quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Nº 22.105 - "Maranhão desmonta a farsa do Parente"

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16/08/2017

Maranhão desmonta a farsa do Parente


Golpe vai destruir a segurança energética do Brasil



Conversa Afiada - 16/08/2017


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O engenheiro Ricardo Maranhão, conselheiro da Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET), apresentou em Salvador, no último dia 27/VII, uma palestra com o título "Petróleo, Petrobras, Tecnologia e Soberania Nacional".
A brilhante explanação de Maranhão amarra todas as pontas soltas: após discutir o próprio conceito de energia e dissecar o papel geopolítico do petróleo ao longo da História, discute a questão brasileira, desde a gigantesca mobilização do movimento "O Petróleo é Nosso" até a descoberta do pré-sal.
Pré-sal, aliás, que ajuda a explicar as constantes tentativas de desmonte da Petrobras:
- Produção superior a um milhão e meio de barris por dia
- em dois anos, já produzia. Em oito anos, a produção atingiu 400 mil barris/dia.
- poços com extraordinária produtividade
E, então, Maranhão analisa a Operação Lava Jato. Logo de cara, ressalta: o problema não é o "combate à corrupção", mas a falta de preocupação com a preservação de empresas e da engenharia brasileira.
E destaca o papel do PiG na partidarização do debate.
Aliás, segundo Maranhão, "segmentos da mídia oligopolizada exageram a dimensão da dívida [da Petrobras]. Interesses bem identificados chegam a classificá-la como 'impagável', afirmando, leviana e irresponsavelmente, que a Petrobras está 'quebrada', 'falida' e 'só não entrou em recuperação judicial ou pediu falência' porque é estatal.
Entre as razões, aponta:
- entre 2009 e 2016, com exceção de 2012, a Petrobras sempre apresentou saldo de caixa superior a 15 bilhões de dólares
- o endividamento é positivo porque aumenta a geração de caixa, os lucros futuros, empregos, renda e pagamento de tributos
- palavras de Ivan Monteiro, diretor financeiro, em janeiro deste ano: "Independentemente da venda de ativos ou de captação de novos recursos, a empresa já dispõe dos recursos para cumprir seus comprmissos nos próximos 2,5 anos. Nossa posição de caixa é maior que todos os vencimentos (dívidas) de 2017 e 2018. Se a Petrobras não fizer nada nestes dois anos e meio, ela já tem recursos suficientes para cumprir com seu serviço da dívida".
- Entre 2010 e 2014 (fim do Governo Lula e primeiro mandato de Dilma), a dívida foi formada, sobretudo, devido a grandes investimentos, especialmente no pré-sal. Foram os maiores investimentos na história da empresa.
Sobre o famigerado "Plano de Desinvestimentos", ele ressalta o absurdo da ideia de vender ativos no valor de 34 bilhões de dólares até 2021. E ressalta:
- privatização disfarçada com o eufemismo "parcerias estratégicas"
- privatização inclui campos de petróleo, terrestres e submarinos, participações na petroquímica, usinas de biodisel e etanol, fábricas de fertilizantes, redes de dutos, instalações no exterior
- nem mesmo campos gigantes, com reservas de bilhões de barris, como Carcará, Lapa e Iara, ficam de fora
- esta venda de ativos é feita no pior momento, em conjuntura recessiva, desemprego, preços do óleo deprimidos
- a dívida pode ser alongada e paga sem despojar a companhia de ativos, estratégicos, geradores de caixa
- há, pelo menos, DEZ ALTERNATIVAS para saldar a dívida sem vender o patrimônio
- é um projeto desnacionalizante e entreguista, com transferência do patrimônio nacional ao capital estrangeiro
- desprovido de visão estratégica, o plano tira da Petrobras a condição de empresa integrada e a afasta da petroquímica, dos biocombustíveis (além de enfraquecer a sua participação no mercado de gás natural)
- e ainda contribui para o desemprego e o fechamento de unidades de produção em regiões carentes, desprestigiando a engenharia e a indústria nacional
- o plano transfere para o exterior o controle e as decisões sobre instalações vitais para nossa soberania
- enfraquece e ameaça o futuro da Petrobras.
- os ativos vêm sendo alienados a preços vis; deve-se considerar que a gestão da Petrobras, através do mecanismo do "impairment", promove desvalorização de cerca de 20 bilhões de dólares nos últimos exercícios
Maranhão estabelece as mais graves consequências das privatizações:
- o esquartejamento da empresa e a redução de seu porte
- ameaças à segurança energética do país
- criação de monopólios privados estrangeiros
- agravamento do processo de desnacionalização da Economia brasileira
- retrocessos tecnológicos
- aumento de preços para o consumidor
- prejuízo para a Engenharia e a Indústria do Brasil
- desequilíbrio no balanço de pagamentos com o incremento das remessas de lucros
- desemprego em massa
- maiores riscos de acidentes com prejuízos ambientais
- Estado perde o controle sobre a produção de recurso estratégico
- queda na arrecadação de tributos
- produção predatória
- concentração de poder econômico em grupos privados
E finaliza: todos os brasileiros devem se empenhar na consolidação, no fortalecimento e no crescimento da Petrobras.
Por essas e outras, o Pedro Malan Parente é um fortíssimo candidato a estrear o paredón do
C Af.