19/12/2013
Mídia estaria “insuflando” revolta na Papuda?
Do Cafezinho - 19/12/2013
Enviado por Miguel do Rosário on 19/12/2013 – 2:24 pm

Entretanto, a irresponsabilidade da nossa mídia, que não tem limites, agora flerta com a subversão pura. Não se enganem. Há subversão à esquerda, algumas irresponsáveis, outras conectadas a situações limites que não deixam outra saída; mas também há subversão à direita, patrocinada pela Casa Grande, em geral com vistas a prejudicar politicamente seus adversários no governo.
Repórteres da Folha entrevistaram 20 familiares de presos do Complexo Penitenciário da Papuda. Desses 20, apenas 2 mulheres confirmaram “rumores de rebelião”.
Entretanto, a reportagem inicia com a seguinte asserção:
Familiares de presos do Complexo Penitenciário da Papuda relatam clima de tensão dentro das unidades do presídio e afirmam que os detentos estão “revoltados” com o tratamento, considerado diferenciado, dado aos presos do mensalão.
E qual seria o “tratamento diferenciado”, o “privilégio” dos presos do mensalão? Um só. A reportagem responde:
A insatisfação é motivada principalmente pelo tratamento diferenciado que os presos do mensalão tiveram ao receber visitas. Na primeira semana, parlamentares tiveram acesso aos condenados no processo fora do horário regular e sem pegar fila. Depois, os presos do mensalão passaram a ter visitas às sextas -para os demais detentos, elas são restritas às quartas ou quintas. Há duas semanas, a Vara de Execuções Penais suspendeu as visitas às sextas. Mas a revolta entre os familiares persiste, e há clima de insatisfação entre os detentos.
O presídio decidiu permitir que os presos do mensalão recebessem visitas num dia específico porque o caso deles é diferente: como são ex-autoridades políticas, houve caravanas de parlamentares e ministros para visitá-los nos primeiros dias, o que transtornava a rotina da Papuda.
Toda essa desordem foi causada, aliás, pelo show ridículo de Joaquim Barbosa. Os condenados não deveriam estar sequer presos em regime fechado. Podiam estar em regime semi-aberto e, portanto, receber visitas fora da cadeia.
Além disso, a própria reportagem diz que os juízes já terminaram, há duas semanas, com o tal dia especial para visitas aos presos políticos.
Ou seja, o único “privilégio” dado aos presos do mensalão já não existe há duas semanas. Mesmo assim, os repórteres insistem que o “clima de revolta” continua. Como se presidiários, em qualquer lugar do mundo, fossem as pessoas mais pacatas e tranquilas do mundo, mormente num presídio de segurança máxima que abriga criminosos de altíssima periculosidade.
O que me preocupa, no entanto, é a possibilidade dos próprios repórteres da Folha, ao entrevistarem os familiares dos presos, estarem insuflando, mesmo que com sutis insinuações, algum tipo de comportamento.
O simples sensacionalismo sobre o caso já é uma forma de insuflar. Os presidários da Papuda não são bobos. Sabem que, neste momento, a mídia está de olho no presídio. Eles e seus familiares sabem (ou vão descobrir logo logo) que qualquer frase contra os condenados do mensalão encontrarão a simpatia dos grandes meios de comunicação. O processo de linchamento público não pode parar. Ele faz parte da estratégia para que os embargos infringentes não tenham sucesso, e que nenhuma revisão criminal prospere junto ao STF.
Só que, na minha opinião, eles (a grande imprensa) estão apenas acrescentando mais capítulos à lista negra de sucessivos arbítrios midiáticos e judiciários cometidos nesse julgamento. Quanto mais pressão eles fazem, mais claro fica que houve publicidade opressiva, e que há necessidade, portanto, de anular toda a Ação Penal 470.
O caso tem de ser desmembrado, e os réus sem foro privilegiado tem de ser julgados em primeira instância, como são todos os brasileiros.
E as provas tem de ser, pela primeira vez, levadas em conta. Juíz tem que seguir os autos, e não as colunas de Merval Pereira.
Juiz não tem que escrever prefácio em livro de jornalista que está acusando os réus, como fez Ayres Brito, numa inacreditável afronta à mais básica ética de um juiz.
Manifestação de petistas contra a Ação Penal 470, em frente à Papuda
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