terça-feira, 28 de junho de 2016

Nº 19.743 - "O que Cunha foi falar com Temer no Jaburu? Por Paulo Nogueira"

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28/06/2016 

 

O que Cunha foi falar com Temer no Jaburu? Por Paulo Nogueira


Temer é Cunha

 
O que Cunha foi falar com Temer no Jaburu?
Está claro o poder do primeiro sobre o segundo, ou este não teria recebido um visitante tão comprometido com roubalheiras num momento de tamanha dramaticidade.

Vem à lembrança, imediatamente, a frase já antológica do delator Sérgio Machado: “Temer é Cunha”.

Repare na ordem. A precedência é de Cunha. Não é “Cunha é Temer”. É “Temer é Cunha”. Há uma subordinação explícita aí.

É péssimo para Temer receber Cunha, ainda mais na clandestinidade. É um encontro que não estava na agenda, e que vazou. É um embaraço tão grande que Cunha negou, mas o Planalto foi forçado a admitir, ou seria apanhado em flagrante mentira.

Jogar baralho é que eles não fizeram. Tampouco devem ter conversado sobre o Brexit ou quaisquer outras questões internacionais. É difícil imaginar que tenham trocado confidências sobre seus casamentos, Temer com Marcela, Cunha com Claudia.

Fatalmente o tema foi a perspectiva de Cunha de ser preso. Podemos todos imaginar o que Cunha conhece de Temer.

Eles têm histórias juntos. O grupo Libra, que opera a logística no Porto de Santos, é um dos elos comuns. O Libra doou recursos para a campanha de Temer. E colocou 591 mil reais na conta de Claudia Cruz.

O Libra não poderia atuar em Santos, dada sua dívida com a União. Mas atua. Mexa nesta história e você encontrará as mãos dadas de Temer e Cunha, como se fossem namorados.

O prontuário de Cunha sugere que ele foi a Temer fazer o mesmo que os senadores comprados com cargos e vantagens estão fazendo: cobrar a fatura.

É simplesmente impossível imaginar que Cunha vá aceitar apodrecer na cadeia depois de ter minado Dilma no Congresso ao bloquear suas medidas e depois comandar seu impeachment.

Temer vai ter que se mexer para socorrer o amigo em apuros, ou histórias horripilantes virão a público.

Pense o que passa pela cabeça de Cunha: fomos parceiros, bróders, camaradas, e agora você está no Planalto e eu à beira da gaiola. É justo?

A questão é se Temer tem força para salvar de alguma forma Cunha.

Se não tiver, o que é o mais provável, é bom se preparar para uma tornozeleira, na melhor das hipóteses.
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Sobre o Autor
Paulo Nogueira. Jornalista, fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.
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