terça-feira, 6 de setembro de 2016

Nº 19.888 - "Após a estranhíssima anulação da delação de Léo Pinheiro, Sérgio Moro ordena a sua prisão em regime fechado"







Brasília - O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância da Justiça Federal do Paraná, defendeu hoje (4), na Câmara, a revisão das penas mínimas aplicadas em casos de corrupção (José Cruz/Agência Brasil)
(Sérgio Moro. Foto: José Cruz/Agência Brasil)


Por Pedro Breier, correspondente policial do Cafezinho


As piadinhas sobre o sumiço da Lava Jato depois do impeachment são injustas com Sérgio Moro.
A Lava Jato não sumiu, apenas diminuiu o seu ritmo e agora intervém pontualmente, somente quando é necessário garantir que a narrativa do golpe não saia dos trilhos.

Vejam o caso de Léo Pinheiro: após vazamentos no sentido de que a sua delação inocentaria Lula e envolveria Aécio Neves e José Serra (aqui, aqui e aqui), a Veja saiu com uma capa afirmando que o ex-diretor da OAS incluiria também Dias Toffoli em sua delação, o que foi usado como pretexto para que a PGR anulasse a delação de Léo Pinheiro.

Duas semanas depois, Moro manda Pinheiro para o regime fechado, sendo que ele já estava em prisão domiciliar por determinação do STF.

A justificativa de Moro é o pagamento de propina ao senador Gim Argello para que empresários não fossem convocados a depor na CPI da Petrobras, em 2014.

A Lava Jato, após rasgar o acordo com o réu, condena-o a regime fechado por uma suposta propina paga há anos.

A liberdade de Léo Pinheiro virou joguete das conspirações.

É como um recado aos últimos delatores da fila: delações que não nos ajudem no próximo passo da operação - dar um jeito de condenar Lula - acabarão dessa forma.

Enquanto isso, a Camargo Correa, outra empreiteira investigada na Lava Jato, pode ser vendida aos chineses.

E assim os objetivos do consórcio midiático/judicial com a operação vão sendo atingidos, um a um: primeiro a queda do governo, agora os golpes finais nas empreiteiras, ficando o caminho livre para que empresas estrangeiras dominem uma das únicas áreas em que o Brasil competia internacionalmente.

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