segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Nº 22.028 - "Delações caem por falta de provas. Mas benefícios aos delatores ficam"

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07/08/2017


Delações caem por falta de provas. Mas benefícios aos delatores ficam



Do Tijolaço  · 07/08/2017

delafato


POR FERNANDO BRITO 

Depois do fiasco na comprovação do conteúdo da delação premiada de Delcídio do Amaral, que tinha muita espuma e nenhuma prova  – o que foi reconhecido pelos próprios procuradores da Lava jato em Brasília – surge agora outra situação que faz refletir sobre a difusão destas informações pelas autoridades sem que nada haja senão a palavra do delator.

O delegado Filipe Pace, da Polícia Federal, produziu um relatório – feito em abril, mas só agora de conhecimento público, revelado pelo Estado de S. Paulo – onde afirma que não há nenhuma prova sobre um suposto pedido de R$ 2 milhões feito pelo ex-ministro Antonio Palocci para campanha eleitoral de Dilma Rousseff, como haviam afirmado o tal Fernando Baiano e Paulo Roberto Costa.

Buscaram-se registros de câmaras de segurança, reservas em hote, passagens aéreas, revirou-se tudo e  nada foi encontrado que pudesse dar suporte a esta versão, mesmo com todas as “convicções” dos investigadores.

O delegado escreveu:

“É temerário que inquérito policial tenha tramitado por quase dois anos em função de três versões de fatos diferentes apresentadas por três criminosos que celebraram acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República e que a partir disso obtiveram inegáveis benefícios. Em outras palavras, no presente caso, os colaboradores em nada auxiliaram os trabalhos investigativos, muito embora tenham sido beneficiados para tanto”.

José Roberto Batocchio, à época advogado de Palocci, chegou a pedir a cassação dos benefícios dados aos delatores, mas a Justiça, solenemente, o ignorou. Ambos  estão vivendo muito bem em suas mansões.

Como se não bastasse, agora vem a história de que os arquivos da suposta contabilidade da propina da Odebrecht estão criptografados e não abrem, porque um diretor da empresa “jogou fora a senha”. E ninguém consegue quebrar a criptografia.


É possível que o interesse dos norte-americanos na Odebrecht seja esse: o maravilhoso sistema á prova de hackers que a empresa tinha, coisa que nem o Pentágono até agora conseguiu.