23/04/2018
Só a insatisfação não basta, por Luis Felipe Miguel
Do Jornal GGN - SEG, 23/04/2018 - 09:20

por Luis Felipe Miguel

Mas não basta a insatisfação com o que está aí - como seria diferente, como um governo que destrói direitos e perspectivas de vida para 99% da população, não produziria insatisfação? É preciso canalizá-la para formas de manifestação mais efetivas. É preciso de organização. A revolta provocada pela morte de Marielle foi uma coisa poderosa, mas sem quem a organize, certamente sua energia se dissipa no próprio momento em que se expressa.
A crítica às estruturas autoritárias, à burocratização e ao engessamento das organizações tradicionais da esquerda certamente é justa é necessária, assim como a demanda por maior horizontalidade, espaço para a manifestação das diferenças e recusa à posição de massa a ser manobrada. Mas a crítica deve operar no sentido de reformar as organizações, não de abandoná-las. A expressão espontânea não basta - o saldo das jornadas de junho de 2013 nos ensina isso. É preciso de organização e de liderança para produzir ação coordenada, sustentada além do calor do momento e com efetividade. É preciso partido, sindicato, associação, movimento organizado. Sem eles, operamos no vácuo.
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