sábado, 17 de dezembro de 2016

Nº 20.536 - "Gleisi: solução da crise passa por eleições gerais, incluindo Congresso"

"O PSDB paga um preço altíssimo por isto, por não ouvir o que as pessoas querem, não ouvir as ruas. O Aécio está derretendo, o Lula está crescendo. Porque as pessoas olham para o Lula e olham para o governo e falam: 'esse cara nos ajudou. Na época dele, a gente tinha um salário bom, tinha emprego, tinha uma economia com vigor, tinha programas sociais. Agora esse pessoal que está vindo aí querem tirar tudo que a gente conquistou?'", afirmou.

Questionada sobre a reforma da Previdência, cuja discussão na Câmara ficou para 2017, Gleisi Hoffmann afirmou que PEC proposta por Michel Temer só será aprovada "se os senadores se fecharem no Senado e não permitirem que as pessoas se aproximem". "A reforma da Previdência é diferente da PEC 55. As pessoas compreendem, estão discutindo no ponto de ônibus com qual idade irão se aposentar.

Gleisi Hoffmann defende como saída para a crise política a realização de eleições gerais diretas, para presidência da República para o Congresso. "O mínimo que esse Congresso pode fazer é mexer na Constituição para antecipar as eleições. Este Congresso está carente de legitimidade. Todas essas delações justas ou injustas, colocam em xeque o Legislativo, e o Legislativo faz de conta que não é com ele", afirmou.

Assista à entrevista na íntegra:


 "Não tem justificativa congelar despesas. Eles alegam que nó estávamos com uma explosão de gastos públicos. Como um governo que faz superávit primário por 10 anos consecutivos, ou seja, arrecada mais do que gasta, está com as contas estouradas? Nós só tivemos déficit em 2014 e 2015, mas porque nós temos uma crise econômica, a receita caiu. Agora nós vamos congelar os gastos por 20 anos para resolver um problema de conjuntura?", afirmou.

Segundo Gleisi, a solução da crise no Brasil deve passar necessariamente pela reforma do sistema tributário.

"É impossível viver num sistema tributário regressivo desses. O sistema tributário prejudica os pobres e agora o orçamento, que era onde você tinha um pouco de recurso para se fazer uma distribuição de renda mínima, vai acabar. Nós não tributamos lucros e dividendos, temos ainda juros sobre capital próprio, que é uma excrescência que vem lá do começo do Plano Real, não temos tributação sobre grandes fortunas.

Ou seja, é tudo invertido. Então nós vamos tirar o dinheiro do orçamento do pobre e deixar o pobre pagando tributo", afirmou.
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