terça-feira, 11 de julho de 2017

Nº 21.772 - "Aliança antinacional faz de Rodrigo Maia o 'Temer de Temer' e deflagra o “golpe dentro do golpe”, por Daniel Samam"

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11/07/2017


Aliança antinacional faz de Rodrigo Maia o “Temer de Temer” e deflagra o “golpe dentro do golpe”, por Daniel Samam


Jornal GGN - TER, 11/07/2017 - 18:28




Aliança antinacional faz de Rodrigo Maia o “Temer de Temer” e deflagra o “golpe dentro do golpe”


por Daniel Samam

A aliança antinacional, formada pela Rede Globo, pela Banca (capital financeiro) e a “tigrada” (setores da burocracia estatal como Ministério Público (MP), Polícia Federal (PF) e do Judiciário) não dá ponto sem nó. Toda essa ofensiva contra Michel Temer (PMDB-SP), desde a publicização das gravações do vagabundo Joesley Batista, da J&F, tem o objetivo de derrubá-lo e colocar em seu lugar o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para dar continuidade às contrarreformas. Em suma, é radicalizar a agenda de retirada de direitos e de desmonte do Estado proveniente da vendeta neoliberal.

Nesse sentido, o jornal Valor (7) explicita a tática da aliança antinacional: na matéria "Temer perde apoio e Maia já se articula com mercado", o jornal revela que “Maia tem tido encontros com investidores e analistas dos bancos Santander, Itaú e Banco Société Générale Brasil, de corretoras como XP Investimentos e BGC Liquidez, de empresas de análise, e economistas, como o diretor-presidente do Insper, Marcos Lisboa.”

É público e notório que Maia tem pouca experiência para assumir o mais alto posto de comando político do país, embora tenha bom trânsito no parlamento. Maia precisaria manter a lógica de governo parlamentar, uma espécie de semipresidencialismo à brasileira, como foi construído por Temer e o consórcio - do qual Maia faz parte - que tomou de assalto o Planalto no golpe de 2016.

Mas, para garantir sustentação, é necessário que as duas principais demandas da Banca estejam asseguradas. Uma, é a manutenção da política econômica, com a manutenção e maior autonomia para a equipe capitaneada por Meirelles. A outra é a garantia de aprovação das contrarreformas trabalhista e da Previdência sem prejuízo dos textos originais. A goela da banca é larga. E Maia é totalmente alinhado a essa agenda.

O relatório do deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ), lido na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara que recomenda o prosseguimento da denúncia contra Temer não deveria, em hipótese alguma, ser comemorado pelo campo progressista e de esquerda. Temer derrubado pela aliança antinacional não é nada bom, pois significa abrir caminho para as contrarreformas. É muito melhor um Temer moribundo e sem capacidade alguma de governar.

Concluindo, não importa quem sente na cadeira presidencial. Meirelles e seus asseclas da equipe econômica são intocáveis. O objetivo do golpe sempre foi instaurar uma política econômica completamente servil ao capital financeiro e ao rentismo.


Daniel Samam é Músico e Educador. Coordena o Núcleo Celso Furtado (PT-RJ) e é editor do Blog de Canhota.

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