segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Nº 20.453 - "Direção da Petrobrás afirma: 'Tivemos um terceiro trimestre de resultados sólidos'. É muita cara de pau"

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 05/12/2016
 

Brasil, Macaé, RJ. 18/03/2001. Equipes de resgate trabalham próximo a Plataforma P-36 da Petrobras, na Bacia de Campos, em Macaé, tentando evitar o seu afundamento, iniciado após a ocorrência de duas explosões na base petrolífera que deixou 11 mortos no dia 15 de março de 2001. As tentativas de resgate não funcionaram e a plataforma acabou afundando totalmente. - Crédito:TASSO MARCELO/AGÊNCIA ESTADO/AE/Codigo imagem:20993


Por Cláudio da Costa Oliveira, colunista do Cafezinho

O termo “cara de pau” pode parecer um pouco pesado, mas, dentro de minhas limitações, não encontrei outro para retratar o que sinto sobre o que acontece hoje na Petrobras.

Em sua página na internet, Fatos & Dados da última sexta-feira (02/12), a Petrobras mais uma vez procura “tapar o sol com peneira”.

Que a empresa é , sempre foi, e vai continuar sendo, produtiva e lucrativa, gerando lucro bruto, operacional e caixa, nós já sabemos. Basta olhar os balanços publicados.

Mas querer se vangloriar pelo atingimento de metas de um Plano de Negócios cujo objetivo é desmantelar a empresa, já passou dos limites.

O PNG 2017/2021 da Petrobras foi todo elaborado, não para contribuir com o desenvolvimento econômico do Brasil, não para retribuir ao principal acionista da empresa, o povo brasileiro.

O PNG 2017/2021 da Petrobras tem como principal objetivo atingir o índice de alavancagem 2,5 estabelecido por Wall Street. Hoje a direção da Petrobras comemora o fato de que está conseguindo alcançar as metas programadas. Para eles não interessam os meios que estão sendo utilizados para isto, baseados em duas ações : redução dos investimentos e venda de ativos.

A Petrobras tem ao seu dispor a maior oportunidade de investimento da história do Brasil, que é o desenvolvimento do projeto pré-sal. O difícil, o raro, o excepcional foi a descoberta das reservas do pré-sal. Isto feito, o investimento teria de ser a consequência lógica e correta. Mas a Petrobras, estranhamente, segue no sentido contrário e corta os investimentos, dando como justificativa alcançar um indicador contábil de alavancagem sem nenhum sentido.

Recente artigo da pagina da Federação Única dos Petroleiros (FUP) informa : “Pedro Parente admite que Petrobras pode ficar de fora dos leilões do pré-sal”.

O correto não é “pode ficar de fora”, o correto é “vai ficar de fora, pois o PNG 2017/2021 não prevê recursos para isto e as reservas serão entregues às petroleiras estrangeiras E não venham com a alegação de que faltam recursos, pois recursos não faltam para uma empresa que tem as reservas de petróleo e a tecnologia que só a Petrobras tem. Não seria necessário nem captar novos empréstimos, bastaria rolar a dívida existente, para manter os investimentos e evitar a venda de ativos.

Temos ainda esta venda de ativos absurda, feita de forma dirigida, sem concorrência, sem transparência que está desmantelando a empresa. A Petrobras está aos poucos sendo privatizada “na moita”, sem o conhecimento e muito menos autorização do verdadeiro dono : o povo brasileiro. Privatização feita por um governo não eleito.

Segundo levantamentos feitos só a venda de Carcará, para a empresa estatal norueguesa Statoil, causou uma perda para o país superior ao efeito de duas Lava Jato.

A Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET) em estudo, concluiu que a venda da Nova Transportadora do Sudeste (NTS) para a empresa canadense Brookfield Infrastructure Partners (BIP) representava : “Um prejuízo maior do que o levantado pela Lava Jato”.

A AEPET esclarece : “Ao todo esta atividade representa 78% da receita líquida da Transpetro e contribui para o lucro do sistema Petrobras”, e questiona : “Por que a Petrobras deve sair de um nicho de negócios sem riscos e entregar o lucro garantido para a BIP ?”

Em maio de 2016 ,portanto antes da venda da Liquigas , a Associação Brasileira de Revendedores de GLP (ASMIRG-BR) salientava : “ Brasil poderá sofrer maior golpe de sua história com venda da Liquigas” e também : “Agora se vende uma empresa enxuta, de alta lucratividade por preço insignificante”.

A ASMIRG-BR questionava : “O por que e quem escolheu o banco Itaú para conduzir esta negociação, sendo o banco Itaú sócio do grupo Ultra, que representa a Companhia Distribuidora Ultragaz?”

Depois de demonstrar com números o crime de lesa-patria que estava em andamento a ASMIRG-BR fez um apelo : “Há necessidade do TCU, CADE, MME, Orgãos de defesa do consumidor, dos nossos representantes no poder legislativo, dos nossos amigos da imprensa que nos leem em cópia, de levar a público esta ação que em primeira análise, se mostra com vícios, com propósitos distantes do interesse nacional e que ao contrário gerará mais perdas para a Petrobras S.A.”

De nada adiantou a lamentação, no último dia 17 de novembro o Conselho de Administração da Petrobras aprovou a venda da Liquigas para a Ultragaz por R$ 2,8 bilhões, em negociação conduzida pelo banco Itaú, sócio do grupo Ultra.

Efetivar estas vendas, num momento político em que toda a população está voltada para os capítulos diários da novela Lava Jato, e ainda comemorar os “resultados sólidos” obtidos, é ou não é muita “cara de pau”. É fantástico.

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