quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Nº 20.811 - "O Dr. Parente mente. Conteúdo nacional não discrimina estrangeiras"

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01/02/2017


O Dr. Parente mente. Conteúdo nacional não discrimina estrangeiras


Do Tijolaço · 01/02/2017


conte

por FERNANDO BRITO


É impressionante a cara de pau do liquidante da Petrobras designado por Michel Temer, por indicação do PSDB, para desmontar a grande empresa brasileira.

Hoje, na Folha, Pedro Parente tenta enganar os trouxas confundindo a política de conteúdo nacional no petróleo como uma discriminação contra empresas de capital estrangeiro.

Ideologias, quando levadas ao extremo, tornam as pessoas impermeáveis a argumentos e fatos. Discutir a origem do capital investido no Brasil é um exemplo. Superada pela Constituição, que não faz distinção entre capital nacional e estrangeiro, essa discussão tem pouca utilidade na vida real.

A maioria dos brasileiros vai trabalhar diariamente em veículos de marcas globais fabricados no Brasil; falamos ao celular em aparelhos com peças importadas do mundo inteiro; a maior parte das ações da bolsa brasileira é de investidores estrangeiros.

Ora, Dr. Parente, o senhor sabe que não existe diferença, para o cumprimento das cotas de conteúdo nacional, se a empresa é de capital brasileiro, chinês, coreano, norte-americano ou até do Timbuctu. A exigência é, apenas, que se produza aqui ao menos uma parte do que a exploração de petróleo demanda da indústria e isso vale não apenas para a Petrobras como para qualquer empresa petroleira de outro país que pretenda ter uma concessão aqui. Embora, claro, você não veja as obras mais pesadas serem encomendadas por elas aqui, mas isso já é outra história.

Podem até, como no caso de automóveis e celulares que o senhor menciona, trazer partes prontas do exterior para montagem, desde que o valor agregado aqui atinja os patamares dos contratos que elas aceitaram para ter direito de explorar petróleo.

Depois, Parente passa para a arenga de que nos falta capacidade técnica para fazer aqui, em lugar de comprar lá fora:

No setor de óleo e gás, o intervencionismo estatal se materializou na “Política de Conteúdo Local” (PCL). A exigência de um conteúdo local muito acima da capacidade da indústria impôs prejuízo significativo ao governo e ao setor. Quem diz isso não é a Petrobras, mas o Tribunal de Contas da União, que em auditoria recente concluiu que “existe um alto custo da política, em função da baixa competitividade da indústria nacional”.

Na Petrobras, além dos custos mais elevados apontados pelo TCU, houve atrasos de mais de três anos na entrega de 12 plataformas.

O que falta é capacidade gerencial, porque alguém é capaz de dizer que num país onde o setor de obras pesadas tem competências mais que reconhecida, suficiente até para realizar projetos no exterior, não tem capacidade de fazer obras? Que o nosso cipo de engenheiros e técnicos é incapaz, mesmo tendo feito algumas das maiores obras do mundo? Ou será que é o “peão” que custa mais aqui do que a mão de obra semi- escravizada de alguns lugares do mundo?

Será que uma indústria naval que já foi a segunda maior do mundo, que foi capaz de produzir, nos anos 80, os dois então maiores navios do mundo, o Docefjord e o Tijuca, não tem condições de produzir petroleiros e sondas? Claro que tem e, embora possam custar um pouco mais e pedir prazo um pouco maiores, geram emprego, renda, encomendas a cadeias de fornecedores para brasileiros.

No fim, numa apelação sem limites, cita dois trabalhadores, Adir Freitas e Ademir Klitze, empregados em  multinacionais instaladas no Brasil como exemplo do que estaríamos perdendo com o conteúdo nacional. Isso é, sem meias palavras, Dr. Parente, mentira. Sem o conteúdo nacional, Adir e Ademir perderiam seus empregos, porque é mais barato e rápido importar aquilo que eles produzem aqui.

Porque as empresas em que eles trabalham produzem aquilo que o senhor despreza: conteúdo nacional, chame-se Schlumberger e Zé da Silva, desde que esteja instalada aqui, produza aqui e empregue brasileiros feito Adir e Ademir.

Aliás, até brasileiros tão pouco preocupados com país, feito Pedro Parente, que chama de “ranço ideológico” defender o Brasil.