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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Contraponto 627 - "Os EUA e a incerteza em Honduras"


05/11/2009

Os EUA e a incerteza em Honduras


Carta Maior 04/11/2009

É difícil prever o que vai acontecer em Honduras depois do acordo. Na aparência, ele sequer impõe a volta do presidente constitucional Manuel Zelaya, cujo mandato foi capado em mais de quatro meses. O retorno era ponto de honra não só para os partidários de Zelaya, mas para a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a comunidade internacional, até porque nenhum país reconheceu o regime do golpista Roberto Micheletti. O artigo é de Argemiro Ferreira.

Argemiro Ferreira

O objetivo maior da comunidade internacional era deixar claro na América Latina com seu passado marcado por golpes militares (em geral teleguiados dos EUA e quase sempre acompanhados pelo respaldo americano, com desembarque de tropas ou a ameaça de fazê-lo) que tais práticas não serão mais toleradas no continente – e que o golpismo será sistematicamente repudiado.

Para os atuais detentores do poder de fato aceitarem a fórmula, autoridades dos EUA – Thomas Shannon, sub-secretário de Estado para assuntos do hemisfério, e o embaixador Hugo Llorens – tiveram de convencer os golpistas (que antes do golpe tinham tido o cuidado de obter deles o nihil obstat de Washington) de que Zelaya só voltaria se o Congresso de Honduras aprovasse seu retorno ao poder.

A estranha epifania dos golpistas
Estranho a contradição. Os partidários de Zelaya concordaram em deixar a decisão final para a mesma maioria parlamentar que se mostrara favorável ao golpe quando os militares sequestraram o presidente legítimo no palácio (de pijama) e o enfiaram num avião para tirá-lo do país? Será que diante da pressão internacional a tal maioria, tão golpista como Micheletti, teve uma epifania?

Shannon e Llorens podem ser a chave para entender a suposta epifania. Herdados do governo Bush (e sua desastrada política externa) pela secretária de Estado Hillary Clinton, os dois e mais algumas figuras sinistras (entre elas um dos chefes da máfia dos cubanos de Miami, o lobista Otto Reich) tinham servido na Casa Branca e no Departamento de Estado na trama golpista de 2002 contra Hugo Chávez na Venezuela.

Dias depois do golpe hondurenho escrevi neste espaço que Shannon e Llorens tinham vivido situação igual sete anos antes: “um tratava então de questões andinas (Venezuela entre elas) no Departamento de Estado, como adjunto do secretário assistente Reich, lobista anti-Cuba e padrinho do golpe (da Venezuela); o outro cuidava do mesmo assunto no Conselho de Segurança da Casa Branca, junto com Elliot Abrams (condenado pela Justiça americana no escândalo Irã-Contras.”

Fazendo o que a CIA fazia antes
Naquele e em outros textos sobre mais complicadores, lembrei ainda a ação golpista em Washington do NED (National Endowment for Democracy), grupo criado no governo Reagan para apoiar golpes e ditaduras, usado depois tanto por republicanos (através do IRI, instituto então criado no partido) como por democratas (através do NDI, semelhante ao do adversário), cada um com suas ONGs apoiadas por empresários e sindicatos que agem no continente.

Citei ainda a frase dita em 1991 por Allen Weinstein, um dos criadors do NED: “Boa parte das coisas que estamos fazendo hoje (usando o NED) eram feitas clandestinmente, 25 anos atrás, pela CIA, Agência Central de Espionagem”. Aquela referência era aos golpes da CIA, na América Latina e nos quatro cantos do mundo, como os do Irã (em 1953) e da Guatemala (1954).

Com o NED, seja em governos republicanos ou democratas, os mecanismos mudaram (em geral não chegam a dispensar a CIA, mas a notoriedade dela passou a exigir cobertura mais eficaz). No caso de Honduras escancarou-se também uma ação mais ostensiva dos lobbies na capital dos EUA, tanto os ligados a um partido como os ligados ao outro, conforme foi destacado numa análise.

Tudo isso acaba por justificar certo desencanto com a possibilidade de reformas e mudanças mais substantivas no governo Obama. De qualqur forma, será preciso no mínimo esperar o final do processo em Honduras. Sem familiaridade com a América Latina, que ela sempre subestimou, Hillary revela-se pouco inclinada a renovar a política para a região, talvez por temer complicadores previsíveis.

Uma eleição e muitos problemas
No governo do marido dela, a oposição republicana impediu o presidente Clinton de nomear vários embaixadores – ente eles, William Weld, republicano que para chefiar a missão dos EUA no México chegara a renunciar ao governo do estado de Massachusetts. E até hoje não foi votada a indicação de Thomas Shannon para o Brasil e a do substituto dele no Departamento de Estado, Arturo Valenzuela.

Mas na crise de Honduras, apesar do papel conspícuo de Shanon e Llorens nas últimas semanas, os EUA optaram por dar mais espaço à OEA. E cabe neste momento à uma Comissão de Verificação, criada no acordo assinado pelas partes, acompanhar através da americana Hilda Solis e do chileno Ricardo Lagos o cumprimento, passo a passo, de cada uma das cláusulas.

Depois de consumado o retorno de Zelaya, ainda haveria, claro, a questão eleitoral. O jogo dos golpistas foi (na verdade, ainda está sendo) retardar ao máximo todo o processo – o que tende a questionar depois a legitimidade da eleição, já que na campanha candidatos golpistas foram naturalmente beneficiados pelo controle oficial. Essa e outras questões dificilmente deixarão de reaparecer nos próximos desdobramentos.

Blog do Argemiro Ferreira
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sábado, 31 de outubro de 2009

Contraponto 591 - "Lula diz que Brasil fez bem em hospedar Zelaya em sua embaixada"


31/10/1009

Lula diz que Brasil fez bem em hospedar Zelaya em sua embaixada

Agência Brasil - Luciana Lima
Enviada Especial

Caracas (Venezuela) - Pouco antes de deixar a Venezuela de volta para o Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o acordo proposto para pôr fim à crise política em Honduras. Lula ressaltou que o Brasil fez bem em hospedar o presidente deposto Manuel Zelaya em sua embaixada, em Tegucigalpa.

“Eu dizia que ele era nosso hóspede, estava em nossa casa e ninguém iria tirá-lo de lá. O Brasil fez bem em tomar essa posição e no fim prevaleceu a verdade. O Brasil fez o que qualquer país no mundo faria”, disse Lula ao deixar a região de El Tigre, a 450 quilômetros de Caracas, onde, junto com o presidente Hugo Chávez participou de primeira colheita de soja em território venezuelano.

O presidente brasileiro afirmou ainda que a “lição” que fica do episódio é que “ninguém aceita mais um golpe militar". Lula disse ainda que a expectativa agora é de que o acordo seja cumprido.

"Houve uma acordo e espero que seja cumprido. O Micheletti [Roberto Micheletti, chefe do governo golpista] descobriu que não é possível governar contra a vontade da maioria. Quando se tem a maioria já é difícil, agora quando está tudo contra é muito mais difícil”, disse.

De acordo com Lula, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, conversou ontem (29) com presidente deposto de Honduras Manuel Zelaya, que manifestou sua satisfação com o acordo.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, também comentou o acordo e disse esperar que o presidente do Estados Unidos, Barack Obama, pressione para que o acordo seja realmente cumprido. Chávez falou ainda que Zelaya conversou com o vice-chanceler venezuelano Francisco Arias a quem disse acreditar que tudo estará resolvido em no máximo 48 horas.
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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Contraponto 440 - Micheletti, Zelaya, Hondudras


08/10/2009

Micheletti só aceita deixar o poder se Zelaya 'ficar de fora'

Portal Vermelho 7 de Outubro de 2009 - 22h20

"Se hoje sou um obstáculo, fico de fora; mas exijo, sim, que fique de fora este senhor", disse o presidente de fato de Honduras, Roberto Micheletti, disse nesta quarta-feira (7). O "senhor" mencionado é o presidente eleito, e deposto, Manuel Zelaya. Micheletti fez a declaração reunião com o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, e uma missão de chanceleres.


A missão de ministros do Exterior e diplomatas foi a Tegucigalpa para abrir um diálogo em busca de uma saída para a crise gerada pelo golpe de Estado de 28 de junho. Ao abrir a reunião, Insulza disse esperar "soluções concretas para uma situação que não pode se prolongar".

"A menos que nos invadam"


Roberto Micheletti:
"Exijo que fique de fora este senhor"

Durante o encontro, transmitido ao vivo pela TV local, Micheletti disse em tomo peremptório que "não há forma de deterem" as eleições de 29 de novembro. "A menos que nos invadam", provocou. A comunidade internacional tem advertido que não reconhecerá a eleição caso ela se realize sob o governo golpista.

"O objetivo final são as eleições, que vão se protagonizar em 29 de novembro. Só se nos mandam um ataque, se nos invadem, é a única forma de nos deter", disse um desafiante Micheletti. "Os senhores nem sabem toda a verdade e nem querem saber toda a verdade", açulou ainda, dirigindo-se à missão de diálogo da OEA."

EUA comparam Honduras a Afeganistão

O governo dos Estados Unidos sublinhou a "urgência" de se encontrar uma solução para a crise de Honduras, conforme afirmou o porta-voz adjunto do Departamento de Estado, Philip Crowley. "O tempo se esgota", em vista da iminência das eleições, que não serão reconhecidas nas "atuais circunstâncias", disse ele. "O momento é agora e a situação é urgente", afirmou o funcionário em Washington.

"Esta crise tem que ser resolvida, já durou demasiado", insistiu o porta-voz. Ele recordou que os EUA, tal como outros países, advertiram que não reconhecerão, "nas atuais circunstâncias", os resultados das urnas de 29 de novembro.

"O tempo se esgota. Não se pode estalar os dedos sem mais e mudar a situação da noite para o dia. Vimos claramente no Afeganistão que organizar eleições em um entorno difícil requer uma grande quantidade de trabalho", disse Crowley à imprensa, usando o exemplo das eleições do mês passado no país ocupado militarmente há oito anos, cercadas por denúncias de fraude e corrupção.

"Há muitos passos que temos que ver Honduras dar caso se pretenda que mudemos nossa posição sobre a situação atual", disse Crowley. Ele expôs que, para Washington, o país centro-americano "não preenche hoje as condições para eleições livres e justas".

Da redação, com agências
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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Contraponto 424 - Gol de placa


06/09/2009
Micheletti derruba decreto que limita liberdade civil e diz estar
disposto a renunciar : Lula faz mais um gol de placa!

FBI Festival de Besteiras da Imprensa. 5 de Outubro de 2009

Sendurdo o Uol, "Micheletti (à direita) derruba decreto que limita liberdade civil e diz estar disposto a renunciar".

Lula faz mais "gol de placa", reforçando o post do Viomundo "Lula jogou dopado". Só pode estar...
"O presidente golpista de Honduras, Roberto Micheletti, reafirmou hoje (5) que se as eleições de novembro em seu país forem garantidas e se a crise política tiver um fim através do diálogo, ele estaria disposto a renunciar ao poder.

O governo golpista anunciou ainda, em entrevista coletiva, o fim do estado de sítio no país. Fica anulado ainda o decreto que proibia protestos nas ruas de Honduras e que limitava outras liberdades civis no país, em vigor há nove dias."

O mais importante não é o primeiro parágrafo, das condicionantes. O que interessa é que o governo brasileiro, através do seu jogador dopado Luiz Inácio, jogou bem e o resultado taí. Micheletti "botou o galho dentro".

O governo golpista vai recuar, recuar, recuar e o Zelaya (à esquerda) só não voltará ao poder se não quiser.

Enquanto isso, as Organizações Serra se calam quanto à capacidade política do Lula de atuar em diversos temas - crise, Olimpíadas, Honduras, ONU, Estocolmo, Copenhagen - sempre fazendo as jogadas mais bonitas, emocionantes e eficazes.

A Míriam, por exemplo, uma das nossas "melhores analistas de relações internacionais", não fala mais no assunto Honduras. Botou o galho dentro também.
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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Contraponto 383 - Complô para matar Zelaya


30/09/2009


Nicarágua denuncia à ONU complô para matar Zelaya

Vermelho - 29 de Setembro de 2009 - 15h18

Existem planos para assassinar o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, e é bom não ignorá-los, "pois mais tarde dirão que se suicidou", advertiu nesta terça-feira (29) o chanceler da Nicarágua, Samuel Santos. Em seu discurso na Assembléia Geral das Nações Unidas, o ministro disse que seu país decidiu não reconhecer "qualquer farsa eleitoral" em Honduras, convulsionada pelo golpe de 28 de junho.]
"Denunciamos desta tribuna o assassinato que se comete contra o povo hondurenho e assinalamos com toda clareza os planos para assassinar o presidente Zelaya. Escutem agora, pois mais tarde dirão que se suicidou", disse Santos.

Zelaya regressou a Tegucigalpa clandestinadmente, no dia 21, e buscou abrigo na embaixada brasileira. A Nicarágua, que faz fronteira com Honduras, é um dos alvos da propaganda dos golpistas contra Zelaya, que o acusa de ligações com o sandinismo nicaraguense.

Santos disse que, com o golpe, desejou-se "matar as esperanças e impulsos democráticos" do povo hondurenho, assim como "quiseram matar as esperanças deste processo solidário que é a Alba (Alternativa Bolivariana para a América Latina)".

O chanceler nicaraguense destacou que seu país se soma à posição assumida pela ministra hondurenha Patricia Rodas, que falou à Assembléia Geral na segunda-feira (28). Reconhecida pela ONU, a chanceler exigiu que o regime de Micheletti "se abstenha de qualquer ato que ponha em perigo a inviolabilidade da sede diplomática do Brasil".

Patricia usou seu celular para fazer chegar à ONU a palavra de Zelaya. Este pediu "uma posição firme contra a força e a barbárie".

Da redação, com agências
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