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21/10/2016
O boi de piranha mais suculento da República
Blog do Miro - sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Diante das evidências cada vez maiores de que não existem provas contra o ex-presidente Lula, quem, que não fosse do PT, poderia ser preso neste momento para tentar amenizar as críticas sobre a parcialidade da Lava-Jato? Ora, até as caspas sobre o paletó de Eduardo Cunha sabem que hoje ele é o preso ideal. Primeiro porque já está decaído. Não é mais o presidente da Câmara e o processo de impeachment de Dilma Rousseff foi concretizado (por ele) com êxito, portanto não é mais útil.
O establishment não está interessado no PMDB, nunca esteve, e Michel Temer sabe disso – ou não teria voltado às pressas de sua viagem ao Japão tão logo o companheiro de longa data foi preso. Os heróis do establishment sempre foram o PSDB e seu velho parceiro, o DEM. São eles que o poder econômico quer ver de volta ao poder, de preferência sem o risco de uma eleição. E é sobre eles que falamos quando denunciamos a seletividade da Lava-Jato. Enquanto nenhum político destes dois partidos for mandado a Curitiba, as críticas sobre a seletividade da operação permanecem; antes disso, Eduardo Cunha não será nada além de um suculento boi de piranha.
Curiosamente, aliás, a prisão do ex-presidente da Câmara acontece na mesma semana em que o escritor italiano Gianni Barbacetto, autor do livro sobre a Mãos Limpas, a operação italiana que inspirou Sergio Moro (a apresentação da edição brasileira é assinada pelo juiz), fez duros reparos às “limitações” da Lava-Jato. Em entrevista ao jornal Zero Hora no sábado,15, Barbacetto disse estar “surpreso” que tenham aparecido acusações “só contra o PT e seu líder Lula”. “Parece-me que todo o sistema está envolvido pela corrupção. Desde o início o sistema continua como antes e será apenas Lula a pagar”, criticou.
Se o problema é sistêmico, não será a prisão de Cunha que irá atenuar nos cidadãos conscientes, que não se deixam contaminar pela mídia, a sensação de que a Justiça praticada por Moro é seletiva. Os defensores do magistrado paranaense sempre afirmaram que seu objetivo é acabar com a corrupção no país. Sendo assim, a prisão de Eduardo Cunha jamais poderia ser considerada um fim, e sim um meio. Mas já tem colunista de direita defendendo que Cunha não pode ser beneficiado pela delação premiada, como foi, por exemplo, o ex-petista Delcídio Amaral. A quem essa gente acha que engana? Eles e seus veículos de comunicação sempre foram os porta-vozes do tucanato, sabemos muito bem a quem querem proteger.
A
maior utilidade da prisão de Eduardo Cunha é exatamente oposta: que ele
abra o jogo e revele as entranhas do financiamento de campanha
brasileiro, do qual é profundo conhecedor. Se decidir falar, Cunha tem
muito a dizer, sobre políticos de todos os partidos da República (à
exceção, suponho, do PSOL), e talvez isto explique o ensurdecedor
silêncio do PSDB sobre a prisão do malvado favorito da turma de camiseta
verde e amarela.
Isto se considerarmos que a prisão de Cunha é mesmo
para valer.
Eu tenho cá minhas dúvidas. Mas ainda que seja, não será
surpresa para ninguém se a possível delação do peemedebista só servir,
mais uma vez, para incriminar aqueles que têm sido os únicos a pagar
pela podridão do sistema político brasileiro desde o mensalão.
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PITACO DO ContrapontoPIG
PITACO DO ContrapontoPIG
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É muito esquisito como o PSDB está sempre fora destas delações e investigações, quando se sabe que nele figuram grandes nomes - talvez os maiores- da gatunagem nacional.
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E nem seria muito trabalhoso investigar FHC, Aécim Serra, Alkmin e outros menos citados, mas não menos larápios. O jornalista Amaury Jr. no livro A Privataria Tucana - infelizmente jamais folheado pela justiça brasileira - já publicou 103 páginas com provas da patifaria destes elementos praticados na Era do Sociólogo e nos sucessivos governos do Estado de São Paulo.
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