domingo, 11 de dezembro de 2016

Nº 20.490 - "O que a Globo quer do governo laranja de Michel Temer? Espremer todo o sumo ou derrubar logo do pé?"


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11/12/2016 

 

O que a Globo quer do governo laranja de Michel Temer? Espremer todo o sumo ou derrubar logo do pé?


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(Foto: Beto Barata)


Por Bajonas Teixeira, colunista de política do Cafezinho

A denúncia da Odebrecht contra Temer e seus rapazes mais próximos terá o efeito de derrubar esse governo? Muito provavelmente não, e nem é esse o seu interesse. Foi apenas um empurrão bem dado, essa estória dos 10 milhões. O governo Temer foi esporeado para relinchar e correr mais rápido. Mas nos solavancos bruscos, às vezes o corpo abalado oscila e termina por cair. Quem deveria dar o impulso que falta, é a esquerda. Não somente nas redes, mas sobretudo nas ruas.

Temer é um laranja da Globo que está sendo espremido pela testa de ferro da Lava Jato. Para a Rede Globo não é Temer que interessa, mas o caldo de traição e ignomínia do seu governo, que faz dele e seus rapazes, as figuras mais apropriadas para matar uma democracia. Destruir as conquistas sociais desde a Constituição de 1988, ou melhor, desde a CLT de 1943, é o que se espera deles. Nada deve restar em pé. O Brasil tem que se tornar um deserto de direitos.

A Globo coloca o governo Temer contra a parede, espreme o seu sumo, para que ele seja ainda mais produtivo, mais subserviente, para que aprove as leis com requintes ainda mais degradantes. E para que destrua instituições inteiras, como a Previdência brasileira, um dos poucos casos de sucesso e continuidade de uma instituição complexa no Brasil.

A esquerda que se recusa a lutar, por pudores vindos da falta de compreensão, que por não ter compreendido o momento, teme parecer que se alia com à Globo, está condenada duas vezes. Em primeiro lugar, porque não defender a democracia e as conquistas sociais, seria uma enorme traição à memória das gerações de trabalhadores que lutaram por essas conquistas. Em segundo lugar porque, traindo a luta, não mais será capaz de combater, nem agora nem depois, ficando obrigada a fazer uma papel degradante em momentos de crise, semelhante ao  lastimável Jorge Viana, capacho de Renan Calheiros.

O pior é que, como um exército que engorda e perde a musculatura quando fica parado por muito tempo, as massas da esquerda esquecerão por completo o espírito de combate ao golpe que manifestavam até fins de outubro. Irão se afastar da arena de luta.

A passividade será fatal nesse sentido quando, daqui a alguns meses, sobrevier um acontecimento que exija a presença das massas (ou já esquecemos que o horizonte dentro do qual vivemos, e que teve início em 04 de março, é o do afã da Lava Jato para ter a cabeça de Lula?). Entregando os pontos agora, não haverá massa alguma para convocar quando a hora “h” bater à porta.

Sobretudo, é preciso nunca esquecer, que a luta é sempre educadora. A opinião pública contrária ao golpe aprendeu mais nos últimos dez meses que em todo o período da Nova República.

A situação então tem que ser colocada claramente. Ninguém lutará ao lado da Globo e por objetivos da Globo ou da Folha (aliás, essa sim, é quem quer derrubar Temer de imediato). Numa coalizão direta ou indireta, explícita ou implícita, com a Globo ou com Mefistófeles, o que um lado estará buscando não será de forma nenhuma o que o outro procura.

A Globo quer que Temer vá até ao extremo de seu espírito de rato vil e aprove as leis mais perniciosas, as medidas mais desestruturantes, para transformar o estado brasileiro em uma cidadela de escombros. A Folha de São Paulo, quer nada mais nada menos que a substituição de Temer e seus moleques por FHC e seus chegados, e que o poder esteja mais próximo de São Paulo, ou seja, dela mesma.

Uma esquerda que pensa, deveria projetar a derrubada do governo Temer, pressionar com todas as suas forças e aprender que na história, especialmente na política, a aliança com forças inimigas nunca foi sinal de imaturidade política, mas, ao contrário, sinal de argúcia e compreensão dos objetivos em jogo. A não ser quando acontece inconscientemente, ou por interesses mesquinhos. E não é esse o caso da aliança do PT com o PMDB, que sobrevive até ao golpe como acaba de mostrar o senador Jorge Vianna?

Seria muito engraçado ver uma esquerda que denuncia Temer por usurpar e saquear o estado brasileiro mas que, ao mesmo tempo, vira a cara quando a mídia prova por A+B que ele é corrupto até os ossos. Ou seja, para uma tal esquerda, Temer seria corrupto quando ataca o estado mas não seria corrupto quando é atacado pela Globo.

Mas é verdade que, um partido de esquerda ativo e chefiado por Jorges Vianas é impossível. Esse senador do PT lacaio de Renan Calheiros e do PMDB, é a expressão de todo um grupo ao qual o partido se mantém amarrado como a um cadáver. São milhares de Jorges Vianas, de assessores, de ocupantes de cargos comissionados, de políticos profissionais assalariados, de aliados regionais do PMDB, de dependentes crônicos, etc., enfim, um número razoável de parasitas estrangulando a planta.

Seria preciso avançar nos sinais de ruptura que já estão aparecendo, e isso antes que um ilusório “Unidos somos fortes” leve o PT, ou o que resta dele, para o buraco. É hora de separar o joio do trigo.

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