quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Nº 22.142 - "O golpe sumiu com o risco do 'apagão'? "


23/08/2017

O golpe sumiu com o risco do “apagão”?


Do Tijolaço · 22/08/2017


amorimluz

POR FERNANDO BRITO


No artigo que escreveu sobre a privatização da Eletrobras, a presidente deposta Dilma Rousseff fala em riscos de “apagão”.

Estranho, não é?

Pois não era no governo dela, sobretudo nos anos de 2014 e de 2015 que se falava que o Brasil estava sob risco de apagão?

E agora, praticamente não se fala nisso, exceto por uma pequena notinha ou outra?

Aos números, para ver se Dilma está enxergando chifre em cabeça de cavalo, já que a nossa mui digna e sábia imprensa não fala disso.

Em 21 de agosto de 2015, uma sexta-feira (dias úteis apresentam consumo maior), o Brasil tinha uma reserva hídrica para geração de energia equivalente a 109.828 megawatt/mês , diante de uma capacidade total de armazenamento de 291 mil MW/mês. Tinha, portanto, 37,63% de suas reservas máximas.

Ontem, esta percentagem baixava a 34,3%, com 96.948 MW equivalentes em água acumulada nos reservatórios.

Em todas as regiões, o nível é pior: no Sul, em 2017,  60,6% contra 83,2% em 2015; no Norte,  54,5% agora contra  68,7%. E no Sudeste e Nordeste, que respondem por 5/6 de toda a capacidade geradora nacional, respectivamente, 34,2% e 13,5% agora contra 35,4 e 20 dois anos atrás.

A situação só não está pior porque a demanda – a carga de consumo – caiu com a crise: de 61 MW médios para 60,3 MWm, com uma pequena importação de energia para compensar.

Quer dizer que vamos ter apagão?

Não, é claro, porque só um irresponsável “adivinha” quando chegarão as chuvas.

Mas significa que teremos energia elétrica mais cara, sem nenhuma dúvida, por pelo menos quatro meses, por conta do custo das usinas térmicas, que naquele dia de 2015, respondiam por 20,4% da demanda e ontem por 24,4%.

E situações dramáticas em muitas regiões do Nordeste, pois estão sendo ordenadas vazões que o reservatório mais importante da região – Sobradinho – não tem condições de sustentar, reduzido como está a com 8,3% de sua capacidade, o que já compromete a captação de água para a irrigação da agricultura.

A diferença entre a situação energética de então e a de agora está em apenas uma coisa: a imprensa.

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