quarta-feira, 8 de março de 2017

Nº 20.948 - "Enquanto olham para Odebrecht, o rastilho de Cunha queima"


08/03/2017


Enquanto olham para Odebrecht, o rastilho de Cunha queima


Do Tijolaço  · 08/03/2017


cunhafeliz (1)


Fernando Brito

Embora tenha sido homologadas apenas no início de fevereiro, as delações premiadas dos executivos da Odebrecht foram feitas em novembro e dezembro do ano passado. No dia 19/12, depois de fechado o último lote, o procurador Geral Rodrigo Janot a enviou a Teori Zavaski, que já reclamava da demora.

Todas as informações, portanto, já estavam nas mãos da Procuradoria e, imagina-se, também estavam centenas ou milhares de documentos com que os delatores procuravam fazer prova do que diziam, porque nenhuma delação seria aceita sem isso, só na base do “ouvi dizer” e o “la garantía soy yo“. Ou não deveria ser.

Porque, óbvio, pagamento deve ter data, destinatário, conta onde se depositou e, no caso de entrega de pacos de dinheiro, a quem e em que lugar foram entregues. Ou será que iam dar um milhão de reais na mão e um contínuo e dizer que “vai passar um senhor alto, de óculos, aí na portaria e você entrega este pacote a ele”?

Há três meses, portanto, os procuradores têm todo o material necessário para articular pedidos de inquéritos e até mesmo denúncia contra as ditas dezenas – ou mais de uma centena, até – de políticos denunciados pela empreiteira.

Evidentemente, “cozinha-se o galo”, à espera de um momento de maior “rendimento” midiático ou, quem sabe, de inaceitáveis “entendimentos” para seletividade.

Enquanto isso, Eduardo Cunha fica convenientemente na penumbra, embora apareçam toda hora novos elementos, como a delação do complicado  ex-presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, que disse ter pago ao ex-presidente da Câmara para enfiar vantajosos “contrabandos” em  nove medidas provisórias no Congresso.

Cunha era o homem da prospecção de negócios, o que assumia compromissos pela bancada peemedebista e, portanto, operava o campo das votações na Câmara como, em nome da necessidade de maioria, chantageava o governo com cargos decisivos para negócios.

E está vendo ficarem distantes as promessas de que não seria deixado apodrecer na cadeia. Suas “baterias” de perguntas – inclusive as vetadas por Sérgio Moro que, preventivamente, o arroubo da “mula” Yunes arranjou uma incrível história de “cobertura” – são a demonstração de que é ali que mora o perigo para Michel Temer.

Cunha é a bomba, embora o barulho seja a Odebrecht.

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