terça-feira, 13 de junho de 2017

Nº 21.610 - "A eleição começou"


13/06/2017


A eleição começou


Carta Capital  — publicado 10/06/2017 00h04, última modificação 09/06/2017 10h16



O anúncio de Lula, cada vez mais favorito às eleições presidenciais, ecoa com força em Brasília ao som samba de Temer, “daqui não saio”

Lula
Lula Marques/Agência PT

“Já mudei três vezes de opinião.” (Do ministro tucano Bruno Araújo, que, afinal, subiu no muro diante da indecisão do PSDB de ficar ou romper com o governo Temer)

por Maurício Dias

Mauricio Diaseleição para presidente da República, em outubro de 2018, ainda está muito longe. É o que a nós parece. Para quem pretende, entretanto, entrar na disputa, a competição já começou. É assim que Lula, um provável candidato com grande chance de vitória, segundo todas as pesquisas, encara o tempo: “2018 está longe para quem não tem esperança. Para nós está logo ali, já começou”.   
Nessa perspectiva, com um discurso de vigorosa crença no que falava, o ex-presidente Lula abriu o 6º Congresso Nacional do PT, realizado em Brasília, hoje capital da balbúrdia política provocada pelo estribilho sambístico manhoso “daqui não saio”, de Michel Temer.
A assustadora presença de Lula como competidor em eleição direta, aparentemente inevitável em 2018, solidifica no campo reacionário a solução por eleição indireta, como prescreve a lei. Mas nessa lei, a Constituição, não está incluída a Cláusula Pétrea. Em sendo assim, pode ser mudada. 
O cenário mostrado por uma enquete, e não pesquisa, apresentado pelo Datafolha na semana passada, sugere uma sucessão de possibilidades. E, seguindo a regra constitucional, o deputado Rodrigo Maia assumiria o poder. Quem apostaria, entretanto, nesse desfecho político?

Pesquisa mais recente sobre a possibilidade de um confronto eleitoral direto, em 2018, feita pelo instituto Vox Populi, mostra números assustadores para os já assustados competidores de Lula. A pesquisa desmonta o mito de que o ex-presidente perderá no segundo turno, em razão da aliança reacionária. Verifique-se a questão.

Caso a eleição fosse hoje, Lula venceria o primeiro turno com 52% das intenções de voto, se, por exemplo, o candidato adversário fosse o tucano Geraldo Alckmin, que ficaria com modestos 11% dos votos. Se o prefeito paulistano, João Doria, entrasse no jogo, Lula perderia 1 ponto e Doria teria 13%.

Nem tudo, no entanto, é resolvido pelos eleitores de São Paulo. O ninho tucano foi desfeito. Alckmin, atingido pela Lava Jato, deixaria espaço para Doria. Aécio Neves acabou. Não há alternativas para a disputa com Lula: Marina, Jair Bolsonaro, Sergio Moro ou Joaquim Barbosa também perderiam o confronto.

A presença de Lula na disputa, mesmo em um inesperado caso de derrota, teria uma razão a mais de ser. Ele poderia resgatar a imagem do Partido dos Trabalhadores. Nas eleições de 2016, o PT, após o golpe bem-sucedido contra Dilma, ficou entregue ao terremoto midiático. Exemplo: dos 5,18 mil vereadores das eleições municipais de 2012 o número caiu para 2,8 mil nas eleições de 2016.
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