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sábado, 20 de agosto de 2011

Contraponto 6046 - "O pacto administrativo de Dilma"

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por Luís Nassif

Para entender os últimos passos de Dilma Rousseff - reunindo-se com governadores tucanos e com o ex-presidente FHC.

Alguns jornais imaginam que ela esteja se apeoximando da oposição como reação ao suposto esfacelamento de sua base de apoio.

Vamos com calma.


A gestão de Dilma na Casa Civil - especialmente na condução do PAC - foi marcada pela consolidação do pacto federativo. Considerava-se - com razão - ser impossível administrar obras por todo o país sem a parceria com estados e municípios. Foi um pactgo que funcionou bem porque compartilhava-se inclusive os frutos políticos de cada inauguração.

E funcionava porque não havia privilégios partidários na alocação de recursos. Prefeitura ou estado com um projeto consistente entrava em cada programa.

Tome-se o caso do Minha Casa, Minha Vida, em que as próprias prefeituras definiam por elas próprias as empreiteiras a atuar em sua cidade.

Enquanto a velha mídia declarava guerra, no Brasil administrativo consolidava-se um modelo fundamentalmente cooperativo.

Nas eleições de 2006 julguei que a fase dos templários na política (senadores, incendiários em geral) seria substituída pela era dos Estadistas - governos de Estado empenhados em consolidar o pacto federativo. E dizia claramente que seria a maneira de José Serra consolidar sua imagem. Obviamente faltou grandeza política para que ele percebesse o novo momento.

Agora reedita-se o pacto tendo um conjunto de governadores civilizados, incluindo Alckmin, Anastasia, mais os governadores aliados.

Com essa aproximação, além de azeitar a gestão de projetos - o que será bom para todas as partes envolvidas e especialmente para o país - Dilma tenta esvaziar os incendiários, restritos a José Serra (cada vez mais isolado em seu próprio partido) e alguns órgãos de imprensa.

Foi imprudente quando trabalhou de forma precipitada as denúncias da mídia, quando se afastou de sua base.

Mas nada que não possa ser corrigido com o tempo.

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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Contraponto 5926 - "A impotância da escolha de Celso Amorim"

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Celso Amorim foi, de longe, a melhor escolha para Ministro da Defesa. Militares que eventualmente tenham manifestado contrariedade – nas matérias do Estadão – não têm a menor ideia sobre a importância desse movimento.

Dado o avançado da hora que Amorim foi anunciado novo Ministro, é impossível que jornalistas – mesmo setoristas – tenham ouvido um número representativo de militares. Ouviram aqueles com quem tinham maior afinidade política.

A reestruturação da Defesa passou por uma primeira etapa, de conceituação do seu papel. O grande organizador foi Roberto Mangabeira Unger; e a implementação tocada por Nelson Jobim.

Faltava à Defesa consolidar sua perna externa. E uma dessas pernas centrais são os grandes acordos internacionais. No seu período de chanceler, a estratégia diplomática de Amorim se baseou, em muitos momentos relevantes, na visão estratégica de Defesa. A razão de ter apoiado o Irã foi a de preservar, para o Brasil, o direito de enriquecer urânio.

Hoje em dia, a transferência de tecnologia militar depende não apenas de compras da França, mas de acordos com China (para satélites), Argentina, países de fora da órbita da OCDE.

No período de Amorim-Guimarães a política externa do Itamarati sempre se pautou pelos conceitos de Nação, autodeterminação, não-alinhamento, todos muito caros aos militares. As relações acumuladas por Amorim com países das mais diversas extrações políticas serão preciosas para a consolidação de uma política integrada de Defesa.

Não tenho a menor dúvida de que e elite militar - aquela que pensa estrategicamente o papel da Defesa - viu com bons olhos essa indicação.

Celso Amorim foi, de longe, a melhor escolha para Ministro da Defesa. Militares que eventualmente tenham manifestado contrariedade – nas matérias do Estadão – não têm a menor ideia sobre a importância desse movimento.

Dado o avançado da hora que Amorim foi anunciado novo Ministro, é impossível que jornalistas – mesmo setoristas – tenham ouvido um número representativo de militares. Ouviram aqueles com quem tinham maior afinidade política.

A reestruturação da Defesa passou por uma primeira etapa, de conceituação do seu papel. O grande organizador foi Roberto Mangabeira Unger; e a implementação tocada por Nelson Jobim.

Faltava à Defesa consolidar sua perna externa. E uma dessas pernas centrais são os grandes acordos internacionais. No seu período de chanceler, a estratégia diplomática de Amorim se baseou, em muitos momentos relevantes, na visão estratégica de Defesa. A razão de ter apoiado o Irã foi a de preservar, para o Brasil, o direito de enriquecer urânio.

Hoje em dia, a transferência de tecnologia militar depende não apenas de compras da França, mas de acordos com China (para satélites), Argentina, países de fora da órbita da OCDE.

No período de Amorim-Guimarães a política externa do Itamarati sempre se pautou pelos conceitos de Nação, autodeterminação, não-alinhamento, todos muito caros aos militares. As relações acumuladas por Amorim com países das mais diversas extrações políticas serão preciosas para a consolidação de uma política integrada de Defesa.

Não tenho a menor dúvida de que e elite militar - aquela que pensa estrategicamente o papel da Defesa - viu com bons olhos essa indicação.

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quarta-feira, 2 de março de 2011

Contraponto 4876 - "Luis Nassif: o fim do domínio absoluto da TV Globo"

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02/03/2011

Luis Nassif: o fim do domínio absoluto da TV Globo

Do Vermelho - 2 de Março de 2011 - 16h20

Há uma frase de Churchill: "Não se consegue a vitória apenas com recuos bem sucedidos". Vale para a manobra da Globo para anular o Clube dos 13 e negociar diretamente com os clubes os direitos de transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro, quando percebeu que seria derrotada pela Record em um leilão. Fez o recuo. E, agora, cadê o avanço?

Por Luis Nassif, em seu blog

Durante 40 anos a Globo consolidou um domínio na audiência da TV aberta, em cima de alguns pilares centrais: a rotina nas novelas e o controle absoluto sobre as transmissões de futebol, sustentado por práticas anticoncorrenciais. Para consolidar essa distorção, a Globo sempre procurou se posicionar acima dos partidos políticos. Era como se fosse o quarto poder da República.

Quando Roberto Marinho saiu de cena e terminou a era Evandro Carlos de Andrade, cedendo lugar à inexperiência truculenta de Ali Kamel, o modelo começou a ruir. A proverbial habilidade política da Globo cedeu lugar a fantasias de derrubar presidentes, eleger presidentes e atuar como partido político. Perdeu o status institucional. E aí aparentemente o Cade (Conselho Administrativo de Direito Econômico) foi liberado para fazer valer a lei, obrigando a uma disputa limpa pelos direitos de transmissão

Ao longo de décadas, a Globo montou uma rede de relacionamento informal, não com os clubes mas com os dirigentes, fechando os olhos para seus negócios paralelos. Obviamente a proteção trazia implícita a mensagem de que dependeria das relações de lealdade.

A Record entrou no jogo com a ingenuidade de achar que poderia montar relacionamentos com os clubes da noite para o dia e confiar na palavra dada pelos dirigentes. Quando percebeu a extensão do jogo, e a puxada de tapete de alguns dirigentes, começou a preparar matérias de denúncias. Soou mal.

Só que o acordo com a Record – R$ 550 milhões para o Clube dos 13 – renderia R$ 42 milhões para o Corinthians. Com a proposta da Globo, cairá para R$ 20 milhões. Como os presidentes irão se explicar? No contrato assinado com o Clube dos 13, a Record se dispôs até a dar uma vantagem de 10% para a Globo: ou seja, com até 10% de diferença, o lance da Globo poderia ser vencedor. A Globo não aceitou: queria 30%.

Mesmo assim, não haverá como a Globo justificar a perda de receita dos clubes, caso fechem com ela. Antes, a Globo comprava todo o conteúdo do campeonato. Agora, o Clube dos 13 decidiu que o conteúdo é dele, que o revenderá de forma segmentada, para emissoras abertas, para TV a cabo, para Internet.

Só o Portal Terra – do grupo Telefonica – parece disposto a pagar R$ 100 milhões pelos direitos na internet; a Record mais R$ 550 milhões apenas pelos direitos para TV aberta, por apenas dois jogos por semana: um às 20h30 de quarta-feira, outro aos sábados ou domingos. E a Globo pretende pagar apenas R$ 250 milhões por todo o conteúdo, para todas as mídias.

Seja qual for o resultado, o episódio marca o fim de uma era de predomínio das Organizações Globo. Continuarão influentes, mas não mais com o poder absoluto. E cada dia de vida, pelo visto, será um dia a mais para a Record. E um dia a menos para a Globo.
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Contraponto 3071 - Nassif retrata Serra

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20/08/2010

Serra e o fim da (sua) história
Do Nassif

Enviado por luisnassif, sex, 20/08/2010 - 08:47

Serrá ficará na história, isso se alguém tiver animo de lembrar dele, como o candidato mais mediocre de todos os tempos. Ouro de tolo. Gritavam aos 4 ventos como era preparado e todo mundo acreditou.

Serra caiu num precipício de mediocridade. Pequeno, mínimo, pouca inteligência, cego, despreparado, atrasado. Pior, falta com a verdade sem a mínima vergonha, finge ser o que não é, desfaz-se do seu passado como quem o joga no lixo.
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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Contraponto 558 - Nassif acertou na "mosca"


27/10/2009

A oposição abandonou o barco da mídia

Luiz Nassif 27/10/2009 - 09:34
Luiz Nassif

Um dos fenômenos mais ridículos dessa longa noite de insanidade política dos últimos anos, foi a terceirização da política pelo PSDB (clique aqui para ler post sobre o tema).

Aqui analisei esse fenômeno, que é facilmente explicável:

José Serra assumiu a herança de FHC. Juntos, vieram colunistas políticos e econômicos adeptos da internacionalização, do suposto papel civilizatória dos mercados, do racionalismo vesgo contra qualquer forma de gastos sociais, tendo como tacape um iPod que repetia mantras, slogans e refrões. Jamais conseguiram entender o pais como um todo, composto de mercados eficientes, sim, mas também de políticas públicas, políticas sociais, indústria, agricultura, movimentos sociais.

As idéias de Serra não batiam com o reducionismo deles. Em vez de cumprir o papel de líder, convencendo-os de que os tempos mudaram, de que esse neoliberalismo exacerbado era coisa velha até para os mercadistas empedernidos, que política e política econômica são feitas com pragmatismo e não com ideologização de porta de banco de investimento, o neo-Serra decidiu não entrar em nenhuma dividida. E se eximiu da função básica de qualquer candidato a líder: fornecer o fio condutor das idéias capaz de organizar o discurso de seus liderados.

Com o campo das idéias em aberto, sem ninguém para os coordenar, a comitiva midiática desembestou. Imersos em um ataque continuado de megalomania, colunistas se viram como os novos heróis da civilização cristã ocidental, que fez com que as meninas daqui, colunistas culturais e de variedades dali, colunistas políticos e econômicos, até cronistas de costumes, poetas e produtores musicais do eixo Paulista-Ipanema se transmudassem em condutores de povos. Disseminando o quê? Slogans, preconceitos e fel.

Imagino meus amigos colunistas políticos e econômicos em um palanque lavando as mãos com álcool depois de cumprimentar qualquer um do “povo” – aliás, único ponto em comum com Serra. Só o fato de se lembrarem que um dia foram povo já os deixa com crises existenciais profundas. E foram eles que passaram a “ensinar” ao PSDB como falar para o povo e como falar para a elite.

No continente, todas as políticas neoliberais geraram derrotas políticas estrondosas e o advento de governos populares (como Lula), ou populistas (como Chávez). No campo popular, essa insensibilidade sepultou partidos e governantes. No campo dos conceitos, o neoliberalismo virou pó com a eclosão da crise. E nossos condutores de povos, conhecendo apenas o ambiente restrito e auto-referenciado de suas fontes, pretendendo orientar a oposição sobre como se comunicar com o Brasil. Mal conhecendo a Avenida Paulista e o Itaim, queriam expelir regras para o país. O Brasil se tornou o museu da cera desse neoliberalismo de orelha de livro.

Agora, caiu a ficha da oposição. E as meninas, impossíveis, passam a puxar a orelha de todo mundo, do governador A, que teve um gesto de gentileza aqui; do B, que compareceu a uma cerimônia com Lula ali; do C, que não xingou o Judas do presidente acolá.

A oposição abandonou os condutores de slogans. Porém, tarde demais para reconstruir seu discurso político.

O grande desafio, daqui para frente, será a construção de uma nova oposição, provavelmente de centro-direita – elemento fundamental para o aprimoramento das instituições nacionais. A atual, morreu. Ou melhor, suicidou-se.
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Contraponto 524 - Debate sobre mídia hegemônica e liberdade de expressão


21/10/2009

Debate sobre mídia reúne Kucinski, Nassif e Venício Lima

Carta Maior 21 de Outubro de 2009

"A mídia hegemônica e a liberdade de expressão" será o tema do debate que reunirá, nesta quinta-feira (22), em São Paulo, os professores Bernardo Kucinski e Venício Lima, e o jornalista Luis Nassif. Na ocasião, será lançado o livro "Diálogos da Perplexidade - Reflexões Críticas sobre a Mídia", de Venício Lima e Kucinski. Entre os temas abordados no livro, estão o funcionamento das redações dentro e fora do país, a crítica ao modelo autoritário enraizado e já aceito pela sociedade brasileira, o futuro e as mudanças que vêm ocorrendo nos jornais impressos.

Vermelho

O Portal Vermelho promove, quinta-feira (22), o debate “A mídia hegemônica e liberdade de expressão", com a presença dos professores Venício Lima e Bernardo Kucinski e do jornalista Luis Nassif. Após o debate, ocorrerá o lançamento do livro “Diálogos da Perplexidade — Reflexões Críticas sobre a Mídia”, de Venício Lima e Kucinski. A publicação da Editora Perseu Abramo expõe o melhor do pensamento desses dois respeitados profissionais da comunicação, que têm muito a dizer sobre temas recorrentes no jornalismo praticado hoje.

O debate acontecerá na Rua Rego Freitas, 192, 6º andar (São Paulo) e tem vagas limitadas. Por isso, é preciso fazer previamente a inscrição para participar do evento. Pode ser pelo e-mail comunicacao@pcdob.org.br ou ou pelo telefone (11) 3054-1800 (com Danielle).

Sobre o livro
Dividido em quatro capítulos, o livro mostra conversas com conteúdo leve e agradável de se ler, nas quais os debatedores concordam e divergem, embora apresentem sempre características comuns. Algumas delas são a defesa da liberdade do indivíduo e constatações apoiadas em fatos que correspondem à história - e não em previsões apocalípticas ou gratuitas. A apresentação da obra é assinada por Muniz Sodré, importante e ativo intelectual brasileiro.

Entre os temas abordados em Diálogos da Perplexidade estão o funcionamento das redações dentro e fora do país, uma crítica reforçada em relação ao modelo autoritário enraizado e já aceito pela sociedade brasileira, o futuro e as mudanças que vêm ocorrendo nos jornais impressos, a transformação dos fatos em espetáculo pela mídia e até as eleições de Obama.

O livro discorre sobre temas bastante discutidos, sem cair em lugar-comum. Um exemplo disso é quando Kucinski e Venício viram do avesso conceitos como o de liberdade de expressão e ideologia, mergulham no debate acerca do diploma para jornalistas e esmiúçam o conceito de Estado, assim como o papel do sindicato dos jornalistas no Brasil.

Com a leitura desse livro os leitores também terão acesso a constatações sobre a revolução da internet — que, segundo eles, inclui a disseminação do jornalismo popular, o surgimento da interação entre emissor e receptor, além do desaparecimento do culto ao formador de opinião tradicional. Para fechar, um ensaio de Kucinski sobre políticas públicas até chegar ao fechamento da Radiobrás. Lima também assina um texto construído a partir da polêmica questão que envolve liberdade de imprensa e liberdade de empresa.
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Contraponto 489 - "A revolta dos jornalistas"


16/10/2009

A revolta dos jornalistas


Cidadania - 15/10/2009

De uma coisa ninguém pode ter dúvida: o advento do governo Lula revolucionou o jornalismo brasileiro, para o bem e para o mal. Nunca antes na história deste país o jornalismo foi tão questionado publicamente, porque nunca antes jornalistas se revoltaram contra os barões da mídia da forma como tem acontecido de 2003 para cá.

Mas foi a partir do escândalo do mensalão em 2005 e da subseqüente reeleição de Lula em 2006 que começou a ocorrer com maior intensidade a revolta de jornalistas de renome contra o jugo do patronato midiático. Naquele momento, a mídia começou a perder os limites

O jornalista Luis Nassif acho que foi o precursor desse movimento. Houve outros casos rumorosos, como o dos ex-globais Luiz Carlos Azenha, Rodrigo Vianna e Paulo Henrique Amorim, que, a exemplo de Nassif, ousaram dizer o que os barões da mídia nunca tinham ouvido, ou seja, a palavra não.

Ao menos de Azenha e Rodrigo eu ouvi, inclusive pessoalmente, por que demitiram a Globo: receberam determinação de mentir, enrolar, enganar, empulhar, falsear, sacanear, embromar, enfim, de fazer de bobo aquele a quem todo jornalista jura respeitar: o público.

Contudo, o caso de Luiz Nassif é único porque a posição que ele ocupou numa Folha de São Paulo, integrando seu Conselho Editorial, fez aflorarem as entranhas do sistema.

Os outros jornalistas mencionados receberam de seus ex-empregadores aquele desprezo como de quem diz “você não importa”, estratégia usada freqüentemente pela indústria da desinformação para pôr desafetos na “geladeira” e lhes fechar as portas do mercado de trabalho através das famigeradas associações de classe midiáticas.

Nesse aspecto, a TV Record, digam dela o que disserem, abriu a possibilidade de os proscritos pelo PIG não serem mais enviados à Sibéria profissional.

Confesso que me surpreendi com o que fizeram com Luis Nassif. Nunca imaginei ver jornalista atacando jornalista da forma como Reinaldo Azevedo fez com ele. Aliás, nunca vi um jornalista ou algum veículo de renome atacar alguém daquela forma.

Temos hoje, também, os maiores meios de comunicação acusados no Ministério Público por provocarem pânico em janeiro de 2008 ao difundirem que haveria uma epidemia de febre amarela urbana no país. Alguém se lembra de algo assim?

Agora, a guerra jornalística – ainda que os barões midiáticos estejam atuando em esfera bem distante do que se possa dizer jornalismo – chegou ao paroxismo. Cinco ações judiciais foram movidas contra Nassif pela Veja.

Soubemos, nesta semana, que ele sofreu condenação em primeira instância. Cem salários mínimos, coisa de quase 50 mil reais.

O jogo é pesado.

Num momento como este, todo aquele que quiser ter a mesma liberdade de expressão que a mídia exige para si, todo aquele que diz a sério que ações judiciais contra jornalistas são atentados à liberdade de imprensa, deve se solidarizar com o blogueiro.

Contudo, as propostas de campanha de arrecadação para ajudar Nassif a pagar a indenização a que foi condenado a pagar, são prematuras. Nassif foi condenado em primeira instância. Pode recorrer. E, nas instâncias mais altas do Judiciário, alguns evidentes vícios da primeira etapa do processo poderão não voltar a ocorrer.
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Contraponto 288 - Lula visto por Nassif


18/09/2009

Uma entrevista histórica com Lula

Blog do Nassif 18/09/2009 - 08:00
Do Último Segundo
Coluna Econômica – 17/09/2009

Há tempos, era possível vislumbrar o que seria a crise global do financismo e o que viria depois. No meu livro “Os Cabeças de Planilha” – lançado em 2005, mas com escritos de alguns anos antes – preconizo a volta do nacionalismo, da defesa da produção e do emprego nacional, como um dos elementos centrais da nova política do país. E, nessa linha, a convocação das grandes empresas brasileiras, das estatais, a articulação das pequenas em cima de um pensamento comum.

No seu primeiro mandato, Lula marcou passo, manteve a ortodoxia do Banco Central, avançou pouco em novas políticas. No segundo, pegou no breu, com a massificação de políticas sociais. Com a crise mundial, o ganho de competência na gestão (com PACs, Luz Para Todos etc) e, agora, o pré-sal, consolidou seu pensamento. No jornal O Valor de ontem, concedeu sua mais importante entrevista. Pela primeira vez, ficou claro o que o mundo viu em Lula. Na entrevista, Lula sintetiza de forma singular qual o país que irá legar. Não foi uma lista de obras ou de feitos, mas uma conjunção de princípios econômicos e políticos que entrará para a história.

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Em relação aos próximos passos, fala de um novo PAC para o período 2011-2015, uma lei consolidando todas as políticas sociais, a medida garantindo a universalização do acesso à Internet.

Mais importante são os conceitos exarados:

* um salto em direção à industrialização com o uso de ferramentas de política industrial. Como, por exemplo, na decisão de aproveitar o pré-sal para construir um novo pólo petroquímico;

* a responsabilidade das grandes multinacionais brasileiras em investir no país olhando o futuro e não o seu caixa. É quando cobra da Vale os investimentos em novas siderúrgicas para o país não se conformar em ser um mero exportador de minérios.

* acabar com essa história de que todo investimento deve se fixar exclusivamente nos custos (o que justificaria importar quase tudo): “quando começamos a discutir com a Petrobras a construção de plataformas, ela dizia “nós economizamos tantos milhões. Eu falava, e os desempregados brasileiros, e os avanços tecnológicos brasileiros?”;

* sobre o papel do Estado, consolidou a ideia de que o Estado não pode ser o gerenciador, o administrador. Tem que ter o papel de indutor e de fiscalizador”.

* O papel das Estatais, passando por cima das conveniências políticas. Mostra que ao comprar a Nossa Caixa, perguntaram se não se incomodaria em fortalecer o candidato José Serra. Mas era importante para alavancar o crédito, especialmente na crise.

* Sobre o fortalecimento do Estado, rebateu a ideia de que basta uma reforma fiscal e arrochar salários do funcionalismo para resolver a questão. Mostrou como o setor público perdeu quadros preciosos por falta de salários. E a importância do reforço em áreas chave, como educação. O importante é analisar os serviços que o Estado presta e procurar aperfeiçoá-los.

* Rebateu a tentativa de alguns setores aliados de criar um “risco Serra”. Mostrou que, entre quem entrar, não haverá loucuras nem com o Banco Central nem com o mercado
Sobre Estadistas – 1

Um dos atributos do estadista não é apenas o de construir o futuro de um país. Por não ser um intelectual, não sofistica o discurso. Mas tem a capacidade de identificar o essencial e comunicar em linguagem clara e objetiva. No Brasil pós-ditadura, três políticos juntaram esses atributos. Mesmo sendo um desastre político, Fernando Collor teve insights brilhantes, definir o rumo para os quase vinte anos seguintes.
Sobre Estadistas – 2

De seu lado, o governador paulista Mário Covas conseguiu definir um discurso de casamento da política com o bem comum e da importância da responsabilidade fiscal, que seria uma das marcas dos anos 90. Junto com Sérgio Motta são os políticos que dão o tom da social democracia do PSDB, que se perde depois com a diluição do governo FHC e com sua liderança posterior, descaracterizando o partido.
Sobre Estadistas – 3

Na entrevista, Lula consolida definitivamente os valores que marcarão o país daqui para frente: responsabilidade fiscal; resistência total contra a inflação; defesa da produção nacional; extensão da responsabilidade sobre o país para todos os setores, não apenas o governo; a importância fundamental da inclusão social; a visão da política, sem as radicalizações de outros momentos e de outras campanhas.
Sobre Estadistas – 4

A maneira como se refere aos candidatos – Dima, José Serra, Marina Silva e Heloisa Helena – mostra o político que prepara-se para sair de cena colocando-se acima das paixões da política diária. Qualquer um deles seria ótimo para o país, por casarem responsabilidade social com seriedade e visão próxima sobre o futuro. A maneira como desmonta o terrorismo contra Serra é exemplar.
Sobre Estadistas – 5

Deve-se ler várias vezes a entrevista para se acreditar nela. Não se trata de boa vontade com o sindicalista que fala errado mas se expressa bem. O que impressiona é a doutrina exposta, a capacidade de identificar os pontos essenciais na construção de um país, a lógica objetiva com que expõe os princípios. Enfim, uma aula de teoria política inimaginável a alguém com a formação de Lula.
Sobre Estadistas – 6

Com seu discurso, além disso, ele procura esvaziar a grande ameaça que poderia comprometer o futuro do país: a radicalização nas próximas eleições, criando um clima de divisão do país e expondo o vitorioso a quatro anos de guerra com a oposição. Depois o início atabalhoado de seu governo, do episódio do “mensalão”, da falta de traquejo inicial para alianças, Lula chega ao último ano como um dos presidentes fundamentais na história do país.

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PITACO DO ContrapontoPIG

Os grifos em verde, são do editor deste Blog ContrapontoPIG
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