público unificado, em todas as federações, o que convêm ao país e às novas circunstâncias tecnológicas.
2) Proposta de desburocratização.
Outro ponto importantíssimo para destravar investimentos no país e gerar empregos. Entretanto, é um desses projetos prometidos por todo governo. Vamos ver se agora isso avança. A burocracia no Brasil, em todos os níveis, atrapalha muito a nossa produtividade. Suponho que, se for bem encaminhado, será aprovado com facilidade, visto que não encontrará objeções ideológicas por parte de nenhum partido.
3) Comunicação melhor dos ministérios.
Foi um dos momentos mais duros de seu discurso. Ela falou explicitamente em travar a batalha da comunicação e combater a desinformação. É também o ponto que os internautas mais politizados ouviram com mais ceticismo, visto que a própria presidenta jamais seguiu o conselho que agora dá aos ministros. Afinal, o governo vai continuar cevando os cofres da grande mídia, aquela mesma que desinforma, com dinheiro público? É evidente, além disso, que a iniciativa, neste ponto, precisa ser centralizada pela presidência da república. Dilma não tem sequer um porta-voz. Nem os ministros sabem o que se passa no governo, ou o que pensa a presidenta, como eles poderão defender a sua administração?
4) Direitos trabalhistas.
O discurso soou um pouco falso, embora seja reconfortante ouvir a presidenta afirmar que os direitos trabalhistas seguirão intocáveis. Mas e a tal proposta de mudar a carência do seguro desemprego de 6 meses para 18 meses, prejudicando profundamente o jovem? É uma coisa absurda. A única razão de ser do seguro-desemprego é segurar a renda do trabalhador logo após ele perder o seu emprego. Uma carência de 18 meses não adianta nada. Em 18 meses, o trabalhador já morreu de fome. Agora o governo já admitiu reduzir a carência para 12 meses. Ruim do mesmo jeito. O seguro-desemprego deveria ser emitido imediatamente após a demissão. O governo deveria reduzir o atual prazo de 6 meses, que já é longo, e não tentar estendê-lo.
5) Quanto ao ajuste fiscal, Dilma poderia ter lembrado que o seu governo implementou mudanças importantes no imposto de renda, isentando mais trabalhadores e criando degraus progressivos de cobrança. Seria essencial, neste momento, a presidenta fazer um discurso duro contra a sonegação e a evasão fiscal, de longe o maior problema do Brasil, muito maior inclusive do que a corrupção. O sindicato nacional dos auditores fiscais estima que o Brasil perde mais de 400 bilhões de reais por ano com sonegação. A ong Tax Justice já posicionou o Brasil como um dos países com maior índice de sonegação do mundo. Como isso não sai na mídia, que também sonega, o governo parece não se interessar tanto pelo tema.
6) Dilma falou da necessidade de se investigar a Petrobrás, e os esquemas que a prejudicaram, sem quebrar empresas que formam a base da infra-estrutura no país. É um posicionamento político importante da presidenta, uma chamada para o bom senso. Só que o Ministério Público Federal já andou tentando agir com bom senso, e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi acusado de fazer um acordão para salvar o governo. Janot então, para salvar a pele, recuou e aderiu à mídia, fazendo discursos raivosos e udenistas. A mídia não quer saber de bom senso ou interesse nacional. Ela quer crise política e paralisação de obras fundamentais, para prejudicar o governo e preparar o terreno para seus candidatos em 2016 e 2018. Ou seja, o governo terá de “travar a batalha da comunicação” principalmente neste caso da Lava Jato. Não é o que tem feito até o momento.
Assista ao discurso da presidenta:
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Dilma rompe o silêncio

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Ela falou, finalmente.
Aproveitando a primeira reunião ministerial, a presidenta fez um discurso nitidamente voltado à nação.
Entretanto, ao assistir os 35 minutos de discurso da presidenta, sinto mais uma vez um grande alívio por termos sobrevivido às eleições.
E entendo melhor porque a presidenta resiste tanto a falar mais e a dar entrevistas.
É patente que Dilma, definitivamente, não se sente à vontade como oradora.
A eleição foi vencida pelo projeto, e sobretudo pelo repúdio da população a um retrocesso neoliberal (o mesmo que tenta se imiscuir agora no governo, via Levy), não pelas qualidades retóricas da presidenta.
Dilma é uma pessoa tímida, que fica nervosa, que gagueja, que se absorve tanto na angústia de se expor que tem dificuldade de se concentrar.
Quando improvisa, é um desastre.
Ela tentou, por exemplo, fazer graça com o fato do Brasil figurar como maior mercado mundial de cosméticos.
Após sorrir timidamente, dirige um olhar cúmplice aos ouvintes. A linguagem corporal diz: quero falar uma coisa engraçada, me ajudem.
Só que, para o ouvinte, o efeito é inverso. O ouvinte fica ainda mais aflito, quase com pena, porque sabe que ela quer dizer alguma coisa divertida, sabe até o que ela quer dizer, porque em geral é alguma piada trivial, e sabe que ela não está conseguindo encontrar a expressão.
A presidenta então hesita mais que nunca. Por fim, após torturantes décimos de segundo de silêncio constrangedor, ela consegue soltar a frase engasgada.
No caso dos cosméticos, a frase engraçada é uma expressão pernóstica: “a vaidade intrínseca” da mulher.
De resto, o texto do discurso é, como sempre, repetitivo, medíocre e confuso.
Ao invés de incutir entusiasmo, provoca desânimo.
O problema de comunicação, portanto, vem de cima, da própria presidenta.
Não me levem a mal.
Eu votei em Dilma, apoio seu governo (com críticas, claro), e todos os dias respiro aliviado por termos vencido uma eleição tão difícil em 2014.
Também acho que a história será justa com Dilma, e ela poderá ser considerada uma das melhores presidentes que o Brasil já teve.
Uma presidenta que implementou (e ampliou os existentes) os maiores programas sociais da nossa história, ao mesmo tempo em que deu início e coordenou o maior conjunto de obras de infra-estrutura dos últimos séculos.
Nenhum outro presidente jamais fez tanto pela educação pública brasileira, ampliando o Prouni, criando o Ciência sem Fronteiras e o Pronatec, aumentando o salário de professores universitários, expandindo e aprimorando o Enem.
Nenhum presidente enfrentou a corrupção com tanto respeito às instituições como Dilma.
Mesmo diante de inúmeros abusos, a presidenta manteve uma postura serena e confiante no Ministério Público e no Judiciário, de maneira que, com o passar do tempo, a história poderá lhe dar o crédito por ter sido a responsável por um grande avanço do país na luta contra a corrupção.
E fez tudo isso enfrentando o mais concentrado, poderoso e agressivo conglomerado midiático do mundo.
É incrível, portanto, que a pessoa que enfrentou e enfrenta tudo isso seja uma mulher tão tímida, dotada de uma retórica tão pobre.
A explicação, mais uma vez, é simples.
A rusticidade oratória da presidenta, a sua incrível dificuldade para se comunicar, são compensadas por uma grande ferocidade política, uma coragem extraordinária e uma incomparável disposição para trabalhar.
A ferocidade política se evidencia quando ela fala em corrupção. A sua linguagem corporal muda completamente – e não creio que seja algo planejado porque a postura da presidenta transpira espontaneidade por todos os poros.
Uma espontaneidade absolutamente desastrada, ou “gauche”, como diria Drummond, e por isso mesmo autêntica.
Aliás, isso confirma uma teoria de Carlyle sobre o “heroi político”, segundo a qual as pessoas admiram suas lideranças políticas por suas virtudes, mas as amam por seus defeitos.
Explica também a estranha alquimia operada no frenesi da campanha eleitoral, quando todos os defeitos da presidenta foram convertidos em virtudes, ao passo que as virtudes de Aécio, a sua oratória impecável, a sua fleuma, o seu sorriso triunfante, se tornaram defeitos.
Foi o momento em que dezenas de milhares de pessoas, durante comícios em São Paulo, Rio, Recife, gritavam juntos: “Dilma, eu te amo”.
Ninguém jamais gritou: “Aécio, eu te amo.”
Os defeitos de Dilma, sua dificuldade para falar, confirmam a sua coragem. Pois é como alguém que tivesse uma horrível fobia do mar e mesmo assim insistisse em trabalhar num navio.
Voltando à corrupção, Dilma deixa bem claro, ao abordar o tema, mais pela linguagem corporal e pelo tom de voz, do que por suas palavras, a sua ferocidade política.
É como um recado à própria base aliada, onde ela sabe se encontrar os maiores corruptos, porque estes sempre se refugiam sob as asas do poder.
Como se ela dissesse: “não adianta, não vou mover uma palha para ajudar ninguém. Vai todo mundo se ferrar. Quem mandou roubar?”
*
Sobre o conteúdo da fala, comento os principais pontos:
1) Proposta de segurança pública.
É um dos pontos essenciais, e que pode granjear uma grande popularidade para a presidenta, se o projeto for bem sucedido. A presidenta quer estabelecer um sistema de segurança público unificado, em todas as federações, o que convêm ao país e às novas circunstâncias tecnológicas.
2) Proposta de desburocratização.
Outro ponto importantíssimo para destravar investimentos no país e gerar empregos. Entretanto, é um desses projetos prometidos por todo governo. Vamos ver se agora isso avança. A burocracia no Brasil, em todos os níveis, atrapalha muito a nossa produtividade. Suponho que, se for bem encaminhado, será aprovado com facilidade, visto que não encontrará objeções ideológicas por parte de nenhum partido.
3) Comunicação melhor dos ministérios.
Foi um dos momentos mais duros de seu discurso. Ela falou explicitamente em travar a batalha da comunicação e combater a desinformação. É também o ponto que os internautas mais politizados ouviram com mais ceticismo, visto que a própria presidenta jamais seguiu o conselho que agora dá aos ministros. Afinal, o governo vai continuar cevando os cofres da grande mídia, aquela mesma que desinforma, com dinheiro público? É evidente, além disso, que a iniciativa, neste ponto, precisa ser centralizada pela presidência da república. Dilma não tem sequer um porta-voz. Nem os ministros sabem o que se passa no governo, ou o que pensa a presidenta, como eles poderão defender a sua administração?
4) Direitos trabalhistas.
O discurso soou um pouco falso, embora seja reconfortante ouvir a presidenta afirmar que os direitos trabalhistas seguirão intocáveis. Mas e a tal proposta de mudar a carência do seguro desemprego de 6 meses para 18 meses, prejudicando profundamente o jovem? É uma coisa absurda. A única razão de ser do seguro-desemprego é segurar a renda do trabalhador logo após ele perder o seu emprego. Uma carência de 18 meses não adianta nada. Em 18 meses, o trabalhador já morreu de fome. Agora o governo já admitiu reduzir a carência para 12 meses. Ruim do mesmo jeito. O seguro-desemprego deveria ser emitido imediatamente após a demissão. O governo deveria reduzir o atual prazo de 6 meses, que já é longo, e não tentar estendê-lo.
5) Quanto ao ajuste fiscal, Dilma poderia ter lembrado que o seu governo implementou mudanças importantes no imposto de renda, isentando mais trabalhadores e criando degraus progressivos de cobrança. Seria essencial, neste momento, a presidenta fazer um discurso duro contra a sonegação e a evasão fiscal, de longe o maior problema do Brasil, muito maior inclusive do que a corrupção. O sindicato nacional dos auditores fiscais estima que o Brasil perde mais de 400 bilhões de reais por ano com sonegação. A ong Tax Justice já posicionou o Brasil como um dos países com maior índice de sonegação do mundo. Como isso não sai na mídia, que também sonega, o governo parece não se interessar tanto pelo tema.
6) Dilma falou da necessidade de se investigar a Petrobrás, e os esquemas que a prejudicaram, sem quebrar empresas que formam a base da infra-estrutura no país. É um posicionamento político importante da presidenta, uma chamada para o bom senso. Só que o Ministério Público Federal já andou tentando agir com bom senso, e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi acusado de fazer um acordão para salvar o governo. Janot então, para salvar a pele, recuou e aderiu à mídia, fazendo discursos raivosos e udenistas. A mídia não quer saber de bom senso ou interesse nacional. Ela quer crise política e paralisação de obras fundamentais, para prejudicar o governo e preparar o terreno para seus candidatos em 2016 e 2018. Ou seja, o governo terá de “travar a batalha da comunicação” principalmente neste caso da Lava Jato. Não é o que tem feito até o momento.
Assista ao discurso da presidenta:
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Contraponto 15.913 - "Dilma promete se empenhar pela reforma política"

Na opinião da jornalista, porém, "só debater é pouco". "Dilma pode e deve fazer muito mais", defende Tereza, em seu blog. Uma das propostas que Dilma deveria seguir, diz ela, é reunir o Conselho da República, instituição prevista em nossa Constituição como um órgão de aconselhamento da presidência e que raramente se reúne
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Outra sugestão da jornalista é a de a presidente "enviar uma proposta". "Se o Congresso engavetá-la, pior para ele. Ficará mais uma vez claro que os senhores congressistas, entra e sai legislatura, não querem mudar nada neste sistema que vem encalacrando o país".

Em um texto publicado hoje sobre o discurso, o Blog do Planalto ressaltou no título: "Presidenta diz que reforma política será prioridade". O destaque é mais uma prova de que o governo pretende dar mais atenção ao tema. "Uma das prioridades do governo neste semestre será estimular o debate e ações pela reforma política no País, demanda de grande expectativa da sociedade brasileira", diz o post (leia aqui).


Leia aqui a íntegra do texto de Tereza Cruvinel.

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Contraponto 15.912 - "Dilma desmente o Estadão!"


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28/01/2015

Dilma desmente o Estadão!


O PiG não se emenda …


Conversa Afiada - 28/01/2015





O Conversa Afiada reproduz do facebook da Dilma:
 

Na reportagem "Em 4 anos de Dilma, MEC teve a pior execução do orçamento, desde 2001", o jornal O Estado de São Paulo esconde informações importantes para o leitor, as deixando para o pé da página: a presidenta Dilma foi responsável por um aumento nominal de 93% nos investimentos na educação.

Com o crescimento, o primeiro mandato de Dilma totalizou um orçamento de cerca de R$ 265 bilhões para a e
ducação. Somente no penúltimo parágrafo a reportagem reconhece: "Mesmo com execução orçamentária abaixo da média, os gastos com educação tiveram forte ampliação no governo Dilma".

E a boa notícia escondida no início continua: "No governo Dilma, foi a primeira vez que a proporção da educação passou a representar mais de 5% do orçamento previsto e também do gasto".


E do Blog do Dirceu:


Pobre leitor do Estadão!


Corretíssimos tanto a iniciativa quanto o texto publicado no site do PT e já compartilhado no perfil oficial da presidenta da República no Facebook, no qual o partido contesta, por incorretos, os dados da reportagem “Em 4 anos de Dilma, MEC teve a pior execução do orçamento, desde 2001″, publicada no jornal O Estado de S.Paulo nesta 2ª feira (ontem).

Screen Shot 2015-01-27 at 5.41.28 PMFoi o contrário, Estadão! “A presidenta Dilma Rousseff foi responsável por um aumento nominal de 93% nos investimentos na educação, quando comparado com o último governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, contesta a nota no site do PT. O partido chama atenção, ainda, para um detalhe na reportagem: a informação veio escondida no pé da matéria.

“O jornal paulistano preferiu esconder o aumento no orçamento do setor – cerca de R$ 265 bi – em quatro anos. Optou por manipular as estatísticas”, diz um trecho da nota petista. Na verdade a reportagem do Estadão faz uma comparação entre os governos petista (2003-2014) e tucano (1995-2002).

Estadão consegue transformar boa em má notícia contra Dilma

“Quem se aventurou até o fim do texto, no entanto, foi surpreendido pela verdade: o desempenho em execução do orçamento só foi menor nos dois últimos anos de FHC”. Somente no penúltimo parágrafo a reportagem reconhece: “Mesmo com execução orçamentária abaixo da média, os gastos com educação tiveram forte ampliação no governo Dilma”.

O partido questiona, também, que as informações, embora positivas em relação ao desempenho da presidente, podem ter sido utilizadas contra ela. “No governo Dilma, foi a primeira vez que a proporção da educação passou a representar mais de 5% do orçamento previsto e também do gasto” lembra o partido.

“Contra Dilma, investimento recorde em educação vira notícia negativa”, destaca o PT. Coisa que nossa grande mídia consegue fazer! Como ninguém!



Leia também:

TUCANOS ESCONDERAM A SECA EM MINAS

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Contraponto 15.911 - "A tarefa impossível de calcular as perdas da Petrobras"

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28/01/2015

A tarefa impossível de calcular as perdas da Petrobras



 

A Petrobras foi submetida a um desafio impossível: estimar as perdas com a corrupção para dar baixa no balanço.

Os vazamentos indiscriminados ventilaram a suspeita de que os desvios poderiam ter ascendido a R$ 20 bilhões. Mas a única coisa de concreto que se tem é a comissão de 3% sobre cada contrato fechado. E quem pagava era o fornecedor, não a Petrobras.

Compare-se a propina com, digamos, uma comissão de vendas.

Do ponto de vista penal, a distinção é total: propina é crime e tem que levar a cadeia quem pagou e quem recebeu.

Do ponto de vista contábil (e do ponto de vista de proporção do contrato) ambas equivalem. Ou seja, o custo de uma propina é similar ao de uma comissão por intermediação comercial.

Mas não é só isso.

A intermediação justifica-se no caso de contratos sem licitação. Aí, valem os contatos e a lábia do vendedor. No caso de contratos licitados, o custo da intermediação (ou seja, da propina) é embutido no preço do contrato. Teoricamente, então, o primeiro cálculo para estimar as perdas da. Petrobras seria o sobrepreço pago para compensar a propina. Para isso, a Lava Jato precisa ter o quadro completo de propinas pagas e repassá-lo à Petrobras.

Não apenas isso.

Há a suspeita de formação de cartel. A caça implacável da força tarefa atrás da Odebrecht tem uma explicação. Não se pode conceber um cartel sem a presença da maior empreiteira. Se nada for encontrado que incrimine a Odebrechet, ficará difícil provar a tese do cartel.

Daí o empenho dos delegados e procuradores em plantar notas na imprensa, buscando o caminho mais fácil: intimidar os executivos da empresa para que adiram à delação premiada.

Se conseguirem juntar todos os elos e provar a existência do cartel, o passo seguinte será estimar o sobrepreço que resultou do acordo. E esse sobrepreço teria que ser calculado em cada obra. Não pode ser confundido com os aditivos, já que parte deles têm justificativas técnicas.

Já se dizia que era mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico ir para a prisão. O rico já foi. Diria que é mais fácil contar as areias do castelo do que ter uma resposta precisa para as baixas contábeis da Petrobras.

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Contraponto 15.910 - "Para o Conselho de Medicina ler: Reino Unido contrata 3 mil médicos estrangeiros."


 

28/01/2015

 

Para o Conselho de Medicina ler: Reino Unido contrata 3 mil médicos estrangeiros.

 
Tijolaço - 28 de janeiro de 2015 | 13:36 Autor: Fernando Brito
indian

Está no The Guardian, para que o nosso corporativismo médico ficar com cara de tacho.

O National Health System do Reino Unido, um ultra-mega-SUS num país em que a medicina privada é exceção, contratou, no ano passado, três mil médicos estrangeiros.

Vieram de pelo menos 27 países, incluindo a Índia, Polônia, Austrália e Grécia – e também do Iraque, Síria e Sudão.

Não que a coisa esteja muito bem por lá, não está.

As pressões, inclusive as dos médicos, para abrir o sistema a uma maior presença das empresas médicas são grandes.

Desde Margareth Tatcher cortou verbas e mudou as regras contratuais dos “GPs” (General Practitioner, o médico generalista por lá) elas vêm se acentuando .

Mas a essência pública do sistema permanece e o médico não é um “produto de mercado”, que tem seu preço específico.

E a “livre escolha” não é a regra, porque os médicos tratam segundo protocolos e critérios que são comuns à toda medicina.

E, claro, a todo paciente, seja rico ou pobre.

Até porque eles são iguais, ao menos do ponto da fisiologia, não é?

A ideia essencial da medicina privada não é a liberdade do paciente.

É a liberdade do dinheiro.

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Contraponto 15.907 - "A Globo não ataca o Governo, ataca o Estado nacional, por J.Carlos de Assis"

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28/01/2015


A Globo não ataca o Governo, ataca o Estado nacional, por J.Carlos de Assis

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Globo não ataca o Governo, ataca o Estado nacional


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O noticiário da Globo é tendencioso. Ninguém que seja medianamente informado pensará diferente. Entretanto, não sei se as vítimas desse noticiário perceberam que no afã de denegrir o Governo, o que está perfeitamente dentro de suas prerrogativas de imprensa livre, a Tevê Globo, sobretudo nas pessoas dos comentaristas William Wack e Carlos Sardenberg, passaram a atacar o Estado brasileiro, o que sugere crime de lesa-pátria.

O Jornal da Globo de ontem, terça-feira, ultrapassou todos os limites da manipulação no sentido de execrar com a Petrobras através de uma análise distorcida de fatos e estatísticas. Os dois comentaristas tomaram por base valor de mercado, comparando-o com dívidas, para sugerir que a empresa está quebrada. É puro charlatanismo, economia de botequim, violação das mais elementares regras de jornalismo sério.

Valor de mercado não mede valor de empresa; é simplesmente um indicador de solvência de ações num dia no ambiente ultra-especulativo de bolsas de valores. O que mede o valor real de uma empresa é seu patrimônio comparado com seu endividamento. As dívidas que a Petrobras contraiu para suas atividades produtivas, notadamente do pré-sal, são muitíssimo inferiores a seu patrimônio, no qual se incluem bilhões de barris medidos de óleo do pré-sal.

Evidentemente que os dois comentaristas da Globo torcem para que o petróleo fique por tempo indefinido abaixo dos 45 dólares para inviabilizar o pré-sal brasileiro. Esqueçam isso. É uma idiotice imaginar que a baixa do petróleo durará eternamente: a própria imprensa norte-americana deu conta de que os poços em desenvolvimento do óleo e do gás de xisto, os vilões dos preços baixos, tem um tempo de vida muito inferior ao que se pensava antes.

É claro que o preço baixo do petróleo tem um forte componente geopolítico a fim de debilitar, de uma tacada, a economia russa, a economia venezuelana e a economia iraniana – e muito especialmente a primeira. Mas o fato é que atinge também empresas americanas que entraram de cabeça no xisto, assim como países “aliados” que produzem petróleo. No caso do pré-sal, ele só se tornaria inviável no mercado internacional com o barril abaixo de 45 dólares.

Os ataques dos dois comentaristas da Globo à Petrobras têm endereço certo: é parte de uma campanha contra o modelo de partilha de produção  do pré-sal sob controle único da Petrobras, contra a política de conteúdo nacional nas encomendas da empresa e contra a contratação das grandes construtoras brasileiras para os serviços de construção de plataformas e outras obras civis, principalmente de refinarias.

Esses três pontos foram assinalados no discurso de Dilma como inegociáveis. É uma decisão de Estado, não apenas de Governo. Sintomaticamente, os dois comentaristas da Globo sequer mencionaram esses pontos. Preferiram dar destaque maior ao noticiário pingado da Lava Jato, que, cá pra nós, já está ficando chato na medida em que não tem nada realmente novo, mas simples repetição à exaustão de denúncias anteriores.

P.S. Talvez os dois comentaristas teriam maior simpatia pela Petrobras se parassem para dar uma olhada nos anúncios televisivos sobre a performance vitoriosa da empresa,  e que ela está pagando para serem exibidos na Globo, para mim de forma absurda e injustificável.


J. Carlos de Assis.  Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB.
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Contraponto 15.906 - "Kamel, a Apple vende 44 mil iPhones por hora !"

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28/01/2014

Kamel, a Apple vende
44 mil iPhones por hora !

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Kamel, você sabia que a indústria de aplicativos para celular já vende mais que Hollywood ?

 

Conversa Afiada - 28/01/2015

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Sugestão do Turquim no Twitter

O Conversa Afiada reproduz artigo da Teletime:

Apple bate recorde de lucro e vende 74,5 milhões de iPhones no quarto tri



O quarto trimestre do ano passado foi o melhor da história da Apple. Graças ao sucesso dos novos iPhone 6 e 6 Plus, a empresa registrou uma receita recorde de US$ 74,6 bilhões, 30% maior que no mesmo período do ano passado. E o lucro trimestral também foi recorde: US$ 18 bilhões, ou US$ 5 bilhões acima do recorde anterior.

Entre outubro e dezembro, a Apple vendeu 74,5 milhões de iPhones no mundo, um crescimento de 46% em um ano. “Vendemos 44 mil iPhones por hora. É até difícil de entender. O lançamento do iPhone 6 e 6 Plus foi o mais rápido da nossa história. O produto já está presente em 130 países”, comentou o CEO da Apple, Tim Cook, durante a teleconferência sobre o balanço. No quarto trimestre, a Apple vendeu 5,5 milhões de computadores e 21 milhões de iPads.

Outro dado impressionante informado pelo executivo: no dia 22 de novembro a Apple alcançou a marca de 1 bilhão de aparelhos com iOS vendidos até o momento – trata-se da soma de todos os iPhones e iPads vendidos na história.

Os mercados emergentes foram as estrelas desse trimestre para a empresa. Cook destacou especificamente o desempenho na China e no Brasil. Hoje a China é o segundo maior mercado de iPhones no mundo.

Segundo Cook, o quarto trimestre registrou a maior quantidade de novos usuários de iPhone de toda a história do produto. E também foi a maior quantidade de migrações de usuários de Android para iPhone, considerando os três últimos lançamentos de iPhones. De acordo com o CEO da Apple, a quantidade de usuários de modelos antigos de iPhone que migrou para os novos modelos ainda é pequena. Ele não revelou a proporção, contudo.
Apple Watch e Apple Pay

O relógio inteligente da Apple, o Apple Watch, começará a ser vendido em abril, disse Cook. “Minhas expectativas são altas. A quantidade de desenvolvedores que estão escrevendo apps é impressionante e vemos grandes inovações”, comentou.

Sobre Apple Pay, já há 750 bancos e instituições financeiras aceitando o sistema de pagamento sem contato da Apple nos EUA. Em lojas que aceitam pagamentos por NFC, o Apple Pay já representa US$ 2 de cada US$ 3 em transações desse tipo. Em alguns casos chega a 80%. “2015 será o ano do Apple Pay”, disse.


Em tempo: Kamel, você sabia que a indústria de aplicativos para celular já vende mais que toda Hollywood ? Kamel, você e a Globo já têm um “plano B” ? Ou os filhos do Roberto Marinho – que não têm nome próprio – ainda acham que o Aécio ganhou e vai abrir o BNDES ?


Paulo Henrique Amorim

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Contraponto 15.905 - "Todos à la place. Por quê?"

 

28/01/2015

 França

Todos à la place. Por quê?

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A adesão imediata à manifestação de Paris mostra como é fácil hoje manipular uma opinião pública tolhida para o exercício do espírito crítico

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Carta Capital  — publicado 27/01/2015 06:07 
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Hollande
François Hollande administra um país dilacerado entre os que clamam pela "guerra ao terror" e aqueles que querem segurança sem comprometer as liberdades civis


 por Mino Carta 


Perguntaria Hamlet: “Ser ou não ser?” Charlie, está claro. A personagem de Shakespeare é o paradigma da dúvida atormentada pela invulnerabilidade do efêmero. Surpreende, porém, e até espanta, a rapidez com que a larga maioria fez sua escolha. Por quê? A que se deve o imediatismo da resposta? Agir às pressas, de impulso, precipita amiúde equívocos, enganos, erros. Não seria o caso de parar para pensar?

Pois é, pensar. Explorar a faculdade que o ser humano tem de constatar sua pessoal existência. O mundo vive uma quadra de enormes incertezas e de graves conflitos, e a situação se apinha de inúmeros por quês. Por que aqui estamos a padecer uma crise econômica que poupa somente banqueiros e especuladores, aliás, a eles aproveita acintosamente? Por que o rentismo grassa enquanto o desemprego aumenta? Por que o desequilíbrio social se aprofunda em todos os cantos?

Por que uma centena de multinacionais impõe sua vontade a Estados soberanos? Por que a senhora Merkel e seus banqueiros ditam as regras à inteira Comunidade Europeia e decretam a austeridade em lugar do desenvolvimento? Por que o atual presidente da UE é o ex-premier do Luxemburgo, o aprazível paraíso fiscal?

Interrogações sem conta, propostas pela circunstância. Pode-se, se quisermos, perguntar aos nossos botões por que o mundo carece hoje de poetas, ou por que pagam-se dezenas de milhões de dólares por um tubarão morto mergulhado em uma caixa de vidro cheia de formol, ou por que navegantes da internet divulgam aos quatro ventos o cardápio do seu jantar da noite anterior. Ou por que, de súbito, a humanidade concentra-se na Place de la République, de corpo presente ou em espírito, para manifestar contra o terrorismo.

O espetáculo parisiense assinala, ao mesmo tempo, o triunfo do modismo e da hipocrisia. Fácil identificar o lado de cada qual, a ser clara a desfaçatez das autoridades. Em boa parte, tem responsabilidades em relação ao terrorismo, quando não são seus instigadores, cúmplices, ou até mesmo praticantes, competentes ou não. Conseguiram o que queriam, admitamos. Juntaram o Ocidente em uma praça parisiense para ostentar os seus poderes e cuidar dos seus interesses políticos, sem exclusão de golpes baixos, ações de guerra, assaltos aos cofres públicos e terrorismo de Estado, sem contar as violações dos Direitos Humanos.

Diante deles, incitada pelas frases feitas da propaganda midiática, súcuba dos apelos da retórica globalizada, a grei automatizada. Incapaz de entender se, de pura e sacrossanta verdade, o massacre na redação do Charlie Hebdo configura um ataque sem precedentes à liberdade de imprensa, ou de expressão. Ou à liberdade na acepção total, sem qualificativos.

Resta entender o significado e o alcance das palavras. Sabemos, em primeiro lugar, ou pretendemos saber, que a liberdade de cada um acaba na liberdade do semelhante. Nem todos se dão conta disso.

De qualquer forma, a liberdade proclamada pela Revolução Francesa acaba por ser de poucos se não for completada pela igualdade. Livre é realmente uma sociedade de iguais. Se há canto da Terra onde esta simbiose acontece, louvado seja quem fez o milagre. Nem se fale do Brasil, o país de casa-grande e senzala.

Outra questão diz respeito à liberdade de imprensa, que na mídia nativa conta com paladinos aguerridos. A liberdade que defendem é a de fazer o que bem entendem. Não é assim em outros países democráticos e civilizados, onde a mídia é devidamente regulamentada, para impedir, entre outros objetivos, o monopólio e o oligopólio. Na França, é certo, o Charlie Hebdo podia circular à vontade, a despeito dos seus discutíveis propósitos e de certo autoritarismo a vingar na redação. O cartunista Siné, célebre desde o fim dos anos 50, foi despedido porque suas charges não tinham a desejada agressividade e evitavam certos assuntos.

A virulência antimuçulmana, no Charlie Hebdo, não é inferior àquela dirigida contra as religiões monoteístas de cristãos e judeus. Tempos atrás, uma charge mostrava, da forma mais crua, o encontro (seria um rendez-vous?) entre a Virgem Maria e um centurião romano, com o resultado de trazer à vida quem mais, se não Jesus Cristo. Ocorre a lembrança de um Pif-Paf, a seção entregue pelo O Cruzeiro dos Diários Associados a Millôr Fernandes, por mais de duas décadas. O humorista estava disposto a contar a história fracassada de Adão e Eva no Paraíso Terrestre. Jocosa e sem vulgaridade, no traço steinberguiano de Millôr.

ACNBB protestou oficialmente, e Millôr foi despedido com a habitual pusilanimidade. Não houve manifestação na Cinelândia carioca.

Não convém ao Ocidente aceitar a ideia de que a tragédia decorre de uma ação de guerra levada a cabo por um comando bem treinado, mas é assim que pensam os fanáticos arregimentados pela Jihad.

Se uma bomba um dia desses explodir, digamos, no Grand Palais, não podemos alegar o atentado contra a liberdade de expressão, como não o foi o ataque às Torres Gêmeas. O objetivo do terrorismo, de resto, é solapar a capacidade de resistência do inimigo designado, de certa maneira é semear o pânico com a humilhação do alvejado.

Não se trata, de todo modo, de buscar explicações, e sim de entender que a liberdade de expressão tem necessariamente limites, bem como a intenção de provocar, desbragada na publicação satírica. O que talvez esclareça quanto ao seu escasso êxito junto ao público francês. Nesta semana, o Charlie Hebdo saltou de uma tiragem de algumas dezenas de milhares de cópias para milhões. Também este é fruto do modismo, a contar, para a manipulação da opinião pública, com instrumentos cada vez mais capilares e eficazes. Vezos e tendências momentâneos assumem a ribalta e tomam conta da plateia de forma avassaladora. Até levá-la, se for o caso, à Place de la République.

É provável que na multidão também figurassem muitos cidadãos franceses de origem árabe, ou africana, e de religião muçulmana, impelidos pela repulsa ao terrorismo, conquanto ofendidos pela charge que visava o Profeta. Que fazer com 6 milhões de muçulmanos franceses donos de todos os direitos de cidadania? Expulsá-los em bloco? Não faltarão aqueles que aprovariam a solução com entusiasmo. Caso se trate de torcedores do futebol, a xenofobia os teria levado a não considerar o triste destino da seleção francesa, privada de muitos entre seus melhores craques.

Deste ponto de vista, o Brasil é um país resolvido, embora não isento do preconceito racial e social.

Por aqui pobres e pretos vivem sob suspeita. Manda, porém, o jus soli, pelo qual somos todos brasileiros. Na França, e em toda a Europa, meta de forte migração de áreas subdesenvolvidas, a questão suscita ásperas polêmicas, mesmo porque em muitos países a tradição soletra o jus sanguinis.

O sangue determina a cidadania. Eventos como o massacre que abalou o mundo vão excitar o ódio racial na França, na Europa, e alhures, em benefício da direita mais reacionária.

Quem leva vantagem? Na França, Marine Le Pen, que se fortalece como candidata à Presidência da República. Na Itália, crescerá a Lega. Na Alemanha, o Pegida, grupo ultradireitista. Rajoy, na Espanha, reforça seu poder. De todos os líderes, Netanyahu é aquele que, ao carregar sua campanha eleitoral até Paris, exibe com maior clareza seus propósitos. E a orquestração bem trabalhada acaba por acentuar as incompatibilidades, os contrastes, as divergências, os conflitos. A violência e o desvario em geral.

Neste caldo de cultura germinam, como no magma primevo a se esfriar teria nascido a vida do planeta, o fanatismo assassino, a criminalidade nas suas distintas fisionomias. Isto é do conhecimento até do mundo mineral, mas não de todos os homens. Fatos como a chacina parisiense repetem-se à toda hora, provocados pelo fanatismo, pela revolta, pela insanidade, pela desgraça. E pelo terror de Estado. Não cabe justificar o horror. Recomenda-se, entretanto, aquilatar envolvimentos e responsabilidades. E anotar que inomináveis delitos cometidos pelos senhores do mundo ocidental não costumam merecer a repulsa das praças lotadas.

Para evocar fatos próximos, é da incompetência impafiosa da diplomacia norte-americana que eclode a Guerra do Iraque, ou brota a maior ameaça terrorista representada pelo Estado Islâmico. Tal é a inexorável verdade factual. Há culpas em cartório, contribuições transparentes ao descalabro dos dias de hoje, às quais a maioria se presta de pronto porque tolhida fatalmente ao exercício da razão.

O alpiste servido aos incautos, aos desmemoriados, aos crédulos, aos ignorantes, é a versão dos cavalheiros tão bem representados na praça parisiense. Aproveitam-se da eficácia dos instrumentos chamados a entorpecer as consciências e demolir o mais pálido resquício de espírito crítico.

Talvez estejamos no limiar de uma nova Idade Média, contradição apenas aparente do dito progresso tecnológico. Se o homem dispõe de computador e celular de infinitas funções, e vive bem mais do que as gerações precedentes, nem por isso ganha em sabedoria, pelo contrário. O respeito à memória, base de todo conhecimento, dispersa-se na moda contingente. Nesta moldura, o livro tende a se tornar objeto obsoleto. Na mesmice globalizada instalam-se, disfarçados pela banalidade, a ignorância, a indiferença. E os desbordantes porquês não logram resposta.

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Contraponto 15.904 - "JN amordaça oposição a Alckmin ao noticiar crise hídrica em SP"

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28/01/2015 

 

JN amordaça oposição a Alckmin ao noticiar crise hídrica em SP

oposição capa
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Quando o Jornal Nacional noticia alguma suposta deficiência do governo federal, certas figurinhas carimbadas da oposição a esse governo têm espaço garantido para criticá-lo. Álvaro Dias (PSDB-PR) ou Agripino Maia (DEM-RN) já se tornaram figuras familiares para boa parte dos brasileiros devido à grande exposição que têm naquele telejornal cotidianamente.

O assunto pode ser o escândalo na Petrobrás, a suposta crise de energia elétrica no país, o baixo crescimento da economia, a inflação, seja lá o que for que o JN – e congêneres – noticiar sobre problemas de responsabilidade do governo federal, lá estará algum oposicionista – de preferência, os dois supracitados – para acusar Dilma, hoje, assim como fazia com Lula, ontem.

Nesta terça-feira 27, porém, a matéria do Jornal Nacional sobre a crise hídrica em SP mais do que justificaria que a oposição ao governo do Estado fosse chamada a opinar sobre o assunto, assim como a oposição a Dilma é chamada a comentar problemas que dizem respeito ao governo dela, como os citados no parágrafo anterior. Porém, como de costume, não rolou.

O vídeo abaixo mostra a gravidade do que foi anunciado pelo governo paulista em relação ao racionamento de água que deve começar a viger em São Paulo em mais algumas semanas. Poucos suspeitaram de que o problema fosse tão grave. Os paulistanos terão água na torneira apenas 2 dias por semana.


Já se tornou ocioso repetir que responsabilidade o governo Geraldo Alckmin tem sobre o problema.

Além da imensa responsabilidade do PSDB por governar SP desde 1995 (VINTE ANOS ATRÁS) com o mesmo Alckmin e com José Serra, o atual governador agravou sua responsabilidade ao esperar passar o período eleitoral e as festas de fim de ano para tomar medidas mais drásticas para poupar água.

Alguns dirão que Dilma também não tomou as medidas econômicas que está tomando agora e que são impopulares. Pode-se discutir essa questão. Durante o processo eleitoral, porém, tanto o programa de governo de Dilma quanto seus principais expoentes disseram várias vezes que seria necessário desmontar a política anticíclica que ao longo dos últimos 5 anos impediu que o país sentisse o auge da crise econômica internacional.

Em 2 de outubro de 2014, por exemplo, a três semanas da eleição presidencial em segundo turno, em entrevista ao portal G1, da Globo, o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse, com todas as letras, que seria preciso “(…) desmontar a política anticíclica, de expansão de gastos públicos para combater a desaceleração da economia (…)”.

Quem não prestou atenção na campanha de Dilma, paciência. Quem se informou direito sabia que as medidas de austeridade tomadas recentemente viriam, ainda que não tenham sido detalhadas na época, mas que eram imagináveis.

Seja como for, verdadeira ou não, a suposta contradição entre o que Dilma disse na campanha e o que fez após se reeleger foi apontada no Jornal Nacional, entre outros, por membros da oposição. Por que o mesmo Jornal Nacional não chama a oposição a Alckmin para comentar medidas como as que o governo dele acaba de noticiar, em relação à crise hídrica?

Então ficamos assim: o governo Alckmin adiou medidas urgentes por conta das eleições e, com isso, aumentou a dramaticidade do racionamento de água recém-anunciado pelo governo paulista. Os cinco dias sem água por semana poderiam ser três, talvez dois se, em meados do ano passado, o governo paulista tivesse feito o que era preciso.

Aliás, à oposição ao governo paulista caberia, também, dizer na Globo que a crise hídrica em SP é uma crise anunciada há mais de uma década, como mostram matérias da imprensa, à época.

O mais grave em tudo isso é que o amordaçamento da oposição a governos tucanos é regra na Globo. Só fala a oposição a governos petistas, sobretudo ao governo Dilma.

Nesse aspecto, em meados do ano passado o deputado estadual pelo PT de São Paulo Antonio Mentor deu entrevista a este Blog em que relatou a dificuldade da oposição ao governo Alckmin de se fazer ouvir pela mídia, sobretudo pela Globo, por falta de interesse desses veículos no que acontece em SP e, mais do que isso, no que tem a dizer essa oposição.

mentor

Dessa forma, como foi possível ver no vídeo acima, o Jornal Nacional – e congêneres – deixa em branco o espaço para que o seu telespectador questione os governantes, já que, sem a crítica que o telejornal permite à oposição ao governo Dilma fazer, o governo tucano de SP acaba blindado.

Contudo, uma coisa é certa: se os paulistas não aprendemos pelo amor quem é que controla a distribuição de água em São Paulo – e, por isso, mais da metade de nós pensa que a responsabilidade é do governo federal –, aprenderemos pela dor durante o longo e penoso racionamento de água que temos pela frente. Cedo ou tarde, os paulistas vão se revoltar.
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Contraponto 15.903 - "Petrobras registra lucro de R$ 3 bi no 3º trimestre"

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28/01/2015

 

Petrobras registra lucro de R$ 3 bi no 3º trimestre 

 

Brasil 247 - 28 de Janeiro de 2015 às 07:24

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Lucro representa uma queda de 38% em relação ao trimestre anterior em 2014 e 9,9% frente ao mesmo período de 2013; resultado não incluiu baixas contábeis relacionadas às denúncias de corrupção da Operação Lava Jato, mas incluiu baixas de R$ 2,7 bilhões com a descontinuidade dos projetos das refinarias Premium I e II; segundo a nota da presidente da Petrobras, Graça Foster, a companhia reafirma a manutenção da política de preços de diesel e gasolina, "não repassando a volatilidade do mercado internacional, o que, na situação atual, favorece excepcionalmente o caixa"

SÃO PAULO - A Petrobras (PETR3;PETR4) anunciou que registrou lucro líquido de R$ 3,087 bilhões no terceiro trimestre de 2014, ante R$ 3,395 bilhões no mesmo período de 2013, segundo balanço não auditado divulgado na madrugada desta quarta-feira.

Este lucro representa uma queda de 38% em relação ao trimestre anterior em 2014, "refletindo o menor lucro operacional", segundo a Petrobras. Já frente ao mesmo período de 2013, quando o lucro havia sido de R$ 3,395 bilhões, o recuo foi de 9,9%.

O resultado não incluiu baixas contábeis relacionadas às denúncias de corrupção da Operação Lava Jato, mas incluiu baixas de R$ 2,7 bilhões de reais com a descontinuidade dos projetos das refinarias Premium I e II.

Já o Ebitda ajustado da companhia ficou em R$ 11,7 bilhões, ante R$ 16,2 bilhões no segundo trimestre de 2014 e R$ 13,1 bilhões no terceiro trimestre de 2013.

"A divulgação das demonstrações contábeis não revisadas pelos auditores independentes “tem o objetivo de atender obrigações da companhia (covenants) em contratos de dívida e facultar o acesso às informações aos seus públicos de interesse, cumprindo com o dever de informar ao mercado e agindo com transparência com relação aos eventos recentes que vieram a público no âmbito da ‘Operação Lava Jato’”

A “companhia entende que será necessário realizar ajustes nas demonstrações contábeis para a correção dos valores dos ativos imobilizados que foram impactados por valores relacionados aos atos ilícitos perpetrados por empresas fornecedoras, agentes políticos, funcionários da Petrobras e outras pessoas no âmbito da ‘Operação Lava Jato’”

“No entanto, em face da impraticabilidade de quantificar de forma correta, completa e definitiva tais valores que foram capitalizados em seu ativo imobilizado, a companhia considerou a adoção de abordagens alternativas para correção desses valores: i) uso de um percentual médio de pagamentos indevidos, citados em depoimentos; ii) avaliação a valor justo dos ativos cuja constituição se deu por meio de contratos de fornecimento de bens e serviços firmados com empresas citadas na ‘‘Operação Lava Jato’’. Essas alternativas se mostraram inapropriadas para substituir a impraticável determinação do sobrepreço relacionado a esses pagamentos indevidos”, informou a companhia em seu release de resultado.

Preços dos combustíveis

Segundo a nota da presidente da Petrobras, Graça Foster, a companhia reafirma a manutenção da política de preços de diesel e gasolina, "não repassando a volatilidade do mercado internacional, o que, na situação atual, favorece excepcionalmente o caixa".

O patamar atual de produção de petróleo e derivados assegura à empresa o mesmo patamar de geração operacional [geração de caixa], mesmo com o preço do barril de petróleo Brent variando entre US$ 50/bbl e US$ 70/bbl, segundo a presidente.

De acordo com a presidente, a Petrobras enfrenta um momento único em sua história e o resultado das avaliações indicou que os ativos com valor justo abaixo do imobilizado totalizaram R$ 88,6 bilhões de diferença a menor. Os ativos com valor justo superior totalizaram R$ 27,2 bilhões de diferença a maior frente ao imobilizado.

“Decidimos não utilizar a metodologia da determinação do valor justo como “proxy” para ajustar os ativos imobilizados da companhia devido à corrupção, pois o ajuste seria composto de elementos que não teriam relação direta com pagamentos indevidos”, afirmou.

“Assim, aprofundaremos outra metodologia que tome por base valores, prazos e informações contidos nos depoimentos em conformidade com as exigências dos órgãos reguladores (CVM e SEC), visando a emissão das demonstrações contábeis revisadas”.

Produção

A produção total de óleo e gás natural cresceu 6% no 3º trimestre de 2014 frente o segundo trimestre, com 2,7 mil barris por dia. No acumulado do ano, a produção diária é de 2,6 mil barris, representando alta de 3% em comparação com o mesmo período de 2013.

Já o endividamento líquido da empresa cresceu 8% em comparação com o segundo trimestre de 2014, passando para R$ 261 milhões. De janeiro até setembro, houve crescimento de 35% em relação ao mesmo período de 2013.

A Petrobras planeja aumentar sua produção de petróleo no Brasil em 4,5% em 2015 ante 2014, com variação de 1 ponto percentual na meta para mais ou para menos, destacou no relatório de resultados.

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