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sábado, 30 de janeiro de 2010

Contraponto 1280 - "Democracia e ditadura em Honduras"

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30/01/2010
"Democracia e ditadura em Honduras"

Carta Maior - sexta-Feira, 29 de Janeiro de 2010

Em um debate radiofônico com um intelectual tucano radicado em São Paulo, eu comparei a atitude do atual governo brasileiro de repúdio ao golpe militar e ao governo de fato que daí decorreu e o apoio ao presidente legalmente eleito e vítima do golpe, com a posição do governo FHC diante do golpe de Fujimori, no Peru, que fechou o Congresso e dissolveu a Justiça. FHC foi absolutamente condescendente com o golpe peruano. Ao que parece, na visão dos tucanos e do seu candidato Serra, o Brasil não fez uma “trapalhada”, fez o que eles consideram correto.


Foi, aliás, a atitude do politólogo tucano, que considera que Michelletti era o presidente legítimo de Honduras, diz que não houve golpe (em contradição com a unanimidade da comunidade internacional, que condenou o golpe e considerou Michelletti um presidente de fato, atitude até mesmo da imprensa brasileira). O golpista seria Zelaya (ele não se deu ao trabalho de ler a proposta dele ao Congresso, que não incluía a consulta para a reeleição, ao contrário do que a imprensa propagou).

O Brasil condenou e condena o golpe, apoiou o presidente legitimamente eleito em Honduras, emprestando as dependências da embaixada brasileira para que se abrigasse na tentativa de fazer valer o mando que o povo hondurenho democraticamente lhe havia conferido. Os tucanos, ao que parece, preferem outros métodos, como os do seu diário oficial, a FSP (Força Serra Presidente), que emprestou carros da empresa para acobertar operações de sequestro de opositores, para levá-los à tortura e à morte. A democracia e a ditadura levam a direções absolutamente contraditórias.

Trocando os pés pelas mãos e julgando que o mundo visto dos jardins de São Paulo lhe revela a atitude correta, repetiu as teses do governo de FHC-Serra-Lampreia-Lafer, cujas orientações, não tivessem sido rompidas pelo governo atual, teriam levado ao Brasil e a todo o continente à situação do México, com um Tratado de Livre Comércio com os EUA, epicentro da crise mundial, que nos afetaria profunda e prolongadamente.

Quanto à situação peruana, o politólogo tucano repetiu o que disseram os próceres desse partido no momento do programa do PT, que comparava os dois governos: não querem voltar ao passado. Também em política internacional não lhes convêm fazer comparações.

A política internacional do Brasil teria conduzido o país a um isolamento internacional – essa a ótica jardinesca do mundo. A consagração do ministro Celso Amorim e de Lula pelo mundo afora, lhes provoca profundas dores de cotovelo e tentam fechar os olhos para não se dar conta do fracasso que foi também a política exterior da subserviência aos EUA dos tucanos.

Caso chegasse à presidência do Brasil, estaríamos então de novo seguindo os ditados de Washington. Caso ocorresse de novo uma situação como a de Honduras – a do Paraguai aponta perigosamente para uma situação similar, que também poderia animar a golpistas na Nicarágua -, a política exterior do presidente tucano seria a da aceitação de golpes como os de Fujimori e de Michelletti. Não defenderia as eventuais vítimas dos golpes e apoiaria os governos de fato, considerando-os os legítimos governantes.

A política exterior costuma ser coerente com a política interna. Quem defende posturas golpistas aqui dentro, não teria como disfarçar suas atitudes no campo internacional. Os tucanos se preparam assim para, caso cheguem a governar de novo o Brasil, fazer não apenas mudanças substanciais na política econômica, nas políticas sociais, no papel do Estado na economia, mas também na política externa, tirando o Brasil do arco democrático e jogando-o de novo na vala comum dos governos subservientes às políticas dos EUA.

*Emir Sader. Sociólogo e cientista político
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domingo, 20 de dezembro de 2009

Contraponto 1021 - "Valenzuela: filho do golpe hondurenho"


20/12/2009

"Valenzuela: filho do golpe hondurenho"

Carta Maior - 20/12/2009

Emir Sader*

O pior não são os norteamericanos brancos, ricos, que defendem seus interesses, os valores em que foram educados, seu país de origem. O pior são os que aderiram, com euforia à cidadania norteamericana.

O editorialista do Newsweek, Fareed Zakaria, nascido na Índia, que assumiu a nacionalidade norteamericana, afirma que seus filhos têm, nos EUA, alternativas que não teriam no seu país natal.

Arturo Valenzuela é um desses casos. Filho de pastor chileno, tratou de se especializar em temas latinoamericanos, como se fosse especialista, por morar nos EUA. Foi assessor de Clinton, por lá passa por especialista em América Latina.

Tinha sido proposta por Obama como Secretário de Estado adjunto dos EUA para a América Latina, mas não conseguia aprovação do Congresso. Até que uma vergonhosa negociação, que implicou no reconhecimento das eleições hondurenhas pelo governo dos EUA, permitiu obter o voto republicano que faltava, para que Valenzuela pudesse assumir o cargo.

Sua primeira viagem faz jus à negociação que permitiu sua aprovação. Passou despercebido no Brasil, mas na Argentina e no Paraguai se deu o direito de dizer que nesses países não haveria “segurança jurídica”, recordando, com saudade, que no governo Menem “havia muito entusiasmo e interesse em investir no país.” . E aproveitou para expressar sua preocupação com a compra de armamentos por parte da Venezuela “sem que haja uma ameaça bélica convencional” (sic).

Como o representante de um governo que mantêm um centro de interrogatório e tortura em Guantanamo, fora de qualquer jurisdição legal, pode se atrever a falar de falta de “segurança jurídica” na Argentina e no Paraguai? Um país que nunca tinha usado esse tipo de expressão para a ditadura de quase sete décadas do Partido Colorado e da mais sangrenta ditadura militar do cone sul, na Argentina, de 1976 a 1983. E sente saudade da farra que foi o governo de Menem, responsável pelos males que até hoje afetam a Argentina. Coerente com suas posições, Valenzuela se reuniu com os três principais dirigentes da oposição ao governo de Cristina Kirchner (no momento em que a revista britânica The Economist se atreve a prever que ela não terminaria seu mandato...)

E critica a compra de armamento da Venezuela, fingindo desconhecer as 8 bases militares que seu país instala na Colômbia – que Valenzuela não considera uma “ameaça bélica convencional.” Do que se trataria então?

Não poderia ser mais desastrada a primeira viagem de Valenzuela, tentando se disfarçar de latinoamericano, de especialista no nosso continente. Talvez se dando conta dos tropeços, Valenzuela cancelou uma derradeira entrevista coletiva que daria no Brasil. norteamericanos brancos, ricos, que defendem seus interesses, os valores em que foram educados, seu país de origem. O pior são os que aderiram, com euforia à cidadania norteamericana.

O editorialista do Newsweek, Fareed Zakaria, nascido na Índia, que assumiu a nacionalidade norteamericana, afirma que seus filhos têm, nos EUA, alternativas que não teriam no seu país natal.

Arturo Valenzuela é um desses casos. Filho de pastor chileno, tratou de se especializar em temas latinoamericanos, como se fosse especialista, por morar nos EUA. Foi assessor de Clinton, por lá passa por especialista em América Latina.

Tinha sido proposta por Obama como Secretário de Estado adjunto dos EUA para a América Latina, mas não conseguia aprovação do Congresso. Até que uma vergonhosa negociação, que implicou no reconhecimento das eleições hondurenhas pelo governo dos EUA, permitiu obter o voto republicano que faltava, para que Valenzuela pudesse assumir o cargo.

Sua primeira viagem faz jus à negociação que permitiu sua aprovação. Passou despercebido no Brasil, mas na Argentina e no Paraguai se deu o direito de dizer que nesses países não haveria “segurança jurídica”, recordando, com saudade, que no governo Menem “havia muito entusiasmo e interesse em investir no país.” . E aproveitou para expressar sua preocupação com a compra de armamentos por parte da Venezuela “sem que haja uma ameaça bélica convencional” (sic).

Como o representante de um governo que mantêm um centro de interrogatório e tortura em Guantanamo, fora de qualquer jurisdição legal, pode se atrever a falar de falta de “segurança jurídica” na Argentina e no Paraguai? Um país que nunca tinha usado esse tipo de expressão para a ditadura de quase sete décadas do Partido Colorado e da mais sangrenta ditadura militar do cone sul, na Argentina, de 1976 a 1983. E sente saudade da farra que foi o governo de Menem, responsável pelos males que até hoje afetam a Argentina. Coerente com suas posições, Valenzuela se reuniu com os três principais dirigentes da oposição ao governo de Cristina Kirchner (no momento em que a revista britânica The Economist se atreve a prever que ela não terminaria seu mandato...)

E critica a compra de armamento da Venezuela, fingindo desconhecer as 8 bases militares que seu país instala na Colômbia – que Valenzuela não considera uma “ameaça bélica convencional.” Do que se trataria então?

Não poderia ser mais desastrada a primeira viagem de Valenzuela, tentando se disfarçar de latinoamericano, de especialista no nosso continente. Talvez se dando conta dos tropeços, Valenzuela cancelou uma derradeira entrevista coletiva que daria no Brasil.

*Emir Sader, sociólogo e cientista político.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Contraponto 892 - Precedente golpista em Honduras

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06/12/2009

Correa destaca gravidade do precedente golpista de Honduras


Portal Vermelho - 5 de Dezembro de 2009 - 23h04

O presidente do Equador, Rafael Correa, advertiu neste sábado (5) a comunidade internacional para a gravidade do precedente de impunidade para o golpe em Honduras. Correa reiterou que seu governo só reconhecerá o legítimo presidente constitucional, Manuel Zelaya.
Na recente Cúpula Ibero-Americana em Portugal o caso de Honduras foi discutido e ficou claro que não havia consenso, disse Correa no programa de TV que realiza todos os sábados.

Óscar Arias, presidente da Costa Rica, disse que seria preciso reconhecer o governo resultante das eleições, Já Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, disse que isso seria um absurdo, porque então qualquer um daria um golpe de Estado, convocaria eleições em dois meses e nada iria acontecer.

"E, claro, este é também a posição do Equador. Para nós, o que aconteceu em Honduras é grave e é um absurdo pretender legitimar tudo com eleições ilegítimas e fraudulentas. Nós não reconheceremos outro governo que não o de Manuel Zalaya", disse.

Corre lembrou que o golpista Roberto Micheletti, disse publicamente que este deveria ser um alerta para Chávez (presidente da Venezuela), Correa (do Equador), Lula (do Brasil), Morales (da Bolívia), Cristina Fernandez de Kirchner (da Argentina), ou seja, os governos progressistas da América Latina.

"Aí está a arrogância destes gorilas, e desta direita. Está registrada esta declaração, apesar de grande parte da imprensa a ter ignorado. Ela retrata de corpo inteiro essa direita golpista e prepotente, que tem seus acólitos no Equador", disse ele.

"Não nos enganemos", acrescentou Correa. comentando as expressões de apoio público ao seu governo, "essa direita pensa assim. Mas eles não passarão. E eles sabem disso, pois de outro modo já teriam tentado nos derrubar".

Fonte: Prensa Latina (http://www.prensa-latina.cu)
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Contraponto 877 - Pleito ilegítimo, diz Pérez Esquivel

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04/12/2009

"Honduras está subjugada sob pleito ilegítimo", diz prêmio Nobel



Portal Vermelho - 3 de Dezembro de 2009 - 12h22

A comunidade internacional, os governos e povos latino-americanos não podem avalizar as eleições imorais e ilegítimas realizadas em Honduras. O governo dos EUA é cúmplice e gestor do golpe de Estado neste país; um golpe perpetrado para subjugar o povo e impor políticas de dominação e saque na região.

Por Adolfo Pérez Esquivel*, em Correio da Cidadania


O manifesto apoio do governo Obama ao chamado da ditadura às eleições é tentativa de justificar o injustificável, ocultar e desconhecer a soberania de todo um povo e do presidente Manuel Zelaya, que se encontra praticamente encarcerado na embaixada do Brasil há dois meses, suportando a permanente agressão dos golpistas.

Deteriora profundamente as democracias de todo o continente e a possibilidade de que os EUA possam construir relações de respeito com seus vizinhos, ratificando mais precisamente que aqueles países que não responderem aos interesses americanos podem sofrer situações semelhantes.

Não posso deixar de destacar a lamentável submissão por parte do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, aos desígnios do Departamento de Estado. Apoiar os golpistas no chamado a eleições ilegítimas e guardar silêncio sobre as violações dos direitos humanos que sofre o povo hondurenho nunca pode ser o caminho de construção da Paz.

Em Honduras, foram detidos nosso companheiro Gustavo Cabrera, coordenador geral do Serviço Paz e Justiça na América Latina, e o pastor menonita Cesar Cárcamo, integrantes de uma missão de observação internacional das igrejas. Ainda que já tenham sido liberados, este fato demonstra que a ditadura hondurenha busca impedir o mundo de saber a verdade do que ocorre no país, ocultando as graves violações aos direitos humanos e em especial as condições repressivas nas quais se levaram adiante os comícios.

Com essa farsa eleitoral se pretende esconder os verdadeiros motivos do golpe em Honduras, que são os de manter o povo na miséria e opressão, a fim de que alguns poucos possam continuar enriquecendo, e à custa da própria natureza.

Busca contra-atacar o aumento do salário mínimo e garantir maiores lucros às maquilas (como são chamadas as fábricas e indústrias, especialmente nos setores têxtil e eletrônico); reabrir o país às concessões minerais e florestais; expandir as privatizações e os benefícios do livre comércio às multinacionais dos EUA e Europa; evitar acordos solidários com países latino-americanos; reverter a entrada de Honduras na ALBA; aprofundar e amarrar o país de acordo com seus interesses, econômicos, políticos e militares.

Volto a assinalar que o golpe de Estado em Honduras é um golpe contra todos os povos de toda a região. Impor eleições sem primeiro restituir a ordem constitucional e o legítimo governo do presidente Manuel Zelaya não pode ser algo feito sem a concordância e cumplicidade do Departamento de Estado, do Pentágono e da CIA.

Junto à imposição dos grandes projetos de infra-estrutura para o saque (como o Plano Puebla-Panama na Meso-América e o IIRSA aqui no sul), a remilitarização do continente com as sete novas bases militares na Colômbia, outras mais sendo propostas no Panamá e Peru, a presença dos EUA na tríplice fronteira Paraguai, Brasil e Argentina, e a IV Frota nos mares do sul, entre outras políticas, colocam em evidência que os mecanismos de dominação estão em funcionamento.

Não acabaram com as ditaduras militares impostas no continente através da Doutrina de Segurança Nacional, com um alto custo de vidas humanas e seus milhares de mortos, torturados, encarcerados e desaparecidos, além da destruição da capacidade produtiva dos povos; tampouco acabaram com a sangria neoliberal provocada pelo endividamento ilegítimo, os conseqüentes ajustes estruturais, as privatizações e a desregulação.

Os grandes meios de comunicação, verdadeiros monopólios a serviço dos interesses de dominação impostos, desatam campanhas nacionais e internacionais contra governos que possuem pensamento próprio e buscam a independência e soberania de seus povos. Se seu bombardeio cultural e os golpes de mercado não bastam, sobrevêm a agressão e as tentativas de golpe de Estado pela CIA e o Departamento de Estado, como ocorrido na Venezuela, Bolívia e na agressão da Colômbia contra o Equador.

Está claro, mesmo assim, que o caminho escolhido pelos golpistas não pode prosperar. O povo de Honduras está em pé para defender sua liberdade e seus direitos; depois de 154 dias de resistência não violenta nas ruas e comarcas de todo o país, no domingo, se resguardou majoritariamente em suas casas, dando uma digna e inequívoca resposta à fraudulenta convocatória eleitoral. São muitos os governos do continente, e do mundo inteiro, que se negam a aceitar o governo golpista e que ratificaram seu desconhecimento a respeito desses comícios.

Reclamamos aos demais governos da região, aos organismos internacionais como a OEA, ONU, o Parlamento Europeu e a União Européia, desconhecerem também esta tentativa de maquiagem do golpe de Estado. Há de se insistir no restabelecimento da ordem constitucional, a restituição do presidente Zelaya e a suspensão de qualquer forma de apoio, seja financeiro, comercial, militar, enquanto isso não ocorre.

Conclamamos os organismos de direitos humanos, sociais, culturais e religiosos a assumir solidariamente a defesa da soberania e o Estado de direito do povo hondurenho, rejeitando qualquer cumplicidade que pretende desgraçar o exercício democrático.

A Paz é fruto da justiça; não há outro caminho possível. Por isso também é necessário escutar a voz do povo hondurenho, que segue chamando pela realização de uma Assembléia Constituinte Nacional para refundar o país sobre bases de igualdade e inclusão. Só assim será possível governar.

* Adolfo Pérez Esquivel é Premio Nobel da Paz de 1980, além de arquiteto, escultor e ativista dos direitos humanos. O artigo foi escrito antes da decisão do Congresso hondurenho de não restutuir Zelaya ao poder.
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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Contraponto 838 - Zelaya acusa: "mentira eleitoral"

30/11/2009
Lobo vence pleito ilegítimo; Zelaya acusa mentira eleitoral


Vermelho - 30 de Novembro de 2009 - 11h00

O candidato de direita Porfirio Lobo declarou-se vencedor no pleito ilegítimo de domingo em Honduras e prometeu um governo de "unidade nacional", após um processo eleitoral marcado por uma alta abstenção e por acusações de repressão, desaparecimentos, assédio e perseguição. A votação, classificada como uma "mentira" pelo presidente deposto Manuel Zelaya, não será reconhecida por grande parte da comunidade internacional. Zelaya afirma que o governo de fato "inflou" a participação no pleito.
Segundo dados parciais do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), em sua segunda tentativa de chegar à presidência, Lobo tinha 55,9% dos votos apurados, contra 38,6% do rival Elvin Santos, do Partido Liberal (PL), que reconheceu a derrota.

Lobo deve assumir a presidência em 27 de janeiro, em um cenário pouco alentador, já que sua eleição é encarada como a legitimação do golpe de Estado, que tirou Zelaya do poder em 28 de junho. O pleito foi rechaçado por diversos países, organizações internacionais - que sequer figuraram como observadores - e pela Frente de Resistência contra o Golpe.

O TSE informou que o índice de participação foi de 61,3% (quase 10% a mais que em 2005). Zelaya, contudo, denunciou que o regime de fato inflou os resultados da eleição para "transformá-la em uma mentira para os hondurenhos". Ele fez a declaração na embaixada do Brasil, onde está abrigado há dois meses.

A Frente de Resistência também afirma que os números reais mostraram um mínimo "de 65 a 70 por cento de abstenção ", a maior da história da nação, o que significaria que apenas um máximo de 30 a 35 por cento teriam votado.

"Havíamos observado que, se a abstenção fosse superior a 50% do padrão eleitoral, as eleições deveriam ser anuladas", disse Zelaya. Em entrevista à Rádio Globo local, ele expressou estar surpreso com os dados divulgados pelo regume golpista. O presidnete deposto afirmou que o processo "está cheio de vícios, não tem legitimidade e deve ser anulado".

Também declarou que se Lobo obteve um triunfo é porque o regime golpista, encabeçado por Roiberto Micheletti, lhe deu esta possibilidade."Quando eu estava na direção do país, na presidência da República, Elvin Santos tinha 47% de popularidade e o senhor Porfírio Lobo andava entre 26 e 28% (...) O Favorito Era Elvin Santos. Então veio Micheletti com o golpe e os militares e agora sucedeu o contrário", enfatizou.

Em San Pedro Sula, centenas de partidários do líder deposto fizeram uma manifestação no domingo, encerrada pela polícia com gás lacrimogêneo e jatos d'água. Jornalistas e ativistas disseram que dezenas de pessoas foram agredidas e presas.

Grupos de direitos humanos condenaram o ambiente de intimidação e medo antes das eleições. Também condenaram a perseguição dos militares aos dissidentes, após o golpe. Poucas dezenas de observadores independentes monitoraram a votação, porém a Organização das Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos (OEA) se negaram a fazê-lo.

O Congresso deve decidir nesta quarta-feira (02) sobre o retorno ou não de Zelaya ao poder, por um breve período até o novo presidente assumir. O próprio Zelaya, porém, diz que não pretende retornar ao cargo, pois isso na opinião dele legitimaria o golpe. Ele se recusa a validar a manobra do regime de fato, que empurrou para depois do pleito a decisão do Congresso.

Eleito em uma disputa ilegítima, para governar um país isolado, Lobo declarou que as adesões estão começando a chegar. Segundo ele, Estados Unidos, Alemanha, Colômbia, Costa Rica, México, Panamá, Japão, Itália, Suíça, Indonésia, Emirados Árabes Unidos e França "expressaram que vão aceitar o processo".

Mas Argentina, Brasil, Venezuela, Nicarágua, Bolívia, Guatemala e Uruguai anunciaram formalemnte que não reconhecerão as eleições realizadas sob o governo de fato de Roberto Micheletti.

Com agências

Leia também:
Zelaya diz que abstenção em Honduras chega a 65%
Brasil mantém posição: "Não é possível aceitar golpe", diz Lula
Obama "negociou" Zelaya

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sábado, 7 de novembro de 2009

Contraponto 639 - "Representantes de Zelaya e Micheletti estão reunidos com embaixador norte-americano em Honduras"


07/11/2009

"Representantes de Zelaya e Micheletti estão reunidos
com embaixador norte-americano em Honduras"

Fernando Freire
Enviado Especial


Tegucigalpa - Representantes do governo deposto e do governo golpista estão reunidos com o embaixador norte-americano em Honduras, Hugo Llorens, para tentar chegar a um acordo sobre o comando do país, depois que, mais uma vez, as duas partes não chegaram ao entendimento ontem (5).

Mais cedo, o Departamento de Estado norte-americano divulgou uma nota em que se diz desapontado com os gestos unilaterais feitos pelo governo deposto e pelo golpista, ontem à noite. Segundo o documento, essas atitudes “não contribuem para o cumprimento do acordo”. A nota recomenda ainda que ambas as partes entrem num acordo para formar um governo de unidade.

O presidente golpista Roberto Micheletti pediu ontem (5) à noite que todos os vinte e sete ministros que compõem o seu governo colocassem o cargo à disposição, para que fosse formado o governo de transição, como previsto no acordo assinado na semana passada entre ele e o presidente deposto Manuel Zelaya.

O ex-ministro Rafael Piñeda Ponce disse que Micheletti, por enquanto, se mantém na presidência do país até que Zelaya desista do cargo. Se isso ocorrer, segundo Ponce, Micheletti garante que também renuncia à presidência. Para o governo de fato, o acordo está mantido. “O acordo se mantém da nossa parte. Nós decidimos respeitá-lo, porque esse é o nosso compromisso”, afirmou o ex-ministro.

Já os apoiadores de Zelaya se recusam a indicar nomes para o governo de transição, enquanto o presidente deposto não for reconduzido à presidência. Em declaração feita da Embaixada do Brasil, onde está abrigado, Zelaya disse que o acordo está fracassado e totalmente morto por falta de cumprimento por parte de Micheletti. Disse também que o governo de fato demonstrou não ter vontade de resolver o problema, nem de reverter a crise econômica, social e política gerada pelo golpe de estado.

Os apoiadores de Zelaya continuam em vigília na frente do Congresso e consideram a formação do governo de transição um novo golpe de estado. A técnica em laboratório Ruth Maragiaga disse que “os protestos vão continuar até que Zelaya volte ao poder, independente do tempo for necessário.”
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Contraponto 634 - "Honduras: o golpe do golpista"


06/12/2009

Honduras: o golpe do golpista


Tijolaço sexta-feira, 6 novembro, 2009 às 8:32

pueblozelayaInacreditável e certamente fadada a provocar nova crise internacional a decisão do chefe do governo golpista de Honduras de dar um “golpe” no acordo firmado há pouco mais de dez dias com o emissário americano Thomas Shannon. O acordo, divulgado para o mundo, previa a volta do presidente eleito Manoel Zelaya ao governo, continuidade dos processos judiciais que se movem contra ele e realização de eleições para presidente - tudo sob observação internacional. Segundo o cronograma do acordo Tegucigalpa-San José, firmado na sexta-feira passada sob mediação do Departamento de Estado norte-americano - um governo de unidade nacional deveria ser estabelecido até meia-noite de quinta-feira (horário local, 4h de sexta-feira em Brasília) sob vigilância de uma Comissão de Verificação, composta por dois representantes internacionais e dois locais.

Michelleti agora diz que não sai do Governo, que a decisão sobre a volta de Zelaya ao governo fica para não se sabe quando e que vai formar um governo de “unidade nacional”.

A Frente de Resistência Contra o Golpe em Honduras anunciou que caso o presidente deposto, Manuel Zelaya, não fosse restituído até a meia-noite desta quinta-feira (horário local, 4h de sexta-feira em Brasília), chamarão a população a não participar nas eleições do próximo dia 29 de novembro.

A Frente acusa a Organização de Estados Americanos (OEA) e o governo dos Estados Unidos de “cúmplices do golpe de Estado militar” e convocam a comunidade internacional a manter a posição de “não legitimar” do processo eleitoral . Brasil e a maioria dos países da América Latina afirmam que não reconhecerão o resultado das eleiçõe se Zelaya não for restituído.
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Contraponto 627 - "Os EUA e a incerteza em Honduras"


05/11/2009

Os EUA e a incerteza em Honduras


Carta Maior 04/11/2009

É difícil prever o que vai acontecer em Honduras depois do acordo. Na aparência, ele sequer impõe a volta do presidente constitucional Manuel Zelaya, cujo mandato foi capado em mais de quatro meses. O retorno era ponto de honra não só para os partidários de Zelaya, mas para a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a comunidade internacional, até porque nenhum país reconheceu o regime do golpista Roberto Micheletti. O artigo é de Argemiro Ferreira.

Argemiro Ferreira

O objetivo maior da comunidade internacional era deixar claro na América Latina com seu passado marcado por golpes militares (em geral teleguiados dos EUA e quase sempre acompanhados pelo respaldo americano, com desembarque de tropas ou a ameaça de fazê-lo) que tais práticas não serão mais toleradas no continente – e que o golpismo será sistematicamente repudiado.

Para os atuais detentores do poder de fato aceitarem a fórmula, autoridades dos EUA – Thomas Shannon, sub-secretário de Estado para assuntos do hemisfério, e o embaixador Hugo Llorens – tiveram de convencer os golpistas (que antes do golpe tinham tido o cuidado de obter deles o nihil obstat de Washington) de que Zelaya só voltaria se o Congresso de Honduras aprovasse seu retorno ao poder.

A estranha epifania dos golpistas
Estranho a contradição. Os partidários de Zelaya concordaram em deixar a decisão final para a mesma maioria parlamentar que se mostrara favorável ao golpe quando os militares sequestraram o presidente legítimo no palácio (de pijama) e o enfiaram num avião para tirá-lo do país? Será que diante da pressão internacional a tal maioria, tão golpista como Micheletti, teve uma epifania?

Shannon e Llorens podem ser a chave para entender a suposta epifania. Herdados do governo Bush (e sua desastrada política externa) pela secretária de Estado Hillary Clinton, os dois e mais algumas figuras sinistras (entre elas um dos chefes da máfia dos cubanos de Miami, o lobista Otto Reich) tinham servido na Casa Branca e no Departamento de Estado na trama golpista de 2002 contra Hugo Chávez na Venezuela.

Dias depois do golpe hondurenho escrevi neste espaço que Shannon e Llorens tinham vivido situação igual sete anos antes: “um tratava então de questões andinas (Venezuela entre elas) no Departamento de Estado, como adjunto do secretário assistente Reich, lobista anti-Cuba e padrinho do golpe (da Venezuela); o outro cuidava do mesmo assunto no Conselho de Segurança da Casa Branca, junto com Elliot Abrams (condenado pela Justiça americana no escândalo Irã-Contras.”

Fazendo o que a CIA fazia antes
Naquele e em outros textos sobre mais complicadores, lembrei ainda a ação golpista em Washington do NED (National Endowment for Democracy), grupo criado no governo Reagan para apoiar golpes e ditaduras, usado depois tanto por republicanos (através do IRI, instituto então criado no partido) como por democratas (através do NDI, semelhante ao do adversário), cada um com suas ONGs apoiadas por empresários e sindicatos que agem no continente.

Citei ainda a frase dita em 1991 por Allen Weinstein, um dos criadors do NED: “Boa parte das coisas que estamos fazendo hoje (usando o NED) eram feitas clandestinmente, 25 anos atrás, pela CIA, Agência Central de Espionagem”. Aquela referência era aos golpes da CIA, na América Latina e nos quatro cantos do mundo, como os do Irã (em 1953) e da Guatemala (1954).

Com o NED, seja em governos republicanos ou democratas, os mecanismos mudaram (em geral não chegam a dispensar a CIA, mas a notoriedade dela passou a exigir cobertura mais eficaz). No caso de Honduras escancarou-se também uma ação mais ostensiva dos lobbies na capital dos EUA, tanto os ligados a um partido como os ligados ao outro, conforme foi destacado numa análise.

Tudo isso acaba por justificar certo desencanto com a possibilidade de reformas e mudanças mais substantivas no governo Obama. De qualqur forma, será preciso no mínimo esperar o final do processo em Honduras. Sem familiaridade com a América Latina, que ela sempre subestimou, Hillary revela-se pouco inclinada a renovar a política para a região, talvez por temer complicadores previsíveis.

Uma eleição e muitos problemas
No governo do marido dela, a oposição republicana impediu o presidente Clinton de nomear vários embaixadores – ente eles, William Weld, republicano que para chefiar a missão dos EUA no México chegara a renunciar ao governo do estado de Massachusetts. E até hoje não foi votada a indicação de Thomas Shannon para o Brasil e a do substituto dele no Departamento de Estado, Arturo Valenzuela.

Mas na crise de Honduras, apesar do papel conspícuo de Shanon e Llorens nas últimas semanas, os EUA optaram por dar mais espaço à OEA. E cabe neste momento à uma Comissão de Verificação, criada no acordo assinado pelas partes, acompanhar através da americana Hilda Solis e do chileno Ricardo Lagos o cumprimento, passo a passo, de cada uma das cláusulas.

Depois de consumado o retorno de Zelaya, ainda haveria, claro, a questão eleitoral. O jogo dos golpistas foi (na verdade, ainda está sendo) retardar ao máximo todo o processo – o que tende a questionar depois a legitimidade da eleição, já que na campanha candidatos golpistas foram naturalmente beneficiados pelo controle oficial. Essa e outras questões dificilmente deixarão de reaparecer nos próximos desdobramentos.

Blog do Argemiro Ferreira
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Contraponto 487 - Acordo a qualquer momento


16/10/2009
Honduras - Acordo entre Zelaya e golpistas
pode sair a qualquer momento

Pátria Latina - Brasília - Sexta , 16 de Outubro de 2009

Tegucigalpa, 14 out (Prensa Latina) O diálogo para encontrar uma solução à crise política continua em Honduras ainda com a profundidade do estado de sítio e demandas de que cesse a repressão contra o povo.

As conversas completaram nesta terça-feira quatro rodadas, durante as quais, segundo as partes, avançaram em vários pontos, ainda que o tema essencial, a restituição do presidente Manuel Zelaya, se mantém sem acordo.

Uma dos três representantes do governo de facto, Vilma Morales, declarou nesta terça-feira que se conseguiu consenso em oito dos 12 pontos do chamado Acordo de San José, uma proposta do presidente da Costa Rica, Oscar Arias.

Morales apontou que durante a sessão de ontem começaram a tratar do ponto seis, que se refere ao regresso de Zelaya ao cargo do qual o sacaram violentamente as forças armadas em 28 de junho.

Morales, ex-presidenta da Corte Suprema de Justiça, eludiu entrar em detalhes sobre esse assunto, considerado pelos delegados do estadista como essencial para a solução da crise desatada pela ação militar golpista.

Zelaya e a Frente Nacional contra o golpe de Estado propuseram um prazo para encontrar uma solução ao conflito que vence manhã.

A Frente exigiu o fim da repressão contra a resistência para criar condições adequadas para o desenvolvimento do diálogo iniciado na semana passada.

Segundo o coordenador geral dessa aliança de forças populares, Juan Barahona, essa demanda foi ratificada pela delegação do presidente Zelaya na sessão desta terça-feira.

Barahona informou que pediram aos três representantes de Micheletti o fim do estado de sítio imposto desde 26 de setembro.

Micheletti anunciou seu encerramento há nove dias, mas a suspensão das garantias constitucionais segue vigente porque ainda não foi publicada no jornal oficial A Gaceta.

Agregou que também solicitaram do governo de facto a desmilitarização da área próxima à embaixada do Brasil, onde se encontra com dezenas de pessoas o presidente Zelaya desde 21 de setembro.

Outra das reivindicações é a reabertura dos meios de comunicação fechados, Rádio Globo e o canal 36 de televisão, com uma ampla cobertura da resistência popular contra o golpe militar de 28 de junho.
Texto: Prensa Latina / Postado em 14/10/2009 ás 18:22
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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Contraponto 435 - OEA em Honduras


08/09/2009
OEA chega a Honduras pedindo pressa e vontade política

Portal Vermelho 7 de Outubro de 2009 - 18h20

O secretário-geral da OEA (Organização de Estados Americanos), José Miguel Insulza, abriu nesta quarta-feira (7) o diálogo sobre a crise hondurenha, em Tegucigalpa, dizendo que uma solução não deve "tomar muito tempo, se existe acima de tudo uma real vontade política". Insulza reafirmou que as eleições não serão reconhecidas sem o retorno do presidente eleito, Manuel Zelaya.

Miguel Insulza, da OEA: recusa a "trocar recriminações"
O líder da OEA chefia uma missão de ministros e diplomatas que participa das negociações entre Zelaya e o governo instalado pelo golpe de 28 de junho, que tem à frente Roberto Micheletti. Os negociadores chegaram hoje à capital hondurenha e em seguida se reuniram a portas fechadas com representantes das duas partes em conflito, no Hotel Clarion. As declarações foram dadas antes do início da reunião.

Insulza insistiu no reestabelecimento das liberdades e garantias constitucionais, suspensas por Micheletti no último dia 30. Solicitou também a reabertura da Rádio Globo e do Canal 36 de TV, tirados do ar pelos golpistas no dia 31. Pediu ainda que se garanta condições de trabalho a Zelaya, abrigado desde o dia 21 na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, e que se evite manifestações "que rompam a ordem" enquanto o diálogo está em curso.

"Iniciamos hoje um processo de diálogo que tem como objetivo superar a crise política em que o país está envolvido, a partir dos acontecimentos de 28 de junho passado. Não quero dizer com isso que os problemas tenham começado nesse dia; provavelmente suas origens vêm de antes", disse Insulza.

O diplomata chileno disse que a missão da OEA não se reúne com os representantes de Zelaya Micheletti para "trocar recriminações" mas visando "encontrar soluções concretas para uma situação que não pode se prolongar.

"O atual estado de coisas não convém a ninguém", disse Insulza. E advertiu que as eleições hondurenhas, marcadas para 29 de novembro, não serão reconhecidas pela comunidade internacional caso não se garanta que elas sejam produto "da vontade do povo". Rechaçou assim a proposta aventada por Micheletti, de devolver o mandato de Zelaya apenas depois da consulta às urnas.

Em nome da missão internacional, o ex-chanceler do Chile pediu que o diálogo leve em conta "todos os pontos colocados dois meses atrás na proposta denominada Acordo de San José. Continuamos convencidos de que esses pontos contêm um caminho que reestabelece a democracia e o caminho constitucional", frisou.

O Acordo de San José, mediado pelo presidente de Costa Rica, Oscar Arias, propõe basicamente cinco pontos:
1) A recondução de Zelaya à presidência;
2) A formação de um governo de conciliação nacional;
3) Não realização de uma Assembléia Constituinte durante a gestão;
4) Anistia geral; e
5) Criação de uma comissão para garantir essas disposições.

Zelaya expressou nesta quarta-feira que aceita os termos do Acordo de San José, mas deu um prazo até o dia 15 para seu retorno à presidência, sob pena de as aleições se tornarem "automaticamente inválidas". Micheletti insiste em recusar três dos 12 pontos da proposta, entre eles o mais importante – a imediata recondução do presidente deposto.

ON governo golpista marcou o primeiro dia das negociações com mais um ato de brutalidade. A polícia dispersou mais uma manifestação popular pela volta de Zelaya com bombas de gás lacrimogêneo. "O diálogo iniciou com maus agouros", observou o presidente deposto.

Da redação, com agências
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Contraponto 430 - Urubuzada perde o rumo


07/10/2009

Olimpíada, Honduras… Urubuzada perde o rumo. Cadê a oposição?

Blog do Kotscho por Ricardo Kotscho - 06/10/2009 - 10:20

O Lula vai quebrar a cara em Honduras! Vai correr sangue nas ruas de Tegucigalpa e ele será o culpado! O Lula vai tomar uma surra do Obama em Copenhague! Vai dar Chicago! Agora a popularidade do Lula vai despencar!

Pois é, amigos, foi uma atrás da outra. A urubuzada (nada a ver com a grande torcida do Flamengo, por favor!) jogou contra e perdeu todas, perdeu o rumo. Vocês já repararam? A oposição simplesmente sumiu de cena.

Em 2009, a turma do contra, representada por aqueles célebres 6% que reprovam o governo Lula, começou jogando tudo na crise econômica mundial, que quebraria o Brasil. O Brasil não só não quebrou como saiu da crise mais forte do que entrou.

Já nem me lembro de todas as crises do fim do mundo anunciadas durante o ano, mas tivemos depois a dengue, a crise do Senado, a gripe suína, a história da Lina, a CPI da Petrobrás, o diabo a quatro. E nada do Lula cair nas pesquisas.

A palavra crise não saía das manchetes, e nada. Quando a crise não era aqui, era em Honduras _ por culpa da política externa do governo brasileiro, claro. Agora que as coisas estão se acalmando por lá e tudo indica uma saída negociada com os golpistas devolvendo a Presidência a Manuel Zelaya, a urubuzada já está recolhendo os flaps.

Com a vitória do Rio para sediar a Olimpíada 2016 transmitida ao vivo de Copenhague, não teve jeito de esconder o importante papel do presidente Lula nesta conquista. Os 6% de inconformados e seus bravos representantes na imprensa e no parlamento devem ter entrado em profunda depressão. Por isso, sumiram _ pelo menos, por algum tempo.

Restam apenas alguns blogueiros histéricos e seus comentaristas amestrados blasfemando na janela, vendo as ruas em festa, os bares lotados em dia de semana, a indústria, a bolsa, o emprego e a renda crescendo novamente, a autoestima do brasileiro lá em cima, a vida seguindo alegre seu rumo.

Claro que sempre será possível fazer escândalo com qualquer coisa, como esta crise do Enem, uma história até agora muito mal contada, que vai atrasar a data dos vestibulares. E daí? Fora os candidatos e professores que irão perder alguns dias de férias, qual o drama para o restante dos brasileiros?(...)
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Contraponto 397 - Golpistas lá e cá


02/10/2009

Honduras
Golpistas lá e cá

Pátria Latina - por Carlos Latuff - Brasília - Quinta , 01 de Outubro de 2009

São golpistas os que derrubaram Manuel Zelaya, como golpista também é a mídia brasileira, que tenta a todo custo nos convencer do contrário.

No caso de Roberto Micheletti renunciar e buscar asilo político, o Brasil poderia recebê-lo de braços abertos. Ou melhor, a imprensa brasileira. Quem sabe lhe arrumar um cargo de editor-chefe no Estadão, que em suas páginas tem culpabilizado a todos pelo golpe de estado em Honduras: Lula, Hugo Chaves, a diplomacia brasileira, o presidente deposto Manuel Zelaya. Menos os próprios golpistas, que aliás, para as rádios, jornais e TVs no Brasil, nem sequer são golpistas. Referem-se ao processo pelo qual Zelaya foi expulso como legítimo e constitucional. Constitucional, a meu ver, foi o "impeachment"que afastou Fernando Collor da presidência, seguindo todo um trâmite legislativo. A menos, é claro, que a constituição hondurenha entenda como legítimo mandar soldados encapuçados invadir na calada da noite a residência de um presidente eleito, e sob a mira de fuzis, enfiá-lo num avião rumo a outro país.

Mas o que esperar da mídia brasileira que tem uma Folha de São Paulo, que emprestou seus veículos de reportagem para agentes da repressão, e que mais recentemente referiu-se a ditadura no Brasil como "Ditabranda"? Ou mesmo as Organizações Globo, cujo /capo di tutti i capi/ Roberto Marinho, expandiu seus negócios graças ao apoio dado ao regime militar? São os mesmos veículos que chamaram de "oposição" os golpistas que tentaram derrubar os governos eleitos de Hugo Chaves e Evo Morales.

A culpa pelo golpe em Honduras é de Manuel Zelaya, assim como a culpa pelo golpe no Chile provavelmente foi de Salvador Allende. Os militares e os civis que os comandam não tem culpa. Nunca tiveram. Sejam eles oficiais que torturaram e mataram presos políticos no Brasil nos anos 60 e 70, ou mesmo policiais que torturam e matam nas favelas cariocas nos dias atuais. Assim como Berlusconi tenta reabilitar o fascismo quando disse que Mussolini "nunca matou ninguem" e que enviava seus opositores a "colônias de férias", a mídia brasileira tenta, com seus maneirismos, reabilitar as ditaduras.

São golpistas os que derrubaram Manuel Zelaya, como golpista também é a mídia brasileira, que tenta a todo custo nos convencer do contrário.

Carlos Latuff é chargista.
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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Contraponto 377 - Mídia torce contra Lula


29/09/2009

O que é bom para o Lula, é ruim para o Brasil?


Carta Maior Blog do Emir 29/09/2009 às 05:42

A mídia mercantil (melhor do que privada) tem um critério: o que for bom para o Lula, deve ser propagado como ruim para o Brasil. A reunião de mandatários sulamericanos em Bariloche – que o povo brasileiro não pôde ver, salvo pela Telesul, e teve que aceitar as versões da mídia – foi julgada não na perspectiva de um acordo de paz para a região, mas na ótica de se o Lula saiu fortalecido ou não.

O golpe militar e a ditadura em Honduras (chamados de “governo de fato”, expressão similar à de “ditabranda”) são julgados na ótica não de se ação brasileira favorece o que a comunidade internacional unanimemente pede – o retorno do presidente eleito, Mel Zelaya -, mas de saber se o governo brasileiro e Lula se fortalecem ou não. Danem-se a democracia e o povo hondurenho.

A mesma atitude têm essa mídia comercial e venal diante da possibilidade do Brasil sediar as Olimpíadas. Primeiro, tentaram ridicularizar a proposta brasileira, a audácia destes terceiromundistas de concorrer com Tóquio, com Madri, com Chicago de Obama e Michelle. Depois passaram a centrar as matérias nas supostas irregularidades que se cometeriam com os recursos, quando viram – mesmo sem destacar nos seus noticiários – que o Rio tinha passado de azarão e um dos favoritos, graças à excelente apresentação da proposta e ao apoio total do governo. Agora se preparam para, caso o Rio de Janeiro não seja escolhido, anunciar que se gastou muito dinheiro, se viajou muito, para nada. Torcem por Chicago ou outra sede qualquer, que não o Rio, porque acreditam que seria uma vitória de Lula, não do Brasil.

São pequenos, mesquinhos, só vêem pela frente as eleições do ano que vem, quando tentarão ter de novo um governo com que voltarão a ter as relações promíscuas que sempre tiveram com os governos, especialmente com os 8 anos de FHC. Não existe o Brasil, só os interesses menores, de que fazem parte as 4 famílias – Frias, Marinho, Civitas, Mesquita – que pretendem falar em nome do povo brasileiro.

O povo brasileiro vive melhor com as políticas sociais do governo Lula? Danem-se as condições de vida do povo. Interessa a popularidade que isso dá ao governo Lula e as dificuldades que representa para uma eventual vitória da oposição. A imagem do Brasil no exterior nunca foi melhor? A mídia ranzinza e agourenta não reflete isso, porque representa também a extraordinária imagem de Lula pelo mundo afora, em contraposição à de FHC, e isto é bom para o Brasil, mas ruim para a oposição.

O que querem para o Brasil? Um Estado fraco, frágil diante das investidas do capital especulativo internacional, que provocou três crises no governo FHC? Um país sem defesa ou dependente do armamento norteamericano, como ocorreu sempre? Menos gastos sociais e menos impostos para ter menos políticas sociais e menos direitos do povo atendidos? Um povo sem auto estima, envergonhado de viver em um país que eles pintam como um país fracassado, com complexo de inferioridade diante das “potências”, que provocaram a maior crise econômica mundial em 80 anos, que é superada pelos países emergentes, enquanto eles seguem na recessão?

São expressões das elites brancas, ricas, de setores da classe média alta egoísta, que odeia o povo e o Brasil e odeia Lula por isso. Adoram quem se opõem a Lula – Heloísa Helena, Marina, Micheletti -, não importa o que digam e representem. Sua obsessão é derrotar Lula nas eleições de 2010. O resto, que se dane: o povo brasileiro, o país, a situação de vida da população pobre, da imagem do país no mundo, da economia e do desenvolvimento econômico do Brasil.

O que é bom para o Lula é ruim para eles e tentam fazer passar que é ruim para o Brasil. É ruim para eles, as minorias, os 5% de rejeição do governo, mas é muito bom para os 82% de apoio ao Lula.
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Contraponto 364 - Imprensa Brasileira: de facto ou interina


28/09/2009

Imprensa brasileira: De facto ou interina?


Empenhada em afirmar que o governo brasileiro teria agido de maneira irresponsável ao conceder abrigo ao presidente deposto, a mídia corporativa repete um velho procedimento. Tenta armar uma subversão monstruosa: a autoria e a responsabilidade do golpe são transferidas aos que a ele se opõem.

Gilson Caroni Filho*

Desde 28 de junho, quando o presidente Manuel Zelaya foi deposto por um golpe militar liderado por Roberto Micheletti, a grande imprensa brasileira, através de seus articulistas mais conhecidos e dedicados editorialistas, voltou a apresentar, como é comum a aparelhos privados de hegemonia, seu vasto arsenal de produção e redefinição de significados. Desta vez, a novidade foi o deslocamento semântico do real sentido do que vem a ser golpe de Estado. Em Honduras, segundo a narrativa jornalística, não há golpistas, mas "governo interino" ou "de facto", pouco importando que a ação militar tenha sido condenada pela União Européia e governos latino-americanos representados pela Organização dos Estados Americanos (OEA)

Como já tive oportunidade de destacar em outra oportunidade "há algo profundo no jogo das palavras". Ainda mais quando, quem as maneja, tem, por dever de ofício, que relatar o que cobre com precisão e clareza. Fica evidente que razão cínica e ética ambíguas são irmãs siamesas. E no jornalismo brasileiro, mudam as gerações, mas as tragédias continuam e o imaginário dos aquários insiste em se engalfinhar contra as evidências factuais.

Agora, empenhada em afirmar que o governo brasileiro teria agido de maneira irresponsável ao conceder abrigo ao presidente deposto, a mídia corporativa repete um velho procedimento. Tenta armar, na produção noticiosa, uma subversão monstruosa: a autoria e a responsabilidade do golpe são transferidas aos que a ele se opõem, de modo que os golpistas, posando de impolutos democratas, ainda encontrem razões e argumentos para desmoralizar, reprimir e, se possível, eliminar seus oponentes. Para a empreitada foram convocados até diplomatas aposentados, saudosos de uma subalternidade quase colonial.

Uma característica saliente do discurso editorial, e de forma alguma sem importância, é o tom mordaz de quem que se propõe a dizer "verdades" a leitores e/ou telespectadores não apenas iludidos, mas idealizados como obtusos. O trecho abaixo, extraído da revista Veja ( edição 2132, de 30/09/2009) é exemplar. Trata-se da reportagem “O pesadelo é nosso", assinada pelos jornalistas Otávio Cabral e Duda Teixeira.

"Com as eleições marcadas para o próximo dia 29 de novembro, o governo interino que derrubou Zelaya se preparava para reconduzir o país à normalidade democrática. O candidato ligado a Manuel Zelaya aparecia até bem colocado nas pesquisas de intenção de voto. Seria uma saída rápida e democrática para um golpe, coisa inédita na América Latina. Seria. Agora o desfecho da crise é imprevisível. O mais lógico seria deixar o retornado sob os cuidados dos amigos brasileiros até depois das eleições, que, se legítimas, convenceriam a comunidade internacional das intenções democráticas dos golpistas"

Não procurem lógica no texto. Muito menos o uso político do mito da objetividade jornalística. O panfletarismo é prepotente e assumidamente faccioso para se preocupar com detalhes. Falar em “intenções democráticas dos golpistas" não expressa dificuldade de ordem racional, mas uma formidável comédia de erros e imposturas orquestradas por setores decisivos de uma direita inconformada com uma política externa exitosa.

Não se trata apenas da insistência da grande mídia brasileira em “manter um viés anti-Lula, fazendo uma cobertura parcial e tendenciosa sobre os acontecimentos que envolvem o fato", como afirmou o deputado José Genoíno. A operação em curso vai bem além desse propósito. O que ela busca ocultar são os resultados da reunião do G-20, em Pittsburgh, com a abertura para a reorganização das instituições financeiras internacionais e maiores direitos para os países emergentes. O êxito diplomático deve ser substituído por uma "trapalhada ideológica que não faz jus à tradição pragmática do Itamaraty”.

É exatamente isso o que confessa o articulista Clóvis Rossi, em sua coluna de sexta-feira, 25 de setembro, na Folha de S. Paulo.

"Escrevendo textos no lobby do Hotel Sheraton, em que Luiz Inácio Lula da Silva está hospedado em Pittsburgh, sou agradavelmente interrompido por Gilberto Scofield, o competente correspondente de "O Globo" em Washington: Cara, Honduras conseguiu eclipsar completamente o G20 nos jornais brasileiros. Só recebo cobranças sobre Honduras".

Essa desenvoltura de militantes eufóricos só reforça o que se sabe da grande imprensa. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, mas os modelos-teimosos- permanecem como farsa de um jornalismo que não se sabe ao certo se é “de facto" ou interino. Os acontecimentos de Tegucigalpa são contagiantes

*Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil
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Contraponto 360 - Lula rejeita ultimato


28/09/2009


Lula rejeita ultimato de Honduras sobre status de Zelaya

Claudia Jardim enviada especial da BBC Brasil a Porlamar, Venezuela

Soldados hondurenhos cercam área da embaixada brasileira em Tegucigalpa

Embaixada brasileira em Tegucigalpa
permanece cercada por policiais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste domingo que não aceita ultimato de governo "golpista" e que o Brasil não negocia com quem "usurpou o poder", em resposta ao prazo de 10 dias dado pelo governo interino de Honduras para que o Brasil defina o status do presidente deposto Manuel Zelaya.

Zelaya está refugiado na embaixada brasileira na capital hondurenha, Tegucigalpa, desde segunda-feira.

"O governo brasileiro não acata ultimato de golpista, e nem o reconheço como governo", afirmou o presidente em entrevista coletiva concedida em Isla Margarita, na Venezuela, onde participou da 2ª Cúpula América do Sul-África.

"A palavra correta é golpista. Usurpador de poder. Essa é a palavra correta, e o governo brasileiro não negocia com ele."

Zelaya foi deposto e expulso de Honduras em 28 de junho. Na última segunda-feira, ele retornou ao país sem a autorização do governo interino, que cobra a sua prisão, e se refugiou na embaixada brasileira em Tegucigalpa.

Lula disse ainda que o Brasil "tem dentro da sua embaixada um presidente legitimamente eleito pelo voto popular do povo de Honduras". O governo interino de Honduras, comandado por Roberto Micheletti, não é reconhecido pela comunidade internacional.

Em um comunicado de sua chancelaria neste domingo, o governo interino havia dito que se o prazo de 10 dias não for atendido será obrigado "a tomar medidas adicionais, conforme o direito internacional".

"Nenhum país pode tolerar que uma embaixada estrangeira seja utilizada como base de comando para gerar violência e romper a tranquilidade, como o senhor Zelaya tem feito desde sua entrada em território nacional", afirma o comunicado.

"Ofensiva final"

O governo interino acusa o presidente deposto de "usar a embaixada para instigar a violência e a insurreição contra o povo hondurenho e seu governo constitucional".

Em um comunicado lido em uma rádio local, Zelaya chamou seus seguidores para se reunir em uma "ofensiva final" em Tegucigalpa para pressionar por sua restituição.

Lula disse que o ministro brasileiro de Relações Exteriores, Celso Amorim, telefonou ao presidente deposto, pedindo que ele deixasse de usar a sede da diplomacia brasileira para atividades políticas.

"Se o Zelaya extrapolar, vamos chamá-lo e dizer que não é politicamente correto utilizar a embaixada brasileira para ficar fazendo incitação a qualquer coisa além do espaço democrático que nós estamos dando para ele", disse Lula.

Além de Zelaya, cerca de 60 de seus seguidores também estão abrigados na embaixada, que permanece cercada por policiais.

No sábado, milhares de apoiadores de Zelaya voltaram às ruas em um protesto para marcar os 90 dias da deposição do presidente e exigir seu retorno ao poder.

Eleições

Lula disse que a saída para a crise em Honduras depende das Nações Unidas e da Organização dos Estados Americanos (OEA), "que exigiram a restituição imediata e incondicional de Zelaya à Presidência".

"Quem tem que negociar é a OEA, que já tomou decisões, é o Conselho de Segurança das Nações Unidas, que já tomou decisões", afirmou.

O presidente disse ainda que o governo brasileiro acatará qualquer pedido feito por esses organismos em relação à crise política em Honduras.

Na noite de sábado, os chefes de Estado que participam da cúpula na Venezuela aprovaram uma resolução na qual exigem o fim das ações de intimidação à embaixada do Brasil em Honduras e pedem a restituição de Zelaya como saída para solucionar a crise no país.

Neste domingo, Lula voltou a afirmar que a saída para a crise é a restituição de Zelaya à Presidência e a realização de eleições.

"Seria muito mais fácil resolver tudo isso se o Micheletti pedir desculpas, for embora, permitir que o presidente eleito volte, convocar eleições. Porque o povo de Honduras vivia em paz até então", afirmou.

Lula disse que, caso contrário, a crise permanecerá, porque nenhum país reconhecerá a legitimidade do presidente que for eleito em um pleito organizado pelo governo interino.

As eleições gerais em Honduras estão marcadas para 29 de novembro. Dos seis candidatos presidenciais inscritos, quatro se mantêm na disputa. Os outros dois, representantes da esquerda, afirmam que não participarão do pleito se a ordem constitucional não for restituída com o regresso de Zelaya ao poder.
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sábado, 26 de setembro de 2009

Contraponto 341 - Imprensa mente sobre Honduras


26/09/2009

Denúncia

Tevês e jornais mentem para justificar ações de golpistas

Eduardo Guimarães. Atualizado às 18h23m de 25 de setembro de 2009

Devido à gravidade do que relatarei, interrompi retiro dos temas políticos que me impus nos últimos dias por conta de grave problema de saúde em família. E o que passo a relatar e a denunciar a seguir, constitui ameaça à democracia em todo continente americano. O tema: os conflitos político-institucionais em Honduras.

Espero que este texto – e outros como este, que estão sendo escritos à farta – seja distribuído – e/ou tenha seus argumentos usados – pelos brasileiros que realmente crêem na democracia, pois o que direi vem sendo repetido por jornalistas, acadêmicos, políticos, diplomatas, cientistas políticos etc.

Ontem (5ª feira), na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, dois parlamentares, os deputados Chico Alencar (PSOL-RJ) e Pedro Wilson (PT-GO), produziram excelentes análises sobre a tentativa dissimulada de televisões e jornais ligados à oposição ao governo Lula de coonestarem o golpe de Estado em Honduras. Inclusive citaram a Globo nominalmente.

Em verdade, a direita das três Américas, com seus jornais e tevês, uniu-se para envolver os povos da região numa farsa, tentando vender a idéia de que existe qualquer resquício de legalidade no golpe de Estado contra o presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya.

Apesar de chegarem até a chamar os golpistas de golpistas, esses meios de comunicação mentem e omitem informações sem parar. Antes de dizer como, porém, quero nominar os principais veículos de comunicação e partidos políticos mentirosos.

Os envolvidos nessa farsa têm à frente a Globo, a Folha de São Paulo, o Estadão, a Editora Abril, o PSDB e o PFL. Pelo lado da imprensa, são jornais, rádios, tevês, revistas e portais de internet que integram o que se convencionou chamar de mídia e que atravessou o século passado defendendo e praticando o golpismo de direita enquanto condenava o de esquerda.

Ao dizer que Zelaya foi preso no meio da noite em sua cama com sua mulher e deportado de Honduras junto da família sob a mira de armas porque propôs um plebiscito para conseguir um novo mandato presidencial, o aparato de propaganda política supra mencionado mente de forma descarada.

Zelaya jamais fez tal proposta. O que ele propôs foi uma Assembléia Nacional Constituinte. Dizer que a finalidade dessa proposição era conseguir um novo mandato é uma farsa, pois afirmam como verdade o que não passa de suposição dos golpistas.

Além disso, mesmo que o plebiscito proposto por Zelaya fosse mesmo tentativa de conseguir novo mandato, e como a constituição hondurenha proíbe, haveria que abrir um processo legal contra o presidente. Em país democrático algum se aceitaria uma pena sumária e sem direito de defesa como a que os golpistas impuseram a ele.

A cada vez que você, leitor, ler ou escutar essa mentira, se for um democrata deve dizer isso que acabo de dizer a quem estiver por perto. Deve dizer que aquela tevê ou aquele jornal mentem. Não se cale, não se omita. Defenda a verdade.

Denuncie que os golpistas criminosos de Honduras atacam a tiros manifestações pró Zelaya enquanto organizam passeata da elite econômica e racial de Honduras de apoio ao golpe, passeata que desfila por Tegucigalpa protegida pelas mesmas forças de repressão que atacam camponeses, favelados, trabalhadores e estudantes que lutam pela democracia.

Não há hipótese, portanto, de a comunidade internacional permitir que o golpe em Honduras tenha sucesso, sobretudo por meio da eleição ilegal que os golpistas pretendem fazer em novembro próximo, eleição que obviamente será um jogo de cartas marcadas, pois um povo ameaçado por toque de recolher e repressão de forças militares não poderá votar livremente.

Evidentemente os golpistas não aceitarão acordo nenhum. Se perderem o poder, os sucessivos crimes que vêm cometendo acabarão sendo investigados e punidos, cedo ou tarde. Qualquer tentativa de acordo com eles esbarrará em seu instinto de auto-preservação.

É chegada a hora, pois, de se começar a pensar numa ação militar da ONU para prender os golpistas hondurenhos não só pelo golpe, mas pelas seguidas violações de direitos humanos que estão praticando, que, certamente, serão comprovadas pela comissão daquela Organização que deverá aportar em breve em Honduras para investigar denúncias sobre essas violações.

Os democratas brasileiros devemos atentar para o seguinte fato: os jornais e tevês supra mencionados, bem como os de outros países das Américas que sofreram golpes militares no século passado, já incentivaram e depois deram sustentação a golpes de Estado e violações de direitos humanos valendo-se de “argumentos” falaciosos como esse que voltam a vender para justificar a ação criminosa dos golpistas hondurenhos.

Globos, Folhas, Vejas, Estadões e comparsas tentam fazer prevalecer a idéia de que golpes de Estado podem ser justificáveis porque, obviamente, ainda não desistiram de seus pendores golpistas de antanho. Só a denúncia incessante poderá impedi-los de enganar a população e fazê-los refletir que as Américas não mais aceitarão golpes de Estado como os que sempre apoiaram.

Democratas que têm voz, como o presidente Lula, devem nos ajudar mais a denunciar. Os deputados federais do PSOL e do PT supra mencionados disseram o que precisa ser dito da forma como deve ser dito. Tomara que alguém sopre ao ouvido presidencial o que disseram.
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Contraponto 321 - Honduras


23/09/2009

Honduras
Uma tripla luta de alcance mundial

Patria Latina Brasília - Quarta , 23 de Setembro de 2009


Guillermo Almeyra

O retorno do presidente Manuel Zelaya a Honduras e o apoio que recebeu do governo brasileiro colocam vários cenários em movimento na região. Além de elevar a tensão do conflito interno hondurenho, a iniciativa expõe a disputa entre o Brasil e a maioria dos governos latinoamericanos, por um lado, e o Departamento de Estado dos EUA e o Pentágono, por outro. E a terceira frente de conflito se dá entre a extrema direita norte-americana e o governo do presidente Barack Obama. A análise é de Guillermo Almeyra.

O retorno a Tegucigalgpa do presidente Manuel Zelaya eleva, com um único golpe, o conflito entre a maioria do povo hondurenho e a oligarquia golpista desse país e, além disso, a disputa entre o Brasil e a maioria dos governos latinoamericanos, por um lado, e o Departamento de Estado e o Pentágono (que apóiam os golpistas), por outro, assim como entre esse governo paralelo do establishment estadunidense (formado por essas duas instituições e apoiado por todos os ultradiretistas, sejam estes do Partido Democrata ou do Republicano) e o presidente Barack Obama.

É obvio que Zelaya não poderia ter cruzado a fronteira (supostamente da Nicarágua, mas poderia ter sido tambem da Guatemala) sem a proteção dos governos desses países (e a conivência ou a cegueira voluntária) de elementos das forças de segurança hondurenhas. É tambem igualmente evidente que o Brasil deu seu consentimento prévio ao ingresso de Zelaya na sua embaixada em Tegucigalpa e que o governo de Lula deu instruções nesse sentido a seu embaixador na OEA e a seu representante na capital hondurenha. O silêncio desconcertado de Hillary Clinton indica também que o Departamento de Estado não esperava essa medida, que o obrigará a tomar posição na OEA diante dos golpistas, enquanto a ultradireita estadunidense responde com fúria. O Washington Post publica na primeira página nada menos que uma foto de Micheletti, o chefe dos golpistas hondurenhos, apoiando assim abertamente os ditadores encurralados.

Todo o panorama na região se moveu graças a esta decisão do presidente legítimo de Honduras e as coisas se colocaram em movimento…

Em primeiro lugar, a ditadura de Micheletti e Cia. enfrentará agora um recrudescimento do protesto e da mobilização popular que repudiam e desafiam o toque de recolher dos gorilas e podem levar inclusive a explosões insurrecionais isoladas. É previsivel que as instituições se dividam. A hierarquia da Igreja Católica, que apoia Micheletti e o golpe militar, enfrenta-se já com padres com forte respaldo popular que apóiam a democracia e exigem o retorno de Zelaya. Na polícia se comprovou que existem setores que não estão dispostos a seguir o Alto Comando militar em sua aventura golpista e o mesmo acontece entre os soldados, enquanto em ambas forças, como o demonstra a selvageria da repressão, há os que são partidarios de liquidar de forma sangrenta o protesto seminsurrecional do povo hondurenho, mas temem o isolamento internacional (e que Obama possa dobrar a resistência dos grandes protetores estadunidenses não suficientemente mascarados dos golpistas de Tegucigalpa).

Se, sob a pressão popular, um setor grande da política ou do exército, para evitar a guerra civil, rechaçasse a escalada da repressão e aceitasse a idéia de um governo de transição, conservador, que encerrasse o mandato de Zelaya limitando totalmente a intervenção presidencial até a realização de eleições presidenciais, o Alto Comando e o governo golpista acabaria na prisão ou no exílio.

Um parte importante da burguesia comercial hondurenha, com o apoio da OEA e até, eventualmente, de um Departamento de Estado obrigado a mudar de política sacrificando os militares, poderia apoiar essa saída para evitar a guerra civil e para romper o isolamento e o bloqueio internacionais que afetam duramente a sua economia. O próprio Zelaya, com o apoio da maioria conservadora da OEA, poderia aceitar essa solução porque ele também teme a insurreição popular, que colocaria em perigo, pelo menos, as propriedades dos latifundiários (ele é um deles). Sobretudo porque tem consciência de que mesmo se fosse presidente sem margem de manobra em um governo de transição, seria a primeira figura desse governo, aparecera como vitorioso e reforçaria seu apoio popular, para encarar qualquer outra perspectiva imediata.

É preciso considerar, no entanto, qual seria a reação popular diante da queda dos golpistas gorilas e sua substituição por chimpanzés e diante da condição de presidente amordaçado que seria imposta a Zelaya. Possivelmente um setor poderia aceitar essa situação, mas outro, importante, buscaria seguir para frente com sua luta, aproveitando o que veriam, como um triunfo deles.

O apoio do governo brasileiro e da OEA a Zelaya tem o objetivo de levar ao governo o presidente legítimo, evitando a guerra civil. Mas o Brasil responde, com este apoio ao presidente legítimo, que é membro da ALBA, à instalação de bases dos EUA na Colômbia (que ameaçam, em primeiro lugar, ao governo de Hugo Chávez e ao petróleo venezuelano, vital para Washington), mas tambem a riqueza petrolífera e as águas brasileiras. É preciso não esquecer que o Brasil repudia a existência da IV Frota dos EUA que ameaça seu petróleo submarino e planeja se rearmar com tecnologia avançada francesa (abandonando a estadunidense).

Ao Departamento de Estado fica aberta uma frente muito ativa na América Central, que é vital para afirmar tanto o Plano Mérida, como o Plano Colômbia, e não pode aparecer diante do mundo – menos ainda, diante da Rússia, à que acaba de sacrificar seu escudo espacial – apoiando abertamente uma ditadura militar dirigida, por exemplo, contra a Venezuela (que tem um pacto com a Rússia e se rearmou com armas russas).

Finalmente, Obama, que vê agravar-se a situação no Afeganistão, onde o alto comando militar lhe pede reforços para que não aconteça com os EUA o que aconteceu no Iraque, não está em condições de impor ditaduras na América Central (e menos ainda de legitimiar a extrema direita estadunidense e a seus inimigos no Pentágono e no Departamento de Estado e a alguns gorilas que todos os dias lhe dizem que é um ”negrinho ignorante”).

Tudo depende, por tanto, do que acontecerá nas forças armadas e nas classes dominantes hondurenhas e de que reações terão os EUA (ou seja, de como se resolverá a luta interna no establishment desse país). A crescente onda de mobilizações populares em Honduras pode resultar muito importante para precipitar grandes mudanças.

Tradução: Emir Sader
Agencia Carta Maior
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Contraponto 316 - Zelaya na embaixada do Brasil


23/09/2009

Um presidente não pode ser deposto por divergências políticas

Blog do Planalto, terça-feira, 22 de setembro de 2009 às 18:30

Em entrevista coletiva concedida hoje à imprensa internacional no Hotel Intercontal Barclay, em Nova York, o presidente Lula foi categórico em sua defesa do direito do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, a ser reconduzido a seu cargo, em nome da democracia.

O presidente ressaltou a importância do posicionamento da comunidade internacional frente ao golpe em Honduras:



O presidente informou ainda que, em conversa com José Miguel Insulza, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, o ministro das relações exteriores brasileiro Celso Amorim pediu que a organização vá a Honduras para ajudar na mediação da crise.
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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Contraponto 306 - A volta de Zelaya


21/09/2009

Honduras
Zelaya, de volta, agradece ao povo hondurenho e a Lula

Patria Latina

Brasília - Segunda , 21 de Setembro de 2009

O presidente de Honduras, que voltou ao país nesta segunda-feira (21), surpreendendo o governo golpista, agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por o ter acolhido na embaixada brasileira em Tegucigalpa. Ele também anunciou que o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza chega amanhã ao país para apoiar seu regresso ao poder. Milhares de pessoas se concentraram diante da embaixada, em apoio a Zelaya.
O presidente de Honduras, que voltou ao país nesta segunda-feira (21), surpreendendo o governo golpista, agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por o ter acolhido na embaixada brasileira em Tegucigalpa. Ele também anunciou que o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza chega amanhã ao país para apoiar seu regresso ao poder. Milhares de pessoas se concentraram diante da embaixada, em apoio a Zelaya.


Zelaya conclamou o povo hondurenho a se reunir em frente à embaixada e acompanhá-lo "na recuperação do fio constitucional da nação", rompido há 86 dias com o golpe militar de 28 de junho. Zelaya chamou as Forças Armadas de Honduras a "manter a cordura". "As pessoas estão desarmadas, gritando pacificamente lemas, com alegria", observou. Ele se reuniu com sindicalistas do magistério e outros representantes de organizações sociais.

A manifestação popular começou por concentrar milhares de pessoas diante da sede das Nações Unidas na capital hondurenha, Tegucigalpa. Em seguida a multidão se deslocou para a rua da legação diplomática brasileira.

O presidente deposto relatou as peripécias de seu regresso à pátria.Disse que percorreu "quase meia Honduras", ao longo de "15 horas em diferentes transportes". "Tive colaboração, porém não posso revelá-la para que não incomodem a ninguém", comentou.

A primeira dama hondurenha, Xiomara Castro de Zelaya, falou de sua alegria pela volta do esposo e disse que os meios de comunicação, que negaram a presença do presidente no país, deveriam "se retratar e dizer a verdade". Segundo ela, o presidente retorna "para buscar a paz e o acordo" mas "temíamos um pouco quando seria a chegada".

Da redação, do Vermelho com agências
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