quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Nº 22.713 - "Miruna lança livro na terra do pai, Genoino. 'Queremos contar a verdade', diz"

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15/11/2017


Miruna lança livro na terra do pai, Genoino. 'Queremos contar a verdade', diz
Há quatro anos, José Genoino foi preso ao lado de outros réus condenados na ação penal do mensalão, contestada até hoje por juristas. Para filha, ‘data é difícil, mas temos que pensar na dor, não na injustiça’
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 15/11/2017 15h45, última modificação 15/11/2017 16h18
Miruna e Genoino: 'queremos resgatar a verdade do meu pai que não é a desse julgamento'
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Brasília – Esta quarta-feira (15) não é apenas um dia de feriado comum na casa da família do ex-deputado José Genoino, é também uma data que marca, ao mesmo tempo, recordações dolorosas e aprendizados difíceis que levaram a família a ficar ainda mais unida e ter forças para seguir em frente. É o que conta a sua filha, a educadora Miruna Kayano Genoino, autora do livro “Felicidade Fechada”, publicado em março passado. Preso em 15 de novembro há quatro anos por condenação na Ação Penal 470, a do mensalão, ao lado de outros políticos, Genoino viveu uma situação especial em relação à dos demais réus.
Como se não bastassem as críticas feitas até hoje de seletividade e parcialidade no julgamento, o uso de teorias jurídicas que continuam sendo discutidas (como a do “domínio do fato”), além da contestação das provas que incriminaram os réus por juristas diversos, Genoino estava passando, na época, por sérios problemas cardíacos que exigiam cuidados constantes, impossíveis de serem observados num presídio.
Mesmo assim, os laudos foram desconsiderados e o ex-deputado enviado para o complexo penitenciário da Papuda, em Brasília. Tanto a situação dele era grave, que o ex-deputado precisou ser levado às pressas de ambulância, dias depois, após se sentir mal, para o Instituto do Coração, também na capital do país.
Foram dias de exame, laudos médicos designados pelo Judiciário, uma autorização para prisão domiciliar durante período de tratamento e seu retorno à Papuda, onde cumpriu a pena.
Genoino era um político atuante, que por anos figurou na lista dos parlamentares mais presentes e participativos do Congresso e nunca tinha tido qualquer mácula em sua biografia.
No momento em que saiu o resultado do julgamento da ação, anunciou com dignidade que estava em sua casa à disposição da Justiça e se prontificou a seguir para a sede da Polícia Federal, em São Paulo. O que fez assim que recebeu o mandado, assinado pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Joaquim Barbosa (hoje aposentado).  

‘Gratidão das pessoas’

Em liberdade, com a saúde recuperada e a pena cumprida, ele é, agora, um homem avesso a entrevistas e que aparece pouco em público, mas está longe de ser amargurado. Sua filha e amigos destacam que muita coisa ainda há de ser contada sobre todo o episódio. “Vamos sempre recordar o que aconteceu. Queremos resgatar a verdade do meu pai que não é a desse julgamento, é a da história de vida dele”, afirmou Miruna.
“Esta é uma data que a gente lembra como uma situação difícil, mas ao mesmo tempo, também recorda a gratidão das pessoas que foram nos apoiar na sede da Polícia Federal, que estavam na nossa casa nos dando carinho desde o início. Foram muitas as pessoas que nos ajudaram e que lutaram para que o meu pai não desistisse”, acrescentou a filha de Genoino.
A educadora avalia tudo o que aconteceu como o início de momentos ruins pelos quais passou e passa o país, como o clima de ódio cada vez mais acirrado entre as pessoas e o impeachment sem crime sobre a ex-presidenta Dilma Rousseff.
“Jamais esqueceremos tudo o que houve, mas a história do meu pai continuará sendo contada. Ele agora está bem de saúde. Conversa com pequenos grupos muito próximos de amigos sobre tudo o que está acontecendo e demonstra preocupação com a situação do Brasil”.

Lançamento no Ceará

Para Miruna, a melhor forma de marcar a data será o lançamento do seu livro na próxima sexta-feira (17), no Ceará, terra natal de Genoino. “Será um reencontro com familiares e amigos de infância. Temos que pensar na dor e não na injustiça, na força que tanta gente nos deu, no amor que recebemos. Graças a isso sobrevivemos”, ressaltou.
No livro, Miruna conta o processo vivido por Genoino e sua família desde 2005, quando ocorreram as primeiras denúncias relacionadas ao chamado mensalão. A obra é dividida em duas partes.
A primeira, reúne relatos escritos por ela durante o período, especialmente o processo de julgamento, condenação e prisão do seu pai. A segunda contém as cartas que Miruna enviou para Genoino na prisão.
O lançamento acontecerá a partir das 18h, no Centro Cultural Belchior, localizado na Praia de Iracema, em Fortaleza.
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