terça-feira, 3 de abril de 2012

Contraponto 7758 - "Brics: reservas O Banco do BRICS, nova força financeira internacional"

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03/04/2012

Brics: reservas O Banco do BRICS, nova força financeira internacional

Do Vermelho - 02/04/2012

Reservas do Brics

Brics: reservas

Entrevista com economista brasileiro Carlos Tavares sobre a 4ª cúpula dos Brics e a proposta de criação de um banco de fomento pelos países do grupo

Pergunta: Como o você vê o desenvolvimento do sistema Brics e o papel dele para os países membros e para a comunidade internacional?
Tavares: Acho muito interessante a criação do Brics. Ainda mais agora com a África do Sul também no grupo. É muito interessante para a política econômica internacional, porque é um grupo de países em desenvolvimento que têm uma política diferente dos países industrializados. De forma que para a economia internacional e para a economia desses países é muito interessante a criação do Brics. Para a China e para o Brasil, que no meu entender são os principais países, é muito interessante a criação desse bloco para um maior equilíbrio do comércio internacional. Porque havia um desequilíbrio com os sete grandes, que dominavam a política internacional e não ouviam os países em desenvolvimento. Agora, eles têm que respeitar os países em desenvolvimento agrupados no Brics.

Pergunta: O Banco de Desenvolvimento da China vai oferecer empréstimos para outros países do Brics em yuan, em moeda chinesa. Qual é sua opinião sobre isso? É mais um espaço para internacionalização da moeda chinesa?
Tavares: Sim, evidentemente que isso é um passo importante para a internacionalização. Eu acho que chegou a hora do yuan se tornar uma moeda internacional como é o dólar. Isso é importante para o Brasil e para todos os países. Agora o objetivo do empréstimo, eu acho também muito interessante. O Brasil, por exemplo, não precisa de dinheiro internacional porque nós temos uma reserva hoje grande, de 300 bilhões de dólares, mas é um crédito. Isso, será um crédito em yuan, em moeda chinesa, para o Brasil fazer compras na China. Compras importantes, por exemplo, caso dos navios, caso de guindaste e equipamento portuário, equipamento para estrada de rodagem. Então este é um crédito que o Brasil, evidentemente, vai utilizar. Isso é interessante para a China, que vai abrir um crédito e vai exportar e para o Brasil que vai aproveitar esse crédito para equipamento petrolífero, por exemplo, que a China tem equipamentos muito modernos e nós vamos importar com base nesse crédito. Eu acho que é importante a abertura desse crédito. Além do mais, e isso é importante para nós, inclusive para a questão de prestígio internacional, o Brasil tem superávit com a China. De forma que, para efeito de liquidez, de uso desse dinheiro, o Brasil não está precisando. Quando precisar, vai ser muito bem vindo. Mas nós aceitamos, vamos precisar é do crédito, isso é importante para a importação, porque todos esses equipamentos pesados e os grandes processos, por exemplo, agora a China está interessada na infraestrutura em Mato Grosso, nas estradas, nos portos, é importante a utilização desses créditos, isso vai ser muito importante para nós. Então, se a China abrir um crédito, como abriu para a questão do petróleo, 10 bilhões de dólares, quando o Lula esteve lá, eu acho muito importante pro Brasil importar equipamento pesado, pois todo esse equipamento é com financiamento. Então esse é um crédito que o Brasil vai utilizar. Porque a moeda corrente, o Brasil realmente não tem necessidade de utilização, nem de yuan, nem do dólar, porque temos superavit na balanca comercial, então não há necessidade.

Pergunta: Nessa cúpula, os países do bloco discutiram a possibilidade de criação de um banco do Brics. Como o senhor vê esse tipo de cooperação financeira entre os cinco países?
Tavares: É importante a criação desse banco, porque hoje os países industrializados ainda dominam o sistema financeiro mundial, com o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. Quer dizer, isso é dominado pelos EUA, Alemanha, Inglaterra, França... Agora, os Brics se reunindo, com os superávits que nós temos, a China, o Brasil, a Rússia e a Índia também, agora vai ter uma nova força financeira internacional. E a criação desse banco eu acho que vai ser interessante. Não só os países do Brics, que são apenas cinco, mas também os outros países em desenvolvimento, que são mais uns 20 ou 30, vão utilizar desses créditos. Eu acredito que vão ser em condições melhores que as oferecidas pelo Banco Mundial, pelo Fundo Monetário e tudo mais. É importante a criação de uma nova força internacional de crédito.

Fonte: Radio China Internacional

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