segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Nº 19.705 - "Partido político proscrito, só numa ditadura, por Jean Wyllys "

 

08/08/2016  

 

Partido político proscrito, só numa ditadura, por Jean Wyllys


 

Jornal GGN - Em seu perfil no Facebook, Jean Wyllys publicou um artigo em que coloca na mesa a nova movimentação de Gilmar Mendes em favor de um estado de exceção, quando um ministro do Supremo Tribunal Federal, em sua função como presidente do Supremo Tribunal Eleitoral quer apagar do mapa político brasileiro o partido que ganhou as últimas quatro eleições. Eleições democráticas! Leia o artigo.


Partido político proscrito, só numa ditadura

por Jean Wyllys

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Em sua edição digital, o jornal O Globo informa que Gilmar Mendes, presidente do TSE e ministro do Supremo Tribunal Federal, pediu a cassação de registro do Partido dos Trabalhadores. Se aprovada, a decisão significaria a proscrição de um partido político (no caso, um dos maiores e mais importantes do país, vencedor das últimas quatro eleições presidenciais), algo que não ocorre desde o Ato Institucional nº 2 da ditadura militar.

Uma medida como essa levaria o processo iniciado com a suspensão da presidenta Dilma Rousseff a um estágio muito mais grave e perigoso: o Brasil deixaria de ser um país democrático e o nosso regime político passaria a ser caracterizado como uma ditadura.

E ainda, não bastasse o conteúdo absurdo, o tempo da proposta também chama a atenção. Gilmar propõe a cassação do registro uma semana depois do café da manhã oferecido por ele à cúpula do governo golpista de Michel Temer, no TSE. Naquele encontro estiveram presentes, entre outros, Romero Jucá, que foi demitido após grampos demonstrarem sua atuação para barrar a Operação Lava-jato, e Renan Calheiros, que é um dos nomes mais frequentes nas delações. Ora, como pode Gilmar Mendes simpatizar com a cassação do registro do PT devido à corrupção se os mais notórios denunciados são recebidos com um banquete no seu gabinete?!

É urgente e imprescindível que todos os partidos políticos democráticos, sejam de esquerda ou direita, da situação ou da oposição, expressem de forma explícita, clara e inequívoca seu repúdio a esta tentativa obscurantista de perigosas consequências. A responsabilidade é ainda maior no caso daqueles que já enfrentamos e enfrentaremos o PT nas eleições: não podemos nos calar!

A defesa do sistema democrático deve unir todos os que acreditamos nos direitos políticos, na liberdade e mais amplamente nos direitos humanos. Não é momento para especulações eleitorais ou eufemismos cuidadosos: não podemos permitir que esse novo golpe seja consumado.

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