terça-feira, 27 de março de 2018

Nº 23.742 - "Requião: Agressão não é contra o Lula, é contra o Brasil e a América Latina"

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27/03/2018


Requião: Agressão não é contra o Lula, é contra o Brasil e a América Latina


Senador paranaense cita espionagem contra Dilma e perseguição da Lava Jato a Lula como parte de uma ação norte-americana para “capturar” o Brasil e o continente


Da Rede Brasil Atual publicado 26/03/2018 22h32, última modificação 27/03/2018 09h4



Unilab
Requião e Fernando Lugo com o ex-presidente: "Quero votar no Lula para presidente", diz o senador

São Paulo – O senador Roberto Requião (MDB-PR) afirmou que a “movimentação” que está em curso agora no Brasil não é contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Referindo-se ao mesmo tempo à perseguição ao petista pela imprensa comercial e pelo sistema judiciário e à  escalada de ataques de grupos de extrema-direita à Caravana Lula pelo Brasil, Requião sustenta que se trata de uma agressão à contra a América Latina e ao Brasil. O senador é um dos oradores do Seminário Internacional da Tríplice Fronteira, no município de Foz do Iguaçu, oeste do Paraná, a 660 quilômetros de Curitiba. O evento se realiza no Sindicato dos Eletricitários de Foz do Iguaçu, criada em 2010.

Requião está ao lado de lideranças de outros países, entre elas o senador paraguaio Fernando Lugo, presidente que também foi derrubado por um golpe jurídico parlamentar, em 2012. 

Ele afirmou que existem  fortes interesses externos no desmonte da Petrobras, dos bancos públicos, na privatização do setor elétrico e do Aquífero Guarani. E associou a espionagem praticada pela Agência Nacional de Segurança (NSA), dos Estados Unidos, contra a presidenta Dilma Rousseff, descoberta ainda durante o governo de Barack Obama, em 2015, à Operação Lava Jato, como partes de um mesmo objetivo.

“Ninguém em sã consciência que tem um presidente que põe o Brasil entre as sete maiores economias do mundo acredita que ele iria comprometer sua história por causa de uma merda de um apartamento”, afirmou. “Estão tentando capturar o Brasil e através do Brasil capturar a América Latina. Não fosse Lula o virtual presidente da República eleito em 2018, ele não estaria passando pelo que está passando.”

Dirigindo-se a Lugo, o senador paranaense afirmou que não existe prisão possível para Lula, porque a esperança não se prende. “Não acredito que (a Justiça) terá coragem de confirmar a decisão do TRF4. Lula: quero votar em você para presidente”, declarou.

Enquanto o ex-presidente foi ao evento de Foz, parte da comitiva se dirigiu diretamente para Quedas do Iguaçu, a 200 quilômetros dali, acompanhada por centenas de apoiadores espalhados à margem da rodovia, fazendo lembrar episódios da etapa nordestina da caravana. Em Quedas, o ato público está marcado para a manhã desta terça-feira (27), quando a Caravana Lula pelo Brasil chega ao seu penúltimo dia de jornadas iniciadas em Bagé, no dia 19.

Algumas pessoas chegaram a estender faixa com dizeres "Quedas do Iguaçu não é Bagé", em alusão aos primeiro movimentos de hostilidade registrados na cidade gaúcha onde Lula visitou a Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 

A etapa seguinte, que será cumprida à tarde, será em Laranjeiras do Sul. À noite, em Guarapuava. Na quarta-feira pela manhã, a caravana segue em direção a Curitiba para um ato público na Boca Maldita, marcado para as 17h.

‘Sei que vai ter confusão, mas somos da paz’

O reitor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), Gustavo Oliveira Vieira, destacou a origem dos alunos que ingressaram na instituição, lembrando que 52% dos estudantes são os primeiros a entrar em universidade em seu núcleo familiar. Na cerimônia, fez questão de agradecer o ex-presidente. “A Unila veio até você e precisamos dizer ‘muito obrigado’. Estamos trabalhando duro para que nossa missão institucional não se perca.”

O deputado argentino do Parlasul Jorge Taiana tratou do tema da integração latino-americana como fundamental para o desenvolvimento dos países da região. “Estamos aqui em nome de muitos argentinos para expressar nossa solidariedade a Lula e ao povo brasileiro, e em defesa da democracia na América Latina. Mas estamos aqui não só em apoio solidário aos companheiros, mas em defesa própria, porque o que acontece no Brasil vai afetar o que acontece na América do Sul”, disse. “Vamos resistir, mas não vamos só resistir, vamos vencer e voltar a ter um governo a serviço do povo, que defenda seus interesses e que lute pela integração.”

O ex-presidente paraguaio Fernando Lugo disse que “estar com Lula é estar com a maioria do povo do Brasil”. E lembrou o processo que o derrubou do governo. “Entendo melhor o que muita gente disse em junho de 2012, que o golpe de Estado parlamentar no Paraguai era contra a integração latino-americana, do Mercosul, da Unasul, do Celac. Mas aqui (no seminário) está uma genuína integração com a qual nós, latino-americanos, sonhamos.”

A presidenta do PT, senadora paranaense Gleisi Hoffmann, destacou os investimentos feitos durante governo Lula no estado e ironizou os grupos de pessoas que bloquearam passagens e agrediram a comitiva do ex-presidente. “Esses que vieram fazer protesto, muitos beneficiados por políticas públicas, porque os grandes fazendeiros dessa região se beneficiaram com financiamento do custeio das suas safras, compraram trator e maquinário com juros baratos, tiveram condições de fazer a exportação de sua produção e nunca tiveram a dignidade de reconhecer”, apontou. “Foi um dos melhores governos para a agricultura desse país. O que eles externam é ódio de classe, fascismo, ideologia contrária.”

Na fala de encerramento, o ex-presidente Lula lembrou de como teve a ideia de criar a Unila e também a Universidade de Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). “Quando pensei em criar uma universidade da integração da América Latina e em criar uma universidade de integração entre o Brasil e a África, tinha em mente uma coisa que me envergonhava. Ficava sempre me perguntando como Cuba, que tem apenas 110 mil quilômetros quadrados, população de 10 milhões de habitantes, um PIB pequeno, uma renda per capita baixa, conseguia dar tantas bolsas de estudos para jovens pobres da América Latina. E pensava por que o Brasil e a Argentina não poderiam fazer o mesmo”, disse. “A única explicação era que não era por falta de dinheiro, mas por falta de interesse político de contribuir para que as pessoas mais pobres da América Latina tivesse acesso a universidade.”

Lula lembrou ainda o fato de ter estabelecido um diálogo com os reitores, algo que, segundo ele, não havia em gestões anteriores. “Sou o único presidente da República que todo ano me reunia com todos os reitores das universidades. Os outros não, porque tinham medo de que o reitor fosse levar uma reivindicação. E aprendi pra caramba com isso, e quase tudo que fizemos foi resultado das reuniões com reitores nesse país.”

Como em falas anteriores em sua caravana, Lula falou sobre as agressões sofridas por sua comitiva. “É um bando de fascistas, 40 ou 50 pessoas que se acham donos para proibir que dois ex-presidentes pudessem transitar livremente”, afirmou. “Enfrentamos uma barra que nunca tinha pensado que iria acontecer. Tivemos certa tranquilidade em Florianópolis, por que lá tinha muita gente, e vamos terminar em Curitiba. Já sei que vai ter confusão, mas somos da paz. A única coisa que não aceitamos é dar a outra face. Não queremos bater, não nascemos para bater, mas não queremos apanhar. Queremos ensinar as pessoas a conviver democraticamente na diversidade.”


“Descobri com esse golpe que a democracia no país é coisa rara. Não é regra, é exceção. A Dilma nem tinha aprendido a andar de bicicleta e foi acusada de dar pedalada”, brincou, para depois deixar uma mensagem à plateia composta majoritariamente por jovens estudantes. “Se vocês querem uma motivação de luta, não se preocupem com o que está acontecendo com o Lula, mas se preocupem com o que está acontecendo com este país e com este povo. Senão, vamos voltar a ser um país sem soberania.

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Nº 23.741 - Lula elegível e a chorumela da Globo

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27/03/2018

Lula elegível e a chorumela da Globo


Do Blog do Esmael - 27 de Março de 2018 por esmael | Comente agora




Depois de levar uma goleada de 7 a 4 no STF, na semana passada, a Globo põe pressão nos ministros do TSE para que eles decretem a inelegibilidade do ex-presidente Lula. A empresa de comunicação da família Marinho, em editorial, exige o enquadramento do petista na Lei da Ficha Limpa.

O diabo é que o Supremo discute a presunção da inocência de acusados até a ação transitar em julgado, ou seja, uma condenação em segunda instância afastaria as causas de inelegibilidades se prevalecer o artigo 5º, inciso XLIX, que tem a clara dicção: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.”

Para o desespero da Globo, a admissão do habeas corpus para Lula e o salvo-conduto expedido pelo STF congelando os efeitos da decisão do TRF4 — um tribunal de segunda instância — reativam o princípio constitucional popularmente traduzido como “ninguém é culpado até prova em contrário” e afastam a aplicação da Lei da Ficha Limpa.


Portanto, até o STF definir se cumpre ou não a Constituição Federal de 1988, Lula é inocente e por isso poderá disputar a eleição presidencial de outubro. O resto é chorumela da Globo.

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segunda-feira, 26 de março de 2018

Nº 23.740 - "Pelotão de fuzilamento do Lula entrevista Moro"

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26/03/2018

Pelotão de fuzilamento do Lula entrevista Moro

Se fosse Juiz mesmo mandava prender os patrões


Do Conversa Afiada - publicado 26/03/2018

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Foi José Simão quem chamou o programa Roda Viva da TV Cultura de Roda Morta.

A TV Cultura, como se sabe, é uma lata de lixo de luxo dos tucanos de São Paulo, que não precisam de TV nenhuma, porque têm a Globo Overseas.

Nessa segunda-feira 26/III o Roda Morta enterra o apresentador Augusto Nunes e na execução entrevista o Judge Murrow, bancado por trusts de bancos americanos e suíços.

O objetivo era fazer com que Murrow decretasse a prisão do Lula ao vivo, depois de os desembagrinhos cumprirem, à tarde, em Porto Alegre, o ritual previamente combinado de condenar o Lula.

Lamentavelmente, o Supremo deu vitória ao Lula por 7 a 4 e continuará a dar, em 4 de abril.

Portanto, a sessão dos desembagrinhos é como disputar o terceiro lugar da Copa do Mundo.

E a entrevista do Moro a entrevista do técnico que ficou em quarto lugar.

Porém, vale a pena ver o batalhão de fuzilamento do Lula que "entrevistará" o Murrow: o editor(sic)-executivo (sic) da Fel-lha; o diretor de jornalismo (sic) do Estadão; a diretora de redação da Época, que fechou e é distribuída como contra-peso no Globo e no PiG cheiroso, aos sábados; e o diretor de jornalismo (sic) da Band, que ninguém na Band sabe o que faz, além escolher os lugares dos candidatos nos debates da Band (que não decidem nada).

Moro será tratado como Herói da Pátria (tucano-americana).

Que se fosse realmente Herói mandava prender os donos das instituições ali representadas por jornalistas imparciais.


PHA

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Nº 23.739 - "Tíbios e insensíveis"

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26/03/2018

Tíbios e insensíveis

Só no Brasil a condenação sem provas do preferido das urnas e o assassínio de Marielle Franco não provocam a revolta das ruas


Da Carta Capital  — publicado 26/03/2018 00h10, última modificação 23/03/2018 12h27 Editorial


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Pergunto-me o que aconteceria em um país de tradição democrática se um personagem como Marielle Franco tivesse sido assassinado


por Mino Carta 


Diz Michel Temer que o assassínio de Marielle Franco representa “um atentado contra a democracia”. A melíflua figura não esmorece na exibição de sua desfaçatez. Atentado à democracia é tudo o que se deu em consequência do golpe de 2016, a começar pela presença dele mesmo na Presidência da República, pobre, infeliz República.

Temer age à vontade e até cogita da sua candidatura nas eleições marcadas para outubro próximo. Envolvido em escândalos de elevados calibres com responsabilidades largamente comprovadas no mesmo momento da condenação de Lula sem provas e ameaçado de prisão até o fim deste mês, e portanto impedido de voltar ao poder, vencedor certo do pleito.

O objetivo determinante do golpe foi exatamente este: rasgar a Constituição com a bênção de um Supremo dado a assaltar leis, a alegria do Congresso que a sacramentou 30 anos atrás e enfim liquidar Lula e o PT. Decisiva a contribuição da propaganda midiática no apoio irrestrito ao estado de exceção. Confiavam os golpistas na ignorância, na insensibilidade, na covardia, no medo crônico da maioria. Acertaram em cheio.

Temer é simbólico do desmando impune, o assassínio de Marielle é simbólico do atraso, do primitivismo, da medievalidade do Brasil.

Esta é a verdade factual para entender como se deu que o PT acreditasse na quimera da conciliação e tentasse se credenciar à promoção a elite. É do conhecimento até do mundo mineral que a conciliação só é possível entre as paredes da casa-grande, a qual considera Lula e seu partido ralé.

Os senhores de quando em quando se desentendem, e, a bem da segurança da mansão medieval, tratam de reconciliar-se. É por isso que quartzo e feldspato sabem que apenas um poderoso abalo social muda o destino do Brasil. Receio que esta também seja quimera.

Pergunto-me o que aconteceria em um país de tradição democrática se um personagem político como Marielle Franco tivesse sido assassinada nas mesmas circunstâncias. Posso ouvir o clangor do protesto das ruas. Sabemos que a maior desgraça brasileira são três séculos e meio de uma escravidão que, de fato, não se encerrou no país da casa-grande e da senzala.

Mas também neste caso há culpas em cartório. Quem haveria de despertar a consciência popular, e não lhe faltou a oportunidade, a começar pelo PT e pelos sindicatos, não soube cumprir a tarefa. E não creio que o povo espere pela conciliação para fazer valer o peso da maioria. O povo não percebe que sua miséria não é somente material.

Faltaram ao Brasil os Iluministas, faltaram Danton, Marais e Robespierre, até aí, contudo, não vamos exigir demais. Faltou, isso sim, a inabalável convicção de lideranças dispostas a ir à luta quando necessário. Na quarta-feira 14 estive no Fórum Social Mundial em Salvador, e meu desalento cresceu.

Lembrei outro Fórum, o de Porto Alegre em 2002. Lula arengou para uma multidão fluvial, secundado por Maria da Conceição Tavares e Olívio Dutra, em meio a uma vibração empolgante a antecipar o triunfo eleitoral. Elevavam-se gritos de guerra e só me irritei ao participar de um debate sobre a mídia brasileira e ouvir de um certo senhor Martinet, do celebradíssimo Le Monde Diplomatique, que a censura ditatorial não havia poupado quem quer que seja, Globo inclusive.

Em Salvador fui tratado como um astro do tapete vermelho, assinei 200 livros, tirei centenas de selfies. Encontrei também generosos amigos e abracei com carinho Jaques Wagner, grande baiano. Dei-me conta, porém, de que quem aplaudia e gritava “Fora Temer” e “Lula lá” jamais sairia à rua para brigar.

Marielle ainda não havia sido assassinada, mas em qual país do mundo civilizado e democrático a sua morte deixaria de provocar a revolta popular? E qual país suportaria o golpe desfechado pela aliança entre os próprios poderes da República, com o apoio maciço da mídia, de setores da PF e, ao cabo, de Forças Armadas que se prestam à militarização da segurança? E que aceita como normalidade a incineração da Constituição, a destruição do Estado de Direito, a condenação do líder sem provas?

O PT tem graves culpas em cartório, já foi sublinhado inúmeras vezes por CartaCapital. O governo Lula praticou uma política externa de grande potência e deu passos importantes com a inclusão de várias camadas da população até então mantidas na fronteira da miséria. Acreditou, porém, na conciliação velha de guerra e escalou Henrique Meirelles no Banco Central do primeiro ao último dia dos dois mandatos, de sorte a garantir a aplicação de uma orientação substancialmente neoliberal.

No governo Dilma, os avanços sociais foram mantidos, mas a política econômica também prosseguiu no mesmo rumo enquanto a externa sofreu um nítido recuo. Reeleita, a presidenta cometeu um estelionato eleitoral ao chamar para a Fazenda um bancário de luxo e notável mediocridade depois da promessa da campanha de “erradicar a miséria”.

Cometeu o mesmo engodo de Fernando Henrique Cardoso quando, para se reeleger, assegurou a estabilidade da moeda e 12 dias depois de empossado para o segundo mandato desvalorizou o real e quebrou o País. Ocorre que FHC não é Dilma

No quadro de uma tibieza indesculpável, instalou-se uma Comissão da Verdade incapaz de cancelar uma lei da anistia imposta pela ditadura e de definir as responsabilidades dos chefes e dos seus comandados. Cuidou-se em compensação de propiciar o sono tranquilo dos torturadores. Nisto o Brasil firmou mais uma primazia negativa, na comparação com os demais países americanos que emergiram de ditaduras dispostos a punir exemplarmente quem merecia.

Cabe na moldura outra situação criada pela relação entre os governos do PT e a mídia nativa. O partido governou por 13 anos e meio e em momento algum mostrou vontade efetiva de combater o oligopólio. À primeira tentativa de botar ordem na orgia, atacado pela acusação de atentar contra a liberdade de imprensa, precipitou-se a engatar a marcha à ré.

Várias vezes, pessoalmente, tive a forte sensação de que o PT e seus governantes gostavam mesmo de aparecer no vídeo da Globo. Dilma, seja dito, esmerou-se na tarefa ao chamar Helena Chagas para a Secom e a antessala da secretaria tornou-se praticamente uma dependência global.

Naquele tempo, CartaCapital foi definida pela chusma de seus detratores como “revista chapa-branca”, por praticar o jornalismo honesto enquanto os demais da mídia já preparavam os dias de hoje ao sabor de omissões, mentiras, invenções de pura ficção. A Secom, entretanto, prontificou-se em relação a CartaCapital a aplicar critérios técnicos na distribuição de sua publicidade e a encher as burras dos seus inimigos.

Há um retoque sinistro à tragédia. A família de Marielle Franco surge no vídeo global na noite de domingo 18. Sem me atrever a imaginar alguma recompensa além da ventura de se exibirem no Fantástico, cenário mais empolgante da televisão nativa, os Franco da Maré, como se daria com a maioria dos figurões brasileiros da oposição, aceitaram o convite da emissora determinante da desgraça atual. E o PSOL carioca, Marcelo Freixo na frente, prima na categoria.


A análise honesta afirma a insensibilidade e a tibieza gerais, com exceções esparsas e certamente honrosas. Que recanto fantástico é este da bola de argila que roda em torno do Sol? É o Brasil, um país sem futuro.

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Nº 23.738 - "A fidelidade à Constituição e os ataques fascistas a Lula. Por Eugênio Aragão"

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26/03/2015

A fidelidade à Constituição e os ataques fascistas a Lula. Por Eugênio Aragão


Do Diário do Centro do Mundo26 de março de 2018

 


Por Eugênio José Guilherme de Aragão

Resultado de imagem para eugênio aragãoRequisito para participar, como agente público, do funcionamento das instituições do Estado democrático de direito é a íntima convicção sobre o dever de respeitar e fazer respeitar a Constituição da República. Essa vinculação, mais do que no plano formal, no plano ideológico, de sua cosmovisão, ao valor jurídico e político da Constituição é o que se chama na doutrina alemã “Verfassungstreue” – ou fidelidade, lealdade à Constituição.

É assustador verificar que alguns atores-chave de nosso Estado não têm clara noção sobre seu lugar no mapa constitucional e, se confundem esse lugar, fica difícil dizer que podem ser leais à Constituição.

A presidenta do STF, por exemplo. Em entrevista ao Sistema Globo disse que seria papel do judiciário “combater a corrupção”. Nada mais equivocado do que essa afirmação. O papel do judiciário num Estado de Direito não é “combater”, mas, sim, uma vez provocado, zelar por que os que eventualmente decidam “combater” sejam enquadrados na lei quando atravessam os limites do permitido. Se o judiciário se confunde com os “combatentes”, quem vai controlá-los? Teremos um “combate” sem regras e sem limites? Porque de uma coisa já sabemos: ninguém controla o judiciário brasileiro. Não há, entre nós, freios e contrapesos aptos a limitar sua atuação quando transborda da jurisdição.

É deveras preocupante que a presidenta do STF aparenta não conhecer o lugar de seu tribunal na arquitetura institucional do país. E, se o órgão máximo de controle da constitucionalidade está perdido no cipoal das normas do direito brasileiro, imaginem o resto!

Não há fidelidade à Constituição possível, onde não há conhecimento dela.

Grande parte de nossa crise é uma crise de legitimidade. A lei maior do Estado, que deveria dar sentido a suas estruturas e funções, regrar o consenso fundamental na sociedade e permitir o convívio pacífico dos diversos grupos e das diversas tendências antagônicas na complexidade pós-moderna, deixou de significar. Só isso explica como uma senadora da direita do espectro político institucionalizado se dá ao desplante de aplaudir publicamente a ação violenta de falta de tolerância de grupos fascistas contra uma liderança nacional como Lula.

Se o STF ignora seu papel no quadro constitucional, o que dizer dos gorilas toscos que têm saudade da ditadura militar, de seus torturadores e executores? O que dizer de meganhas fardados na sedizente polícia militar de Santa Catarina que riem ostensivamente diante da agressão física a um ex-chefe de Estado com elevadíssimo índice de popularidade apesar de toda injustiça contra si cometida por operadores do direito contaminados pela febre fascista?

A volta ao leito da Constituição urge para salvar o Brasil da barbárie, pois violência chama violência e, sem lei nem legitimidade, as instituições nada podem, nada valem. Sem o consenso jurídico mínimo, instala-se entre nós a guerra civil, em que grupos e tendências antagônicas passarão a escolher a força bruta ao invés do diálogo e do discurso argumentativo para se impor sobre os adversários.

O sinal mais inquietante desse novo estágio político é o fato de ninguém mais fazer questão de sequer manter as aparências da autocontenção. Os fascistas saíram do armário glorificando a mesquinharia, o ódio social e político e a intolerância aos divergentes. Por sua vez, a justiça de classe se desnuda com o discurso falso-moralista e seletivo contra os representantes das forças democráticas. A propósito, lembro-me da advertência de Leon Trotski sobre o avanço revolucionário: quanto mais perto o embate decisivo, mais claras e transparentes se tornam as condutas e as opiniões das classes em confronto. Só na democracia liberal se cultiva a disciplina verbal como forma de escamotear conflitos latentes. Quando essa decai, a escamoteação se desfaz e os monstros se apresentam sem disfarces.

Talvez estejamos na undécima hora para o STF dar o exemplo de altivez e autoridade e fazer cumprir a Constituição, mostrar lhe ser fiel, a começar por suas garantias fundamentais, como a que estabelece a presunção de inocência dos acusados até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Somente será bem sucedido se lograr bloquear a prematura violência contra Lula que inspira as outras violências, físicas e verbais, partidas de quem não respeita à Constituição, não respeita o STF e a este, prefere, porque conveniente para dar guarida a seus abusos, um juizinho de província exibicionista, sem eira nem beira, a quem ostensivamente falece qualquer respeito e, que dirá, fidelidade à lei maior.

É essa atitude que brasileiras e brasileiros democráticos e amantes da paz esperam do STF. Ainda é tempo de fazer seu dever de casa, mas as horas se esvaem rapidamente na tempestade de intolerância política criminosa e organizada daqueles que têm desprezo e ódio pela Constituição cidadã. Parece que estão esperando um corpo, um mártir, apenas, para projetar o País do precipício para a incerteza da aventura.

Definitivamente, não merecemos isso. Não merecemos que forças sem nenhum compromisso com o Estado democrático de Direito nos retirem toda a esperança numa solução parcimoniosa, justa e, sobretudo, constitucional para a crise que criaram para desempoderar a sociedade e reinstalar a ditadura.

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Nº 23.737 - "Fascismo com a complacência nacional, por Aldo Fornazieri"

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26/03/2018

Fascismo com a complacência nacional, por Aldo Fornazieri


Do Jornal GGN - SEG, 26/03/2018 - 07:04 ATUALIZADO EM 26/03/2018 - 07:13




Fascismo com a complacência nacional


por Aldo Fornazieri


Resultado de imagem para aldo fornazieriO assassinato da vereadora Marielle Franco e os ataques à caravana de Lula  pelo Sul do país não deixam dúvidas de que o Brasil vive um contexto político no qual há a presença de grupos fascistas organizados, violentos e que adotam táticas terroristas para se imporem. Não resta dúvida também que os eixos articuladores desses grupos terroristas são os apoiadores da candidatura de Bolsonaro, da candidatura de Flávio Rocha, de grupos de ruralistas, de movimentos como o MBL e o Vem pra Rua e que contam com apoio institucional em setores do Judiciário e em setores dos partidos políticos governistas e de parlamentares e até de senadores, como é o caso de Ana Amélia Lemos.

O mais grave de tudo isto é que estes grupos fascistas, violentos e terroristas contam com a complacência da grande imprensa, de partidos ditos de centro como o PSDB, da OAB, do governo Temer, das presidências da Câmara e do Senado, da presidência do STF e de alguns candidatos à presidência da República. Afinal de contas, não se ouviu nenhuma dessas vozes condenar a violência contra a caravana.

Cabe perguntar: onde estão os editoriais dos grandes jornais contra a violência que atingiu a caravana de Lula? Jornais que sempre foram ávidos a cobrar posições das esquerdas contra atos esporádicos de violência de militantes... Será mero acaso que os grandes jornais deram generosos espaços, no fim de semana, a generais golpistas, a exemplo do general Antônio Hamilton Martins Mourão?

Por que a OAB, a presidência da República, a presidência do STF, as presidências das Casas Legislativas, o Ministério da Justiça, o Ministério da Segurança Pública e o Ministério Público Federal não se pronunciaram até agora? Por que o "democrata" Fernando Henrique Cardoso silencia ante esses ataques fascistas? Por que os pré-candidatos Alckmin e Rodrigo Maia não emitem nenhuma palavra sobre essa violência política? Onde estão todos? Estão com medo? São coniventes? Ou são cúmplices? É preciso advertir esses emudecidas personagens acerca de que esse silêncio conivente de hoje poderá proporcionar que amanhã também se tornem vítimas dessa violência fascista.

O PT e os democratas precisam pressionar essas autoridades e esses representantes políticos para que se pronunciem sobre esta violência fascista. Ou eles se manifestam e adotam atitudes ou a história os cobrará amanhã acerca do seu covarde silêncio. Esses grupos e dirigentes políticos, na verdade, abrigaram o fascismo nascente no processo do golpe que derrubou a presidente Dilma. Desmoralizados, porque muitos deles se revelaram moralistas sem moral, envolvidos em graves casos de corrupção, se acovardaram e, agora, por falta de coragem, por covardia ou por cumplicidade se calam ante a escalada de violência fascista que poderá mergulhar o Brasil numa guerra civil.

Guerra civil sim, porque esses grupos fascistas e terroristas estão caminhando rapidamente para o paramilitarismo. Os defensores da democracia não podem assistir passivamente a escalada de violência desses grupos. Antes de tudo, precisam organizar a sua autodefesa porque, como foi visto em São Miguel do Oeste (SC), as polícias tendem a ser coniventes com esses grupos terroristas.

Em segundo lugar,  é preciso cobrar do governador de Santa Catarina um esclarecimento acerca da passividade da polícia em face da violência desses grupos. Em terceiro lugar, é preciso levar a senadora Ana Amélia Lemos à Comissão de Ética do Senado por apoiar e estimular a violência política. Em quarto lugar, é preciso promover uma ampla campanha de esclarecimento da opinião pública acerca desses grupos violentos e criminosos. Em quinto lugar, como já sinalizou a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, é necessário fazer uma ampla denúncia internacional acerca da existência desses grupos fascistas e acerca da conivência das autoridades para com os mesmos.  

Por outro lado, já passou da hora de Lula, Ciro Gomes, Guilherme Boulos e Manuela D'Ávila se reunirem para divulgar um manifesto conjunto em defesa da democracia, da liberdade e da justiça e de condenação da violência política e social que graça pelo país. Se não é possível construir uma candidatura de unidade do campo progressista, os candidatos precisam mostrar uma unidade de propósito neste momento grave do país: a luta para defender a democracia que não temos.

Ação fascista: mentiras, violência e covardia

Esses grupos fascistas brasileiros, que proliferaram nos últimos anos, não fogem à tipologia clássica de ação dos movimentos totalitários já mapeada e descrita por vários estudiosos, notadamente por Hannah Arendt. Grupos e movimentos totalitários, quando ainda não estão no poder, se ocupam, fundamentalmente, da propaganda dirigida a pessoas externas aos mesmos visando convencê-las. A característica principal dessa propaganda é a mentira. O contemporâneo fake news foi largamente utilizado pelos nazistas e, em escala menor, pelos fascistas de Mussolini. Não há nenhuma novidade nisto. As mentiras monstruosas que esses movimentos propagam visam entreter o público para convencê-lo e para aliviar as pressões críticas sobre si mesmos.

Aqui no Brasil, recentemente, viu-se como o MBL e outros grupos agiam no processo do golpe. Mentiam sobre a corrupção do governo Dilma enquanto se aliavam e apareciam em público com os maiores corruptos do país: Eduardo Cunha, Aécio Neves e outros. Aliás, Aécio e o PSDB patrocinaram esses grupos. Eles mesmos são integrados por corruptos e, geralmente, por indivíduos enredados em teias criminosas. E mentem de forma impiedosa e criminosa sobre Marielle quando esta não pode mais defender-se.

Se, externamente, esses grupos se dedicam a propaganda, internamente seu objeto é a doutrinação. Notem o que diz Arendt: "Se a propaganda é integrante da 'guerra psicológica', o terror é-lhes ainda mais inerente". Foi usado em larga escala pelos nazistas, que definiam o terror como "propaganda de força". Arendt adverte que ele aumentou progressivamente antes da tomada do poder por Hitler "porque nem a polícia e nem os tribunais processavam seriamente os criminosos da chamada Direita". Qualquer semelhança com o que temos hoje no Brasil não é mera coincidência.

Crimes contra indivíduos, ameaças e ações violentas contra adversários caracterizam a propaganda e o terror desses grupos. Tem-se aí o assassinato de Marielle e de outros líderes sociais e comunitários e a violência contra a caravana de Lula. Temos a violência verbal nas redes sociais que também é uma forma de propaganda. Não é possível subestimar esses atos, pois englobam elevado perigo num mundo anômico e num país com as instituições destruídas. Todos esses atos, essa violência, esse terrorismo,  têm o mesmo pano de fundo: o crescimento do fascismo no Brasil.

Se a primeira característica desses grupos é a mentira, se a segunda é a violência, a terceira é a covardia. Geralmente praticam a violência contra vítimas indefesas. Veja-se a suprema covardia no assassinato da Marielle. A covardia da tocaia na execução de líderes sem-terra, líderes indígenas e militantes ambientalistas. Os agroboys covardes que atacaram a caravana de Lula agrediram mulheres, inclusive uma mulher que está em tratamento de câncer e que estava com seu filho de dez anos. São esses covardes que a igualmente covarde senadora Ana Amélia Lemos exalta. É preciso detê-los. Detê-los com a militância nas ruas, a exemplo dos atos de protesto contra a execução de Marielle, a exemplo dos professores paulistanos e exemplo de tantos enfrentamentos pelo Brasil. Detê-los com as candidaturas de Ciro, de Boulos e de Manuela. E é preciso detê-los com a candidatura de Lula até o fim.


Aldo Fornazieri - Professor de Sociologia e Política (FESPSP).

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Nº 23.736 - "A senadora Ana Amélia, o ódio de classe e a escalada do fascismo"

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26/03/2018

A senadora Ana Amélia, o ódio de classe e a escalada do fascismo


Do Blog do Jerfferson Miola - 25 DE MARÇO DE 2018


ana amelia a aécio


Jeferson Miola 

A disputa política no Brasil a cada dia escala degraus mais altos na escada que leva ao fascismo.

O reacionarismo medieval dos latifundiários do Rio Grande do Sul [classe parasitária da terra, do clima, do trabalho escravo e de empréstimos públicos a custos generosos] à caravana do Lula confirma a contaminação da disputa política por componentes fascistas.

O grave é que a violência, o ódio e o preconceito de classe é estimulado pelas lideranças desta classe reacionária com o silêncio conivente da mídia e com a inação das Polícias Militar e Federal e dos Ministérios Públicos, que não reprimem tais práticas.

A senadora Ana Amélia Lemos, pertencente ao mesmo PP do conselheiro do TCU Augusto Nardes, aquele encrencado em escândalos diversos, exortou a selvageria praticada por uma minoria fascista.

Como prova do seu arcaísmo, Ana Amélia declarou: “Quero parabenizar Bagé, Santa Maria, Passo Fundo, São Borja. Botaram a correr aquele povo que foi lá levando um condenado se queixando da democracia. Atirar ovo, levantar o relho, mostra onde estão os gaúchos”.

Com este discurso, Ana Amélia estimulou o conflito social e a insubmissão à lei. Atuou, dessa maneira, mais como terrorista incendiária do que como senadora.

Colocando seu mandato a serviço da intolerância e do desrespeito às leis, a senadora quebra o decoro parlamentar – e o senado tem o dever de julgá-la por isso.

É no terreno da disputa democrática e plural e dentro das normas do Estado de Direito que se decidem os rumos de uma nação que se pretende civilizada.

Numa democracia, as diferenças ideológicas e políticas não são dirimidas com brutalidade ou truculência, como defendem Ana Amélia e sua horda fascista; mas sim através de processos democráticos.


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Nº 23.735 - "A estupro da lei se consuma hoje. Só a política pode salvar a Justiça politizada"

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26/03/2018

A estupro da lei se consuma hoje. Só a política pode salvar a Justiça politizada


Do Tijolaço · 26/03/2018

midialgoz


por  FERNANDO BRITO

Com a formalização da negativa a todos os embargos de declaração apresentados pela defesa de Lula – alguém duvida de que será assim? – termina hoje a fase fática do processo contra o ex-presidente no caso do tal triplex do Guarujá.

Restará apenas o exame da regularidade penal e processual, tão contaminada quanto o foi um processo que, mesmo antes de iniciado, tinha resultado certo e sabido.

Para os que não se recordam, tudo começou com um caso de incorporação imobiliária do qual os nomes de Lula e de Marisa Letícia foram pinçados e mandados, por conveniente “convicção” com o caso Petrobras, para o matadouro de Curitiba e para Sérgio Moro, o açougueiro da lei.

O processo-mãe, que ficou em São Paulo, terminou com a absolvição de todos os citados, em primeira e segunda instâncias.

O “recorte” lulista, ao contrário, concluiu-se da forma como sabemos.

Ou seja, no que estava destinado a ser: uma condenação que cumprisse o objetivo traçado desde 2014: “pegar Lula”

Até o momento em que, para obter – como obteve – um “descontão” nas penas, um empreiteiro se valeu de uma acusação vaga – o apartamento estaria “atribuído” a Lula e seu valor seria “descontado” de uma “caixa de propinas” por sua própria e exclusiva decisão – só havia duas “provas” que, francamente, não resistem a um sopro: uma visita de potencial comprador ao apartamento e um papel sem assinatura, rasurado sabe Deus lá quando, com o número da unidade condominial.

Nada além disso e de alegações vagas de que “ouvi dizer” e comentários de que “a obra ficou muito boa”.

Chega, agora, a revisão processual nos tribunais superiores e, afinal, a fase em que se pode esperar que a responsabilidade política que eles ao menos deveriam ter em não deixar que a determinação política das instâncias inferiores faça com que sentenças politizadas dêem sequência ao estupro da lei pela Justiça.

Porque nada além de política pode gerar uma condenação com um conjunto processual tão esdrúxulo, onde alguém é condenado por ter recebido um apartamento que não recebeu em troca de contratos que o próprio Juízo não sabe especificar quais foram, mas por uma nova versão de “domínio do fato”.

Não é, infelizmente, provável que se vá fazê-lo, porém.

Não apenas a nomeação de juízes – inclusive e, talvez, sobretudo nos governos Lula e Dilma – costuma ficar ao sabor do campo conservador da Justiça e dos acordos políticos de governabilidade quanto, mesmo para os que vêm de fora deste critério, a toga suprema parece ter o condão de tornar exibidos e ferozmente conservadores.

Há, porém, a política, no melhor dos sentidos, aquele que cuida do que é melhor para o conjunto da sociedade, até mesmo que ele se reparta entre visões de mundo diversas, ideologias e partidos, como esperança.

Está evidente que, a persistir o arreganho judicial executado por Curitiba, o Brasil está a caminho de um regime fascista. Quem não o percebe, achando que , sem Lula, pode prevalecer uma solução política convencional, está cego pela suposição de sua própria pompa.

Ou a Justiça acha que sobreviverá, intacta, à ascensão de um fascista violento?

O que era visto como “piada” é hoje um monstro de imensas proporções.

E vamos sacrificar o único que tem forças para enfrentá-lo.

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Nº 23.734 - "DEFESA DIZ QUE LULA NÃO ESTÁ INELEGÍVEL E PODE RECORRER DA DECISÃO"

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26/03/2018

DEFESA DIZ QUE LULA NÃO ESTÁ INELEGÍVEL E PODE RECORRER DA DECISÃO


Do Brasil 247 - 26 DE MARÇO DE 2018 ÀS 16:07

O advogado José Roberto Batochio, da equipe de defesa do ex-presidente Lula, disse nesta segunda-feira (26), após julgamento do TRF-4 que negou os embargos de declaração no processo do triplex, que Lula não pode ser considerado ficha-suja; "A decisão não transitou em julgado. Este julgamento não acabou", analisou; advogados terão 12 dias, a partir da publicação do acórdão, para entrar com recurso sobre os próprios embargos de declaração, caso entenda que inconsistências ou obscuridades persistam


Rio Grande do Sul 247 - Os advogados do ex-presidente Lula disseram nesta segunda-feira (26), após julgamento do TRF-4 que negou os embargos de declaração no processo do triplex, que vão esperar a publicação do acórdão para determinar com qual recurso irão entrar partir de agora.

O advogado José Roberto Batochio, que também integra a defesa de Lula, afirmou que os recursos não são protelatórios e que Lula não pode ser considerado ficha-suja. "A decisão não transitou em julgado. Este julgamento não acabou", analisou Batochio.

Segundo o TRF-4, defesa pode entrar com recurso sobre os próprios embargos de declaração, caso entenda que inconsistências ou obscuridades persistam. Os advogados terão 12 dias, a partir da publicação do acórdão, para apresentar esse último recurso, que seria julgado pela própria 8ª turma do TRF-4.

Batochio ainda lembrou que o ex-presidente não pode ser preso, devido ao julgamento do habeas corpus preventivo junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), no próximo dia 4 de abril.

"Essencial e importante que se diga que viemos para verificar e constatar de que não seria expedida qualquer ordem de prisão contra o ex-presidente Lula, nos precisos e exatos termos do que decidiu o STF na semana passada", concluiu.

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Nº 23.733 - "Morre a cearense que implantou o Bolsa Família"

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26/03/2018

Morre a cearense que implantou o Bolsa Família

Ana Fonseca foi uma das idealizadoras e a responsável por unificar os programas sociais. Trabalho iniciado por ela mudou o rumo do governo Lula



Do Jornal O Povo -  26/03/2018 14:09 | 


Foto de rosto de Ana Fonseca
....................................................................(Foto: Edimar Soares, em 19/09/2006)

por  ÉRICO FIRMO

Morreu neste domingo, 25, a pesquisadora Ana Fonseca, considerada a principal idealizadora e responsável por colocar em prática a unificação de diversos programas sociais que resultaram no Bolsa Família.

Cearense de Fortaleza, Ana Maria Medeiros da Fonseca tornou-se secretária executiva do Bolsa Família em outubro de 2003, logo que o programa foi criado. Permaneceu pouco mais de um ano na função, quando coordenou a unificação dos programas sociais do Governo Federal.

De certa maneira, o trabalho iniciado por Ana Fonseca mudou o rumo do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No início do mandato, o carro-chefe das políticas sociais era o Fome Zero, mais uma entre várias políticas sociais pulverizadas. A iniciativa não deslanchou ao longo do primeiro ano de administração, enquanto o presidente enfrentava protestos e se desgastava com a reforma da Previdência que instituiu taxação sobre aposentados e pensionistas do serviço público.

A partir da unificação, os programas sociais ganharam uma marca forte - o Bolsa Família - passaram a ser usados de forma coordenada como não havia ocorrido antes e foram também ampliados a patamar inédito. A popularidade daí decorrente permitiu ao governo Lula o fòlego para atravessar seu primeiro grande escândalo, o caso Waldomiro Diniz, que estourou em 2004. E, sobretudo, o mensalão, em 2005.

Leia entrevista de Ana Fonseca às Páginas Azuis do O POVO


A ex-presidente Dilma Rousseff se manifestou pelo Twitter sobre a morte de Fonseca:



Faleceu hoje a professora Ana Fonseca. Participou de todas as lutas da minha geração. Resistiu à ditadura, lutou na redemocratização, desenvolveu vida acadêmica na UNICAMP sendo, internacionalmente, respeitada p/ suas propostas de políticas sociais de combate à pobreza.
Embora de campo político adversário, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também homenageou a pesquisadora

Hoje o país perdeu a pesquisadora Ana Fonseca, uma das idealizadoras dos programas Bolsa Família e Brasil Sem Miséria.
Deixo a minha homenagem a essa profissional que trabalhou incansavelmente pela redução da desigualdade social no Brasil e sempre lutou para que programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, fossem programas de Estado e não de partidos.

O PT divulgou nota de pesar:  "Nesses tempos difíceis Ana fará muita falta, mas a luta por um país menos desigual permanece viva por meio do trabalho desenvolvido por durante toda sua vida".

O ex-presidente Lula disse que Ana Fonseca "deixou uma contribuição imensurável para o Brasil ao ajudar tirar milhões de brasileiras e brasileiros da extrema pobreza". E acrescentou: "Tenho muito orgulho de ter trabalhado ao lado de Ana e sei que sua luta pelo fim da desigualdade social seguirá conosco".

O Governo do Ceará também prestou homenagem. "A cearense dedicou sua vida ao combate à desigualdade social, talvez o principal desafio posto aos homens e mulheres que buscam construir uma nação justa".

A Unicamp destacou a trajetória nas políticas públicas e a contribuição acadêmica humanista. "Os textos científicos de Ana Fonseca se constituem em uma poesia de reflexão sobre as diferenças humanas em um mundo que está sempre em transformação".

Ana Fonseca, de blazer, fala ao microfone

Ana Fonseca, de blazer, fala ao microfone
......................................................................(Foto: Sara Maia, em 24/10/2011)

Trajetória

Ainda no setor público, Ana Fonseca coordenou o programa de Renda Mínima da Prefeitura de São Paulo, em 2002, na gestão de Marta Suplicy. No começo do governo Dilma Rousseff (PT), em 2011, tornou-se secretária extraordinária do Plano Brasil Sem Miséria. Ana Fonseca formou-se em História pela Unicamp. Fez mestrado em História Social e do Trabalho e doutorado em História Social sobre família e relações de gênero.

Ela era atualmente coordenadora associada do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas (NEPP) da Unicamp. Ela foi ainda Analista de Políticas Sociais da Oficina do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) para a América Latina e o Caribe (2005-2006) e analista de Políticas Sociais da Oficina Regional da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

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Nº 23.732 - "Caravana de Lula revela ascensão incontestável do fascismo no Brasil"



26/03/2018


Caravana de Lula revela ascensão incontestável do fascismo no Brasil


Do Blog da Cidadania - 26 de Março de 2018




por Eduardo Guimarães

Os camisas negras foram organizados por Benito Mussolini nos anos 1920 como uma violenta ferramenta do seu movimento político. Os fundadores foram intelectuais nacionalistas, ex-oficiais militares e latifundiários que se opunham aos sindicatos de trabalhadores e camponeses do meio rural.

Seus métodos tornaram-se cada vez mais violentos a medida que o poder de Mussolini aumentava, e usaram da violência, intimidação e assassinatos contra opositores políticos e sociais.

Seu ethos e uniformes foram imitados por outros que compartilhavam da ideologia fascista, como os nazis alemães, que reservaram o preto para guarda pessoal de Hitler (Schutzstaffel ou SS) e escolheram as camisas pardas para as SA] (Sturmabteilung), de função similar às camisas negras italianas.



Já a Sturmabteilung abreviado para SA (em alemão, “Destacamento Tempestade”) usualmente traduzida como “Tropas de Assalto” ou “Secções de Assalto”, foi a milícia paramilitar nazista durante o período em que o Nacional Socialismo exercia o poder na Alemanha. Seu líder era Ernst Röhm, capitão do exército e notório por seu senso de organização e sua capacidade de comando. Os membros das Sturmabteilungen também eram conhecidos como “camisas pardas”, pela cor de seu uniforme (a cor parda provinha de fardamentos destinados a tropas alemãs que serviram na Tanzânia durante a Primeira Guerra Mundial, e que nunca chegaram a ser entregues; após a guerra, foram adquiridas a preços módicos pelos nazistas, para vestir suas milícias).



Os fenômenos ocorridos no Sul do país nos últimos dias, com ataques violentos contra a caravana do ex-presidente Lula reproduzem os métodos dos camisas negras italianos e dos camisas pardas alemães nos anos 1920/1930, durante a ascensão do fascismo na Europa.

Os métodos eram exatamente os mesmos, as milícias fascistas atacavam trabalhadores rurais alemães exatamente como os latifundiários gaúchos atacaram os trabalhadores rurais do MST.

A semelhança é impressionante.

Como se não bastasse, um líder violento, que prega violência e que tem uma horda de seguidores fanáticos dispostos a espancar quem pensa diferente.

O próprio dicionário (Houaiss) já explica a semelhança do fascismo com o processo político brasileiro:

https://houaiss.uol.com.br/pub/apps/www/v3-3/html/index.php#3

“Movimento político e filosófico ou regime (como o estabelecido por Benito Mussolini na Itália, em 1922), que faz prevalecer os conceitos de nação e raça sobre os valores individuais e que é representado por um governo autocrático, centralizado na figura de um ditador”

Tudo que ver com os conceitos racistas dos seguidores de Bolsonaro e seu culto a símbolos patrióticos.



A mídia desdenhou dos ataques fascistas à caravana de Lula ou a violação do direito constitucional de ir e vir. Fascistas apoderaram-se de cidades no Sul do país e usurparam o poder de Estado decidindo quem poderia ou não entrar nessas cidades.

Dezenas de milhares de cidadãos que não foram condenados a nada foram alvo das milícias fascistas do Sul.

O caldo de cultura do desastre está no fogo.

O Blog da Cidadania vê dizendo há anos que chegaríamos a isso. Seu editor foi atacado por grupos de esquerda que diziam que era “exagero” afirmar que Dilma corria risco de ser deposta por um impeachment fake…

Isso, lá em 2013.

Enfim, agora está sendo dado este aviso:

Há um processo de ascensão do fascismo no Brasil protagonizado por Jair Bolsonaro. A humanidade já desdenhou de um monstro antes. Adolf Hitler era visto exatamente como Bolsonaro, como uma figura histriônica que não oferecia maior risco, pois ninguém acreditava que alguém tão caricato poderia chegar ao poder. Deu no que deu.

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