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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Contraponto 6223 - "A reação da mídia à posição do PT"

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11/09/2011

A reação da mídia à posição do PT

Da Carta Maior - 12/09/2011

Diante de uma proposta concreta de regulação democrática – a exemplo do que acontece nos países civilizados – seus eternos opositores terão que mostrar objetivamente onde de fato está a defesa da censura e onde se postula o controle autoritário da mídia. Não há alternativa.

Venício Lima*

Publicado originalmente no Observatório da Imprensa

A cobertura jornalística do 4º Congresso Extraordinário do Partido dos Trabalhadores, realizado em Brasília de 2 a 4 de setembro, e a reação homogênea da grande mídia em relação ao que foi dito e decidido sobre a regulação do setor de comunicações, mereceria um “estudo de caso” não fosse a eterna e enfadonha repetição do “mesmo de sempre”.

Um Congresso onde se discutiu uma enorme variedade de temas de interesse público foi praticamente reduzido a “propostas de controle da mídia” e a cobertura “jornalística” muitas vezes ignorou as falas e documentos concretos para “noticiar” seus próprios fantasmas, tendo ao final que criar um “recuo” inexistente do PT para dar conta da sua própria “cobertura antecipada” de algo que sequer estava proposto.

Nada, absolutamente nada, de novo no comportamento da grande mídia.

O que de fato foi dito e aprovado

No discurso de abertura do Congresso o presidente do PT, Rui Falcão afirmou:

“Para concluir, quero mencionar dois temas da agenda petista que reputo de importância capital: o da democratização dos meios de comunicação e uma campanha pública pela aprovação de leis cidadãs, com o concurso de iniciativas populares, proposições congressuais e do próprio Executivo.

“Entre as nossas convicções mais arraigadas, inscritas como princípios em nosso ideário, a livre expressão de pensamento, o direito de opinião, a liberdade de imprensa e o repúdio a todas as formas de censura são valores fundamentais. Mas o jornalismo marrom de certos veículos, que às vezes flerta com práticas ilegais, deve ser responsabilizado toda vez que falsear os fatos ou distorcer as informações para caluniar, injuriar ou difamar.

“A inexistência de uma Lei de Imprensa, a não regulamentação de artigos da Constituição que tratam da propriedade cruzada de meios, o domínio midiático por alguns poucos grupos econômicos tolhem a democracia e criam um clima de imposição de uma única versão para o Brasil. E a crescente partidarização, a parcialidade, a afronta aos fatos preocupam a todos os que lutam por meios de comunicação que sejam efetivamente democráticos. Por tudo isso, o PT luta para votar e aprovar, no Congresso Nacional, um marco regulatório capaz de democratizar a mídia no País.”

Na Na Resolução Política aprovada ao final do Congresso está escrito:

“Para o PT e para os movimentos sociais, a democratização dos meios de comunicação é tema relevante e um objetivo comum com os esforços de elaboração do governo Lula e os resultados da I Conferência Nacional de Comunicação, que evidenciou os grandes embates entre agentes políticos, econômicos e sociais de grande peso na sociedade brasileira. É urgente abrir o debate no Congresso Nacional sobre o marco regulador da comunicação social – ordenamento jurídico que amplie as possibilidades de livre expressão de pensamento e assegure o amplo acesso da população a todos os meios – sobretudo os mais modernos como a internet. Daí o nosso repúdio ao projeto de lei 84/99 que se originou e tramita no Senado Federal, o AI-5 digital, pois pretende reprimir a livre expressão na blogosfera.

“Para nós, é questão de princípio repudiar, repelir e barrar qualquer tentativa de censura ou restrição à liberdade de imprensa. Mas o jornalismo marrom de certos veículos, que às vezes chega a práticas ilegais, deve ser responsabilizado toda vez que falsear os fatos ou distorcer as informações para caluniar, injuriar ou difamar. A inexistência de uma Lei de Imprensa, a não regulamentação dos artigos da Constituição que tratam da propriedade cruzada de meios, o desrespeito aos direitos humanos presente na mídia, o domínio midiático por alguns poucos grupos econômicos tolhem a democracia, silenciam vozes, marginalizam multidões, enfim criam um clima de imposição de uma única versão para o Brasil. E a crescente partidarização, a parcialidade, a afronta aos fatos como sustentação do noticiário preocupam a todos os que lutam por meios de comunicação que sejam efetivamente democráticos. Por tudo isso, o PT luta por um marco regulatório capaz de democratizar a mídia no País.

“As reformas institucionais não estarão completas se não forem acompanhadas da mais profunda democratização da comunicação. Além de tudo isso, as mudanças tecnológicas e a convergência de mídias precisam ser acompanhadas de medidas que ampliem o acesso, quebrem monopólios e garantam efetiva pluralidade de conteúdos".

Além disso, o Congresso aprovou também, como “moção”, um documento específico sobre as comunicações com o título “PT: compromisso com uma agenda estratégica para as comunicações no Brasil”. Esse documento não sofreu qualquer modificação e a versão aprovada é ipsis literis a versão original que circulou no primeiro dia do Congresso. Na sua parte final o documento afirma:

“O Partido dos Trabalhadores entende que deve contribuir na elaboração e na implantação de políticas de universalização do acesso aos diferentes serviços de comunicação – em especial à internet em banda larga, que deve ser entendida como um serviço essencial, ao qual todo cidadão tem direito, independentemente das disparidades sociais e regionais. Para tanto, é necessário:

“** Fortalecer o papel regulador do Estado no setor de telecomunicações, de modo a promover e proteger a diversidade cultural brasileira, ampliar o intercâmbio cultural com todos os povos do planeta, possibilitar maior competição entre agentes de mercado, redução do preço ao usuário, aumento da qualidade e multiplicação dos investimentos privados na infraestrutura que dará suporte às demandas de um Brasil efetivamente conectado.

“** Aprofundar políticas públicas que garantam o acesso das populações de baixo poder aquisitivo ou de regiões distantes das grandes cidades aos serviços de comunicações. Para tanto, o Estado deverá garantir recursos para equipamentos públicos de acesso, provimento do serviço e terminais.

“** Ampliar o investimento em grandes redes radiodifusão pública e de telecomunicações, a exemplo da EBC e da Telebrás, que fujam da lógica imediatista de mercado, podendo assim voltar a sua atuação a regiões e públicos de menor potencial econômico; atender aos órgãos da administração pública, o que, além de gerar impactos econômicos positivos, potencializa os resultados dos mais diferentes serviços básicos, da educação à segurança e à saúde, e tornarem-se alternativas às redes privadas, gerando competição e pluralidade.

“** Garantir que o Sistema Brasileiro de Televisão Digital, em parte desenvolvido em nossos laboratórios e já adotado por diversos países, realize todo o seu potencial inovador por meio do middleware Ginga – ou seja, que ele de fato utilize recursos interativos que demandem produção local e induzam à inclusão digital.

“** Afirmar a radiodifusão como um serviço público, de caráter universal, aberto e de alta relevância social.

“** Criar um ambiente normativo para o mundo digital que, por um lado, garanta os direitos individuais do cidadão, bem como possibilite o acesso isonômico aos conteúdos e aplicações.

“** Mobilizar o PT no debate e na aprovação do Marco Civil da Internet que se encontra no Congresso Nacional e na elaboração de um novo projeto para tipificar crimes e delitos cometidos no ciberespaço.

“** Defender a revisão da legislação referente ao Direito Autoral e Propriedade intelectual, considerando a cultura como bem comum e o nosso compromisso com a democratização da produção, fruição e acesso aos bens e serviços culturais.

“** Consolidar um sistema público de rádio e televisão, apoiar e descriminalizar a radiodifusão comunitária e dotar os processos de outorga de radiodifusão de mecanismos de transparência e de critérios objetivos.

“** Vedar a concessão e permissão de outorgas de radiodifusão a políticos e ocupantes de cargos públicos em exercício da função bem como formas de concentração empresarial, a exemplo da propriedade cruzada, que levem ao abuso de poder econômico.

“** Democratizar a distribuição das verbas públicas de publicidade visando o estímulo à pluralidade de fontes de informação nas diferentes esferas da federação.

“** Participar do diálogo da sociedade com os governos na elaboração das políticas de comunicações por meio da criação de conselhos de comunicação em todos os estados da federação e no Distrito Federal, fortalecimento do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional e dos processos participativos nacionais que envolvam todos os entes federados realizando a II Conferência Nacional de Comunicação.

“** Afirmar um novo paradigma de políticas públicas de estímulo ao desenvolvimento cultural, que alie o fortalecimento das empresas brasileiras ao desenvolvimento regional, que encontre espaço para a produção destinada ao mercado de massas, sobretudo internacional, aos processos criativos que operam segundo os princípios da Economia Solidária e fortalecem os laços de pertencimento comunitário.

“As grandes mudanças necessárias para a implantação de uma agenda estratégica para as comunicações no Brasil, contudo, ainda são barradas pelo anacronismo de nosso atual marco regulatório. No que se refere ao rádio e à televisão, nossa legislação atual data dos anos 1960 e não foi atualizada a ponto de regulamentar os artigos da Constituição Federal que tratam, por exemplo, da produção regional e independente e da vedação ao monopólio e aos oligopólios. No que se refere a telecomunicações, a legislação foi construída a partir de um modelo gestado antes da revolução digital, que aboliu as fronteiras entre os diferentes serviços e as diferentes redes.

“Nesse sentido, é necessário criar um novo marco regulatório para as comunicações no Brasil que venha a substituir as atuais normas sobre telecomunicações e sobre radiodifusão. Este novo marco deverá ter entre seus princípios:

a) A liberdade de expressão e de imprensa e a vedação à censura;

b) A garantia dos direitos do cidadão, da infância e da adolescência;

c) A pluralidade de fontes de informação;

d) O fortalecimento da cultura brasileira;

e) O fortalecimento da indústria nacional criativa, especialmente a produção audiovisual independente.

f) O direito de acesso às redes de comunicação;

g) O apoio às redes públicas e comunitárias de comunicações;

h) A participação social na elaboração de políticas de comunicação, por meio de instâncias democráticas e representativas do conjunto da sociedade; e

i) O desenvolvimento econômico regional e a desconcentração de oportunidades de negócio.

“A comunicação que temos hoje está longe da que precisamos para enfrentar os novos desafios. É urgente provocar a ampliação do debate sobre esse Marco Regulatório. Isso foi iniciado com a I Conferência Nacional de Comunicação, em 2009, mas precisa continuar envolvendo o Partido, os Movimentos Sociais, o Congresso Nacional e o Poder Executivo.

“Precisamos do debate público para sedimentar consensos na área das comunicações.

“Precisamos de um novo marco legal para acordar as regras da transição que está em curso.

“Precisamos da democracia para regionalizar a cultura e garantir a diversidade e a pluralidade.

“Precisamos dos cidadãos e das organizações sociais para injetar nas instituições brasileiras, seja na mídia, na sociedade ou nos governos, a idéia de que compartilhar é preciso.

“Por fim, precisamos retomar a mobilização histórica do PT em torno da pauta da comunicação para que os meios não se tornem fins em si mesmos, mas pontes que ligarão a informação ao conhecimento, a democracia à diversidade, a cidadania à cultura. Mais do que a mera convergência tecnológica, é preciso forjar as bases de uma verdadeira convergência de anseios sociais por um Brasil soberano e socialmente justo.”

O que o PT faz, basicamente, é explicitar seu compromisso: (1) com as liberdades e direitos fundamentais relacionados à comunicação; (2) com a regulação de normas e princípios que estão na Constituição Federal desde 1988, estendidos agora à mídia digital; e (3) com a necessidade de um debate público sobre o tema “para sedimentar consensos”.

Os “fantasmas” de sempre

Sem mencionar a reação quase histérica de dois ou três articulistas conhecidos, a tônica na “cobertura” da grande mídia foi de que o PT quer “controlar a mídia” (ver, neste Observatório, “Muito barulho por nada” e “A distorção dos fatos”)

Vou dar o exemplo da minha própria aldeia: o Distrito Federal.

O Correio Braziliense deu chamada de capa no domingo (4/9) com o título: “PT vai tentar recriar CPMF e controlar a mídia”. Na página 4, o título de página inteira dizia: “Carta inclui controle da mídia”.

[Curiosamente a mesma matéria, assinada pelos mesmos jornalistas, foi também publicada, no mesmo dia no Estado de Minas, da cadeia de jornais dos Diários Associados, da qual faz parte o Correio, e o título era “PT quer regular a mídia”.]

Na segunda-feira (5/9), a manchete do Correio Braziliense era “PT abre alianças e recua sobre o controle da mídia”; seguida de um pequeno lead onde se lia: “Resolução sobre a atuação da imprensa foi trocada por moção de apoio à criação de ‘agência (sic) estratégica’”. Na página 4, o título era “Controle da mídia é repensado”.

Imploro aos eventuais leitores que tirem eles próprios as suas conclusões.

O que fazer?

A saída parece ser colocar imediatamente para o debate público um projeto de marco regulatório. Onde está aquele que teria sido elaborado ao final do governo Lula?

Diante de uma proposta concreta de regulação democrática – a exemplo do que acontece nos países civilizados – seus eternos opositores terão que mostrar objetivamente onde de fato está a defesa da censura e onde se postula o controle autoritário da mídia. Não há alternativa.


*Venício Lima. Professor Titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Regulação das Comunicações – História, poder e direitos, Editora Paulus, 2011.
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sábado, 3 de setembro de 2011

Contraponto 6158 - "Dilma, Lula, PT e CUT criticam mídia; Congresso petista quer nova lei "

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03/09/2011

Dilma, Lula, PT e CUT criticam mídia; Congresso petista quer nova lei

BRASÍLIA – A imprensa foi uma das estrelas da abertura do IV Congresso Nacional do PT, na noite desta sexta-feira (02/09), em Brasília. Esteve presente, na condição de ré, nos três discursos mais importantes: da presidenta Dilma Rousseff, do antecessor dela, Luiz Inácio Lula da Silva, e do presidente do PT, Rui Falcão.

O peso político dos autores das críticas ajuda a entender porque a mídia também será protagonista no documento final que os petistas vão aprovar domingo. O texto vai cobrar um marco regulatório para emissoras de rádio e TV, que vem sendo discutido dentro do governo desde o ano passado.

A critica presidencial explorou o que Dilma considera ser uma tentativa da imprensa de afastá-la do padrinho, Lula. Para ela, a mídia estaria tentando, de forma “solerte, envergonhada, insinuada”, separar os dois ao disseminar a tese de que que Dilma precisaria administrar uma “herança não bendita”.

Esse tipo de raciocínio surgiu, por exemplo, na abordagem sobre a inflação no início do ano, que seria resultado de “gastança” de Lula. E, mais recentemente, no noticiário sobre denúncias de corrupção envolvendo os agora ex-ministros Antonio Palocci, Alfredo Nascimento e Wagner Rossi.

Dilma discorda do conceito de “legado", já que fez parte do governo Lula e, portanto, tem responsabilidade pelo que vem de antes. E não aceita que o que administra seja algo negativo. “A nossa herança é daqueles que transformam o Brasil. Nós mudamos a lógica de crescimento do país”, disse.

Antes dela, tinha sido a vez de o próprio Lula atacar a imprensa, como fez tantas vezes, especialmente no segundo mandato. Disse que, nos últimos dias, um jornal noticiou que ele teria sido consultado e dado aval a uma moção em favor do ex-ministro José Dirceu, cujo quarto que ocupa em um hotel de Brasília sofreu tentativa de invasão por um repórter da revista Veja.

“O jornal mentiu. Ninguém me perguntou nada. Mas a nota tem o meu aval”, declarou Lula. Afirmou ainda que não é verdade a notícia de que ele seria a favor de acabar com prévias para definir candidatos no PT. “Não é possível eles mentirem e a gente ter de se explicar."

A moção a favor de Dirceu e de repúdio à revista foi apresentada no primeiro discurso da noite, feito pelo presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos. Ele abriu a fala propondo moção contra o “crime cometido por uma famosa revista”.

Depois de Lula e Dilma, Dirceu foi o petista mais aplaudido quando teve o nome anunciado para compor o palco de abertura do Congresso.

Ao discursar, o presidente do PT, Rui Falcão, fez uma crítica mais genérica aos meios de comunicação. Condenou o que enxerga como “monopólio midiático”, “partidarização da mídia” e “jornalismo marrom que às vezes flerta com a criminalidade”. “O PT luta para votar um marco regulatório”, afirmou.

O documento que será colocado em discussão no Congresso petista sábado e domingo diz ser “urgente provocar a ampliação do debate sobre esse marco regulatório”. O marco regularia emissoras de rádio e TV, que são concessões públicas.

O texto, ao qual Carta Maior teve acesso, afirma que o marco regulatório deve ter nove princípios, entre eles, liberdade de expressão, pluralidade de fontes de informação, apoio às redes públicas e comunitárias de comunicação e participação social nas políticas de comunicação.

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Contraponto 6157 - "E agora, PT?"

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03/09/2011

E agora, PT?


Do Blog do Emir - 03/09/2011/

Emir Sader*

O PT realizou os objetivos a que se propunha quando se fundou como partido: elegeu e reelegeu seu principal dirigente, Lula, como presidente e elegeu sua sucessora. Conseguiu recolher o Brasil numa profunda recessão, com as desigualdades acentuadas na sociedade um Estado reduzido à sua mínima expressão, o perfil internacional reduzido à sua mínima expressão. Chegou ao final do governo Lula com a diminuição sensível das desigualdades, com o desenvolvimento econômico retomado, o Estado recuperando seu papel de indutor do crescimento econômico e se projetando como nunca no plano internacional com uma política externa soberana.


Tudo foi feito no marco de um governo de alianças de centro esquerda, sem poder alterar elementos estruturais herdados, como a hegemonia do capital especulativo, o peso determinante do agronegocio no campo, a ditadura da mídia privada na formação da opinião pública, entre outros.
Como principal partido da esquerda brasileira, qual sua função no período político que se abre?

Como partido de esquerda, sua função essencial é lutar pela hegemonia da esquerda no marco dessas alianças de governo. Mas o que isso significa?

Parece haver um consenso geral no PT em torno de iniciativas importantes, como a diminuição substancial da taxa de juros, a aprovação de uma reforma política que inclua o financiamento público das campanhas e outras iniciativas democratizantes, a aprovação da Comissão da Verdade, a rejeição das reformas do Código Florestal com a anistia para o desmatamento, a aprovação do marco regulatório da mídia. Representa um conjunto importante de posições.

Mas qual o marco estratégico geral pelo qual lutamos? Qual o tipo de sociedade pela qual lutamos? Que tipo de Estado necessitamos para isso?

A característica fundamental do mundo contemporâneo é a hegemonia do modelo neoliberal no marco do capitalismo. Esse modelo transformou profundamente nossas sociedades. A América Latina foi vítima privilegiada desse modelo. Depois de ditaduras militares que quebraram a capacidade de resistência do movimento popular em alguns dos principais países do continente, da crise da dívida que atingiu a todo o continente, vieram os governos neoliberais que se generalizaram praticamente por toda a região.

As transformações regressivas acumuladas incluíram a fragmentação social, em particular do mundo do trabalho; a redução do Estado a suas mínimas proporções; a desproteção dos mercados inernos; a desnacionalização das economias, entre outras. Porém o modelo neoliberal se esgotou de forma mais ou menos rápida. A crise mexicana de 1994, a brasileira de 1999 e a argentina de 2002-03, decretaram sua falência. Foi nesse marco que foram surgindo os governos de reação contra o neoliberalismo, que receberam, no entanto, pesadas heranças.

O neoliberalismo tratou de mercantilizar todas as relações sociais, incluindo o próprio Estado. O objetivo da esquerda hoje é superar o neoliberalismo, gerando as condições de uma sociedade solidaria, integrada, democrática, soberana, uma sociedade pós-neoliberal.

A avaliação do período atual, do momento em que nos encontramos e das tarefas de um partido de esquerda decorrem da avaliação de quanto avancamos na superação do neoliberalismo, das conquistas, que são pontos de apoio para avançar, e dos obstáculos a superar.

Um elemento estratégico do modelo neoliberal é a hegemonia do capital financeiro. Ao promover a desregulamentação, o neoliberalismo favoreceu essa hegemonia, porque liberado de regulamentações, o capital não se dirigiu à produção – o capital não é feito para produzir, mas para acumular, já nos ensinava Marx -, mas à especulação, onde ganha mais, com menos impostos e liquidez praticamente total.

Quebrar essa hegemonia e impor uma dinâmica predominane de crescimento econômico com expansão do mercado interno de consumo popular, com a correspondente distribuição de renda é um objetivo estratégico da luta da esquerda hoje. O capital especulativo não produz bens, nem empregos, é essencialmente um capital parasitário, que vive as custas dos outros setores, fragiliza a soberania do Estado, chantageia a sociedade, induz os piores aspectos da globalização para dentro do país.

Combinar regulamentação da circulação do capital financeiro com taxações e uso de outros mecanismos é a forma de obter esse objetivo, ao lado da indução da expansão produtiva e do crescente fortalecimento das demandas do mercado interno de consumo popular. A obtenção da taxa de juros de 2% ao final do mandato – compromisso da Dilma – será o termômetro para medir o quanto avancamos nessa direção essencial.

O poder do agronegócio no campo, com todas suas consequências negativas em termos de concentração de terras, da sua deterioração, em detrimento da economia familiar, que produz alimentos para o mercado interno e gera empregos é outro dos elementos de um modelo que tem que ser superado. O que significa avançar na democratização do acesso à terra e de apoio à economia familiar em ritmo maior do que a demanda chinesa pela exportação da soja.

O marco regulatório da mídia pode permitir no avanço para a formação democrática – e não a monopólica atualmente existente – da opinião pública, sem a qual nunca haverá uma democracia real no Brasil.

Esses aspectos são alguns dos que representam superar o processo de mercantilização generalizada que o neoliberalismo buscou impor, fortalecendo a esfera dos direitos, aquela que busca estender os direitos da cidadania a todas as esferas da sociedade.

Para isso não precisamos apenas com uma reforma democrática do processo eleitoral. Preciso de um novo tipo de Estado. O Estado que temos foi construído para perpetuar o domínio das minorias, ele tem que ser radicalmente reconstruído, refundado, para dar lugar à construção de um Estado que reflita as novas relações de poder na sociedade, governos que expressam os interesses da maioria da sociedade, em um processo de democratização que tem que se estender a todos os rincões do país, incluído o próprio Estado.

Um partido de esquerda tem que centrar sua luta na superação do neoliberalismo, na construção de um tipo de sociedade não fundado na mercantilização na competição generalizada de todos contra todos, na subordinação aos interesses externos, mas na solidariedade, na fraternidade, na generalização dos direitos a todos, no humanismo.

*Emir Sader. Sociólogo e cientísta político.


Contraponto 6155 - "PT defende regulação da mídia brasileira"



Lula, com Dirceu e Dilma durante o congresso do PT. Fotos: Rennato Testa

O 4º Congresso Nacional do PT, que acontece neste final de semana, em Brasília, pretende aprovar uma proposta pontual para a regulação da mídia brasileira. O ponto principal do documento é a proibição da propriedade cruzada de meios de comunicação.

O domínio midiático de alguns grupos econômicos tolhe a democracia e tenta impor uma “versão única” para o Brasil, diz o texto. A ideia agora é que a regulação seja encaminhada pelas bancadas do partido no Congresso Nacional, sem que o Palácio do Planalto sofra mais desgastes com o plano.

Leia também:
O jornalismo murdochiano
O tom de um e dos outros
José Dirceu x Veja

O texto, revisado na noite desta sexta-feira 2 pelo presidente nacional do partido, Rui Falcão, e distribuído aos participantes, já é quase consenso no congresso petista. Não há, em nenhum momento, menção à criação de mecanismos de censura à imprensa, mas críticas aos abusos de grandes veículos.

O ex-presidente Lula, durante discurso no congresso, quando defendeu o ex-ministro José Dirceu

Na mesma noite, os petistas fizeram um desagravo ao ex-ministro José Dirceu, alvo de matéria da revista Veja. Dirceu foi aplaudido de pé durante mais tempo que o ex-presidente Lula e a presidenta Dilma Rousseff, aos gritos de “guerreiro do povo brasileiro” pelos 1.500 participantes do Congresso. Lula e Dilma fizeram críticas à mídia.

O ex-presidente chegou a defender Dirceu nominalmente: “Muitos que falam em democracia não exercem a democracia. Ficam especulando em alguns jornais e então eu vou dizer: o Zé Dirceu tem o meu aval”, disse, afirmando ainda que não é mais possível “dizerem as mentiras que querem e quem ainda tem que ficar se explicando diante disso é a gente”.

Dilma não citou Dirceu diretamente, mas fez uma longa pausa em sua saudação ao ex-ministro, provocando mais aplausos dos petistas ao ex-ministro. E também fez críticas às especulações de parte da imprensa.

A presidenta Dilma, no congresso do PT

Em seu discurso de abertura do Congresso Nacional do PT, Falcão também voltou a criticar a imprensa. Ele defendeu o marco regulatório e disse que o domínio midiático “por alguns grupos econômicos tolhe a democracia”. “A crescente parcialidade e a afronta aos fatos preocupa a todos os que lutam por meios de comunicação democráticos”, discursou.

Leia abaixo os trechos do projeto de resolução referentes à comunicação, que serão submetidos aos delegados do 4º Congresso Nacional do PT. O texto ainda pode sofrer emendas antes de ser votado, até o domingo 4:

73. Para o PT e para os movimentos sociais, a democratização dos meios de comunicação é tema relevante e um objetivo comum com os esforços de elaboração do governo Lula e os resultados da I Conferência Nacional de Comunicação, que evidenciou os grandes embates entre agentes políticos, econômicos e sociais de grande peso na sociedade brasileira. É urgente abrir o debate no Congresso Nacional sobre o marco regulador da comunicação social – ordenamento jurídico que amplie as possibilidades de livre expressão de pensamento e assegure o amplo acesso da população a todos os meios – sobretudo os mais modernos como a internet. Daí o nosso repúdio ao projeto de lei 84/99 que se originou e tramita no Senado Federal, o AI-5 digital, pois pretende reprimir a livre expressão na blogosfera.

74. Para nós, é questão de princípio repudiar, repelir e barrar qualquer tentativa de censura ou restrição à liberdade de imprensa. Mas o jornalismo marrom de certos veículos, que às vezes chega a práticas ilegais, deve ser responsabilizado toda vez que falsear os fatos ou distorcer as informações para caluniar, injuriar ou difamar. A inexistência de uma Lei de Imprensa, a não regulamentação dos artigos da Constituição que tratam da propriedade cruzada.

de meios, o desrespeito aos direitos humanos presente na mídia, o domínio midiático por alguns poucos grupos econômicos tolhem a democracia, silenciam vozes, marginalizam multidões, enfim criam um clima de imposição de uma única versão para o Brasil. E a crescente partidarização, a parcialidade, a afronta aos fatos como sustentação do noticiário preocupam a todos os que lutam por meios de comunicação que sejam efetivamente democráticos. Por tudo isso, o PT luta por um marco regulatório capaz de democratizar a mídia no País.

75. As reformas institucionais não estarão completas se não forem acompanhadas da mais profunda democratização da comunicação. Além de tudo isso, as mudanças tecnológicas e a convergência de mídias precisam se acompanhadas de medidas que ampliem o acesso, quebrem monopólios e garantam efetiva pluralidade de conteúdos.

76. Ainda no campo da comunicação, é preciso aprofundar as políticas públicas para a juventude, num contexto em que a própria noção de cidadania cultural se redesenha num cenário de convergência tecnológica, de economia e de serviços. Tais políticas devem voltar-se para a ampliação da fruição cultural e da qualidade da educação no Brasil.

Soraya Aggege

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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Contraponto 6041 - "Dilma e Alckmin unem PT e PSDB contra miséria"

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19/08/2011
Dilma e Alckmin unem PT e PSDB contra miséria

Do Balaio do Kotscho - Publicado em 19/08/11 às 11h12

Ricardo Kotscho

Com a nova queda nas Bolsas mundiais e de mais um ministro no Brasil, passou meio batido pelo noticiário um fato histórico registrado nesta quinta-feira, no Palácio dos Bandeirantes, o ninho dominado pelos tucanos paulistas desde a década de 90 do século passado.

Posso estar enganado, claro, mas não me recordo de nenhum evento político nos últimos 16 anos, em que fomos governados por PSDB e PT, tão cheio de simbolismos, bem definidos no discurso da própria presidente Dilma Rousseff, que comandou a cerimônia de lançamento do plano Brasil sem Miséria para a Região Sudeste, ao lado do governador Geraldo Alckmin:

"O pacto republicano e pluripartidário que estamos firmando hoje é capaz de transformar a realidade social que vivemos. É o Brasil fazendo a faxina que tem que fazer, a faxina contra a miséria".

O governador Geraldo Alckmin não deixou por menos:

"Ultrapassamos o período de disputas para unir esforços em prol daqueles que precisam. Isto, senhora presidenta, se deve em grande parte ao seu patriotismo".

Ao lado dos dois na mesa, reforçando o caráter simbólico do encontro, estava o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, que recepcionou Dilma na chegada e entrou com ela no auditório, ambos bastante aplaudidos pela platéia suprapartidária.

Há muito ausente de cerimônias deste tipo, FHC foi convidado por Alckmin. O ex-governador José Serra, que já escreveu artigo criticando o Brasil sem Miséria, também convidado, não apareceu. O ex-presidente Lula cumpria agenda em Minas Gerais.

Estavam presentes governadores do PMDB (Sérgio Cabral, do Rio); do PSDB (Antonio Anastasia, de Minas) e Renato Casagrande (do PSB, do Espírito Santo), além de cinco ministros, quase todo o secretariado estadual e as principais lideranças tucanas e petistas de São Paulo.

Em que outro momento da nossa história recente vimos algo parecido? Pois é, a vida nos guarda surpresas e, quando menos esperamos, também acontecem coisas boas.

Quem diria que o provinciano Alckmin e a durona Dilma, que dizem não gostar de política, seriam protagonistas de um pacto republicano que Fernando Henrique Cardoso e Lula, os grandes líderes de PSDB e PT, não conseguiram promover em seus 16 anos de governo?

Dilma e Alckmin conseguiram reunir sob o mesmo teto e no mesmo palco representantes do governo federal petista e do governo estadual tucano para cuidar do mesmo projeto: unir esforços no combate à miséria.

É o único jeito de um dia o país poder se livrar desta praga chamada PMDB, o "fiel da governabilidade", seja qual for o partido no poder, e dos PRs e outros pês da vida, mudar de rumo e correr o risco de dar certo.

O partidão peemedebista, que um dia já foi comandado pelo grande Ulysses Guimarães, na travessia da ditadura para a democracia, tornou-se o antro dos políticos mais fisiológicos do país. Sobrevive, com força, graças à guerra fraticida entre tucanos e petistas em São Paulo, que tanto tem prejudicado o restante do país.

Afinal, que importa para os brasileiros de outras regiões se o próximo prefeito de São Paulo a ser eleito em 2012 será do PT ou do PSDB? O Brasil não pode mais ficar a reboque desta eterna disputa feita de soberba e vaidade dos líderes dos principais partidos do maior Estado do país, que elegem os presidentes da República desde 1994.

O Brasil é maior do que isso. Dilma e Alckmin, políticos de uma nova geração, parecem já se ter dado conta disso. Quem não sacar esta mudança vai perder o bonde da história.

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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Contraponto 6016 - "Dilma reúne PT e PMDB para afastar crise política"

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16/08/2011

Dilma reúne PT e PMDB para afastar crise política

Do Vermelho - 16 de Agosto de 2011 - 4h39


A presidente Dilma Rousseff reuniu-se na noite de segunda-feira (15), no Palácio do Planalto, com integrantes do PT e do PMDB, os dois principais partidos governistas, como parte da estratégia da presidente de aproximação com a base aliada e para afastar o perigo de que as denúncias de corrupção no governo se transformem em crise política. As recentes denúncias de corrupção em ministérios comandados pelo PR e PMDB causaram desconforto entre o governo e os partidos e, até mesmo, com o PT.
De acordo com a assessoria de imprensa do Planalto, a presidente pretende fazer esses encontros
com os demais partidos aliados. A atitude da presidente foi tomada em meio a rumores de insatisfação na base e denúncias de corrupção em ministérios comandados pelos partidos aliados. Muitos aliados reclamam da demora na liberação de verbas parlamentares.

Do PMDB, participaram o presidente da legenda, Valdir Raupp (RO); o líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL); o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR); o líder do governo no Congresso, Mendes Ribeiro (RS), além do líder do partido na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves.

Do lado petista, estiveram presentes o líder do governo no Senado, Humberto Costa (PE); o líder na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), e o líder da bancada Paulo Teixeira (SP).

Também compareceram o vice-presidente da República, Michel Temer, e a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti.

Após reunião, os líderes do governo no Senado e na Câmara, respectivamente Romero Jucá (PMDB-RR) e Cândido Vaccarezza (PT-SP), disseram que a presidente os chamou para discutir políticas de governo e que o assunto sobre um cronograma de liberação de verbas de emendas parlamentares não foi tema das conversas. “Esta palavra [emendas] não fez parte da discussão”, disse Vaccarezza.

“Ela discutiu os principais projetos do governo e, ainda, as votações que o governo considera prioritárias no Congresso neste segundo semestre, que são o projeto que trata de mudanças no Supersimples e o que cria o Pronatec [Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego]”, completou. Vaccarezza, porém, ressaltou que a proposta de liberar R$ 1 bilhão em emendas parlamentares ainda permanece. “A liberação de R$ 1 bilhão se mantém desde a semana passada”, declarou.

Já para Jucá, a conversa sobre liberação de recursos só está sendo tratada exclusivamente com a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que, segundo ele, “ainda não fechou um levantamento das propostas que serão contempladas”. De acordo com o líder, “o governo vai fazer a liberação de recursos a partir do momento que ele tiver conforto no Orçamento”, acrescentou.

Jucá disse que comentou com a presidente sua participação na série de discursos de desagravo feitos na segunda-feira (15), no Senado. De acordo com o peemedebista, as investigações das denúncias de corrupção não atrapalharão as relações com o governo. "Todos os senadores são a favor do combate à corrupção, não há panos quentes”. Ele também fez um apelo ao PR para que o partido continue atuando em conjunto com a base.

Com Agência Brasil
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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Contrapnto 5775 "PT queria a Ley de Medios mas tem medo da Globo"

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14/07/2011
PT queria a Ley de Medios mas tem medo da Globo

Do Conversa Afiada - Publicado em 14/07/2011


Senador Jorge Viana, o problema não é a Helena

Saiu na Folha (*), pág. A10:

“Senadores do PT criticam a área de Comunicação”


Alguns senadores jantaram com as ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann para reclamar da Ministra Helena Chagas, da Comunicação.

Reclamam porque o Governo da Presidenta não consegue emplacar a “agenda positiva”.

E dão como exemplo o programa “Brasil sem Miséria” – aqui neste blog ansioso exposto numa entrevista com a Ministra Tereza Campello.

É um “programa maravilhoso”, diz o senador Jorge Viana. “Mas precisamos divulgá-lo mais”.

Navalha

Não adianta botar a culpa na Helena, Senador.

O PiG (*) foi quem decidiu boicotar o “Brasil sem Miséria”.

Gastou mais tempo a discutir “a linha da miséria”, a partir de que ponto alguém é “miserável” – uma filigrana acadêmica – do que o programa propriamente dito.

Assim será, senador: sempre.

A Ministra Helena Chagas pode chamar o Tiririca, a Glória Pires, o Bono – quem ela quiser para “vender” o Brasil sem Miséria, que o PiG (*) não vai deixar passar.

É o Muro do Silêncio, em outras partes chamado de Muro da Vergonha.

Se o Ali Kamel não quiser, senador, o programa não vai ao Acre.

Então, em lugar de reclamar da Helena Chagas, seria melhor a bancada do PT no Senado ir pra cima do Ministro Bernardo e arrancar uma Ley de Medios.

Veja que, como diz o Laurindo Lalo Leal Filho, a Ley de Médios já vale na Argentina: a Cristina Kirchner já começou a abrir o mercado de concessões de televisão.

Começou a fazer nas telecomunicações o que o CADE fez com a BRFoods: monopólio para prejudicar o consumidor, não.

E a Cristina vai entregar metade das novas concessões a instituições não empresariais.

Mas, lá na Argentina, a democracia pega mais firme.

Os torturadores do regime militar estão na cadeia.

O Nestor Kirchner demitiu os ministros da Suprema Corte nomeados pelo Menem …

Senador Jorge Vianna, dê um pulo a Buenos Aires.

É sempre uma viagem adorável.

Ah, que inveja da Argentina !


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
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domingo, 24 de outubro de 2010

Contraponto 3720 - Sete dias de fúria midiática – buscando um cadáver

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24/10/2010
Sete dias de fúria midiática – buscando um cadáver



Blog Cidadania - 24/10/2010

Eduardo Guimarães

Os últimos lances de uma corrida presidencial pautada pela fúria midiática continuaram surpreendendo. Ao contrário do que se pensava, a ofensiva teatral da bolinha de papel saíra pela culatra, apesar daquela que talvez tenha sido a maior farsa já encenada neste país em termos de apoio publicitário a supressão e/ou inversão dos fatos em prol de José Serra.

No oitavo dia da furiosa campanha da mídia para eleger o candidato tucano, vazaram dados das pesquisas diárias que o PT encomendara aos institutos Vox Populi e Ibope. Os trackings, cuja função não consiste em apurar números precisos, mas, sim, tendências e reações do eleitorado, revelaram que aumentara a distância entre Dilma Rousseff e o adversário.

Chegou-se ao sétimo dia de irracionalidade cívica, ao domingo anterior ao domingo da eleição presidencial mais disputada em mais de duas décadas, em situação de quase esgotamento das opções de factóides para reverter os rumos da disputa. Serra não reage.

O país é tensionado pela mídia. Colunistas de grandes jornais, revistas, tevês, rádios, portais de internet saíram a insultar e a provocar petistas com suas zombarias triunfalistas, mas só até surgirem os sinais de que o tiro da bolinha de papel de dois quilos que os tucanos disseram que petistas atiraram contra Serra em um comício, saiu pela culatra.

A fúria midiática, como previsto, ia aumentando.

Na noite de 23 de outubro, dois dos blogs políticos mais lidos no país, o de Luiz Carlos Azenha e o de Rodrigo Vianna, repórteres da Rede Record, saem do ar no navegador Firefox. Ao acessar os blogs de qualquer outro navegador, não havia problema. Mas ao acessar naquele navegador específico surgia uma falsa mensagem de que aquelas páginas estavam “infectadas”.

Ao fim da tarde do oitavo dia de fúria, portais de internet informavam que houvera novo risco de confronto entre militantes do PSDB e do PT na cidade paulista de Diadema. Novamente, uma tropa tucana fora a um reduto petista fazer provocações enquanto a mídia serrista buscava vender que quem estava na frente é que tentava melar o jogo eleitoral.

Entendendo a estratégia do PSDB e da mídia, os militantes petistas em Diadema abriram caminho para que os tucanos marchassem através da manifestação adversária, e formaram um “cordão de isolamento” do avanço dos esbirros de Serra e dos seus figurantes contratados. Enquanto avançavam pelo meio dos petistas impassíveis, os tucanos proferiam insultos.

Ainda no sábado 23 de outubro, os mesmos portais de internet anunciavam que marchas petista e tucana poderiam se encontrar no Rio, em Copacabana, mas que os petistas, novamente, recuariam para não fazer o jogo dos adversários, cada vez mais dispostos a melar o jogo eleitoral por contarem com a mídia para inverter os fatos.

A marcha petista na cidade do Rio no sétimo dia de fúria midiática foi sabiamente adiada pelos organizadores para ocorrer depois da marcha tucana, convocada para o dia e a hora em que já se sabia que haveria a marcha dos adversários.

A análise mais detida do rumo das coisas sugere que só não foi tentado um tipo de factóide para chocar o eleitorado e induzi-lo a votar no candidato da direita midiática. Tentou-se de tudo contra Dilma. Escândalos sexual (ou homossexual), religioso, de corrupção, de prática de violência física, mas nada deu certo. Serra continua não reagindo eleitoralmente.

Enquanto o clima de beligerância entre petistas e tucanos cresce retórica e fisicamente, tevês, rádios, revistas, jornais e portais de internet simpáticos a Serra – assumidamente ou aparentemente – põem lenha na fogueira com uma chuva de acusações, insultos e zombarias contra um dos lados e com vitimização do outro.

A história ensina que campanhas para comover sociedades contra alguém ou alguma coisa muitas vezes apelaram a cadáveres, a crimes de sangue em que “não restassem dúvidas” sobre a autoria, ainda que processos legais requeiram tempo para condenar ou absolver sob convicção absoluta, impossível de ser formada em míseros sete dias de fúria midiática.
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Contraponto 2934 - "Ver o PT postar uma mensagem dentro do site do PSDB, ainda que escondido, não tem preço"

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04/08/ 2010


Ver o PT postar uma mensagem dentro do site do PSDB,
ainda que escondido, não tem preço


Amigos do Presidente - por Helena™ - terça-feira, 3 de agosto de 2010

José Serra acordou agora. Levou um susto ao ver o vídeo do PT no site do PSDB
Muitos leitores do blog escreveram reclamando que o direito de resposta do PT no site do PSDB não está visível na primeira página. como ordenou o ministro Henrique Neves.Ontem, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) concedeu direito ao partido por conta da entrevista do candidato à vice, Indio da Costa (DEM)

O ministro Henrique Neves ordenou que resposta deve ficar no ar por dez dias e deve ficar visível na primeira página do site tucano.

Acessando o site tudo, pude verificar que realmente está o escondido o vídeo do direito de resposta.José Serra prefere atacar, desmoralizar e mentir sobre a candidata Dilma e partido PT,do que mostrar suas idéias e respeitar o povo brasileiro, visto que os ataques e terrorismo político são frequentes.

Ver o PT postar uma mensagem dentro do site do PSDB, colocando o partido dos pássaros de bico longo em seu devido lugar, não tem preço! Para outras coisas use o cartão..., inclusive para comprar uma passagem só de ida para o Serra, rumo ao ostracismo absoluto, após sua derrota nas urnas.

E por falar em Serra, alguém já encontrou o #Diplomadoserrra?
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domingo, 13 de junho de 2010

Contraponto 2495 - Para o Brasil continuar mudando

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13/06/2010

Para o Brasil continuar mudando


Militantes, artistas e políticos compareceram em peso à Convenção Nacional do PT, que oficializou hoje os nomes de Dilma Rousseff e de Michel Temer para concorrer às eleições presidenciais deste ano. Todos puderam conhecer o jingle de Dilma e o tema "Para o Brasil continuar mudando" a ser usado pelos petistas.

Última a falar durante o encontro, Dilma afirmou que é muito simbólico o fato de o PT e os partidos aliados dizerem que “chegou a hora de uma mulher comandar o país”.

Ouça a reportagem de RÁDIO sobre a Convenção do PT.

“Minha emoção é muito grande. Minha alegria também. Por esta festa tão cheia de energia, de confiança e esperança. Sei que esta festa não é para homenagear uma candidata. Aqui se celebra, em primeiro lugar, a mulher brasileira!", disse no discurso. "É em nome de todas as mulheres do Brasil - em especial de minha mãe e de minha filha - que recebo esta homenagem para ser a primeira mulher presidente da República.”

Ela lembrou que os governantes do passado davam atenção somente para um terço da população e os demais brasileiros eram um "estorvo" para eles. “Para muitos deles, o resto era peso, estorvo e carga”, disse.

“Falavam que tinham que arrumar a casa primeiro [antes de distribuir renda aos mais pobres]. Falavam e nunca arrumavam. Porque é impossível arrumar uma casa deixando dois terços dos filhos ao relento, à margem do progresso e da civilização. Resultado: o Brasil era uma casa dividida, marcada pela injustiça e pelo ressentimento, que desperdiçava suas melhores energias, que é a energia do seu povo”, completou.

'Nós, mulheres, nascemos com o sentimento de cuidar, amparar e proteger. Somos imbatíveis na defesa dos nossos filhos e da nossa família'.

No governo Lula, segundo ela, a forma de governar mudou. O país passou a ser de todos verdadeiramente, e os mais pobres conseguiram ter esperança. “Nós, do governo do presidente Lula, fizemos o contrário. Chegamos à conclusão de que só fazia sentido governar se fosse para todos. E provamos que aquilo que era considerado estorvo era, na verdade, força e impulso para crescer, para avançar a fazer desse um país de todos.”

Durante o discurso, ela sentiu a força da militância petista pelos cantos de olê, olê, olá, Dilma, Dilma, pelas bandeiras tremulando no auditório e pela vibração das pessoas. Em vários momentos, chegou a interromper a fala até que terminassem as palmas e os gritos de apoio.

Ao lado dos aliados, Dilma listou os avanços que pretende fazer no país em muitas áreas: saúde, educação, infraestrutura, democracia, planejamento urbano, segurança pública, inovação tecnológica. Ela ressaltou também a necessidade das reformas Política e Tributária.

“Lula mudou o Brasil, e o Brasil quer seguir mudando. A continuidade que o Brasil deseja é a continuidade da mudança. É seguir mudando, para melhor, o emprego, a saúde, a segurança, a educação", discursou. "É seguir mudando com mais crescimento e inclusão social para que outros milhões de brasileiros saiam da pobreza e entrem na classe média. É seguir mudando para diminuir ainda mais a desigualdade entre pessoas, regiões, gêneros e etnias.”

Ao final, Dilma contou a história de uma mãe que pediu a ela num aeroporto para contar à filha, chamada Vitória, que as mulheres também podem ser presidentes da República.

“É mais que simbólico que, nesse momento, o PT e os partidos aliados estejam dizendo: chegou a hora de uma mulher comandar o país. Estejam dizendo: para ampliar e aprofundar o olhar de Lula, ninguém melhor que uma mulher na presidência da República. Creio que eles têm toda razão. Nós, mulheres, nascemos com o sentimento de cuidar, amparar e proteger. Somos imbatíveis na defesa dos nossos filhos e da nossa família”, disse.

Leia o discurso de Dilma na Convenção Nacional do PT.

Ouça a reportagem de rádio sobre a convenção do PT.

Leia o discurso feito por Dilma na convenção do PMDB.

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domingo, 9 de maio de 2010

Contraponto 2170 - Dilma diz "estranhar" desejo de Serra de governar com o PT


09/05/2010
Dilma diz "estranhar" desejo de Serra de governar com o PT

Terror do Nordeste 07/05/2010

O Brasil inteiro também estranha.
Serra orientou a bancada do PSDB e caterva para derrotar o CPMF.

Serra orientou a bancada do PSDB para investigar, através de CPI, duramente o governo Lula.

Serra orientou vários governadores do Brasil para ajuizarem Adin contra o Piso Nacional do Magistério.

Serra orientou a bancada do PSDB para votar contra o Fundo Soberano.

Serra orientou a bancada do PSDB para votar contra o pré-sal.

Serra não deixou o PT investigar, por intermédio de CPI, o seu governo corrupto.

Serra acusa o PT de incentivar greves de servidores.

De repente, não mais que de repente, Serra quer governar o Brasil com o PT. Vai à merda, Serra!Primeiro, você não vai ser presidente do Brasil. Nunca! Depois, o PT não apoia governo corrupto, vendilhão do Brasil.

A pré-candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, disse "estranhar" a declaração do adversário José Serra (PSDB), que afirmou querer governar com o PT caso seja eleito.

Para Dilma, PT e PSDB têm "projetos distintos". "Qualquer tentativa de dizer que [os projetos] não são distintos tem que ser explicada. Por que [os tucanos] foram contra o presidente Lula durante tanto tempo? Por que fizeram uma oposição tão raivosa? Agora, quando temos uma aprovação de mais de 90%, soa um pouco estranha essa fala", afirmou a pré-candidata.

O tucano fez o comentário ontem, durante um debate entre os três principais pré-candidatos à Presidência na Associação Mineira de Municípios, em Belo Horizonte.

"Se depois da campanha eu for eleito --e pode parecer uma heresia, viu, Dilma?--, mas vou querer tanto o PT quanto o PV no governo em função de objetivos comuns, com base no programa", disse o tucano. Uol.
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domingo, 8 de novembro de 2009

Contraponto 651 - Maracugina para a oposição


08/11/2009

Mercadante sugere "Maracugina" para acalmar oposição

Foto José Cruz- Agência Brasil
"Eu sinto que eles estão muito nervosos, mas eu sugiro a eles
que tomem Maracugina, pois cada dia vai ser mais difícil".

Terra Magazine - Sábado, 7 de novembro de 2009, 16h52 Atualizada às 17h26

Carolina Oms
Especial para Terra Magazine

Neste sábado, 7, as lideranças do PT participaram do encontro nacional de prefeitos, com a presença da pré-candidata à presidência, ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Não só otimistas, mas convencidos da vitória da ministra, em Guarulhos (SP), os petistas saudaram Dilma com um toque de nostalgia e cantaram os hinos da eleição do presidente Lula.

Veja também:
» Oposição não tem projetos e base de apoio social, diz Dilma
» Ciro terá "todo o companheirismo petista" em SP, diz Palocci
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O líder do partido no Senado, Aloísio Mercadante, chegou a fazer piada com a hesitação da oposição:

- A gente sente uma insegurança grande do lado de lá em relação à disputa com a nossa candidatura. Pela força do governo Lula, eu sinto que eles estão muito nervosos, mas eu sugiro a eles que tomem Maracugina, pois cada dia vai ser mais difícil.

Em consonância com a estratégia definida pelo presidente Lula, Mercadante apoiou a candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo paulista:

- O Ciro Gomes tem todo o direito de disputar a presidência, tem história pra isso, mas eu acho que estará conosco no palanque. Ele pegou o pau-de-arara na direção errada, em vez de vir de lá pra cá ele foi pra lá (risos), mas ele é um excelente nome, tem vivência pra governar o Estado e tem nosso apoio.

Seja na estratégia política, repetida em uníssono por todos os líderes presentes no encontro, seja nos discursos sobre o futuro governo, todos só falam na candidatura de Dilma. Da ex-prefeita Marta Suplicy, que antes havia dito que Ciro Gomes não tem a ver com São Paulo, ao prefeito Osasco, Emídio de Souza, que chegou a se declarar pré-candidato do PT ao governo do Estado, ninguém mais defende esta ou aquela candidatura ou estratégia para o estado de São Paulo.

Questionada por Terra Magazine se não seria melhor para o PT uma definição rápida do candidato ao governo de São Paulo, Marta Suplicy negou: "não é necessário definir nada agora, tudo está em construção. Eu farei, em 2010, aquilo que for melhor para a candidatura da Dilma".

Mercadante, como Dilma e Berzoini, recorreu aos feitos do governo Lula para falar da estratégia futura, "o partido está motivado, com a popularidade atribuída ao governo, que é extraordinária, inédita, nós estamos preparados para comparar todas as áreas, economia e social com o governo do FHC".

O líder no senado assegura que os resultados serão os esperados pelo presidente: "tudo isso vai se traduzir em um grande sentimento popular, quando Lula sair da presidência, quando começar a convocar os últimos comícios, esse sentimento vai se transformar numa força muito poderosa para a campanha da ministra Dilma".

Mercadante também negou sua candidatura ao governo de São Paulo, segundo ele, a estratégia é se reeleger no senado para "eleger um time capaz de ajudar esse projeto, nós faremos isso em vários Estados do Brasil".

Além da alta popularidade de Lula, Mercadante confia em um segundo "trunfo" para alavancar a candidatura da ministra, mais tempo no horário eleitoral, conseguido através dos pré-acordos com partidos menores e, principalmente, com o PMDB. "O PMDB é um partido heterogêneo, bastante complexo, mas que pela primeira vez estará conosco desde o primeiro turno, nunca esteve", acrescenta.

Como o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, refutou a tese de que o palanque duplo, como é o caso da Bahia, prejudicaria a ministra ou o acordo, "em alguns Estados nós vamos ter mais de um candidato, mas isso não vai tirar o apoio da Dilma. E nós estamos dialogando, buscando uma aliança mais ampla com eles".
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