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domingo, 12 de junho de 2011

Contraponto 5541 - "Um tiro pela culatra"

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.12/06/2011
Um tiro pela culatra

Do Direto da Redação - 12/06/2011

Rodolpho Mota Lima*

O processo político é, muitas vezes, surpreendente, no seu desenvolvimento, em face do dinamismo que lhe é característico. Não é incomum que certas estratégias no campo da política, urdidas para atingir determinados objetivos, acabem por gerar resultados diferentes dos previstos pelos estrategistas e até mesmo contrários aos seus objetivos.

Com o desfecho do “caso-Palocci”, desconfio muito que o tiro possa ter saído pela culatra. As oposições, que acabaram de perder as eleições presidenciais, mas que andam permanentemente buscando um terceiro turno e catam cirurgicamente episódios que desarticulem o governo, fizeram o carnaval de sempre. Alguns dirão que elas cumpriram seu papel. Em coluna anterior, antecipei minha posição de que o ex-Ministro deveria mesmo afastar-se do governo Dilma, porque, como ele próprio reconheceu, as verdades jurídicas nem sempre são aceitáveis no campo político. Mas isso não me impede de ver nesse metralhar constante dos setores oposicionistas uma tentativa de desestabilizar a Presidenta e inibir os seus projetos. É bem evidente a permanente campanha que, muitas vezes em tom de “fofoca”, tenta descobrir atritos e controvérsias no seio do governo e, o que é pior, parece justificar situações como “a insatisfação do PMDB por não ter sido consultado” e coisas do gênero.

A nomeação da Senadora Gleisi Hoffmann para o lugar do demissionário Palocci pode vir a constituir, em futuro não muito remoto, um auspicioso fato político em meio ao que a mídia – destilando o veneno de sempre - acentuou como “crise”. A Senadora é sangue novo nas hostes do governo, pelo menos em termos de visibilidade e, a julgar pelo seu histórico anterior e pelo seu comportamento no Senado, pode vir a ser, por força de suas características de obstinação, determinação e eficiência em atividades de gestão, um reforço de grande valia no âmbito do Planalto.

Não tenho muita certeza dessa “perda significativa” ou desse “enfraquecimento do governo” que o partido midiático de oposição (aquele que faz política partidária sem assumir os riscos a isso inerentes) atribui à saída do Palocci. Pessoalmente, já o disse aqui muitas vezes, não creio que uma pessoa, qualquer que seja, se sobreponha a um projeto. De qualquer forma, se é verdade que Palocci é um bom articulador e tem idéias criativas, não se iludam os que pensam que essa articulação ou essa criatividade deixa de existir, por encanto, pela não ocupação de um cargo ministerial.

Os cronistas da política apontam a Senadora ora empossada como até mais identificada com o PT, partido da Presidenta, do que o próprio Palocci, que não gozava da unanimidade petista e, pelo contrário, era visto com reservas, por certas teses que pareciam aproximá-lo da oposição.

Vez por outra, tive oportunidade de assistir, na TV Senado, a alguns debates entre os atuais componentes daquela casa congressual. Impressionou-me sempre o permanente tom categórico e incisivo com que a Senadora Gleisi não deixava passar qualquer análise crítica de seus opositores, “cobras criadas” da política, sempre rebatendo, ponto por ponto – com conhecimento de causa e argumentação consistente - , as sistemáticas, furiosas e apocalípticas teses dos tucanos e “democratas” (as aspas aqui são obrigatórias), alguns quase vitalícios naquela casa legislativa.

A mídia de oposição , mais do que fazer oposição, quer a derrocada dos programas do governo que acabou de ser eleito. A orquestração é toda nesse sentido e é uma tristeza constatar que jornalistas, maiores ou menores em expressividade, claramente, submetem-se à velha máxima do “manda quem pode e obedece quem precisa (ou quem tem juízo)”, repetindo, monocordiamente, comportamentos quase golpistas inspirados na linha ideológica dos seus patrões e desprezando qualquer compromisso com o futuro do país. A palavra de ordem parece ser no sentido de não dar um segundo de tranquilidade ao governo, não permitir de modo algum que os projetos populares ganhem dimensão, não dar espaço às conquistas do povo e, assim, desconsiderar a recentíssima manifestação popular que colocou Dilma na Presidência da República.

Acho que, pelas virtudes pessoais da nova Ministra, a presença de Gleisi na Casa Civil, articulando as ligações entre os diversos níveis governamentais e tocando os projetos populares que Dilma afirma que não interromperá – o principal deles parece ser a erradicação da miséria entre nós - , pode , no final, acabar por trazer grandes dividendos para o Governo. Pode ser que venha a mostrar, no futuro, que toda a parafernália midiática que derrubou Palocci pré-julgando suas posturas, fez emergir na ambiência política do país mais uma mulher forte, capaz de, de forma republicana, propiciar as soluções reclamadas por vastas camadas do povo brasileiro, retirando-as do permanente processo de exclusão social e conferindo-lhes o status de cidadania que as elites tradicionais sempre temem.

Não por acaso, mas para exemplificar bem, um bom contraponto de ideias de esquerda ou de direita sobre um mesmo tema, é também do Paraná o Senador Álvaro Dias, líder do PSDB (um daqueles que se beneficiou de aposentadoria esdrúxula por ter sido Governador), o qual, em emblemática declaração tucana, chama de preguiçosos os brasileiros contemplados pela bolsa-família, desconsiderando os índices de pobreza em nosso país, em boa hora alterados pelas práticas sociais implementadas no governo Lula e que, esperamos, tenham continuidade agora, contando, inclusive, com a mão firme da nova Ministra.


*Rodolpho Motta Lima. Advogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ , com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasil. .

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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Contraponto 5522 - "Crise e Oportunidade"

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09/06/2011
Crise e Oportunidade


Do Blog DoLaDoDeLa - 09/06/2011

Marco Aurélio Mello*

Durante a primeira crise do governo Dilma muitos criticaram os blogueiros independentes, sobretudo os jornalistas. Ao contrário da militância e de outros ativistas, comprometidos com causas político-ideológicas os profissionais da comunicação têm sim compromissos morais e éticos definidos.

São esses compromissos que, em última instância, garantem a sobrevivência de um profissional independente. É a coerência, a firmeza de princípios, o rigor técnico e a liberdade de opiniar, ainda que às vezes contra a vontade de seus leitores, que constituem o maior patrimônio de uma atividade intelectual: a credibilidade.

Reparem que logo nas primeiras horas os principais nomes do jornalismo independente - em uníssono - se pronunciaram por uma resposta firme: cortar na carne. Todos sabiam que a crise só interessava aos que, enfraquecendo o governo ganhariam muito com isso, principalmente o PMDB. Vejam que a lista não foi pequena: Mino Carta, Mauro Santayana (com toda sua sutileza), Paulo Henrique Amorim, Alberto Dines, Ricardo Kotscho, Luis Nassif, Maria Inês Nassif, Luis Carlos Azenha, Rodrigo Vianna, Altamiro Borges e tantos outros.

Os "penas de aluguel" do PIG ficaram em dúvida. De início partiram para cima de Palocci. Quando perceberam que perder o ministro poderia significar diminuir seu poder de influência dentro do governo recuaram. Mas aí já era tarde demais para sair em defesa do ex-aliado. Resultado: foram para a forca com ele e perderam mais do que ganharam.

Mas o que importa é que crise é oportunidade. E Dilma percebeu isso logo nas primeiras horas. Pôs em prática, ao lado de Lula, um plano de redução de danos, que consistia em, primeiro, blindar seu ministro para, depois, ao abrir mão dele, não o expor a investigações e constrangimentos. O plano foi um sucesso. A Comissão de Ética do governo, a Procuradoria Geral da República e o Senado estancaram o sangramento de Palocci.

Enquanto isso, ele foi a público - com a ajuda de seus algozes - dar explicações sobre seus negócios (plano parcialmente bem sucedido). Quando entregou o posto estava livre de qualquer ônus senão o político. E quem ficou com a brocha na mão foi, mais uma vez, foram o poder econômico e seu sócios no PIG (O Partido da Imprensa Golpista).

O governo sai maior. Dilma sai maior. Mantega e sua política-econômica saem mais fortes. O Plano Nacional de Banda Larga sai mais forte. Os jornalistas independentes saem mais fortas e o país, ah o país, esse sim não para de se "enfortecer". Tenho fé no futuro e agora, livre de Palocci, estou ainda mais confiante.

.Vinhedo, São Paulo, Brazil. Jornalista formado pela Metodista de SBC. Aluno convidado do curso de Comunicação de Massa e Sociedade Moderna da Universidade de La Crosse, Wisconsin, USA. Bolsista do 1º Curso de formação de Governantes da Fundação Escola de Governo. Desde 1987 trabalhou em imprensa especializada, sindical, produtora de TV e TV aberta. Atualmente é editor especial do Jornal da Record.
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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Contraponto 5511 - "Sai Palocci e entra a senadora petista Gleisi Hoffmann, nova ministra da Casa Civil, mais a ver com Dilma "

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08/06/2011


Sai Palocci e entra a senadora petista Gleisi Hoffmann, nova ministra da Casa Civil, mais a ver com Dilma

Do Blog do Mello - terça-feira, 7 de junho de 2011

O estilo língua-roda presa do Palocci se foi. É mais uma vitória do PIG. Escrevi tanto sobre esse assunto aqui que vou virar a página. Palocci que vá cuidar da vida dele que nós cuidamos da nossa, e continuamos na batalha contra o PIG, a quem Palocci não teve a coragem e a dignidade (em nome da confiança que lhe foi depositada por Lula e Dilma) de peitar.


Mas a vitória do PIG pode ter sido uma vitória de Pirro, a julgar por esse embate da nova ministra, a senadora Gleisi Hoffmann, com o tucaníssimo senador e fonte da Veja Álvaro Dias, um embate que me lembrou por associação um outro entre a à época ministra da Casa Civil Dilma Rousseff e o demo Agripino Maia. O que vocês acham? Comparem os dois:

Senadora (agora ministra da Casa Civil) Gleisi Hoffmann vs senador Álvaro Dias


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domingo, 5 de junho de 2011

Contraponto 5490 - "Coimbra: o secundário eclipsa o essencial"

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05/06/2011
Coimbra: o secundário eclipsa o essencial

Do Tijolaço - 05/06/2011

O sociólogo Marcos Coimbra, presidente do Vox Populi – que entende do tema, portanto -, analisa hoje, em outro ótimo artigo, como uma crise política, mesmo construída sobre suspeitas e não sobre fatos, eclipsa o essencial de um projeto político.

Vale a pena ler:

O que fica e o que passa
Marcos Coimbra

Ministros em apuros são mais a regra que a exceção em nossa experiência recente. Se alguém se desse ao trabalho de calcular quantos dias passamos, nos últimos 20 anos, sem que pelo menos um estivesse complicado, veríamos que não foram muitos.

O que é realmente importante na informação que recebemos todo dia sobre o sistema político? E o que é secundário, referindo-se a coisas que não duram muito e apenas parecem ter maiores consequências?


Neste momento, por exemplo, o noticiário sobre a crise causada pelos problemas de Antonio Palocci domina os meios de comunicação. Ela é importante?

Certamente sim, pois qualquer dificuldade que afete um ministro central no governo é relevante. Ainda mais se for alguém como ele, que foi, nos primeiros meses, quase um primeiro ministro.

Embora a crise seja, de fato, significativa, ela está longe de ser tudo que acontece no governo. E nem é tão original assim. Ministros em apuros são mais a regra que a exceção em nossa experiência recente. Se alguém se desse ao trabalho de calcular quantos dias passamos, nos últimos 20 anos, sem que pelo menos um estivesse complicado, veríamos que não foram muitos.


O próprio Palocci já viveu essa história. No fim do primeiro governo Lula, quando ocorreu o caso Francenildo, ele não era tão menos que agora. Como ministro da Fazenda que contava com apoio unânime do empresariado e da mídia, e depois que vários de seus colegas tinham tombado vítimas do mensalão, achava-se que Lula dependia dele para sobreviver. Pois bem, Palocci saiu, Lula ganhou a eleição e foi adiante para se confirmar como a maior liderança de nossa história (goste-se ou não dele).

Palocci pode estar vivendo, de novo, um inferno astral, mas isso não é fundamental. No médio e, especialmente, no longo prazo, sua permanência ou saída são secundárias. Como foram as de antecessores seus em governos passados. Ministros são parecidos a outras pessoas insubstituíveis, das quais, como diz o ditado, os cemitérios estão cheios.


As coisas que realmente importam são outras. Como o lançamento do programa Brasil sem Miséria, que ocorreu enquanto olhávamos para a “crise”.


Se medirmos a centimetragem a ele dedicada pelos nosso maiores veículos ou o tempo nos telejornais de maior audiência, ficaríamos com a impressão que é um assunto quase insignificante. Pelo espaço e a atenção que recebeu, que o novo programa é apenas mais um na rotina da burocracia.

Na verdade, um pouco pior que isso. O tom da cobertura foi claramente negativo, com insinuações de que era uma manobra para desviar a atenção da opinião pública do que seria realmente importante, a “crise”.

Como se fosse sequer possível inventar um programa da complexidade do Brasil sem Miséria na última hora. Como se não tivesse exigido meses de estudos e formulações preliminares. Como se seu lançamento não estivesse anunciado há muito tempo e não ocorresse no prazo estipulado antes da eclosão da “crise do Palocci”.


O programa passou a ser visto como uma pirotecnia algo ingênua. Foi reduzido a uma manobra, no fundo, inútil, pois incapaz de produzir suas “verdadeiras intenções”.

Tudo nele passou a ser enxergado a partir desse prisma. Até a cerimônia inicial. O número de convidados, a solenidade, os discursos, cada detalhe foi interpretado como parte de um “estratagema” diversionista. O que pensavam? Que Dilma lançaria um programa desse porte às escondidas? Que ele não era suficientemente importante para justificar o evento?


É possível que nossa imprensa ache que faz “bom jornalismo” quando ignora, coloca sob suspeita ou trata como irrelevante um programa como o Brasil sem Miséria. Que o certo é deixar tudo de lado e manter-se focada na “crise do Palocci”.


O curioso é que, ao comentá-lo, não se afirmou que era inviável, fantasioso ou irrelevante. Ninguém argumentou contra suas propostas concretas. Não foram questionadas suas metas ou estratégias.

Parece, portanto, que ela não discorda do programa. E não vê razões para duvidar que o governo tenha capacidade de executá-lo.

Apenas acha que é pouco importante, pelo menos em comparação com a “crise”. Será que é? Será que um programa destinado a solucionar, em quatro anos, o mais grave problema do Brasil pode mesmo ser considerado irrelevante? Para os 16 milhões de beneficiários, pode ser tudo, menos desimportante.
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sábado, 4 de junho de 2011

Contraponto 5485 - "A entrevista do ministro e a pergunta que não foi feita"

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.04-06-2011

A entrevista do ministro e a pergunta que não foi feita

Do Viomundo - 4 de junho de 2011 às 11:10

por Luiz Carlos Azenha

É óbvio que Antonio Palocci jamais vai revelar os clientes para os quais trabalhou, que é o cerne do debate que se trava em torno de sua permanência na Casa Civil.

A revelação mataria futuras oportunidades dele como… consultor.

Portanto, Palocci está mais uma vez protegendo seus negócios pessoais, em detrimento do interesse público.

Por que é importante saber quais foram os clientes de Palocci?

Para que a opinião pública monitore as relações destes clientes com entes públicos hoje subordinados a Palocci.

Há quem argumente que, como Palocci, outros já fizeram o mesmo, esquecendo o essencial: outros o fizeram depois de deixar o governo.

Palocci saiu, enriqueceu como consultor — em período eleitoral, diga-se — e voltou.

Ontem, no Jornal Nacional, o ministro disse: “Eu não fiz tráfico de influência, como eu provo isso?”.

Simples, revelando a lista de clientes.

O ministro também pediu aos telespectadores que dessem a ele o benefício da dúvida. Afinal, todo mundo é inocente até prova em contrário. O apelo dele para que as pessoas confiassem antes de desconfiar foi o melhor momento da entrevista. Bastante razoável.

Eu, se estivesse lá, perguntaria:

Ministro, o problema é que em 2006 o senhor disse, em nota dirigida ao presidente Lula: “Quero esclarecer, senhor presidente, que não tive nenhuma participação, nem de mando, nem operacional, no que se refere à quebra do sigilo bancário de quem quer que seja. Reafirmo ainda que não divulguei nem autorizei nenhuma divulgação sobre informações sigilosas da Caixa Econômica Federal”. No entanto, recentemente, a Caixa Econômica Federal atribuiu a seu gabinete o vazamento das informações relativas a Francenildo. Se não foi o senhor, o senhor apurou qual auxiliar fez o vazamento? O senhor não acha razoável, diante dessa dúvida, que as pessoas tenham o direito de desconfiar?”

Talvez o JN colocasse a pergunta e a resposta no ar. Talvez.

PS do Viomundo: Insisto que não há qualquer prova material de enriquecimento ilícito, nem de tráfico de influência, contra Palocci, pelo menos formalmente. O problema é ético e político. Teremos um ministro vagando por aí, num cargo-chave do governo, com uma tremenda nuvem negra sobre a cabeça. A oposição vai tirar proveito da nuvem para provocar chuvas e trovoadas quando bem entender.

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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Contraponto 5431 - "Quanto tempo dura o "caso" Palocci"

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26/05/2011

Quanto tempo dura o "caso" Palocci

Do Viomundo - 26 de maio de 2011 às 16:42

por Luiz Carlos Azenha


Não existe ainda uma única prova de que Antonio Palocci tenha cometido um crime, ou enriquecido ilicitamente.

Mas, como escrevi anteriormente, não se trata de uma questão policial, mas ética e política.

O que explica porque o PT tenta “politizar” o assunto.

É uma forma de tirar os holofotes da questão ética: o que fazia um deputado-coordenador de campanha arrecadando ao mesmo tempo para a candidata e para seu próprio bolso, para em seguida assumir o “coração” do novo governo?

Aliás, no item arrecadação de campanha, um colega jornalista me lembrava que os serviços “imateriais” foram uma importante descoberta: a varrição das empresas de coleta de lixo, quem é que mede? E os serviços das assessorias de comunicação? E os serviços de consultoria?

Quanto ao “caso” Palocci, ele durará tantos quanto forem os clientes do ministro. Calculando que cada cliente de Palocci receba cinco dias de cobertura nos jornais, multiplicado por 20 empresas, teremos 100 dias de noticiário…

Como não se trata de uma caso estático, ou seja, tanto o ministro quanto as empresas para as quais ele prestou consultoria vão continuar por aí, trata-se de um inesgotável manancial de manchetes com ilações, suposições e dúvidas.

Aos próprios clientes de Palocci, em algum momento, vai interessar que ele se afaste do governo: caso contrário, todos os negócios que essas empresas fecharem com entes públicos, subordinados direta ou indiretamente a Palocci, ficarão sob suspeição.

Minha suspeita: Dilma defende Palocci publicamente e, em seguida, ele pede para sair. Mas costumo errar meus palpites.

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PITACO DO ContrapontoPIG.

Concordo com o palpite do Azenha. Só que é a Dilma que vai mandar o Palocci "pedir" o boné.

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Contraponto 5428 - "No Passado recente, tudo era culpa do Lula, agora é do Palocci"


26/05/2011

No passado recente, tudo era culpa do Lula, agora é do Palocci

Do Amigos do Presidente - Quarta-feira 25, maio 2011

A imprensa demo-tucana inventou que o governo estaria trocando o Código Florestal para blindar Palocci.

O governo perdeu na votação do Código Florestal, e a Presidenta Dilma já disse que vetará os pontos inaceitáveis, se o Senado não corrigir.

O anúncio do veto de Dilma é uma demonstração clara de que foi invenção do PiG (Partido da Imprensa Golpista) dizer que o governo estaria trocando o Código Florestal para “salvar” Palocci.

A bancada na Câmara dos deputados da Frente Parlamentar Agropecuária tem 202 deputados(as) no site oficial deles, mas o líder da frente diz que são 235.

Todos os deputados do PCdoB (que não tem nada de ruralistas), votaram a favor do Código Florestal, por ter a visão política de que a política imperialista dos países ricos querem jogar a conta ambiental só para os países mais pobres, impedindo-os de se desenvolverem.

Todos os principais partidos da base governista estiveram divididos nos debates internos.

Enfim, a Câmara era e é majoritariamente favorável ao Código Florestal, e o resultado expressou essa realidade. Nada a ver com Palocci.

Agora, diante da polêmica e protestos de amplos setores da sociedade, o governo da presidenta Dilma anunciou que foram suspensas a produção e a distribuição dos chamados kits anti-homofobia, que estavam sendo elaborados pelos ministérios da Educação e da Saúde.

E o PiG inventou que foi para “salvar” Palocci.

É fácil constatar a mentira. Dilma, ainda na campanha, se comprometeu a dialogar com grupos religiosos antes de tomar decisões que gerem polêmicas religiosas. Disse que trataria todos grupos religiosos com o devido respeito e atenção, assim como são tratados os movimentos sociais.

O ministro Gilberto Carvalho disse:

“Não se trata de recuo, mas de um processo mais aprofundado de diálogo… É importante que esse material, para que seja produtivo e atinja seu objetivo, que seja fruto de ampla consulta à sociedade”.

Segundo o Blog do Planalto, Carvalho afirmou que o governo mantém a posição clara contra qualquer tipo de preconceito, mas defende que é melhor produzir um material com mais diálogo, para atingir o objetivo de diminuir o preconceito e a violência contra homossexuais e demais minorias.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Contraponto 5409 - "Paloci: fim do 'namorico' da mídia

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23/05/2011
Paloci: fim do "namorico" da mídia

Do Blog do Miro - 23/05/2011

Por Altamiro Borges


Durante quase cinco meses, a mídia demotucana deu uma trégua para Dilma Rousseff. Na campanha do ano passado, a imprensa insinuava que ela era um “poste”. Depois de eleita, passou a tratá-la como “estadista”, tentando cavar uma cunha entre ela e Lula, o “populista”. No congresso dos metalúrgicos da CUT, há três semanas, Lula até ironizou o “namorico” da mídia com a presidenta.

Agora, porém, a coisa parece que azedou. A mídia resolveu detonar a principal referência do atual governo, o ministro Antonio Palocci, da Casa Civil. A acusação é grave. A imprensa insinua que o ministro enriqueceu ilicitamente, adquirindo um apartamento de R$ 6,6 milhões – bem acima dos seus rendimentos. Em quatro anos, Palocci teria multiplicado por 20 o seu patrimônio.

O “fiador” que desestabiliza

A ofensiva contra o ministro todo-poderoso é até curiosa. Afinal, Palocci é reconhecidamente o homem de confiança do “deus-mercado” e dos barões da mídia. Ainda na campanha eleitoral, a revista Veja, já sentindo a derrota do seu candidato, aconselhou a futura presidenta a indicá-lo como “fiador” do seu governo. Agora, ela e outros veículos batem para matar no “fiador”.

Cabe a Palocci esclarecer as denúncias. Ele afirma que sua renda decorre do trabalho de consultoria às empresas que prestou nos últimos anos. De fato, o seu trânsito entre os ricaços é grande. Sua campanha para deputado federal em 2006, que custou R$ 2,4 milhões, já foi bancada pela elite empresarial, principalmente por banqueiros – conforme declaração oficial no TSE.

Objetivos da mídia demotucana

Mas o que explica, então, a ofensiva da mídia contra seu homem de confiança no Palácio do Planalto? Uma leitura atenta ajuda a entender os motivos da recente onda de escândalo. Na prática, a imprensa demotucana bate em Palocci para atingir Dilma – no mínimo, para mandar seus recados e enquadrá-la. Isto fica implícito nos editoriais e nos artigos dos seus principais “calunistas”.

O Estadão, por exemplo, não esconde seu ranço contra o governo “lulista”. Ao tratar de Palocci, o jornalão inicia se editorial com a frase. “Lula ensinou muita coisa aos seus companheiros”. O alvo não é o ministro, mas sim o ex-presidente. Ele também insinua que o dinheiro usado na compra do apartamento é sobra da campanha, tentando envolver a presidenta Dilma no escândalo.

Ventilador no esgoto

Na mesma linha, os “calunistas” da Folha batem em Palocci para atingir Dilma e o “petismo”. Fernando de Barros e Silva destila veneno já no título da sua coluna – “um petista neoclássico”. O seu alvo é o partido da presidenta. “O PT se confunde com a direita”, afirma o jornalista, sempre afinado com a direita, que tenta generalizar as críticas, ligando o ventilador no esgoto!

Já Eliane Cantanhêde, a entusiasta da “massa cheirosa” do PSDB, prega o fim da “lua de mel” com o atual governo e exige uma postura mais agressiva da oposição demotucana. Como já foi dito, Palocci deve esclarecer rapidamente o seu enriquecimento – se é que tem explicações para dar. Mas o alvo da mídia não é o ex-ministro, o queridinho do “deus mercado”, mas o governo Dilma!
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Contraponto 5408 - "O alvo não é Palocci; é Dilma"

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23/05/2011
O alvo não é Palocci; é Dilma


Por Antônio Mello, em seu blog:


A edição de hoje (20) da Folha entrega o jogo. Todo mundo estava se perguntando o porquê de tanto fogo em Palocci, um homem do mercado, tido por muitos petistas como um "deles". A Folha hoje responde: porque o alvo é Dilma e o governo do PT.

Começa na primeira página. "Empresa de Palocci faturou R$ 20 mi no ano da eleição".


Misturando dinheiro de Palocci com dinheiro de campanha pode-se ampliar o leque da investigação, não é, Folha? Se levarmos em conta que Palocci é do PT e foi coordenador da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República, pode-se especular se o dinheiro seria sobra não-contabilizada da campanha de Palocci, do PT ou de Dilma - mas como diferenciar, não é, Folha? Esse seria o caminho natural do processo. Mas a Folha se precipitou, e, pior, se entregou. Mostro como:

Repare na imagem ao lado. É cópia do que está hoje nesta página da Folha (dei print screen, viu Folha?), que o assinante pode conferir ao vivo aqui. A diferença está nos destaques que dei em amarelo e vermelho, na frase e nas duas estrelinhas. A frase puxa Dilma para a roda: "Receita de consultoria deu salto no ano da eleição de Dilma para Presidente". E as estrelinhas? O que fazem ali as estrelinhas que não estão presentes em nenhuma outra reportagem da Folha de hoje, apenas nesta? Simples coincidência? E que a estrela seja o símbolo do PT é apenas outra coincidência?

Então, ao texto da repórter Cátia Seabra.

"A empresa de consultoria do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, faturou R$ 20 milhões no ano passado, quando ele era deputado federal e atuou como principal coordenador da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República.

Segundo duas pessoas que examinaram números da empresa e foram ouvidas pela Folha, o desempenho do ano passado representou um salto significativo para a a consultoria, que faturou pouco mais de R$ 160 mil no ano de sua fundação, 2006".


Entendemos, Folha. No ano em que Palocci "atuou como principal coordenador da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República" sua empresa deu um salto.

Mas a comparação é com o ano de 2006, o de criação da empresa. E os outros, 2007, 2008, 2009, qual o faturamento? E, já que vocês tiveram acesso ao papelório, porque não divulgaram os anos anteriores? Por que também se esqueceram de dizer que 2006 também foi ano eleitoral, Lula se reelegeu presidente e Palocci se elegeu deputado federal?

Numa reportagem complementar vem a informação de que a receita da empresa de Palocci é similar à das maiores do ramo no país. Só que nenhuma delas tinha à frente o ex-czar da economia do governo Lula, não é? Alguém que havia recém saído do governo e que pertencia (pertence) ao PT.

Aí vem o fecho, com outra reportagem que afirma: Empreiteira com negócios públicos contratou Palocci. E vai direto ao assunto:

"O grupo WTorre, que fechou negócios com fundos de pensão de estatais e com a Petrobras, foi um dos clientes da empresa de consultoria do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. A empreiteira também fez doações de campanha a Palocci (R$ 119 mil), em 2006, e a Dilma Rousseff (R$ 2 milhões), no ano passado".

A partir daí, a reportagem elenca uma série de contratos do grupo WTorre (que "diz manter ativos de R$ 4 bilhões em 200 projetos"), em anos diferentes, sem dizer em momento algum que qualquer deles teve a participação da empresa de Palocci. Os dados são jogados para que o leitor incauto faça a tal ligação.

Ou seja, o ataque a Palocci era para que ele justificasse o aumento de seu patrimônio? Não, era para fazer com que a Petrobras, Previ, a campanha de Dilma, o governo venham a público justificar por que fizeram tal e tal negócio com tal e tal empresa.

Ah, antes que me esqueça. Ao final da reportagem, envergonhadinha, vem a informação:

"Em 2010, além da doação de R$ 2 milhões à campanha de Dilma Rousseff, da qual Palocci era coordenador [esta ligação é o que eles querem deixar claro], também houve aporte para o tucano José Serra (R$ 300 mil), adversário na disputa".

Ou seja, a empresa jogou dinheiro no lixo. Aí Palocci deveria vir a público pelo menos para afirmar que isso não foi resultado de sua consultoria... Queima o filme.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Contraponto 5398 - "Protógenes defende Palocci e sugere convocação de FHC e Serra para explicar ligações PSDB-Opportunity"

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20/05/2011

Protógenes defende Palocci e sugere convocação de FHC e Serra para explicar ligações PSDB-Opportunity




Do Os amigos do Brasil - Quinta-feira 19, maio 2011

Durante audiência pública na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, com a presença do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a oposição centrou fogo no assunto Palocci.

O deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) defendeu o ministro da Casa Civil e disse que a comissão deveria convocar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-governador José Serra sobre a relação do PSDB com o Banco Opportunity.

Já o ministo Cardozo negou que fosse verdadeira a informação publicada no jornal O Estado de S.Paulo, de que o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras, órgão do Ministério da Fazenda) teria enviado relatório à Polícia Federal sobre uma operação financeira suspeita na compra de um imóvel.

Estadão é desmentido

O jornal “O Estado de São Paulo” que inventou o boato citado acima, foi desmentido oficialmente por dois órgãos:

O Ministério da Fazenda divulgou nota informando:

…o COAF não enviou relatório à Polícia Federal comunicando que a empresa Projeto fez uma operação financeira suspeita e também não afirmou, como menciona a manchete da matéria, que ‘o negócio feito por empresa de Palocci é suspeito’.

A Polícia Federal também divulgou nota desmentindo. Eis a íntegra da nota:

No tocante à matéria “Negócio feito por empresa de Palocci é suspeito, diz Coaf”, publicada no dia 19 de maio no jornal O Estado de S. Paulo, a Polícia Federal esclarece:
1. Não há inquérito policial ou investigação criminal sobre a empresa Projeto;
2. Não há inquérito policial ou investigação criminal sobre o Ministro Antonio Palocci;
3. A Polícia Federal não solicitou ao Coaf qualquer informação sobre a empresa Projeto ou sobre o Ministro Antonio Palocci.

domingo, 26 de setembro de 2010

Contraponto 3402 - "Veja jogou a toalha e decidiu cuidar do negócio"

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26/09/2010


Veja jogou a toalha e decidiu cuidar do negócio

Blog do Rovai - 25 de setembro de 2010

A capa desta semana de Veja dá a dimensão do que foi essa campanha. A mídia comercial tentou de tudo para alavancar a candidatura de Serra e não obteve sucesso. Quando viu que o fardo era pesado demais, decidiu começar a trabalhar para enquadrar o próximo governo. No caso o de Dilma.

A capa aborda a questão da liberdade de imprensa. Claro que não é disso que o texto trata. É de impedir que se discuta a democratização da comunicação.

Fazia tempo que não comprava um exemplar da gloriosa revista. O fiz desta feita por conta do tema.

Em resumo, eles tratam do ato que organizamos contra o golpismo midiático como um evento que buscava calar a mídia livre e convocado pelo PT. Atacam Franklin Martins a quem chamam de ex-sequestrador e ex-jornalista. E depois, elogiam Palocci, que dizem ter sido o fiador da estabilidade financeira no governo Lula e que poderia ser o fiador da estabilidade democrática no governo Dilma.

Ou seja, desistiram da eleição e resolveram cuidar da vida.

E já elegeram aquele que consideram a ponte entre eles e o governo, Palocci.
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