quinta-feira, 17 de maio de 2012

Contraponto 8180 - "Hollande forma ministério jovem, paritário no gênero e multiracial"

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17/05/2012


Hollande forma ministério jovem, paritário no gênero e multiracial

Da Carta Maior 17/05/2012

Ecologistas, socialistas moderados, socialistas centristas, personalidades à esquerda do PS, um par de líderes históricos e uma paridade pontual entre os dois sexos, 17 integrantes do Gabinete são homens e 17 mulheres, compõe o primeiro Governo do presidente François Hollande. Ministério tem uma combinação de pastas distribuídas entre várias sensibilidades da esquerda francesa e um perfil jovem e multirracial. O artigo é de Eduardo Febbro.


Eduardo Febbro - Paris

Paris - O primeiro governo de esquerda surgido diretamente de uma presidência socialista do século XXI foi apresentado ontem com uma exata geometria entre homens e mulheres, uma combinação de pastas distribuídas entre várias sensibilidades da esquerda francesa e um perfil jovem e multirracial. Ecologistas, socialistas moderados, socialistas centristas, personalidades à esquerda do PS, um par de líderes históricos e uma paridade pontual entre os dois sexos, 17 integrantes do Gabinete são homens e 17 mulheres, compõe o primeiro Governo do presidente François Hollande.

Só há, por enquanto, uma ausência de peso: Martine Aubry, a Primeira Secretária do Partido Socialista que não ingressou ao círculo por não haver obtido a chefia de governo que desejava. Hollande e seu Primeiro Ministro, Jean-Marc Ayrault, fizeram malabarismo para montar uma equipe de governo que leve em conta da paridade entre os sexos até o conjunto das sensibilidades internas e externas do PS que desempenharam um papel importante na vitória do dia seis de maio passado.

O resultado é uma combinação entre juventude, perfil multirracial, experiência e polifonia das correntes da esquerda francesa. Os três ministérios mais importantes, Economia, Relações Exteriores e Interior, respondem a essa busca do equilíbrio. A pasta de Economia ficou com Pierre Moscovici, um ex-membro da Liga Comunista Revolucionária em sua juventude, coordenador da campanha de François Hollande, homem elegante e intelectual agudo. O Ministério de Relações Exteriores está em mãos de um influente dirigente do PS, o reformista Laurent Fabius, ex-Primeiro Ministro e Ministro de Economia.

Adversário de Hollande – quando lhe disseram que François Hollande seria candidato disse: “Não, estamos sonhando!” -, Fabius se mostrou, entretanto, leal ao longo da campanha. O mais que estratégico Ministério do Interior estará dirigido pelo franco-catalão Manuel Vals, o responsável pela comunicação da campanha de Hollande, especialista em temas de segurança e imigração e representante do ala conservadora do PS.

Entre as figuras oriundas da esquerda da esquerda que mais se destacam está Arnaud Montbourg. Autor de um panfleto contra a globalização que vendeu dezenas de milhares de exemplares, “Votem pela desglobalização”, instigador de uma corrente dentro do PS, o Novo Partido Socialista, Montbourg – apelidado de “o desglobalizador” - foi a grande surpresa das prévias socialistas do ano passado, onde ficou em terceiro, com mais de 17% dos votos, atrás de Martine Aubry e François Hollande. Ficou com o ministério da Recuperação Industrial. O Ministério de Trabalho está a cargo de um homem experiente, Michel Sapim, autor do programa econômico de Hollande e varias vezes ministro no passado. Sete dos 34 membros do governo tem menos de 40 anos.

Outro detalhe é a representação de pessoas que na França são conhecidas como “oriundas da imigração”, ou seja, descendentes de imigrados estrangeiros. Há sete responsáveis com essa identidade e outros quatro oriundos dos territórios franceses de ultramar. As três mulheres com mais influência dentro do governo provém de minorias raciais, as chamadas “minorias visíveis”. Trata-se de Christiane Taubira, oriunda da Guiana francesa, Ministra de Justiça, de Najat Vallaud Belkacen - nasceu no Marrocos -, ao mesmo tempo porta-voz do Governo e titular de Direitos das Mulheres, e de Fleur Pellerin, nascida na Coreia do Sul, Ministra delegada encarregada da Economia Digital.

Cabe resaltar que este Gabinete é o que se pode chamar inexperiente: de seus 34 integrantes, 31 deles jamais exerceram uma função ministerial, Primeiro Ministro incluído. François Hollande nomeou também outras personalidades importantes da esquerda francesa. Marisol Touraine, a filha do sociólogo Alain Touraine, é agora Ministra de Assuntos Sociais. Aurélie Filipetti é Ministra de Cultura. Esta mulher jovem, 38 anos, ex-ecologista, é também escritora, autora de uma novela que narra a história de seu avô, um mineiro membro da Resistência francesa que foi preso pela Gestapo e conduzido aos Campos de Concentração. Cécile Duflot, ex-Secretária Nacional do partido ecologista Os Verdes e, desde 2010, Secretária Nacional do movimento ecologista Europa Ecologia Os Verdes, terá as rédeas da pasta de Habitação.

Paridade, renovação, juventude, diversidade das origens e pastas como as do Êxito Educativo ou do Dialogo Social, François Hollande assumiu os compromissos de sua campanha. No caminho deixou Martine Aubry, a decisiva Primeira Secretária do PS. Aubry é a grade perdedora desta fase. Isso não significa, entretanto, que não volte ao primeiro plano mais tarde. Mulher aguerrida, marcada muito à esquerda, Aubry poderia recuperar o centro do cenário uma vez que passem as eleições legislativas do próximo mês de junho e Hollande comece realmente a governar.

Tradução: Libório Junior
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