terça-feira, 19 de maio de 2015

Contraponto 16. 771 - "Um projeto à espera de um estadista"

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19/05/2015


Um projeto à espera de um estadista





O vácuo político atual é extremamente didático para ilustrar a importância da política na definição do futuro de um país.

O governo Dilma Rousseff não tem agenda. Agenda é o pós-ajuste fiscal. A oposição também não logrou desenvolver um projeto alternativo. Principal partido de oposição, a mídia não sabe falar para o cérebro: só para o fígado. O Congresso também não é o fórum para a formulação de políticas. E os partidos políticos há muito tempo esqueceram o que são posições programáticas.
E, no entanto, la nave – o país – va.

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Em cada setor do país e das políticas públicas, há um conjunto de ideias-força desenvolvida ao longo de décadas por um esforço coletivo nacional.
Na educação, a ideia do período integral, de um papel mais ativo da União no ensino básico, a regionalização das universidades federais, programas tipo Ciência Sem Fronteiras e Fies exigem grandes aprimoramentos de gestão. Mas o caminho está dado.


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No campo do desenvolvimento, há que se retomar as discussões sobre o papel do país no mundo, das empresas nacionais nas cadeias produtivas globais. Mas as ferramentas de desenvolvimento já foram lançadas exigindo – assim como na educação – aprimoramento.

Políticas de conteúdo nacional, novas ferramentas para financiar investimentos, modelos de PPP (Parceria Público-Privada), modelos de financiamento via mercado de capitais ou BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), projects finances, modelos de concessão, todos esses temas já fazem parte do repertório nacional.

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No campo do desenvolvimento geográfico, há conceitos bem elaborados sobre a regionalização do desenvolvimento, sobre a preparação das novas metrópoles que estão surgindo, para que se transformem em centros de serviço para as respectivas regiões, fugindo da falta de planejamento das megametrópoles atuais.

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Há iniciativas promissoras no campo das indústrias criativas, um amplo potencial para explorar modelos de desenvolvimento no nordeste, em cima da música, do artesanato.
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No campo político, desde que ruíram as masmorras do regime militar, houve um florescimento gradativo da sociedade civil, ONGs para todos os gostos, uma ede de participação que nem o desânimo atual tolheu.

Este ano deverá haver quatorze conferências nacionais, um modelo federativo que deixa abismados cientistas europeus que aportam por aqui, identificando na sociedade civil brasileira um dinamismo que emudeceu na Europa.

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Há enormes espaços para o aprimoramento das ferramentas federativas, pactos entre as três instâncias federadas, consórcios de municípios, regiões metropolitanas.

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Na competição internacional, um sem-número de ideias ligadas a gestão e a inovação, modelos bem sucedidos de criação de clusters de pequenas e micro empresas, parcerias inestimáveis entre todos os setores nacionais em torno de campanhas tipo MEI (Movimento Empresarial pela Inovação).

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Todo esse enorme repertório está aí. Falta apenas a visão de conjunto e um político de fôlego, no governo ou na oposição, em algum partido político ou movimento, para empunhar a bandeira.



Comentário


Agenda nítida, cristalina e evidente

O segundo governo da presidenta Dilma Rousseff tem uma agenda nítica, cristalina, evidente e correta. É a mesma agenda iniciada por Lula e que qualquer um que acompanhe a política já está quase careca de tanto saber. Qual seja: é a agenda da política de valorização do salário mínimo, do conteúdo nacional, da aliança estratégica do Brasil no âmbito do Mercosul, da Unasul e dos BRICS, da diminuição das desigualdades sociais e regionais, etc. 

O que se vê neste começo do ano de 2015 é um ajuste nas contas públicas, algo inadiável, e similar ao que Lula fez em 2003 (embora seja um ajuste, o atual, de menor envergadura). Se está criando as bases fiscais para retomar com mais força ainda o projeto que está em curso há quase 13 anos. Não há um único programa social da época de Lula que tenha sido finalizado e, ao contrário disto, muitos outros foram implementados. 

Outra questão é que essa estória de ''estadista'' é uma falácia. Na época do governo de Getúlio Vargas e de Juscelino Kubitschek não havia ninguém que os nominasse como estadistas. Eram, isto sim, por parte da imprensa mafiosa e mentirosa, desancados durante 24 horas por dia. Eram chamados de ladrões, de corruptos, de populistas e de tudo o mais que se queira imaginar. Era similar ao que hoje fazem com Lula e Dilma. 

Ou seja, um estadista só passa a ser reconhecido enquanto tal com o passar do tempo, nunca ao tempo em que governa um país. Basta lembrar também dos exemplos de Abraham Lincoln e Franklin Delano Roosevelt, ou mesmo do exemplo de Winston Churchill, que venceu a II Guerra Mundial e mesmo assim perdeu a eleição de 1945 para o Trabalhista Clement Attlee. Só com o tempo é que as lideranças se transformam ou não em estadistas reconhecidos. 

O maior estadista do Brasil, com visão de futuro de médio e de longo prazos, se chama Luiz Inácio Lula da Silva. Evidentemente que hoje em dia ainda não o reconhecem enquanto tal, mas certamente isso vai acontecer com o passar do tempo. E principalmente se ele voltar em 2018 para dar sequência ao projeto político iniciado por ele e bem conduzido atualmente por Dilma Rousseff. 

Diogo Costa
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