22/11/2013
Pizzolato e os documentos que ‘comprovam a manipulação’ de Joaquim Barbosa e Roberto Gurgel
Do Diário do Centro do Mundo - Postado em 22 nov 2013
A fuga de Henrique Pizzolato traz um efeito colateral interessante nos debates em torno do Mensalão.
Os holofotes ampliaram consideravelmente o volume de sua voz. Agora, é enorme a curiosidade das pessoas pelo que ele tem a dizer. E ainda mais importante: pelos documentos que tem a mostrar.
Um vídeo que começa a circular pela internet merece ser visto com calma. Uma das maiores evidências da relevância do conteúdo é que até a Folha falou sobre ele.
Numa reunião do PT da qual participam líderes como Genoino e Suplicy, Pizzolato é chamado à frente para falar do Mensalão.
Ou ele é um ator extraordinário, ou ali está um homem revoltado e atormentado com um julgamento que pode passar para a história como o maior embuste jurídico nacional.
Pizzolato, no vídeo, lamenta que “até petistas” tenham acreditado nas “mentiras da mídia”.
Ele contesta a espinha dorsal das acusações: a saber, que houve desvio de dinheiro público. Segundo os acusadores – essencialmente alguns juízes do STF e mais a mídia –, o dinheiro do mensalão (cerca de 74 milhões de reais) era do Banco do Brasil.
Foi isso que JB disse em suas catilinárias inumeráveis vezes. E Pizzolato, como diretor de marketing do BB, teria sido o arquiteto do desvio.
O jornalista Raimundo Pereira foi uma das raras figuras, antes da fuga, a examinar os documentos que Pizzolato tem.
Segundo Pereira, há provas cabais da existência de quase 100 eventos em que foram gastos os 74 milhões. O STF, lembra Pereira, trabalhou o tempo todo com a tese de que não houve evento nenhum, na verdade. Tudo seria mentira para justificar o dinheiro alegadamente desviado.
Pereira cita um desses eventos. Era uma feira de arte africana que o Banco do Brasil montou no país, depois de ela fazer sucesso na Alemanha. “Foi gasto nela 1,4 milhão”, diz Pereira.
Pereira afirma também que a Receita devassou vinte anos fiscais de Pizzolato. “Tudo que encontraram foi a inclusão como dependente de uma madrasta que cuida dele desde que ele tinha cinco anos”, diz Pereira.
Pela irregularidade, Pizzolato pagou multa de 9 000 reais. Só mãe pode ser dependente. Seu patrimônio foi calculado em cerca de 1 milhão de reais, no total.
Raimundo Pereira publicou uma defesa de Pizzolato na revista Retratos do Brasil, antes das sentenças. Ele acusou textualmente o então procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e Joaquim Barbosa de “manipulação”.
Mas ninguém ouviu Pereira então, e muito menos Pizzolato.
Agora a cena mudou.
Por caminhos imprevistos, a palavra de Pizzolato ganhou potência. É ouvida e repercute.
Caso a justiça italiana investigue a documentação de Pizzolato, que poderá ocorrer? Se ele tem papeis que desmentem a tese do desvio de dinheiro público, na Itália não haverá Barbosas ou Gurgeis, ou Globos e Vejas, capazes de influenciar o curso das investigações.
Pizzolato era um coadjuvante no caso do mensalão, diante de figuras chave do PT como Dirceu e Genoino.
Não mais.
Seu caso passa, agora, a ter uma importância extraordinária por ter o poder de trazer quem sabe luz a um episódio repleto de sombras.
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