sábado, 15 de abril de 2017

Nº 21.229 - "DILMA NOS EUA: BRASIL NÃO TERÁ ESTABILIDADE SEM DEMOCRACIA"


15/04/2017


DILMA NOS EUA: BRASIL NÃO TERÁ ESTABILIDADE SEM DEMOCRACIA


Brasil 247 - 14 DE ABRIL DE 2017 ÀS 21:34



No giro de palestras pelos Estados Unidos, a presidente deposta pelo golpe Dilma Rousseff esteve no Instituto Murphy, em Nova York; Dilma voltou a defender os valores democráticos e a necessidade de eleição direta, sustentada por Constituinte exclusiva; "É preciso reforma política junto com a nova eleição porque com esse pessoal aí não é viável qualquer possibilidade de estabilidade econômica ou política"; a petista, que foi aplaudida várias vezes, criticou a política de entreguismo do atual governo; "Ninguém aliena seu próprio território"; Dilma alertou que o prazo do governo golpista está se esgotando: "Ou eles entregam logo o que prometeram para a mídia e o mercado ou haverá insatisfação popular monumental"; no encerramento, a plateia se levantou e aplaudiu aos gritos de "Democracy in Brazil"

247 - Em seu ciclo de palestras pelos principais centros acadêmicos dos Estados Unidos, a presidente deposta pelo golpe Dilma Rousseff falou na sexta-feira no Instituto Joseph S. Murphy, em Nova York. A petista voltou a defender os valores democráticos para que o Brasil retome o caminho certo e criticou a iniciativa de Michel Temer de facilitar a venda de terras brasileiras para estrangeiros.

Para Dilma, só haverá estabilidade econômica e política com uma eleição direta, que traga consigo uma Constituinte exclusiva e também estabeleça a reforma política. "É preciso reforma política junto com a nova eleição porque com esse pessoal aí não é viável qualquer possibilidade de estabilidade econômica ou política. Não haverá estabilidade sem processo democrático de escolha".

Ao se aprofundar no tema da venda de terras, Dilma aumentou o tom das críticas ao governo golpista de Michel Temer. "Ninguém aliena seu próprio território. O que nós nunca aceitamos foi a desnacionalização de terra brasileiras. Não aceitamos tentativas de controle de milhões de hectares por uma única empresa. Isso aliena a soberania brasileira. Temos que lutar contra o que eles estão fazendo contra a nossa soberania", conclamou.

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) já afirmou que Temer quer transformar o Brasil numa espécie de Congo Belga. No começo do século passado, quase todo o território do país africano pertencia ao Rei Leopoldo, da Bélgica. Dilma falou ainda sobre o esforço dos governos do PT em descobrir e viabilizar o Pré-Sal e como os bancos públicos, principalmente o BNDES e Caixa, fomentaram o crescimentos econômico do País em diversas atividades e nas políticas sociais nos últimos anos.

Motivo do Golpe

Dilma também abordou o golpe praticado contra ela no passado. "O golpe foi feito para estancar a sangria das investigações. Impedir que as investigações chegassem aos mais corruptos de todos. O golpe foi feito para enquadrar o Brasil, economicamente e geopoliticamente, no Neoliberalismo".

O desmonte das políticas sociais e das ações realizadoras dos governos do PT é uma das prioridades do novo governo, lembrou a presidente deposta. Como exemplo, ela citou o sufocamento do programa Mais Médicos. "Eles estão atrasando o pagamento. Querem acabar com o Mais Médicos. Eles têm alergia a cubanos", arrancando aplausos da plateia.

Crítica às elites

Outro ponto carregado de muita crítica foi quando Dilma Rousseff falou do comportamento político da elite brasileira, traçando uma comparação com outras nações. "A elite brasileira é uma elite que jamais quis educar seu povo. Nunca quis elevar as condições de seu povo. Nós mostramos que se pode crescer distribuindo renda".

Prazo se esgotando

Na parte final de sua fala, Dilma Rousseff afirmou que o prazo do governo golpista está se esgotando. "Ou eles entregam o que prometeram para a mídia e o mercado ou haverá uma insatisfação popular monumental no Brasil". A presidente deposta lembrou que as reformas propostas pelo governo de Temer, como a da Previdência e a Trabalhista, já estão encontrando forte resistência no Congresso Nacional.

"Nós não sabemos o que vai acontecer ao certo. Mas, ou entregam logo ou passam a não ter serventia e perdem o prazo de validade para o mercado e a mídia", completou.

Aplausos

Ao encerrar sua participação, Dilma foi ovacionada e a plateia, em pé, aplaudiu e gritou: "Democracy in Brazil".
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