segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Nº 20.349 - Golpe fracassa e a recessão se aprofunda

É o que revela a manchete do Valor Econômico desta segunda-feira: "Receita das empresas cai e mostra crise permanente".

Esse desastre econômico, produzido pelas próprias elites brasileiras, que deram suporte ao golpe contra a presidente Dilma Rousseff, comprova que a estratégia se revelou um tiro no próprio pé, uma vez que o tombo das empresas é inédito.

A crise econômica brasileira passou por três etapas distintas. Um dia depois da derrota na disputa presidencial de 2014, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) se aliou ao ex-deputado Eduardo Cunha e colocou em prática a política do "quanto pior, melhor", sabotando o ajuste fiscal proposto por Dilma e seu ministro Joaquim Levy e, mais grave ainda, pondo em discussão as chamadas pautas-bomba.

Quando Dilma foi afastada provisoriamente, no dia 12 de maio deste ano, Michel Temer e Henrique Meirelles entraram em cena, ampliando o déficit fiscal de R$ 70 milhões para R$ 172 bilhões. Ou seja: o governo decidiu engordar para depois emagrecer, concedendo aumentos e benesses a diversas categorias do funcionalismo. Era uma forma de sedimentar o apoio ao impeachment.

Depois de 31 de agosto, com a confirmação do golpe parlamentar no Senado, a agenda passou a ser meramente recessiva, com medidas como a PEC que congela gastos por vinte anos.


Resultado: os estados estão quebrados (o Rio de Janeiro é apenas o primeiro da fila), mais de 12 milhões de brasileiros estão desempregados e a receita das empresas brasileiras cai 10%, o que aprofundará ainda mais o rombo fiscal, a recessão e o desemprego. Além disso, os investimentos desapareceram, uma vez que, segundo o banco Goldman Sachs, metade dos projetos vinha de empresas atingidas pela Lava Jato, como as empreiteiras.
Decorridos mais de seis meses de governo Temer, o discurso da herança maldita não cola mais e a conta da destruição econômica do Brasil fatalmente chegará para que os lançaram o País nesse pesadelo.
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