quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Nº 19.938 - "A Lava Jato e a Primeira Lei de Rodrigo Janot"

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14/09/2016

 

A Lava Jato e a Primeira Lei de Rodrigo Janot

  


É conhecida a Lei de Godwin para as discussões.

À medida em que cresce uma discussão, a probabilidade de surgir uma comparação envolvendo Adolf Hitler ou o nazismo aproxima-se de 1 (100%).

A melhor versão da Lei de Goodwin no Brasil, é a Primeira Lei de Janot:

À medida em que crescem as críticas ao trabalho do Procurador Geral da República, a possibilidade de que ele atribua à tentativa de melar a Lava Jato e defender a corrupção aproxima-se de 1 (100%).

Ontem, na posse da Ministra Carmen Lúcia na presidência do STF (Supremo Tribunal Federal), Janot recorreu novamente à Primeira Lei de Janot:
Tem-se observado diuturnamente um trabalho desonesto de desconstrução da imagem de investigadores e de juízes.  Atos midiáticos buscam ainda conspurcar o trabalho sério e isento desenvolvido nas investigações da Lava Jato.

Janot e a Lava Jato estão blindados pelo maior sistema de controle da informação da história: a imensa rede comandada pela Rede Globo e secundada por todos os demais grupos de comunicação, uma barreira que impede qualquer tipo de crítica e até o exercício do contraditório. As críticas se limitam a veículos alternativos.

Qual a razão, então, de Janot se colocar como vítima de campanhas? É que a liberdade de imprensa, mesmo que se esgueirando por frestas do cartel da mídia, incomoda. E as críticas, mesmo sendo ecoadas em ambientes restritos, têm a consistência dos argumentos comprováveis, deixando o dr. Janot em uma sinuca de bico, da qual não tem encontrado meios de escapar.

Esta é a razão de Janot - e os procuradores da Lava Jato - só aceitarem conceder entrevistas a jornalistas da velha mídia, especialistas em levantar a bola, e não se valer de perguntas incômodas para obrigá-los a se explicar.

A sinuca é simples:

1.     A suspeita geral é que o Janot tem uma postura flagrantemente partidária, poupando o PSDB e, principalmente, seu conterrâneo Aécio Neves.

2.     A prova do pudim para acabar com a suspeita é simples: encerrando o inquérito contra Aécio e acusando-o perante o Supremo.

3.     Apurar as denúncias contra Aécio é trabalho de semanas: tem-se o nome do subornado – Dimas Toledo, que até hoje sequer foi indiciado ou ouvido -, a lavanderia – a empresa Bauruense -, a destinatário – Andrea Neves – e ainda pistas de offshores abertas em nome da família.

Por que Janot não desmente as suspeitas, denunciando Aécio? Porque não tem condições ou vontade política de denunciar Aécio, seja pela afinidade política, seja pelas alianças formadas para derrubar Dilma, seja pelos laços da origem mineira. E sem a presunção da isenção, como pretende colocar-se ao largo das críticas ou defender o estilo draconiano das Dez Medidas contra a corrupção? A contrapartida mínima a tanto poder é o compromisso com a isenção.

No entanto, a parcialidade de Janot é tamanha que adivinhar seus próximos passos tornou-se um exercício enfadonho, de tão previsível.

Por exemplo, quando se montou o jogo de cena com a capa de Veja – com uma não-denúncia contra o Ministro Dias Toffoli --, que Janot utilizou como álibi para interromper as negociações da delação de Léo Pinheiro, cantamos aqui:
·       Pinheiro iria fazer uma delação incriminando, entre outros, Aécio e Serra;
·       Janot interrompeu as negociações para forçar Léo Pinheiro a mudar a estratégia e selecionar apenas os alvos que interessavam politicamente a ele e a Sérgio Moro: Lula e Dilma.

Ontem, em Curitiba, Léo Pinheiro reformulou sua delação retirando qualquer menção a Aécio e Serra e, induzido pelas perguntas de Sérgio Moro, enfiou Dilma na história a golpes de martelada. Acabou lembrando-se que Dilma participou de um jantar na casa do senador Gim Arguelo. Quarenta minutos após sua saída, Léo acertou com Arguelo a propina para abafar a CPI da Petrobras. Eia a prova do crime. 

O procurador ghost writer do Fausto Macedo, do Estadão, garantiu que a informação incriminou Dilma.

Por isso mesmo, não esperem que a delação de Eduardo Cunha – para Moro ou Janot – resulte em qualquer dano aos intocáveis da política. Cunha, eu, a torcida do Flamengo e do Atlético Mineiro sabemos que há três pré-condições para que o MPF aceite a delação: a primeira, é incriminar Lula e Dilma; a segunda, é livrar Aécio e Serra. A terceira é dizer que as delações foram feitas espontaneamente, sem nenhuma pressão dos inquisidores.

Se o dr. Janot desmentisse, daria a mão à palmatória com todo prazer.

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