domingo, 16 de abril de 2017

Nº 21.242 - "Delator explica direitinho, com documentos, onde encontrar o dinheiro cheiroso de José Serra na Suiça

16/04/2017

Delator explica direitinho, com documentos, onde encontrar o dinheiro cheiroso de José Serra na Suiça



Do Viomundo - 16 de abril de 2017 às 13h01

  
Delator entrega bancos e contas de supostos repasses a Serra na Suíça
Segundo Carlos Armando Paschoal, conhecido como CAP, os intermediários dos pagamentos a Serra foram duas pessoas próximas ao tucano
Um dos delatores da Odebrecht, ex-superintendente da empreiteira em São Paulo, entregou ao Ministério Público Federal os números das contas e os nomes dos bancos que, segundo ele, foram usados para transferir euros no exterior para a campanha do senador José Serra (PSDB) à Presidência em 2010.
Segundo Carlos Armando Paschoal, conhecido como CAP, os intermediários dos pagamentos a Serra foram duas pessoas próximas ao tucano: primeiro Márcio Fortes, ex-tesoureiro do PSDB, que recebia em reais no Brasil, e depois o empresário Ronaldo Cezar Coelho, que utilizou contas na Suíça.
O depoimento de CAP foi corroborado por outros, como o de Pedro Novis, ex-presidente da Odebrecht, e parte de seu teor foi adiantada pela Folha de S.Paulo, que revelou que a empreiteira delatou repasses de R$ 23 milhões a Serra.
Os pagamentos aconteceram, ainda segundo o delator e os papéis apresentados, entre 2009 e 2010, em troca de o governo de São Paulo ter pago a uma das empresas do grupo Odebrecht R$ 191,6 milhões que haviam ficado pendentes de obra na rodovia Governador Carvalho Pinto.
O débito do Estado com a Odebrecht já vinha se arrastando na Justiça havia cerca de oito anos, ainda segundo o delator, e poderia ter continuado sub judice, mas o governo paulista fez acordo com a empreiteira em troca dos repasses para o PSDB.
Além de entregar aos investigadores da Lava Jato dados relativos às contas usadas na Suíça indicadas por Ronaldo Cezar Coelho – como o código “swift”, usado em transferências para o exterior -, o delator apresentou e-mails internos da Odebrecht que tratam dos pagamentos e deu detalhes de encontros os supostos prepostos de Serra que poderão ser confirmados.
Pelos relatos, os encontros com Fortes foram em 2009, no gabinete dele, quando ele presidia a Emplasa (Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S.A.). Já com Cezar Coelho foram duas vezes no escritório do empresário em Ipanema, no Rio.
“Ele [Fortes] tinha alguns prepostos que ele me dizia, me dava o interesse de um hotel e o nome da pessoa, eu passava a senha para ele”, disse CAP sobre pagamentos.
Sobre as contas supostamente indicadas por Cezar Coelho, o delator disse: “Nos dados de corroboração nós estamos indicando o banco, o ‘swift’, para não ter dúvida.”
MAIS SUSPEITAS
O caso dos repasses de R$ 23 milhões, relativos à obra na rodovia Carvalho Pinto, é uma das suspeitas que envolvem o senador tucano.
Em outro caso, ele foi delatado por supostamente ter recebido 2 milhões de euros no exterior para sua eleição ao governo de São Paulo em 2006. Nesse episódio, outro empresário teria indicado contas na Suíça, José Amaro Pinto Ramos, ligado ao PSDB.
OUTRO LADO
Após o Supremo Tribunal Federal tornar públicas as delações, na terça (11), o senador José Serra negou ter cometido irregularidades.
“O senador reitera que não cometeu nenhuma irregularidade e que suas campanhas foram conduzidas pelo partido, na forma da lei. A abertura do inquérito pelo Supremo Tribunal Federal servirá como oportunidade de demonstrar essas afirmações e a lisura de sua conduta”, afirmou, em nota.
Cezar Coelho disse em outubro passado, quando seu nome veio à tona, que não fez arrecadação para Serra, embora, como fundador do PSDB, tenha participado de todas as campanhas presidenciais do partido.
A reportagem não localizou Márcio Fortes.

PS do Viomundo: Muito importante relembrar o que escreveu o propagandista chefe da Globo, Merval Pereira, sobre o livro A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr.: O livro “Privataria tucana”, da Geração Editorial, de autoria de Amaury Ribeiro Jr, é um sucesso de propaganda política do chamado marketing viral, utilizando-se dos novos meios de comunicação e dos blogueiros chapa-branca para criar um clima de mistério em torno de suas denúncias supostamente bombásticas, baseadas em “documentos, muitos documentos”, como definiu um desses blogueiros em uma entrevista com o autor do livro. […] A chamada “grande imprensa”, por ter mais responsabilidade que os blogueiros ditos independentes, mas que, na maioria, são sustentados pela verba oficial e fazem propaganda política, demorou mais a entrar no assunto, ou simplesmente não entrará, por que precisava analisar com tranqüilidade o livro para verificar se ele realmente acrescenta dados novos às denúncias sobre as privatizações, e se tem provas.