quarta-feira, 10 de junho de 2015

Contraponto 16.951 - "A marcha fascista em curso: política, mídia, judiciário e religião"

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10/06/2015


A marcha fascista em curso: política, mídia, judiciário e religião


Palavras Diversas - 10/06/2015

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Não é apenas o governo Dilma que está a perigo, é toda uma rede de conquistas e liberdade alcançadas, com muita luta, ao longo da história pelos brasileiros que está em jogo

Os atuais desdobramentos políticos e seus duros reflexos na sociedade, já podem ser suficientes para afirmar que o fascismo avança, vigorosamente, sobre o Brasil?

O poderoso aparato midiático/judicial/político montado para criminalizar a esquerda e atacar direitos de grupos sociais, LGBT e negros, por exemplo apontam para um caminho de acirramento radical entre defensores de uma nociva agenda conservadora e progressistas acuados.

Soma-se a estes, lideranças religiosas obscuras, mas populares em seus nichos, que despejam combustível no círculo retrógrado que marcha sobre todos aqueles que não se dobram às suas ideias propostas, baseadas em uma rala mistureba política/judiciária/religiosa, feita para confundir a opinião pública, colocando no mesmo caldeirão fatos isolados e manifestações sociais como rótulos descontextualizados daquilo que combatem, com ódio e pouca informação.

Para isso dar certo, empenham uma ação coordenada entre políticos, juízes, pastores e mídia, repetindo uma mesma tecla ideológica para gerar estereótipos e marcar àqueles que atacam, como inimigos da família e dos valores cristãos.

Os episódios recentes do comercial da Boticário e da Marcha para Jesus, que mais se assemelhou a uma espécie de marcha para o fascismo, em que representantes da defesa da redução da maioridade penal, da pena de morte e da justiça com as próprias mãos, foram saudados efusivamente pelo mar de religiosos dirigidos por seus líderes carismáticos, são grotescas evidências que não podem ser desprezadas. As massas sendo confundidas, sem tempo para refletir, por impostores a caminho da ruptura social.

Há um grande agrupamento neo fascista em movimento, em que setores mais retrógrados do Judiciário desempenham papel importante para criminalizar lideranças políticas de esquerda e poupar políticos de direita de seus crimes de corrupção, garantindo nomes para promover a limpeza política e social pretensas.

A mídia transmite propaganda anti-corrupção contra integrantes do PT e do governo, mas pouco ou quase nada fala de escândalos que envolvem seus aliados. A manipulação do noticiário é escandalosa e nunca antes vista em nossa história, em tamanha intensidade e impostura. A grande imprensa engajou-se, com todos os seus recursos, em uma cruzada político-ideológica conservadora. Até alguns anos seria inimaginável que a Globo, um braço forte do catolicismo brasileiro, dispusesse de generoso espaço para que Silas Malafaia, bitolado líder evangélico, faça suas pregações fascistas em rede nacional.

O partidarismo exacerbado do Judiciário e da mídia e o avanço de lideranças religiosas para o mesmo palco, não deixam dúvidas de que há um forte arranjo para a tomada do poder neste momento.  Mesmo derrotados nas urnas, a tentativa golpista se dá pela via parlamentar, onde o governo Dilma é frágil, ao mesmo tempo em que conquistam vitórias para suas agendas fundamentalistas, propagam em alto e bom som seus ditames na mídia, com grande destaque para a Globo e Folha de São Paulo.

A mistura de carismáticas lideranças religiosas, com um noticiário propagandista que repete ideias pré concebidas a exaustão, como ensinado por Joseph Goebbels na Alemanha nazista, e políticos, de passado e presente condenáveis, como Roberto Jefferson, Aécio Neves, Jair Bolsonaro etc, posando de bons moços e defensores da família, da moral e dos bons costumes, fecham o ciclo pré-fascismo que o país atravessa.

Se terão sucesso nesta empreitada, só a sociedade e seus grupos mais progressistas poderão impedir e dizer. O tempo já corre contra as liberdades de expressão, religiosa, de gêneros e contra a democracia.

As atuais marchas são cópias vulgares dos exercícios de Mussolini, Hitler e da atual Ucrânia.

Está cada vez mais perigoso contrapor a bestialidade desta aliança decadente.
Apesar de maioria, a timidez das reações à estes ataques aos direitos cidadãos pode favorecer a tirania do retrocesso.


Não é apenas o governo Dilma que está a perigo, é toda uma rede de conquistas e liberdade alcançadas, com muita luta, ao longo da história que está em jogo.

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