quinta-feira, 21 de junho de 2012

Contraponto 8491 - O discurso de Evo

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21/06/2012


Evo: Economia verde é mais uma forma de colonialismo



Do Vermelho - 21 de Junho de 2012 - 12h16


Aplaudido três vezes pela plateia presente na conferência dos chefes de Estado na Rio+20, o presidente boliviano Evo Morales criticou nesta quinta-feira (21) o sistema capitalista e o conceito de economia verde, que classificou como um novo termo para fazer prosperar o colonialismo. Ele ressaltou ainda a importância de os recursos naturais dos países não ficarem nas mãos de empresas privadas e, sim, sob o comando do Estado.

"Sinto informar que analisei com seriedade e acompanhei o que se convencionou chamar de economia verde. Isso não passa de um novo colonialismo para submeter os povos mais pobres ao capitalismo. Vamos refletir sobre isso. Se queremos que esse evento seja histórico, não temos outra alternativa a não ser acabar com essas políticas do lucro, acabar com o humanicídio", afirmou.

“A economia verde coloniza e privatiza a biodiversidade a serviço de poucos. Verticaliza os recursos naturais e transforma a natureza em uma mercadoria. Converte todas as fontes da natureza em um bem privado a serviço de poucos”, condenou.

Segundo Morales, é preciso acabar com o modelo econômico capitalista como forma de garantir o futuro do planeta. "Seria importante refletir sobre as gerações futuras, acabando com esse modelo de saques, de depredação dos recursos naturais, acabar com o capitalismo".

Morales acusou os países mais ricos de quererem obrigar os países do Sul a serem os guardiões pobres das florestas e afetarem sua soberania ditando como devem utilizar seus recursos naturais. “Querem criar mecanismos de intromissão, para julgar e monitorar nossas políticas nacionais com argumentos ambientalistas”, declarou.

"A indústria do Norte transforma tudo em algo a ser vendido. Privatiza a riqueza e socializa pobreza. Usurpa a natureza, que é a herança comum de todo ser vivo", disse ao citar o líder cubano Fidel Castro.

Ele lembrou a realização da Eco-92, a conferência da ONU sobre meio ambiente realizada há 20 anos no Rio de Janeiro, e citou o discurso de Fidel no encontro. "Como um homem muito sábio que é, ele nos disse na época: 'vamos acabar com a fome e não com o homem, paguemos a dívida ambiental e não a dívida externa'. Se passaram vinte anos e ainda precisamos deixar de lado a dívida imposta pelo modo capitalista", afirmou.

Ao destacar que hoje é feriado na Bolívia para comemorar o festival do Sol, em uma homenagem à natureza, Morales criticou a privatização dos recursos naturais. "O sistema imperialista extrai cada recurso natural e transforma em um negócio, em lucro. O faz com visão de curto prazo, de privatização dessa riqueza para garantir mais ganhos. Colonializa a natureza, transformando uma fonte de vida em ativo privado para benefício de poucos."

O presidente também citou como exemplo a política adotada em seu país de nacionalizar os recursos naturais, antes nas mãos de grandes conglomerados internacionais, como o setor de petróleo. "Nossa economia mudou após recuperarmos a posse dos combustíveis fósseis. Com todo respeito, os países da África e todas as nações pobres precisam fazer o mesmo, precisam recuperar seus recursos naturais, que não devem ser de posse dos negócios privados", disse ao citar que, na Bolívia, os serviços de telefonia e água foram nacionalizados. "Isso é obrigação do Estado, não é um negócio internacional", completou.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que também falou na plenária, foi breve e ameno em seu discurso e disse acreditar que a conferência chegará a alcançar um modelo de desenvolvimento coerente com os interesses sociais e econômicos dos países. “O legado do Rio continua vivo e deve continuar assim para o bem das futuras gerações.”

Com agências
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