terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Nº 20.852 - "EMBARAÇO À LAVA JATO FOI O GOLPE, JANOT "


07/02/2017


EMBARAÇO À LAVA JATO FOI O GOLPE, JANOT


Brasil 247 - 6 DE FEVEREIRO DE 2017 ÀS 23:14


Com muitos meses de atraso, o procurador-geral Rodrigo Janot decidiu denunciar o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e sua turma por obstrução de Justiça e "embaraço à Lava Jato"; ao oferecer a denúncia, Janot praticamente valida o que disse Jucá, quando o senador afirmou que era necessário derrubar Dilma para "parar essa porra e estancar a sangria"; ou seja, está mais do que claro que o golpe foi, como disse o escritor Miguel Sousa Tavares, uma assembleia de bandidos presidida por um bandido, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para derrubar Dilma Rousseff, a presidente honesta; a saída honrosa, para Janot e o STF, deveria ser encampar a bandeira da anulação do golpe


247 – Com muitos meses de atraso, o procurador-geral Rodrigo Janot decidiu denunciar o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e sua turma por obstrução de Justiça e "embaraço à Lava Jato".

Ao oferecer a denúncia, Janot praticamente valida o que disse Jucá, quando o senador afirmou que era necessário derrubar Dilma para "parar essa porra e estancar a sangria".

Ou seja, está mais do que claro que o golpe foi, como disse o escritor Miguel Sousa Tavares, uma assembleia de bandidos presidida por um bandido, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para derrubar Dilma Rousseff, a presidente honesta.

A saída honrosa, para Janot e o STF, deveria ser encampar a bandeira da anulação do golpe.

Abaixo, reportagem da Reuters:

(Reuters) - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) abertura de inquérito contra o ex-presidente José Sarney, os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL) e o ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado por suposto crime de embaraço às investigações na operação Lava Jato.

"As manobras dos políticos para interferir nas investigações foram detalhadas por Sérgio Machado em acordo de colaboração premiada", informou a Procuradoria-Geral da República em comunicado.

De acordo com a PGR, o conteúdo de cerca de seis horas de conversas gravadas demonstra motivação de estancar os avanços da Lava Jato "por meio de acordo com o Supremo Tribunal Federal e da aprovação de mudanças legislativas".

Outra forma de obstrução, segundo o pedido de inquérito, consistia na redução de poderes do Judiciário e do Ministério Público mediante a realização de nova constituinte.

Em junho do ano passado, Janot chegou a pedir a prisão de Sarney, Jucá, Renan e também do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, por atrapalhar as investigações, o que foi negado pelo ministro Teori Zavascki, então relator da Lava Jato no STF, que morreu em acidente de avião no mês passado.

O pedido de abertura de inquérito feito desta vez por Janot foi encaminhado ao ministro Edson Fachin, novo relator da Lava Jato no STF. Nele, Janot argumenta que há "elementos concretos de atuação concertada entre parlamentares, com uso institucional desviado, em descompasso com o interesse público e social, nitidamente para favorecimento dos mais diversos integrantes da organização criminosa".

Segundo Janot, "é chocante... ouvir o senador Romero Jucá admitir, a certa altura, que é crucial 'cortar as asas' da Justiça e do Ministério Público".

Jucá perdeu o cargo de ministro do Planejamento em maio, após o vazamento de trecho da conversa com Machado, em que teria sugerido que uma troca no governo federal, com a saída de Dilma Rousseff, resultaria em pacto para frear os avanços da Lava Jato.

A defesa de Jucá informou em nota que "não há preocupação em relação à abertura do inquérito, pois não vê qualquer tipo de intervenção do mesmo na operação Lava Jato. Ressalta que a única ilegalidade é a gravação".

Também em nota, Renan afirmou que não fez nenhum ato para embaraçar ou dificultar qualquer investigação e que sempre foi colaborativo, enquanto a assessoria de Sarney disse que ele está em trânsito e não poderá comentar a decisão do PGR.


(Por Tatiana Ramil, em São Paulo; com reportagem adicional de Maria Carolina Marcello e Lisandra Paraguassu, em Brasília)

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